segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Um só pensamento

Num mundo profundamente polarizado e dividido (do qual as eleições americanas deste ano são bastante representativas), é difícil imaginar que possa haver uma ordem mundial em que prevaleça algum tipo de consenso e unidade.

No entanto, é precisamente o que Apocalipse 17:13 antecipa pouco antes da volta de Jesus: "Têm estes um só pensamento".

Embora seja chamada de Nova Ordem Mundial, a ideia não é nova. Desde a torre de Babel, Satanás tem envidado esforços para unir o mundo em torno de si e, desde então, seus planos têm sido seguidamente frustrados pela divina providência.

Não obstante, nos momentos finais da história, Deus permitirá a materialização de seus esforços apenas para revelar à humanidade e ao universo sua real natureza, isto é, o mesmo espírito de rebelião que manifestou contra o governo de Cristo no Céu e que resultou em sua expulsão (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-17; Apocalipse 12:7-9, 12).

Esta união de proporções globais, que, do ponto de vista humano, será a mais poderosa e, aparentemente, invencível, revelar-se-á, porém, tão frágil como a do "ferro misturado com barro de lodo" (Daniel 2:43). Essa fragilidade é enfatizada nas seguintes declarações do anjo em Apocalipse 17:8, 10, 11 e 12 (ênfases minhas):

[...] a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição.

[...] dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.

E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.

Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.

Ainda sobre os poderes que apoiarão a grande meretriz e que constituem a força dessa união, o anjo diz (verso 16):

Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.

Este é o julgamento da grande meretriz, que é o tema da visão (verso 1).

Há uma evidente mudança de atitude da "besta" e dos "chifres" em sua relação com a “mulher”.

Tendo "subido do abismo" pela última vez para unir-se à "Babilônia, a grande" e promover sua política contra Deus e Seu povo (verso 14), os chifres e a besta agora participam da execução da sentença divina contra ela, o que dá à trama uma ironia especial. A justiça não poderia ser satisfeita de modo mais notável!

Da coalização político-religiosa universal de que trata a profecia, o lado religioso será o primeiro a cair (ver Apocalipse 14:8; 18:1-5). A liderança política é um instrumento nas mãos de Deus para executar a sentença contra a liderança religiosa da união.

Igreja e estado num conluio contra Deus

A explicação do anjo nos leva naturalmente a concluir o que já havíamos observado antes; que a tão aguardada nova ordem mundial será precedida de uma reaproximação entre igreja e estado.

Essa conclusão é confirmada pela visão intermediária de João em Apocalipse 16:13, 14 e 16, que descreve como este conluio será formado.

Os versos 13 e 14 descrevem a ação coordenada de uma tríade satânica no tempo do fim: o dragão, a besta e o falso profeta, de cuja boca saem "três espíritos imundos semelhantes a rãs", os quais "se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso".

A tríade compreende os poderes religiosos; os reis da Terra, os poderes políticos. Note que a iniciativa de aproximação e diálogo com o lado político vem do lado religioso. Por isso, Deus responsabilizará este lado primeiro.

Note também que os agentes aglutinantes, chamados "espíritos imundos", são, em última instância, "espíritos de demônios, operadores de sinais", algo que não saberíamos se a profecia não revelasse, visto que Satanás e seus ministros podem parecer o que não são (II Coríntios 11:14-15).

Este é o az na manga do grande enganador para obter êxito em unir um mundo de tribalismos ideológicos com o fim de derrubar a única barreira a seu domínio irrestrito.

Sinais sobrenaturais são um meio poderoso de confirmar as reivindicações ou comprovar a autoridade daquele que os realiza e serão vistos pelas pessoas como uma manifestação das bênçãos de Deus.

Esses milagres, porém, não são operados pelo poder divino, mas por espíritos de demônios. Através deste expediente, Satanás conquistará a lealdade dos habitantes da Terra, não importando suas preferências ideológicas, políticas ou partidárias nem se são crentes ou descrentes. Essas serão divergências menores no esquema maior das coisas.

Só por meio de íntima e constante união com Cristo e Sua Palavra e cheios de Seu Espírito é que poderemos resistir à sedução dos falsos milagres, dos espíritos enganadores e das doutrinas de demônios (veja Efésios 6:10-18).

Em O Grande Conflito, p. 625.3, Ellen G. White escreve:

Apenas os que forem diligentes estudantes das Escrituras, e receberem o amor da verdade, estarão ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo. Pelo testemunho da Bíblia estes surpreenderão o enganador em seu disfarce. Para todos virá o tempo de prova. Pela cirandagem da tentação, revelar-se-ão os verdadeiros crentes. Acha-se hoje o povo de Deus tão firmemente estabelecido em Sua Palavra que não venha a ceder à evidência de seus sentidos? Apegar-se-á nesta crise à Bíblia, e a Bíblia só? Sendo possível, Satanás os impedirá de obter o preparo para estar em pé naquele dia. Disporá as coisas de tal maneira a lhes obstruir o caminho; embaraçá-los-á com os tesouros terrestres; fá-los-á levar um fardo pesado, cansativo, a fim de que seu coração se sobrecarregue com os cuidados desta vida, e o dia de prova venha sobre eles como um ladrão.

De Apocalipse 16:13 e 14 é possível inferir que a grande confederação do mal será formada em duas etapas.

A primeira diz respeito à articulação das forças religiosas simbolizadas pela tríade satânica, e a segunda, à articulação desta última com os poderes políticos mundiais a fim de instigá-los a unir-se a ela numa causa em comum contra um inimigo em comum: Deus e Seu povo (Apocalipse 17:14).

Vivemos hoje entre a primeira e a segunda etapas!

Identificando o "dragão", a "besta" e o "falso profeta"

Vejamos a identidade de cada um dos poderes que compõe a tríade satânica.

O dragão é claramente identificado como "a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo" (Apocalipse 12:9).

Sua influência é global, mas, no contexto religioso, ela se faz sentir pelas filosofias que têm servido mais diretamente aos seus interesses desde que o pecado passou a fazer parte da experiência humana.

O fundamento destas filosofias religiosas foi lançado há muito tempo, na resposta enganosa da serpente à Eva, registrada em Gênesis 3:4 e 5:

Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.

Há quatro facetas na declaração mentirosa da serpente, cada uma das quais desempenhou um papel em contrariar a expressa ordem de Deus ao primeiro casal e lançou os alicerces para o desenvolvimento das religiões espiritualistas antigas e modernas: 

  1. "É certo que não morrereis" é a nota tônica do espiritismo moderno.
  2. "... se vos abrirão os olhos" é o objetivo das religiões orientais.
  3. "... como Deus" é a crença central do Movimento Nova Era.
  4. "sereis conhecedores do bem e do mal" é a promessa do paganismo.

São estes sistemas de crenças que estão mais diretamente associados à figura do dragão e através dos quais ele tem seduzido e enganado o mundo desde priscas eras.

O segundo membro da tríade, a besta, corresponde à primeira besta do capítulo 13, que emerge do mar (versos 1-10) e é semelhante, em certo sentido, ao dragão, do qual é o associado mais próximo, pois recebeu dele "o seu poder, o seu trono e grande autoridade" (Apocalipse 13:2).

Compartilha com os sistemas religiosos do dragão a mesma crença na imortalidade inerente da alma e o mesmo dia de repouso que, no passado, foi observado por muitos deles.

Além disso, a besta representa um poder blasfemo (Apocalipse 13:6), perseguidor (verso 7), que atribui a si a prerrogativa divina da adoração (versos 4 e 8) e que atuou opressivamente durante 42 meses proféticos (verso 5; Daniel 7:25), ou, segundo o princípio dia/ano (Números 14:34; Ezequiel 4:4-7), 1.260 anos, ao fim dos quais foi privada de sua antiga autoridade.

Este poder não é outro senão a religião papal, uma mistura entre cristianismo e paganismo.

O papado é um poder blasfemo, perseguidor, que atuou opressivamente durante o período indicado na profecia, o qual se estendeu de 538 a 1798, ano em que perdeu sua antiga posição de autoridade sobre os destinos dos povos e que, desde então, tem trabalhado ativamente para reavê-la.

Finalmente, o falso profeta se refere à segunda besta de Apocalipse 13, que emerge da terra (versos 11-18). O termo é bastante apropriado para designar um poder que tem aparência de cordeiro, mas fala como dragão.

O tempo e o modo da aparição desta besta, a região geográfica de seu surgimento e suas características singulares constituem as razões pelas quais ela tem sido identificada com a América protestante.

Como a nação mais poderosa do mundo, somente os Estados Unidos estão em posição de exercer "toda a autoridade da primeira besta na sua presença" e fazer "com que a terra e seus habitantes adorem a primeira besta" (verso 12).

Segundo Apocalipse 14:9 e 10, o culto da primeira besta consiste em aceitar a marca da besta, o que significa que, ao fazer "com que a terra e seus habitantes adorem a primeira besta", o falso profeta usa seu poder para compelir o povo a reconhecer e professar lealdade a Roma e a observar o dia de descanso que tem sido a marca de sua autoridade.

A lealdade dos adoradores da primeira besta contrasta notavelmente com a lealdade dos santos, que "guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (verso 12) e recebem o selo do Deus vivo (Apocalipse 7:1-3; 14:1-5).

É a fusão entre o falso profeta e a primeira besta que tornará possível a união entre igreja e estado, criando a condição ideal para que todas as demais potências terrestres sigam seu exemplo.

A aliança da besta terrestre ou falso profeta com a primeira besta e com o dragão pavimentará o caminho para uma nova ordem mundial.

A profecia tem se cumprido à medida que as mudanças no protestantismo americano se tornam mais evidentes, tanto no que se refere às suas relações com o papado, como no que tange à sua abertura ao misticismo pagão.

Os "três espíritos" se dirigem aos reis do mundo

Cada corporação ou filosofia religiosa representada pelo dragão, pela besta e pelo falso profeta empregará seus esforços na promoção de um falso modelo de adoração que é compartilhado por todas elas e que será, por fim, universalmente aceito com o apoio das nações.

A menção profética a três grandes grupos religiosos parece antecipar, não obstante, que as diferentes igrejas e seitas pertencentes a cada grupo desejarão manter suas raízes distintas, a despeito da uniformidade religiosa.

Observe que as religiões do dragão são mencionadas primeiro, indicando seu papel inicial no movimento aglutinador. Em uma postagem passada, procurei demonstrar quão antiga é esta atuação.

No entanto, são o catolicismo (a primeira besta) e o protestantismo apostatado (a segunda besta) os poderes de maior expressão nesta união tríplice.

Em outras palavras, de acordo com a profecia, com base na qual temos repetidamente observado, são cristãos professos os principais agentes promotores da nova ordem mundial anticristã!

Significativamente, são três os "espíritos imundos" que João vê sair "da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta". Os espíritos imundos são espíritos de demônios ou anjos caídos. Portanto, os três espíritos representam três mensagens angélicas falsas!

É mediante a proclamação destas mensagens espúrias, em meio a manifestações extraordinárias de poder (lembre-se que os espíritos são "operadores de sinais"), que as forças simbolizadas pela tríade satânica convocarão as nações a se unirem em uma cruzada para realizar aquilo que tem sido o sonho do príncipe das trevas: destruir o povo de Deus.

Quais são as três mensagens angélicas falsas?

Se as três mensagens angélicas verdadeiras compreendem a ênfase do evangelho eterno para o tempo do fim, as três mensagens angélicas falsas compreendem a ênfase do evangelho falsificado de Satanás para este tempo.

Só podemos inferir quais são as três mensagens angélicas falsas a partir das três mensagens angélicas originais, pois toda a ação de Satanás na história representa uma contrafação das ações de Deus em favor de Seu povo.

Então, vejamos:

  • A primeira mensagem angélica é um chamado à verdadeira adoração no temor de Deus (Apocalipse 14:6 e 7). A primeira mensagem angélica falsa é um chamado à falsa adoração de Babilônia na sedução "do vinho do furor da sua prostituição" (18:3; 14:8).
  • A segunda mensagem angélica anuncia a queda de Babilônia (14:7). A segunda mensagem angélica falsa anuncia que Babilônia nunca cairá (18:7).
  • A terceira mensagem angélica é uma advertência contra os adoradores da besta e da sua imagem, que recebem a sua marca na fronte ou sobre a mão, os quais beberão "do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira" e jamais entrarão no prometido descanso de Deus (14:9-11). A terceira mensagem angélica falsa é uma advertência contra aqueles que se recusarem a receber a marca de Babilônia na fronte ou sobre a mão e a beber "do vinho da fúria da sua prostituição", os quais não poderão comprar nem vender, nem tampouco viver sob sua tutela (13:15-17).

Temos, assim, essencialmente revelada à luz de cada uma das três mensagens angélicas originais sua respectiva contraparte nas mensagens dos três espíritos imundos, tal como indicada no Apocalipse.

As forças religiosas apóstatas empenhar-se-ão em seduzir e levar todos os poderes da Terra a unir-se em uma causa comum contra Deus e Seu povo.

Veja, não se trata de um conflito qualquer. A batalha é entre a verdade e o erro, entre a luz e as trevas, entre o reino de Cristo e o reino de Satanás. O conflito começou no Céu, no santuário de Deus, atravessou os séculos de nossa história e revela hoje todas as características de sua maturidade.

A guerra de Satanás não é contra Maomé, Buda, Brahma ou Zoroastro, nem gira em torno do Alcorão, do Tripitaka, dos Vedas ou do Avesta. Dificilmente qualquer uma dessas escrituras será alvo de ataques, ou seus autores, retratados como um personagem homossexual em uma produção da Netflix. O alvo sempre foi Jesus Cristo e, por extensão, a Sua igreja.

Todavia, no auge do conflito final, a trama assassina instigada por Satanás para eliminar da Terra o povo de Deus será frustrada, pois Deus mesmo intervirá para livrá-lo definitivamente de seu poder e vindicar para sempre o Seu santo nome! Apocalipse 17:14 diz:

Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.

As expressões "Cordeiro" e "Senhor dos senhores e o Rei dos reis" descrevem nosso amado Salvador e Senhor Jesus. A primeira remete ao Seu sacrifício vicário, simbolizado por um cordeiro "sem defeito e sem mácula" (I Pedro 1:19). Ela nos lembra que a vitória de Cristo não provém da força bruta, mas da excelência moral!

A segunda, é o título usado nas Escrituras para se referir a Cristo quando Ele regressar à Terra para vencer as hostes do mal e livrar Seu povo fiel "com mão poderosa e braço estendido" (Salmo 136:12), como o "Leão da tribo de Judá" (Apocalipse 5:5), como um "cavaleiro" em um "cavalo branco", que "se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça" (19:11)!

Desejamos realmente participar da gloriosa vitória que Cristo dará a Seu povo? Não basta ser chamado; é preciso ser eleito. Não basta ser eleito; é preciso ser fiel! Nem todos os chamados se qualificam para ser eleitos, nem todos os eleitos permanecem fiéis "até à morte" (Apocalipse 2:10).

Todo aquele que um dia entrou na experiência da graça pela fé em Cristo deve permanecer na graça a fim de se qualificar para entrar na cidade santa pelas portas (Apocalipse 22:14)!

Esta é a mensagem do evangelho para a geração do tempo do fim.

Como igreja que terá um papel ativo no último conflito, cumpre-nos "tomar o livrinho aberto" da mão do Anjo forte (Apocalipse 10:8-11), fazer de sua mensagem nossa vida e missão e, imbuídos do poder do Espírito de Deus, proclamá-la ao mundo a fim de livrar almas sinceras dos enganos de Babilônia e preparar um povo para encontrar com o Senhor quando Ele regressar.

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