Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 20 de maio de 2017

Anunciada a queda da Babilônia mística

Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição. (Apocalipse 14:8)

O anjo portador do evangelho eterno (Apocalipse 14:6-7) é seguido por outro anjo, o segundo (verso 8), que se une ao primeiro na obra de restaurar a verdade de Deus para o tempo do fim.


A mensagem do segundo anjo não é menos evangélica que a do primeiro.

A queda da antiga Babilônia representou para os judeus sua libertação do cativeiro babilônico e posterior retorno para Jerusalém. Da mesma forma, a queda da moderna Babilônia espiritual anuncia a iminente libertação da igreja de Cristo para a Jerusalém celestial!

À semelhança do passado, o último remanescente de Deus deve ser liberto de Babilônia para não partilhar com ela de sua queda final e inevitável (Apocalipse 18:1-5).

Por isso, o mesmo senso de urgência que impele o primeiro anjo em sua obra mundial, anima o segundo, pois a proclamação do evangelho eterno deve também incluir a exposição dos poderes que se lhe opõem, de modo que todos possam fazer sua escolha.

E Deus espera que, uma vez revelado o verdadeiro rosto da Babilônia mística, almas sinceras escolham diligentemente separar-se dela e unir-se a Cristo e Sua igreja, "os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apocalipse 14:12)!

O significado da palavra

A razão por que João usa a palavra "Babilônia" no Apocalipse não tem nada de casual. O próprio significado do nome é parte da revelação sobre sua aplicação profética: "porta de Deus" ou "porta dos deuses", o que reflete a crença dos habitantes da antiga e presunçosa cidade sobre sua função religiosa.

A primitiva Babilônia ou Babel foi fundada por Ninrode, e é a primeira das cidades mencionadas em Gênesis 10:10 como constituindo o princípio do seu reino.

Como fundador de Babel, é possível que Ninrode tenha tido alguma participação na construção da torre referida em Gênesis 11:1-9. Seu nome e sua cidade tornaram-se o protótipo da arrogância e rebelião, que culminaram na apostasia da torre de Babel.

Esta torre era o monumento mais importante da cidade, e foi reconstruída durante o império neobabilônico em memória da mais antiga. Materializava a função sagrada de Babilônia, e era chamada "Etemenanki", a "Pedra fundamental do Céu e da Terra".

Notemos que por meio desse duplo simbolismo - a "porta" e a "pedra" - a antiga Babilônia se converteu em um modelo de contrafação das prerrogativas de nosso Senhor Jesus, que identificou a Si mesmo como a legítima "porta" e a única "pedra", sem O qual não pode haver reconciliação entre o homem e Deus (João 10:7, 9; Atos 4:11-12; I Pedro 2:6-8; I Timóteo 2:5).

Ora, visto que nas Escrituras a Babilônia histórica não é senão um modelo da moderna Babilônia espiritual mencionada pelo vidente de Patmos, nós podemos esperar encontrar nela as mesmas reivindicações de autoridade e atributos divinos.

Referências à Babilônia no Apocalipse

No Apocalipse, a palavra "Babilônia" é mencionada pela primeira vez na mensagem do segundo anjo. Nos dias em que João recebeu esta visão, a antiga Babilônia não passava de ruínas e desolação.

Aqui, o profeta não explica aos seus leitores quem ou que é Babilônia, porque ele usa um estilo literário peculiar ao Apocalipse, que consiste na antecipação de um objeto de interesse profético e só depois seu desenvolvimento.

Assim, a revelação sobre Babilônia em Apocalipse 14:8 é posteriormente ampliada nos capítulos 16 a 19.

Contudo, o leitor que tenha alguma familiaridade com os capítulos 12 e 13, que tratam dos três agentes perseguidores do povo de Deus - o dragão, a besta e o falso profeta - já possui uma ideia do que a Babilônia apocalíptica simboliza.

Incluindo a menção à Babilônia na segunda mensagem angélica, há precisamente seis referências a este poder no Apocalipse!

Como já observamos, este número tem íntima relação com a antiga Babilônia e seu misterioso culto (para conferir, clique aqui e aqui), e seus múltiplos significados dizem muito a respeito de sua congênere do tempo do fim.

Referências no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o número seis ocorre significativamente em seis eventos específicos, e, com exceção do primeiro, que trata do desafio de Lúcifer a Deus (Isaías 14:13-14), todos os demais se referem à Babel ou Babilônia, e refletem os mesmos sentimentos do anjo rebelde!

  1. No relato da construção da torre de Babel, o pronome "nós", expresso ou elíptico, ocorre exatamente seis vezes (Gênesis 11:3-4).
  2. A imagem de ouro que Nabucodonosor mandou erguer na planície de Dura tinha o número seis como base de suas medidas (Daniel 3:1).
  3. São mencionados seis instrumentos musicais na orquestra do rei, ao som dos quais todo o povo deveria curvar-se e adorar a imagem de ouro (Daniel 3:5).
  4. A "árvore" que Nabucodonosor viu em sonho e que foi interpretada por Daniel como símbolo do poder babilônico é citada seis vezes (Daniel 4:10, 11, 14, 20, 23 e 26).
  5. Seis eram os tipos de deuses que Belsazar e seus convidados adoravam, na noite em que Babilônia caiu (Daniel 5:4).

Estas referências bíblicas ao número seis, bem como sua representação mais expressiva, o número 666 (Apocalipse 13:18), indicam a determinação do homem de exaltar-se acima de Deus e de Jesus Cristo.

Elas também ressaltam que a antiga Babilônia é um protótipo dos inimigos do povo de Deus durante a era da igreja, especialmente no tempo do fim.

Suas diferentes significações

O conjunto destas ocorrências envolvendo o número seis e Babilônia é bastante esclarecedor no sentido de identificar a natureza do poder sobre o qual João se refere com a mesma designação.

O uso do pronome "nós", expresso ou não, no diálogo entre os construtores da torre de Babel transmite os sentimentos de exaltação própria, incredulidade e desobediência.

A imagem de ouro de Nabucodonosor, a função da orquestra real na ocasião de sua consagração, e a devoção de Belsazar e seus convidados aos diferentes deuses de Babilônia na noite da queda da cidade aludem à falsa adoração.

E o poder babilônico simbolizado pela "árvore" no sonho de Nabucodonosor e os eventos que então se seguiram expressam o orgulho e a autossuficiência daquele império.

É razoável, pois, que encontremos as mesmas características na Babilônia mística a qual o Apocalipse se refere precisamente seis vezes! As semelhanças entre esta Babilônia e a sua congênere histórica justificam o uso que a Providência faz do termo no último livro da Bíblia.

O que o Apocalipse revela a seu respeito

Nas seis referências à Babilônia, João apresenta uma revelação progressiva a seu respeito, e todas elas encontram seu respectivo precedente no Antigo Testamento:

  1. A queda de Babilônia, "que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição" (Apocalipse 14:8; Isaías 21:9; Jeremias 51:8).
  2. Por que deu a beber a todas as nações do seu próprio vinho, Deus Se lembrou "da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira" (Apocalipse 16:19; Jeremias 25:15-16).
  3. Babilônia é identificada como uma "grande meretriz" e "mãe das meretrizes e abominações da terra". A origem e desenvolvimento de sua prostituição são apresentados em uma sentença judicial do Céu contra ela (Apocalipse 17:5; Jeremias 50:12).
  4. Proclama-se novamente a queda da "grande Babilônia" e descreve-se sua terrível condição moral e espiritual (Apocalipse 18:2; Isaías 21:9).
  5. Os reis da Terra, que com ela se prostituíram, lamentam sua triste sorte (Apocalipse 18:10; Jeremias 51:8).
  6. Em função de sua carreira criminosa, Babilônia será afundada no esquecimento ou perdição, "e nunca jamais será achada" (Apocalipse 18:21; Jeremias 51:63-64).

Profecias como as de Isaías e Jeremias a respeito da antiga Babilônia são estruturadas dentro de uma perspectiva tipológica, isto é, os juízos sobre a antiga Babilônia são um tipo ou símbolo do juízo final contra a apostasia de proporções ecumênicas nos últimos tempos.

A correspondência literária entre o Apocalipse e aquelas profecias confirma essa relação, e os princípios que devem orientar o intérprete cristão encontram-se no evangelho eterno.

O grande desafio diante de nós

Cada referência à Babilônia no Apocalipse é significativa à luz de seu contexto mais amplo (os capítulos 16 a 18) e de seu contexto-raiz (as profecias do Antigo Testamento que tratam da antiga Babilônia).

O conjunto destas informações nos lembra de que só é possível estabelecer seguramente a identidade de Babilônia, a complicada estrutura de suas pretensões e a condenação divina que pesa sobre ela se nós permitirmos que a Palavra de Deus fale, e não o homem.

Isto requer de nós humildade e a disposição de conhecer a verdade.

A revelação sobre Babilônia e sua queda moral e definitiva é uma expressão do amor e do cuidado que Deus tem por Sua igreja. Ela transmite a boa notícia de que a certeza do juízo contra Babilônia assegura a gloriosa recompensa do povo de Deus!

Por esta razão, deve ser o nosso maior interesse compreender-lhe o sentido e viver em virtude de suas advertências.

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