sábado, 13 de março de 2021

“Retirai-vos dela, povo meu”

Diante da iminente queda da Babilônia espiritual – da "mãe das meretrizes" e de suas filhas, as demais igrejas que participam da mesma natureza não santificada e se acham embevecidas pelos falsos ensinos da igreja mãe – Deus envia uma última mensagem de misericórdia a Seu povo.

Devido à sua importância, essa mensagem é simbolizada pela figura de um anjo descendo da presença de Deus em missão especial, comissionado a proclamar o derradeiro convite da graça, que deve iluminar as densas trevas espirituais que cobrem a terra com a gloriosa luz da verdade redentora (Apocalipse 18:1).

Com potente voz, de modo que cada nação, tribo, língua e povo seja alcançado, o anjo anuncia a queda espiritual de Babilônia:

"Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria." (versos 2 e 3).

A intensidade da descrição não deixa dúvidas quanto aos contornos da prolongada orgia, da profundidade da podridão e do grau de devassidão moral e espiritual da moderna Babilônia. Cada metáfora enfatiza a total perversão e apostasia da "grande cidade" e, por isso, se pode aplicar a ela o que foi dito a respeito de sua congênere histórica:

"Queríamos curar Babilônia, ela, porém, não sarou; deixai-a, e cada um vá para a sua terra; porque o seu juízo chega até ao céu e se eleva até às mais altas nuvens." (Jeremias 51:9).

Não obstante os apelos da graça, Babilônia atingiu o limite da paciência divina e não pode ser reavivada nem reformada. O único remédio é separar-se completamente dela, da mesma forma que Ló foi chamado a sair de Sodoma antes da destruição da cidade pelos juízos de Deus.

Esse é o chamado do Senhor para o Seu povo, dizendo-lhe para sair de Babilônia antes que ela caia:

"Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou." (Apocalipse 18:4-5).

Embora um espírito de transigência e conformidade tenha pavimentado o caminho para o triunfo da apostasia, e o erro e a superstição tenham desfigurado o evangelho de nosso Senhor Jesus, há nas muitas igrejas que constituem Babilônia uma multidão dos verdadeiros seguidores de Cristo, muitos dos quais nunca ouviram as verdades especiais para este tempo.

À medida que essas igrejas se afastam da verdade e aliam-se mais intimamente com o mundo, evidenciando sua apostasia, os que amam a Deus de todo o coração já não poderão permanecer unidos a elas, resultando, por fim, em separação.

A julgar por seu declínio moral e espiritual, as igrejas nominalmente cristãs estão rapidamente atingindo a condição predita pelo segundo anjo de Apocalipse 14 e pelo anjo de Apocalipse 18, e o povo de Deus, ainda em Babilônia, será chamado a separar-se de sua comunhão.

As razões para sair de Babilônia não poderiam ser mais claras:

1. "para não serdes cúmplices em seus pecados".

Quais são os pecados de Babilônia? Em Apocalipse 18, ela é julgada por adultério espiritual (versos 2 e 3), iniquidade (verso 5), orgulho e luxuria (verso 7), engano (verso 23) e perseguição (verso 24), os mesmos pecados mencionados em Apocalipse 17:2-6.

Deus não quer que Seu povo seja cúmplice dos pecados de Babilônia, pois, do contrário, teriam uma parcela de responsabilidade por eles.

2. "para não participardes dos seus flagelos".

Esses flagelos ou pragas não se destinam ao povo de Deus, mas à Babilônia espiritual. São os castigos que ela receberá em cumprimento ao "julgamento da grande meretriz" (Apocalipse 17:1).

Deus está para julgar essa apostasia de proporções ecumênicas na forma das sete últimas pragas (Apocalipse 16), e o Senhor apela àqueles de Seu povo que ainda estão em Babilônia para que saiam, a fim de não serem destruídos com ela.

"Fugi do meio da Babilônia, e cada um salve a sua vida; não pereçais na sua maldade; porque é tempo da vingança do Senhor: ele lhe dará a sua paga." (Jeremias 51:6). Esta foi a mensagem de Deus a Israel quando a antiga Babilônia estava para cair. As mesmas razões e o mesmo senso de urgência estão presentes em Apocalipse 18:4-5.

Assim como a Babilônia histórica caiu "num momento", "de repente" (Isaías 47:9, 11; Jeremias 50:44; Daniel 5:30-31), assim a Babilônia do tempo do fim cairá. Seis vezes se diz que Babilônia cairá "num momento":

  1. A sétima e última cabeça da besta "tem de durar pouco" (Apocalipse 17:10).
  2. Os governantes da terra "recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora" (Apocalipse 17:12).
  3. Os flagelos de Babilônia sobrevirão "em um só dia" (Apocalipse 18:8).
  4. Em "uma só hora" vêm os seus juízos (Apocalipse 18:10).
  5. Suas riquezas são devastadas "em uma só hora" (Apocalipse 18:17).
  6. Em "uma só hora" a "grande cidade" é devastada (Apocalipse 18:19).

E seis vezes lemos que Babilônia não será mais, nem sua música, sua arte, sua indústria e comércio, sua vida familiar e social (Apocalipse 18:21-23). A destruição da "grande cidade" será completa:

  1. "Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada".
  2. "E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá".
  3. "nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará".
  4. "nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho".
  5. "Também jamais em ti brilhará luz de candeia".
  6. "nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá".

Precisamente quando a mais poderosa e, aparentemente, invencível confederação do mal declarar guerra a Deus e Seu povo; quando todos os governantes da terra com seus exércitos e todas as forças ideológicas e espirituais unidas conspirarem "contra o Senhor e contra o seu Ungido" (Salmo 2:2), a promessa é que "o Cordeiro os vencerá", bem como os que se acham com Ele, "os chamados, eleitos e fiéis" (Apocalipse 17:14)!

Lembre-se: Não basta ser chamado; é preciso ser escolhido. Não basta ser escolhido; é preciso ser fiel! Nosso bendito Redentor nos chamou por Sua inefável graça. Ele nos escolheu para sermos povo santo. Compete-nos, porém, ser fiéis. "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apocalipse 2:10).

Fidelidade e obediência são o foco do grande conflito no tempo do fim.

Existem hoje mais de 30 mil denominações cristãs. Somente no Brasil, uma nova igreja é aberta a cada hora. Mas o livro do Apocalipse revela que haverá apenas dois grupos de adoradores: "os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apocalipse 14:12) e os "portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem" (16:2).

Apocalipse 13:8 diz que os adoradores da besta não têm os nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro, ou seja, não se encontram listados entre aqueles que Deus aceita como cidadãos do Seu reino. Se os seus nomes não estão arrolados no livro do Céu, significa que não foram cobertos pela justiça de Cristo e, portanto, não têm direito à árvore da vida, nem podem entrar na cidade santa pelas portas (22:14).

Observe que em Apocalipse 17:8 esse mesmo grupo é descrito como "aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida", isto é, aqueles sobre os quais a meretriz se assentou (verso 1) e que se "embebedaram" com o vinho de sua devassidão (verso 2).

Todos os que não tiverem os nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro pertencerão à Babilônia e, consequentemente, sofrerão com ela os juízos retributivos de Deus.

É vital, pois, ter o nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro. E só podemos ter certeza de que nossos nomes permanecerão ali se a sentença de Deus procedente de Seu trono nos for favorável: "Vocês estão purificados de todos os pecados perante o Senhor" (Levítico 16:30)!

O que significa essa declaração?

Significa que todos os que verdadeiramente se arrependeram do pecado e pela fé reclamaram o sangue de Cristo, como seu sacrifício expiatório, têm o perdão aposto ao seu nome nos livros do Céu e tornam-se participantes da justiça de Cristo!

Significa que todos os que recebem na fronte o "selo do Deus vivo" (Apocalipse 7:2), o selo de confirmação e proteção contra os juízos de Babilônia e que consiste em ter escrito na fronte o nome do Cordeiro e o nome de Seu Pai (14:1), estão em harmonia com a lei de Deus, seus pecados foram apagados e eles, dignos de herdar a vida eterna!

O selo e os nomes divinos estão associados. Aquele que o recebe é propriedade do Senhor, pertence unicamente a Ele e reflete plenamente no caráter a imagem de Jesus.

Isso se aplica ao nome e à marca da besta, porém no sentido oposto. Aquele que a recebe, pertence à Babilônia e reflete no caráter a imagem da besta. Nesse caso, o veredito do Céu será equivalente à sentença proferida contra Belsazar, rei da antiga Babilônia, na noite em que a cidade caiu: "Pesado foste na balança e achado em falta" (Daniel 5:27).

Cada veredito resulta da fase investigativa do juízo de Deus e evidencia o caráter de ambos os grupos. O juízo de investigação é o cumprimento em Cristo do Dia da Expiação hebreu. É de tão grande solenidade e importância, que seu início no Céu foi acompanhado de "relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada" (Apocalipse 11:19).

O Senhor está chamando a nossa atenção para o supremo sentido de Seu ministério intercessor no santuário celestial - uma obra que agora inclui o juízo no Santo dos Santos e que tem consequências eternas, para o bem ou para o mal!

Quando esse juízo terminar e o veredito for pronunciado do Céu, tudo estará para sempre decidido:

"Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se." (Apocalipse 22:11).

Não admira a solenidade do chamado de Deus em Apocalipse 18:4 e 5:

"Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou."

À medida que nos aproximamos do veredito que decidirá a sorte de todo o homem, o apelo do Senhor se reveste de maior importância e urgência. Por que não responder agora ao Seu chamado enquanto ainda podemos ouvir a Sua voz?

"Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração" (Hebreus 3:7-8).

O Senhor não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento (II Pedro 3:9). A Terra está sendo coberta com o conhecimento da salvação e a luz da verdade presente tem brilhado com intensidade cada vez maior em todos os lugares.

Essa luz brilhará sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos de Deus que permanecem em Babilônia ouvirão o chamado: "Retirai-vos dela, povo meu", e atenderão ao amorável convite:

"Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida." (Apocalipse 22:17).


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