Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 16 de setembro de 2017

Consequências da união da Igreja com o mundo (parte 2)

No artigo anterior, observamos que a visão de João em Apocalipse 17:3-6 revela seis características presentes na "grande meretriz" que resultaram de sua união ilícita com o mundo, e que a definem como tal.

Examinamos, na ocasião, as três primeiras características, como parte de uma progressão profética e histórica sobre a apostasia cristã que, indubitavelmente, identifica a mulher adúltera com a Igreja papal.

Nesta oportunidade, vamos abordar as três características seguintes, as quais completarão o perfil desta Igreja, que sacrificou a verdade no altar do orgulho e da condescendência própria, ao abandonar a Cristo e Seus mandamentos.


4. A mulher tem na mão um cálice de ouro

João testifica da quarta característica desta mulher impura, ao observar que ela tem "na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição" (Apocalipse 17:4c).

O observador não deve se deixar levar pela aparência do cálice, pois uma igreja pode se afastar de tal modo da verdade, que seus ritos, cultos e declarações formais sejam apenas um disfarce convincente para sua apostasia.

E por mais que o reluzente ouro do cálice possa deslumbrar-nos, a verdadeira natureza de seus ritos e cerimônias é plenamente exposta pela profecia: não passam de abominações e imundícias, produto de sua prostituição com o mundo.

Em seu sentido evangélico, o cálice representa a salvação, pela qual Davi orou fervorosamente (Salmo 116:13). Este símbolo tornou-se ainda mais expressivo quando nosso bendito Salvador instituiu a Santa Ceia!

O cálice da comunhão simboliza "a nova aliança no meu sangue" (I Coríntios 11:25), e se refere a todas as verdades que constituem o plano divino da redenção.

A nova aliança entre Deus e o homem é inteiramente apoiada nas promessas de Deus. É nova no sentido de que foi ratificada pelo sangue de Jesus!

Ao contrário do sistema levítico, em que o sacerdote oferecia "muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados", Cristo ofereceu "para sempre, um único sacrifício pelos pecados", e, "com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hebreus 10:11-12 e 14)!

Entretanto, numa clara oposição ao cálice da salvação, transbordante da mais pura doutrina de Cristo, e da qual testificaram poderosamente os santos apóstolos, o cálice de ouro na mão da mulher adúltera transborda de "abominações e com as imundícias da sua prostituição".

E não somente isto, mas a Igreja que declara ser depositária da verdade da salvação para os homens "tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição" (Apocalipse 14:8), isto é, tem embriagado os povos com o vinho da sua prostituição com os poderosos da Terra.

Significado profético do "vinho". O profeta Isaías esclarece a natureza desse vinho, ao se referir à apostasia de Judá e Jerusalém, no capítulo 29 de seu livro (note bem as palavras):


9 Estatelai-vos e ficai estatelados, cegai-vos e permanecei cegos; bêbados estão, mas não de vinho; andam cambaleando, mas não de bebida forte.
10 Porque o SENHOR derramou sobre vós o espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, que são os profetas, e vendou a vossa cabeça, que são os videntes.
11 Toda visão já se vos tornou como as palavras de um livro selado, que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não posso, porque está selado;
12 e dá-se o livro a quem não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não sei ler.
13 O SENHOR disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu,
14 continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá.

A Escritura não poderia ser mais clara. A apostasia havia prejudicado a razão e o discernimento dos habitantes de Jerusalém - tal como acontece com alguém entregue ao vinho ou bebida forte -, incapacitando-os a compreender a mensagem do Céu.

Honravam o Senhor com os lábios, mas não conheciam o Deus a quem professavam seguir. Seu temor a Deus não refletia obediência à Sua lei, mas consistia em mandamentos de homens, aceitos sem crítica ou questionamento.

O Senhor Jesus Cristo identificou a mesma hipocrisia em Sua época, quando discutiu com os dirigentes de Jerusalém, para quem as tradições de origem puramente humana haviam se tornado tão ou mais sagradas do que a própria lei de Deus.

Cristo defendeu com determinação e firmeza a superioridade das leis morais de Deus sobre tradições e mandamentos humanos, e repreendeu os líderes judaicos recorrendo às mesmas palavras de Isaías:


Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. (Mateus 15:7-9. Ver também Marcos 7:6-9)

O vinho intoxicante de Babilônia. Desse modo, o vinho e a bebida forte, ou seus efeitos inebriantes, são usados figuradamente pela Escritura para descrever a embriaguez espiritual decorrente da aceitação acrítica de mandamentos humanos, os quais procedem de corações não santificados pela verdade, que se contentam em ostentar uma forma exterior de religião.

Não têm discernimento espiritual nem conhecimento de Deus porque se embriagaram com falsos ensinos, em virtude de sua união ilícita com o mundo.

O "vinho" de Babilônia, mediante o qual as nações da Terra são intoxicadas, refere-se, pois, aos ensinos e mandamentos de Babilônia, com os quais corrompeu os "mandamentos de Deus" e o "testemunho de Jesus" (Apocalipse 12:17; 14:12).

É da mistura da verdade com o erro que resulta sua doutrina apóstata, seu dogma corrompido, e os preceitos de origem humana, que só podem ser plenamente aceitos mediante coerção e perseguição por parte dos poderes civis que lhe dão apoio e pelos quais embriaga as nações.

Essa compreensão é reforçada quando consideramos a causa imediata da queda da antiga Babilônia, cuja história proporciona um antecedente das mensagens de juízo do Apocalipse contra a moderna Babilônia.

Em um banquete imperial, oferecido a mil de seus grandes, o rei Belsazar havia ordenado que os utensílios sagrados de ouro e de prata, trazidos do templo de Jerusalém por Nabucodonosor, fossem usados para beber vinho (Daniel 5:1-3).

"Beberam o vinho", declara a Escritura, "e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra" (verso 4).

Este ato ousado e profano, que misturou o sagrado e o comum, e confundiu o Criador com a criatura, numa clara provocação ao Deus de Israel, determinou o fim do tempo de graça para Babilônia, trazendo sobre ela o veredito de sua condenação (versos 5, 24-28).

Tanto os sentimentos envolvidos como a natureza deste ato espantoso estão presentes na Babilônia dos últimos dias. O Apocalipse revela que ela tem na mão um cálice de ouro, cheio, no entanto, das abominações e imundícias de sua idolatria. O objeto transmite legitimidade, mas não o conteúdo.

Se a essência da idolatria é confundir o santo com o profano, e adorar e servir a criatura em lugar do Criador (Romanos 1:22-23, 25), qualquer pessoa que venha a beber do vinho de Babilônia perderá a distinção fundamental entre eles, e será levada a confiar nas tradições humanas e, finalmente, no poder político para apoiá-las e protegê-las.

E porque povos e nações têm sido assim iludidos e enganados, Babilônia cairá da graça protetora de Deus tão certamente como sua congênere histórica, quando atingir o limite da paciência divina (Apocalipse 14:8; 18:2-5).

Símbolo da Igreja papal. É realmente admirável que a Igreja de Roma retrate a si mesma como uma mulher - a FIDES ou a fé católica - que tem na mão um cálice - o cálice de ouro da missa -, identificando-se desse modo com a mulher de Apocalipse 17!


Medalha papal cunhada em homenagem a Leão XII. No verso, a mulher, símbolo da Igreja, tem na mão um cálice, e está sentada sobre o globo terrestre. A inscrição em latim diz: O MUNDO TODO É A SUA SEDE, uma afirmação de sua autoridade universal.

De fato, a representação da fé católica na figura de uma mulher que segura em uma das mãos um cálice é muito comum, embora certamente exclusiva; ela não é símbolo de nenhuma outra corporação religiosa.

A figura, ao que parece, tem sua origem no paganismo, como muitos outros símbolos e costumes pagãos incorporados pela Igreja.

Pois, como testificou o célebre padre canadense, Charles Chiniquy, que durante meio século serviu à Igreja, a única diferença entre Roma pagã e a Roma dos dias atuais está no nome.


Os templos idolátricos são os mesmos, e nem sequer os ídolos deixaram seus lugares! Hoje, como dantes, em sua honra e louvor queima-se o mesmo incenso! Nações inteiras ainda hoje estão prostradas a seus pés, para lhes oferecer as mesmas homenagens e pedir as mesmas graças; mas, em vez de apelidar tal imagem de Júpiter, dão-lhe o nome de Pedro; em vez de chamar a esta de Minerva ou de Vênus, chamam-na de Maria. É a velha idolatria que veio até nós com nomes cristãos! (1)

Fides era originalmente a deusa romana da confiabilidade e da boa fé, e, embora não fosse considerada a principal divindade, era estimada pelo romanos o bastante para ter o seu próprio templo na colina Capitolina. (2)


No Verso do denário fourrée, de Adriano, vê-se a imagem de Fides segurando uma tigela de frutas em uma das mãos, e, na outra, espigas de trigo ou cevada.

Como depositária e transmissora da cultura romana, de cujo solo se alimentou, era natural que a Igreja de Roma também se fizesse representar por uma mulher, a Fides católica, com a singular diferença de que, ao invés de vasos de frutas ou estandartes militares, ela tem na mão um cálice, que remete àquela que é a mais importante entre as doutrinas católicas.

O sacrifício idolátrico da missa. O cálice presente nas inúmeras representações simbólicas da Fides católica é o cálice de ouro da missa, com a hóstia, em alguns casos, assemelhando-se ao resplendor do sol, outro símbolo de origem pagã que a Igreja entusiasticamente adotou.


Moeda de 1963, cunhada na Cidade do Vaticano, em cuja face se vê a efígie do papa Paulo VI, com a inscrição PONT. MAX., abreviação para "pontífice máximo", título originalmente pagão. No verso, a Fides católica segura em uma das mãos o cálice de ouro da eucaristia.

É evidente a importância dessa doutrina para a Igreja, e figura entre os ensinos mais abomináveis de seu cálice, na medida em que constitui uma contrafação doutrinária do sacerdócio.

Diz-se que, neste "sacramento", há "a presença do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo", e que "o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: 'É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz'". (3)

A ceia do Senhor é um memorial simbólico, e não um sacrifício (I Coríntios 11:23-26).

E nosso Senhor Jesus não precisa "oferecer a si mesmo muitas vezes", pois Ele "se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado" (Hebreus 9:24-26). Se não fosse assim, o Seu sacrifício seria tão imperfeito quanto os oferecidos diariamente pelos sacerdotes no sistema levítico.

Por mais sagrada que seja a doutrina da transubstanciação para o católico devoto, ela não é outra coisa senão idolatria, pois considera o onipotente Criador substancialmente contido em um pedaço de pão!

E para que não fique dúvida sobre a natureza blasfema desse despropósito, consideremos as palavras do erudito católico-romano, John A. O'Brien, sobre o assunto:


Quando o sacerdote pronuncia as tremendas palavras de consagração, ele alcança os céus, faz Cristo descer de seu trono, e coloca-o sobre o nosso altar para ser oferecido novamente como vítima pelos pecados do homem. É um poder superior ao dos monarcas e imperadores. Superior ao dos santos e anjos, superior ao dos Serafins e Querubins. De fato, é superior ao poder da Virgem Maria. Embora a Santíssima Virgem tenha sido o agente pelo qual Cristo encarnou uma única vez, o sacerdote faz Cristo descer dos céus, e o oferece presente sobre nosso altar como a eterna vítima pelos pecados do homem, não uma, mas mil vezes! O sacerdote fala, e eis que Cristo, o Deus eterno e onipotente, inclina sua cabeça em humilde obediência à ordem do sacerdote! De que dignidade sublime é o ofício do sacerdote cristão, qual seja, portanto, o privilégio de atuar como o embaixador e substituto de Cristo na terra. Ele continua o ministério essencial de Cristo - ensina os fiéis com a autoridade de Cristo, oferecendo novamente o mesmo sacrifício de adoração e de expiação que Cristo ofereceu no Calvário. Não surpreende que o nome que os autores espirituais gostavam especialmente de aplicar ao sacerdote fosse o de "alter Christus". No que diz respeito ao sacerdote, é e deve ser outro Cristo. (4)

Milhões de almas sinceras têm sido enganadas pelas falsas doutrinas de Roma. Ela, de fato, "engradeceu-se até ao príncipe do exército; dele tirou o sacrifício diário e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo... deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou" (Daniel 12:11-12).

5. Ela tem um nome escrito na fronte

Em Apocalipse 14:1, João vê o remanescente final em pé com o Cordeiro no monte Sião, "tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai".

Significa que este grupo especial de crentes foi completamente coberto pela graça e justiça de Cristo, de modo que representam na vida e no caráter a própria vida e caráter de Deus!

Não há maior herança para o crente cristão do que ser chamado pelo nome do Pai e o nome do Filho mediante o selamento no Espírito (Efésios 1:13; 4:30)!

Mas em Apocalipse 17:5, João vê escrito na fronte da mulher adúltera "um nome, um mistério: "Babilônia, A Grande, A Mãe das Meretrizes E das Abominações da Terra".

Eis aqui a quinta característica da Igreja apóstata.

E é verdadeiramente um mistério que a Igreja que se declara única guardiã e intérprete das Escrituras ensine doutrinas flagrantemente contrárias à mesma Escritura; que afirma ser cristã e mãe da cristandade, embriague-se, todavia, "com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17:6)!


Uma igreja jactando-se a si mesma de ser a noiva, e ainda ser prostituta; intitulando-se a si mesma de Sião e ser Babilônia - isto é um mistério. Um mistério é, que, quando ela diz a todos - "vinde a mim" - a voz do céu clama - "sai dela, povo meu". Um mistério é que aquela que se orgulha como cidade dos santos, tornou-se a habitação de demônios; que aquela que pretende ser infalível, está falando para corromper a terra; que, denominando-se "mãe das igrejas", é chamada pelo Espírito Santo "mãe das prostitutas"; que aquela que se orgulha ser indefectível, deve um dia ser destruída, e que os apóstolos devem regozijar-se com sua queda; que aquele que tem, como ela diz, em suas mãos as chaves do céu, será lançada no lago de fogo por Aquele que tem as chaves do inferno. Tudo isto, em verdade, é um grande mistério. (5)

Não é de admirar, portanto, que Paulo tenha se referido a este mistério como o "mistério da iniquidade" ou "da injustiça" (II Tessalonicenses 2:7), cujo fim será segundo as suas obras.

"Babilônia, A Grande". "Mistério" é também uma designação apropriada para se referir aos cultos misteriosos da antiga Babilônia e das demais nações idólatras que entraram na igreja. E é por esta razão que a palavra não se restringe à identidade da mulher, mas inclui também a besta (Apocalipse 17:7). Para a mente que tem sabedoria, ambas devem ser entendidas juntas.

Os mistérios, sobre os quais "é vergonhoso até falar" (Efésios 5:12, Versão Católica), assumiram um caráter religioso desde que Ninrode, o fundador da primeira Babel, determinou-se a garantir sua influência sobre o povo, eliminando da mente dos homens o conhecimento do verdadeiro Deus.

Nesse sentido, Babilônia pode ser considerada uma representação dos sistemas religiosos apóstatas ao longo da história, conquanto devamos lembrar de que, com a expressão "Babilônia, A Grande", a visão de João em Apocalipse 17 tem em vista especialmente as religiões apóstatas que se unirão no tempo do fim. Ela é grande em virtude da magnitude da união e do peso dos atores envolvidos (Apocalipse 16:13-14).

É lamentável que a Igreja que se autoproclama representante de Cristo na Terra, tenha, na verdade, o nome de Babilônia. Deve-se sublinhar que esta não é uma revelação de um homem, mas de Jesus Cristo, o autor expresso do Apocalipse (1:1) e cabeça da igreja (Colossenses 1:18).

E devemos concluir que, à semelhança da Babilônia histórica, a Babilônia mística de que fala o Apocalipse é amplamente adúltera, aspira ao domínio universal, à sujeição das consciências humanas por meio de um falso sacerdócio, e à imposição de sua religião idólatra, fundamentada na salvação pelas obras, em flagrante desprezo ao plano original de Deus.

A propósito do nome escolhido pela Providência para identificar a "grande meretriz", Alexander Hislop escreve:


O que significa este nome escrito "na fronte"? Não indica, naturalmente, que, antes de o juízo surpreendê-la, seu verdadeiro caráter estaria tão desenvolvido, que todos os que têm olhos para ver, que possuem o mínimo discernimento espiritual, seriam obrigados, por assim dizer, diante da evidência ocular, a reconhecer a maravilhosa peculiaridade do título que o Espírito de Deus apôs sobre ela? Seu julgamento está sendo agora evidentemente abreviado; e, à medida que ele se avizinha, a Providência de Deus, cooperando com a Sua Palavra, pela luz que derrama em toda parte, torna cada vez mais manifesto que Roma é, verdadeiramente, a Babilônia do Apocalipse; que o caráter essencial de seu sistema, os grandes objetos de seu culto, seus festivais, sua doutrina e disciplina, seus ritos e cerimônias, seu sacerdócio e suas ordens, foram todos derivados da antiga Babilônia; e, finalmente, que o próprio Papa é verdadeira e propriamente o representante direto de Belsazar. (6)

"Mãe das Meretrizes E das Abominações da Terra". A meretriz que pretende embriagar as nações com o vinho da sua prostituição é também chamada mãe pela profecia.

E não é significativo que a Igreja papal denomine a si mesma "mãe de todas as igrejas"?

O então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, escreveu:


De fato, em sentido próprio, Igrejas irmãs são exclusivamente as igrejas particulares... entre si. Deverá resultar sempre claro, mesmo quando a expressão Igrejas irmãs é usada neste sentido próprio, que a Igreja Universal, una, santa, católica e apostólica, não é irmã, mas mãe de todas as Igrejas particulares. (7)

E o papa Francisco declarou:


E a Igreja assim vê crescer a sua maternidade: é Mãe de mais filhos, de muitos filhos; torna-se Mãe, sempre mais Mãe. E Mãe que nos dá a fé, Mãe que nos dá a identidade. A identidade cristã não é dada por um bilhete de identidade; a identidade cristã é pertença à Igreja: todos estes pertenciam à Igreja, à Igreja Mãe, porque não é possível encontrar Jesus fora da Igreja. O grande Paulo VI dizia: é uma dicotomia absurda querer viver com Jesus sem a Igreja, seguir Jesus fora da Igreja, amar Jesus sem a Igreja (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). E a mesma Igreja Mãe, que nos dá Jesus, dá-nos a identidade, que não é somente um selo: é uma pertença. Identidade significa pertença: a pertença à Igreja. Coisa estupenda! (8)

A profecia, porém, adverte de que esta Igreja não é mãe de virtudes, mas de meretrizes e de abominações, visto ser ela própria uma adúltera, que abandonou o caminho da verdade por amor ao mundo e para obter dele seu reconhecimento e favor.

As "filhas" a que se refere a Providência seguem o exemplo da "mãe": são igualmente meretrizes, que partilham com ela das mesmas paixões e abominações, isto é, dos mesmos sentimentos e doutrinas pervertidas que caracterizam Roma papal.

Não se aplica tão inominável condição às igrejas protestantes que dela saíram e que, no entanto, com ela ainda comungam em muitos pontos de doutrinas? E não constituem "mãe" e "filhas" a moderna Babilônia, cujo significado da palavra é "confusão", da qual são acusadas estas igrejas por sua união ilícita com o mundo e pelas falsas doutrinas dela resultantes?

6. Está embriagada com o sangue dos santos

A igreja de Cristo não só permitiria em seu seio uma nova Jezabel, com sua falsa reivindicação como profetisa de Deus e com seu culto idólatra (Apocalipse 2:20), mas, uma vez institucionalizada, a própria igreja converter-se-ia numa Jezabel, com idêntica ambição e sede de sangue!

Temos aí a última e mais dramática característica da Igreja que se uniu ao mundo e fez dos poderes políticos seus protetores.

E podemos compreender melhor a causa de tão amargo fenômeno nas palavras do Dr. Andrew Lobaczewski sobre como uma ideologia, por mais altruísta que seja, pode ser afetada por fatores degenerativos. Ele cita o exemplo do cristianismo e sua relação com o Império Romano:


O Império Romano, incluindo seu sistema legal e a parcimônia nos conceitos psicológicos, contaminou similarmente a ideia homogênea primária do Cristianismo. O Cristianismo teve que se adaptar à coexistência com um sistema legal onde o dura lex sed lex [a lei é dura, mas é a lei], no lugar de um entendimento dos seres humanos, decidia o destino de uma pessoa; isso levou então à corrupção da tentativa de atender aos objetivos do "Reino de Deus" por meio dos métodos imperialistas romanos. [...]
A civilização imperial e legal romana foi excessivamente ligada à matéria e à lei, e criou um sistema legal que era muito rígido para acomodar qualquer aspecto real da vida psicológica e espiritual. Esse elemento "terreno" estranho infiltrou o Cristianismo e resultou na adoção de estratégias imperiais, pela Igreja Católica, para forçar seu sistema sobre os outros por meio da violência. (9)

Quão profundamente esse modelo diametralmente oposto ao cristianismo, e, não obstante, tão próximo dele, mudou a igreja institucional. O maior inimigo dos cristãos não é o preconceito, o descrédito ou a perseguição, mas o espírito do tempo, ou seja, a cosmovisão dominante, que se impõe a tudo e a todos.

E assim como é o espírito do tempo, tal será a igreja que nele vive, se esta não revestir-se diligentemente "de toda a armadura de Deus" (Efésios 5:10-18).

Roma papal não mudou. Esta declaração pode soar como um clichê protestante, mas ela é absolutamente verdadeira. A Igreja papal não mudou, a despeito de algumas de suas declarações formais mais recentes parecerem contradizer esse fato.

Sobre isso, aliás, convém considerar o que a própria Igreja diz.

A Congregação para a Doutrina da Fé, no intuito de esclarecer certas questões relacionadas à doutrina da Igreja desde o advento do Concílio Vaticano II, expôs o seguinte:


PRIMEIRA PERGUNTA
O Concílio Vaticano II mudou a doutrina católica sobre a Igreja?
RESPOSTA
O Concílio Vaticano II não mudou nem pretendeu mudar essa doutrina; antes, desenvolveu-a, aprofundou-a e explicou-a mais detalhadamente.
Foi exatamente o que João XXIII disse no início do Concílio. Paulo VI afirmou e comentou no ato de promulgar a Constituição Lumen gentium: "Não há melhor comentário para fazer do que dizer que essa promulgação realmente não muda nada da doutrina tradicional. O que Cristo quis, nós também queremos [?]. O que foi, ainda é. O que a Igreja ensinou ao longo dos séculos, nós também ensinamos. Em termos simples, o que foi assumido, agora é explícito; o que era incerto, agora é esclarecido; o que foi meditado, discutido e ocasionalmente debatido, agora é reunido em uma formulação clara". Os Bispos repetidamente expressaram e cumpriram esse propósito (10)

Seus sentimentos também não mudaram. Tal declaração deve servir como advertência a todo cristão sincero, pois "a Igreja Católica", nas palavras de Joseph Bernhart, "repudiou sempre, desde o seu primeiro dia até hoje, como pecado dos pecados, a liberdade do espírito, entendida como liberdade de todas as opiniões; e nas épocas de sua onipotência sobre os homens, ela pune a doutrina destruidora destruindo aquele que a ensina". (11).

O periódico católico Western Watchman publicou o seguinte:


A Igreja perseguiu. Apenas um ingênuo em história eclesiástica negará isto. Os apologistas nos dias do domínio imperial romano censuraram a perseguição, e, com Tertuliano, lamentaram que "não era dever da religião perseguir a religião". Todavia, depois dos dias de Constantino e sob o reinado desse primeiro imperador cristão, a atitude dos cristãos sofreu uma mudança e a perseguição dos pagãos ocorreu em muitos lugares do império. Cento e cinquenta anos depois de Constantino, os donatistas foram perseguidos e, às vezes, mortos. Contra essa medida extrema, Santo Agostinho ergueu a voz, mas concordou que eles deviam ser despojados de suas igrejas e bens. Os protestantes foram perseguidos na França e na Espanha com a plena aprovação das autoridades da Igreja. Nós sempre defendemos a supervenção dos huguenotes e a inquisição espanhola. Onde e sempre que houver uma catolicidade honesta, haverá uma clara distinção entre a verdade e o erro, entre a catolicidade e todas as formas de heresia. Quando ela julga que é benéfico usar a força física, a Igreja irá usá-la. Ela não é melhor, nem mais santa do que Deus; e Deus usou a força física para levar as pessoas a abraçar a verdade. Se a Igreja se encontrar novamente nas mesmas circunstâncias que a cercaram nos dias dos donatistas, huguenotes e mouros é muito provável que ela se defenda com as mesmas armas que usou no passado. (12)

Eis a verdade dos fatos, tais como expostos pela profecia e confirmados na história da Igreja.

Quando João a viu, ela estava embriagada "com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17:6). Mas sua carreira criminosa estava no fim, em virtude da iminência do juízo divino.

Não obstante, João se admirou grandemente ante o quadro apresentado, e não sem motivo, pois a profecia revela um sistema apóstata sem paralelos, caracterizado pela completa união da Igreja e o Estado.

E todos aqueles "cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida" (Apocalipse 17:8) também ficarão admirados ao testemunhar o ressurgimento e influência desse impressionante poder político-religioso descrito como a besta que era, não é, mas que há de vir.

Esta é a advertência da profecia para todos aqueles que amam a Deus e a Sua Palavra.


Notas e referências

1. Charles Chiniquy. Cinquenta Anos na Igreja Católica Apostólica Romana. São Paulo: Livraria Independente Editora, 1947, p. 83.

2. http://www.forumancientcoins.com/moonmoth/reverse_fides.html

3. Catecismo da Igreja Católica, §§ 1381 e 1367.

4. John A. O'Brien. The Faith of Millions. Huntington, IN: Our Sunday Visitor, 1938, p. 270 e 271.

5. Citado em A.S. Mello, A Verdade sobre as Profecias do Apocalipse. São Paulo, 1959, p. 496.

6. Alexander Hislop. The Two Babylons; or, The Papal Worship proved to be the Worship of Nimrod and his Wife. London: Houlston and Wright, 1862, p. 3 e 4.

7. Joseph Ratzinger. Congregação para a Doutrina da Fé. Nota sobre a Expressão "Igrejas Irmãs", II. Indicações sobre o uso da expressão, #10.

8. Homilia do Santo Padre Francisco. Capela Paulina, Terça-feira, 23 de Abril de 2013.

9. Andrew Lobaczewski. Ponerologia: Psicopatas no Poder. Campinas, SP: Vide Editorial, 2014, p. 145 e 146.

10. William Levada. Congregação para a Doutrina da Fé. Respostas a Algumas Questões Relativas a Certos Aspectos da Doutrina sobre a Igreja.

11. Joseph Bernhart. O Vaticano: Potência Mundial. História e Figura do Papado. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores, 1942, p. 136.

12. Western Watchman, A Catholic Journal Devoted to the Catholic Interests in the West, Vol. XXXXIII, No. 35, St. Louis, MO, Dec. 24, 1908, Forty Second Year, p. 8.

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