sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Guerra espiritual pela tua mente

Por Marta Sofia

[Marta Sofia é adventista do sétimo dia há dois anos. Ex-feiticeira, sua história de conversão é um testemunho maravilhoso do poder do evangelho de Cristo. Marta gentilmente nos cedeu o material de uma de suas apresentações, autorizando-nos a adaptá-la para o blog, em benefício de nossos leitores. Nossa mais profunda gratidão à Marta e ao casal Adriana e William, do canal Adriana Maia, que nos colocou em contato com ela. Encorajo os leitores a conferirem a lista de reprodução que contém todas as entrevistas com Marta Sofia e a se inscreverem no canal Adriana Maia. Vocês certamente serão edificados!]

Embora o mundo seja um campo de batalha no qual os poderes da luz e das trevas estão em incessante combate, esta luta dramática começa na mente.

Não é difícil entender o porquê.

Os principais meios de transmissão de informação entre o meio exterior e o corpo humano são os órgãos sensoriais (visão, audição, tato/pele, olfato, paladar).

Permanentemente conectados com o mundo exterior, os cinco sentidos captam a informação que o cérebro codifica e reage, moldando, desta forma, o comportamento individual.

O organismo humano está em permanente conexão com o meio que o envolve. Aquilo que se observa, escuta, sente, cheira, saboreia diariamente é pura informação que o cérebro recebe, memoriza e transforma em comportamento, aceitando essa informação como a sua cultura, a sua identidade, aquilo que é.

Por esse motivo, o cérebro se adapta de acordo com a informação recebida dos cinco sentidos, capacitando o indivíduo a agir e a responder/interagir com o meio ao seu redor. Podemos dizer que o comportamento humano é um conjunto de respostas aos estímulos que o cérebro recebe do exterior.

É de admirar que Satanás esteja empenhado em conquistar a mente através dos sentidos?

Considere, por exemplo, como as cores ou os decibéis e MHz da música/som afetam diretamente o cérebro. Eles geram de forma imediata estados emocionais que determinam as ações do ser humano.

Não há dúvida de que nosso adversário conhece muito bem as vantagens de controlar a mente por meio da estimulação dos sentidos, de maneira a obter o completo domínio da alma.

Lembre-se: Mente distraída, oficina do diabo...

É pelo pensamento que nos conectamos com Deus e é pelo pensamento que nos desvinculamos Dele.

Os pensamentos elevados a Deus livram nossa mente de se ocupar com pensamentos carnais ou com as múltiplas distrações que este mundo oferece. Quando ocupamos nossa mente com Deus, permanecemos em paz. Não é uma paz que o mundo oferece (que é quando tudo nos corre bem); antes, é uma paz que o caos exterior não consegue perturbar.

Quando ocupamos nossa mente com as distrações deste mundo, esses pensamentos criam desejos e logo estamos a agir para realizar os desejos de nossa mente. Esses desejos causam angústia, ansiedade, tristeza, frustração e toda a sorte de emoções que afetam nosso ser.

Por isso, coloque uma cerca à volta de tua mente, para que as ilusões deste mundo não dominem os teus pensamentos com futilidades, desejos, cobiças, ciúmes, inveja, maledicência e todas as demais coisas que prejudicam tua alma.

"Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." 1 João 2:15-17 (NVI).

O que sai do nosso coração, mel ou fel?

"Não compreendeis que tudo o que entra pela boca, desce para o ventre e é lançado fora? Mas o que sai da boca vem do coração e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus desejos, homicídio, fornicação, blasfêmia, cobiça, inveja, maledicência, roubo, falso testemunho, e são estes os pensamentos que contaminam". Mateus 15:17-20.

O Dr. António Damásio, médico neurologista, escreveu:

A primeira vez que o indivíduo presencia/assiste a algo que é moralmente repreensível, ocorre-lhe horror. À medida que essa informação é transmitida com relativa frequência, essa reação de horror vai diminuindo. Quando essa informação é consumida diariamente, a percepção de certo e errado é dissipada por completo. O indivíduo não só perde a resistência moral, como perde a capacidade de discernir o que é moralmente aceitável e o que é repudiável, passando a ser indiferente ao horror.

Quão atuais são, com efeito, as palavras inspiradas do apóstolo Paulo:

"Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz." Romanos 8:5-6 (NVI).

Meu apelo é duplo: Que vivamos uma nova vida em Jesus Cristo...

"Portanto, em nome do Senhor eu digo e insisto no seguinte: não vivam mais como os pagãos, pois os pensamentos deles não têm valor, e a mente deles está na escuridão. Eles não têm parte na vida que Deus dá porque são completamente ignorantes e teimosos. Eles perderam toda a vergonha e se entregaram totalmente aos vícios; eles não têm nenhum controle e fazem todo tipo de coisas indecentes. Mas não foi essa a maneira de viver que vocês aprenderam como seguidores de Cristo. Com certeza vocês ouviram falar dele e, como seus seguidores, aprenderam a verdade que está em Jesus. Portanto, abandonem a velha natureza de vocês, que fazia com que vocês vivessem uma vida de pecados e que estava sendo destruída pelos seus desejos enganosos. É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados. Vistam-se com a nova natureza, criada por Deus, que é parecida com a sua própria natureza e que se mostra na vida verdadeira, a qual é correta e dedicada a ele." Efésios 4:17-24 (NTLH).

... e preservemos a nossa fé Nele.

"Portanto, abandonem tudo o que é mau, toda mentira, todo o fingimento, toda a inveja e críticas injustas. Sejam como criancinhas recém-nascidas, desejando sempre o puro leite da palavra, para que, bebendo dele, vocês possam crescer e ser salvos. Vocês já descobriram por vocês mesmos que o Senhor é bom. Cheguem perto dele, a pedra viva que os seres humanos rejeitaram como inútil, mas que Deus escolheu como preciosa. Essa pedra é de muito valor para vocês, os que creem. Vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz." I Pedro 2:1-9.

sábado, 13 de novembro de 2021

Um apelo aos líderes da igreja

Deus espera muito de nós neste tempo solene. À medida que os homens se estão arregimentando sob a bandeira que escolheram, necessitamos de muito mais sabedoria, discernimento e senso de urgência. Necessitamos ser sensíveis à voz do Espírito Santo e permitir que Ele nos guie a cada passo do caminho.

Do contrário, não poderemos ser colaboradores de Deus no preparo espiritual e intelectual de Seu povo, para que ele permaneça firme face à tormenta que rapidamente se aproxima.

Os desenvolvimentos em curso anunciam o iminente cumprimento de Apocalipse 13 e 17. Os ataques sistemáticos às liberdades de consciência, de expressão, de reunião e de movimento estão preparando o terreno para o cenário predito nas profecias bíblicas.

Como líderes, precisamos estar atentos aos acontecimentos e prontos para a estupenda crise diante de nós, a fim de prepararmos adequadamente as almas que Deus nos confiou.

Isso inclui uma resposta apropriada de nossa parte à maior ameaça à liberdade de escolha na história recente; uma resposta que seja consistente com nossa fé, nossa perspectiva escatológica e nosso compromisso com a liberdade de consciência. (Mesmo a cantora Nicki Minaj, que não é exatamente um exemplo de virtude e moralidade, demonstrou mais bom senso ao abordar essa questão do que os editores de uma de nossas prestigiadas revistas. Não é isso uma advertência para nós?)

Além disso, precisamos nos unir aos membros da igreja e clamar ao Senhor para que as atuais restrições sejam removidas, de maneira que possamos proclamar ao mundo a única mensagem que traz paz, esperança e salvação: A mensagem para o tempo presente (Apocalipse 14:6-12).

Em Testemunhos para a Igreja, Vol. 5, p. 713.4, Ellen G. White escreveu:

Nós como um povo não temos cumprido a obra que Deus nos confiou. Não estamos preparados para o desfecho ao qual nos levará a imposição da lei dominical. É nosso dever, ao vermos os sinais do perigo que se aproxima, despertar-nos para a ação. Que ninguém se assente em calma expectativa do mal, confortando-se com a crença de que esta obra terá de prosseguir porque a profecia o predisse, e que o Senhor guardará o Seu povo. Não estamos cumprindo a vontade de Deus se nos deixarmos ficar em quietude, nada fazendo para preservar a liberdade de consciência. Fervente e eficaz oração deve ascender ao Céu para que essa calamidade seja adiada até que possamos realizar a obra por tanto tempo negligenciada. Haja as mais fervorosas orações, e então trabalhemos em harmonia com as nossas orações.

Os vigias adormecidos sobre os muros de Sião devem, pois, despertar de sua calma expectativa diante do perigo iminente. Necessitam agora avaliar a si mesmos pela norma infalível da verdade e corresponder aos privilégios e deveres que seu santo encargo requer neste momento decisivo.

Em vez de hesitação, excesso de cautela ou mesmo condescendência, as atalaias de Deus devem dar à trombeta o sonido que o tempo exige. Sobre isso, note o que diz a serva do Senhor na p. 715.2:

Quando o vigia, vendo vir a espada, dá à trombeta um sonido certo, o povo engajado ecoa a advertência, e todos terão oportunidade de preparar-se para o conflito. Mas demasiadas vezes o líder fica hesitando, como que dizendo: "Não nos apressemos demais. Pode haver engano. Devemos ter cuidado para não levantar alarme falso." A própria hesitação e incerteza de sua parte como que estão a dizer: "'Paz e segurança!' Sem muita exaltação! Nada de alarme! Tem-se falado mais dessa questão da emenda religiosa do que ela merece. Essa agitação toda passará." Assim ele virtualmente nega a mensagem enviada de Deus, e a advertência que se destinava a despertar as igrejas deixa de realizar sua obra. A trombeta do vigia não dá sonido certo, e o povo não se prepara para a batalha. Que os vigias não deixem acontecer que, por sua hesitação e demora, pessoas sejam deixadas a perecer, e seu sangue seja requerido de sua mão.

Ouçamos as palavras de Deus escritas para nosso benefício.

Não podemos continuar sendo vigias negligentes, relativizando os tempos e os sinais, em vez de soar o alarme e transmitir a advertência, pois certamente o Senhor requererá de nossa mão o sangue das almas deixadas a perecer. Só o pensar nessa possibilidade minha alma estremece.

Portanto, façamos um autoexame perante Deus para verificar se ainda estamos cumprindo a elevada vocação para a qual Ele nos chamou.

Lembro-me do tempo em que, quando criança, em visita à minha avó e aos meus tios nas tardes de sábado, ouvia suas expectativas quanto ao retorno do Senhor e os sinais de Sua vinda em discussões que se prolongavam quase até o pôr-do-sol. Eram momentos instrutivos e prazerosos para mim.

Como adventistas do sétimo dia, vivemos de acordo com esta bem-aventurada certeza e, por isso, faz todo o sentido falarmos sobre os eventos que anunciam o grande Dia do Senhor. Este tempo está agora sobre nós. Não há lugar para hesitação e incerteza. Deus espera que Seus vigias sejam tão fiéis ao dever como a bússola o é ao polo.

Não seremos julgados por nossa aparência de piedade, belos discursos e exaltadas profissões de fé, mas pela norma infalível da Palavra de Deus. Se formos encontrados em falta, como "fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva" (II Pedro 2:17), que desculpa haverá para nós?

Queira Deus que nossos pés estejam bem firmados na rocha imutável da Palavra divina, vigiando, aguardando e trabalhando pela vinda de Cristo, e que, por nosso exemplo, o rebanho que o Senhor nos confiou seja inspirado a reverenciar e temer a Deus e a manifestar seu amor para com Ele mediante a lealdade a Seus mandamentos.

Se você gostou desta postagem e quer apoiar o nosso trabalho, não esqueça de divulgá-la em suas redes sociais. Você também pode contribuir com este ministério clicando no botão abaixo. Sua doação permitirá que o evangelho eterno alcance muito mais pessoas em todo o mundo, para honra e glória de nosso Senhor Jesus. Que Deus o abençoe ricamente!

terça-feira, 26 de outubro de 2021

O fim de uma geração

Nos anos 60, um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia poderia ser disciplinado simplesmente por ter em casa um aparelho de TV. Isso lhe parece extremo?

Para pastores, professores e obreiros daquela geração, os pais não precisavam levar os filhos ao centro do espiritismo. Bastava que trouxessem para dentro dos seus lares a "deusa televisão", pela qual os filhos receberiam a cada dia "toda carga do espiritismo moderno". "Que maravilha quando vejo os aparelhos de TV dentro dos lares dos adventistas do 7º dia", diria o diabo.

Que exagero! Desde quando isso é verdade? Estes líderes certamente não sabiam nada. Nossos jovens bem informados do século 21 não hesitariam em caricaturá-los e transformá-los em memes depreciativos!

Mas espere um pouco. Talvez devamos ouvir sobre isso diretamente da boca do dragão, não é mesmo? Só para não sermos precipitados e injustos.

Em The Devil's Notebook, Anton LaVey, o fundador da Igreja de Satanás, escreveu:

O nascimento da TV foi um evento mágico que pressagiou seu significado satânico. A primeira transmissão comercial foi exibida em Walpurgisnacht, em 30 de abril de 1939, na New York World's Fair. Desde então, a infiltração da TV tem sido tão gradual, tão completa que ninguém percebeu. As pessoas não precisam mais ir à igreja; elas recebem suas peças de moralidade através da televisão.

Aqueles líderes que nos parecem hoje conservadores demais não estavam tão errados, afinal. Pelo menos, eles sabiam que havia uma estreita relação entre TV/Cinema e Espiritismo/Satanismo e, por isso, procuraram proteger a igreja de sua influência.

Há algo de podre no reino da fantasia

LaVey se sentia bastante à vontade em Hollywood. Segundo Blanche Barton em The Secret Life of a Satanist, no início dos anos 70 LaVey ampliou suas relações com a indústria cinematográfica, passando a incluir em seu círculo de amizades um número maior de atrizes, atores, roteiristas, diretores e produtores.

"As estrelas de cinema achavam fácil se alinhar com LaVey e sua filosofia", escreveu Barton. "LaVey encontrou [em Hollywood] uma atmosfera muito receptiva e de admiração desavergonhada".

Desde então, a indústria do cinema tem aprofundado essa relação. Não é preciso escrever sobre isso. Basta ver os figurinos das celebridades no Met Gala 2021 para perceber que há algo de podre no reino do entretenimento (Crédito: The Vigilant Citizen).









Existem apenas duas influências que se exercem continuamente sobre crentes e descrentes. Uma influência atua a favor da purificação da alma, e a outra a favor de sua corrupção. Qual dessas influências as imagens acima transmitem? Você acha que as celebridades estavam só se divertindo, ou procurando destruir o conceito de certo e errado?

Essas pessoas não são crianças brincando com giz de cera. Elas conhecem o poder de sua arte e o quanto ela serve à causa pela qual venderam suas almas. Sua atuação nas telas ou nos palcos visa tornar o comportamento depravado e doentio socialmente aceitável.

Ellen G. White escreveu em Mensagens aos Jovens, p. 380,2:

Entre os mais perigosos lugares de diversões está o teatro. Em vez de ser uma escola de moralidade e virtude, como muitas vezes se pretende, é um verdadeiro foco de imoralidade. Hábitos viciosos e tendências pecaminosas são fortalecidos e confirmados por esses entretenimentos. Canções baixas, gestos, expressões e atitudes indecentes pervertem a imaginação e rebaixam a moralidade. Todo jovem que costuma assistir a essas exibições se corromperá em seus princípios. Não há influência mais poderosa em nosso país para envenenar a imaginação, destruir as impressões religiosas e tirar o gosto por divertimentos tranquilos e realidades sensatas da vida do que as diversões teatrais.

Se você ainda pensa que podemos controlar a telinha, selecionando melhor o que assistimos, pense de novo. Nunca estivemos no controle. Perdemos o controle sobre nós mesmos e sobre nossos filhos assim que a adotamos no seio familiar.

E mesmo que sejamos criteriosos, em algum momento seremos expostos a cenas ou imagens impróprias, que ficarão na mente, armazenadas no subconsciente, impactando nossa alma e afetando nosso relacionamento com Deus.

Não há nada ruim que não possa piorar

E agora chegamos ao mais recente estágio de nosso drama.

Não, não mencionarei a série pelo nome nem escreverei a seu respeito. Recuso-me a fazer propaganda para uma produção em que brincadeiras lúdicas, que contribuem para o desenvolvimento da criança, são associadas ao sadismo e violência chocantes.

O criador da série disse estar perplexo que crianças estejam assistindo. Sério? Porque, embora apresente níveis extremos de violência, a produção (e o marketing em torno dela) parece ter sido intencionalmente concebida para atrair crianças. Uma isca perfeita para desumanizar também os pequenos.

Realmente, há algo de podre no reino da fantasia.

E, por favor, não me venha com argumentos de que a série tem o mérito louvável de explorar a natureza humana, expor as desigualdades econômicas ou coisas do tipo. O meio é a mensagem. E nesta produção, o meio é o sadismo, a desumanização e a violência extrema.

Como alguém escreveu a propósito de outro filme, mas que se aplica perfeitamente aqui, a reação natural a esse tipo de coisa seria repugnância, um profundo sentimento de empatia pelos seres humanos torturados, maltratados e assassinados e um boicote à cultura maligna da "moda" da morte.

No entanto, diante da tela nos tornamos insensíveis à violência e depravação e perdemos a empatia, como os personagens. Tudo se torna aceitável e normal. A mente assim exposta é reduzida ao estado de espírito do "vale tudo". A tolerância ao mal é fortalecida. No fim, o verdadeiro perdedor é o telespectador.

Os velhos vigias sobre os muros de Sião estavam certos o tempo todo. Somos o resultado inevitável de nossa tragédia.

Não ouça o que eu digo; faça o que eu faço

Diante de tudo isso, era de se esperar que nossos líderes assumissem uma postura defensiva, semelhante a dos pioneiros. Mas não. Eles tiveram uma ideia genial: Por que não trazer o cinema para dentro da igreja e usar todo o seu potencial na pregação do evangelho? Por que não? Se não pode vencê-los, junte-se a eles.

Não demorou muito para que os conservadores fossem responsabilizados pela alta evasão dos membros recém-batizados. Sério? Como o entretenimento, que apela à imaginação e excita as emoções, pode despertar a atração e o interesse pelas profundas verdades espirituais da Bíblia, que apelam para a razão desapaixonada?

Há uma contradição muito grande entre o que pregamos e o que vivemos.

Alguns líderes parecem confundir sua posição com competência. São incompetentes muito competentes. É quase como se sua compreensão do assunto existisse apenas na esfera de sua própria dissonância cognitiva, completamente alheia às consequências no mundo real.

Parecem não entender os problemas com algumas de suas escolhas. Ignoram o dano causado pela aplicação indiscriminada de suas estratégias e métodos. Mesmo que produzam resultados imediatos, não são duradouros e, no processo, a igreja de Deus é descaracterizada. Podemos ignorar a verdade sobre nossas estratégias, mas não podemos ignorar suas consequências.

Numa tentativa de racionalizar sua escolha, a liderança disponibilizou no site da Igreja um texto que tem sido uma das fontes para a compreensão do assunto. Foi escrito por um de nossos mais renomados teólogos, mas não faz justiça à sua reputação. Confunde drama real com drama teatral. É tão amadorístico que pode ser refutado com um dicionário.

Prefiro crer que, nesse caso, não se trata de incompetência. Quem está numa posição oficial defende uma identidade pública. Não pode dizer as coisas como ele as vê, mas como a liderança ou o departamento acima dele quer.

Se o evangelho foi planejado por Deus para santificar nosso caráter e elevar nossa condição, é incompreensível que insistamos em promovê-lo usando como recurso a cultura pop, cuja influência opera exatamente no sentido oposto. Este deve ser o ás na manga do diabo para tornar a igreja espiritualmente impotente, pois decerto não há nenhum outro meio mais eficiente de enfraquecer e neutralizar o puro efeito do evangelho de Cristo nas mentes e nos corações do que transmiti-lo na forma de entretenimento.

Conclusão

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida." Provérbios 4:23.

Há uma batalha dramática pelo controle da mente acontecendo todos os dias, a cada momento. É uma batalha real pela alma de homens, mulheres e crianças.

Nesse contexto, entretenimento televisivo é mais que diversão. É um ritual moderno dinâmico e misterioso que não controlamos; uma magia hipnótica enviada pelos monitores de quem está assistindo, cuja influência ocorre à margem da atenção consciente.

O cinema e a TV são os meios mais poderosos para envenenar a imaginação, destruir as impressões religiosas e suprimir o gosto pelo que é nobre, puro e santo. O único caminho seguro é abster-nos completamente de tudo o que é duvidoso.

Siga a Jesus, não as multidões. Há nelas um grande vazio, onde Jesus deveria estar. Elas procuram preenchê-lo com prazeres deste mundo, mas continuam infelizes e perdidas. Não seja uma delas.

Se você gostou desta postagem e quer apoiar o nosso trabalho, não esqueça de divulgá-la em suas redes sociais. Você também pode contribuir com este ministério clicando no botão abaixo. Sua doação permitirá que o evangelho eterno alcance muito mais pessoas em todo o mundo, para honra e glória de nosso Senhor Jesus. Que Deus o abençoe ricamente!



terça-feira, 12 de outubro de 2021

Sinais de um conflito iminente

Há eventos catalisadores de transformações profundas na história. O 11 de setembro foi um deles. Os atentados marcaram profundamente a história dos Estados Unidos e iniciaram uma cadeia implacável de acontecimentos que mudou radicalmente o mundo. Vinte anos depois, ainda sentimos o peso de seus efeitos.

Segundo um recente estudo da Brown University, o custo das guerras dos EUA desde o 11 de setembro totaliza impressionantes US$ 8 trilhões, ou seja, 40% do PIB anual, e 900 mil vidas perdidas. A estes números perturbadores, devemos incluir o fim da privacidade e a erosão da liberdade em uma extensão e escala sem precedentes.

O Usa Patriot Act (Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism), um conjunto de medidas e leis que aumentavam a capacidade do governo de vigiar e deter suspeitos de terrorismo, abriu as portas para todos os tipos de abusos e intromissões estatais na liberdade e privacidade dos cidadãos.

O estado de emergência instituído após os ataques terroristas deu ao governo dos Estados Unidos poderes muito além dos fixados na Constituição e na Declaração de Direitos.

Matt Agorist escreveu:

Após os trágicos ataques de 11 de setembro de 2001, o governo dos Estados Unidos declarou estado de emergência. Essa ordem concedeu ao Gabinete do Presidente amplos poderes discricionários sobre os militares, poderes que o Presidente normalmente não possui. Também deu ao Executivo muito mais poder do que deveria, o que permitiu a criação do estado de vigilância massiva que vemos hoje.

De acordo com a Lei Nacional de Emergências, as emergências nacionais expiram depois de um ano, a menos que o presidente as renove notificando o Congresso. Desde que George W. Bush declarou emergência nacional em 14 de setembro de 2001, todos os presidentes depois dele o prorrogaram.

A manutenção do estado de emergência tem permitido que os governos continuem agindo fora dos preceitos constitucionais, ampliando seus poderes sobre o cidadão.

O 11 de setembro criou um imenso aparato de segurança que, em tese, destinava-se a deter o terrorismo. Porém, sob o estado de emergência, isso significava restringir ou mesmo suspender os direitos civis. À medida que a definição de terrorismo foi se tornando mais elástica por razões políticas internas, esse aparato passou a mirar cidadãos americanos segundo suas preferências políticas e convicções religiosas.

Esta mudança de escopo é, ao mesmo tempo, preocupante e significativa: preocupante porque, quando a liberdade e a privacidade civis são ameaçadas e o governo se exime de suas responsabilidades, é hora de questioná-lo; significativa em virtude de nossa certeza quanto ao testemunho das Escrituras sobre as condições do mundo na estreita faixa de tempo entre os eventos finais e a vinda do Senhor Jesus.

Extinção das salvaguardas individuais

Com a pandemia, o controle total do governo em detrimento da soberania individual chegou a um novo nível, com as instituições de saúde pública passando a integrar o aparato de segurança nacional mais amplo desde o 11 de setembro.

Sob o pretexto de combater a crise sanitária, os governos invocaram para si nada menos que o controle total sobre as decisões de saúde do indivíduo, sobre como as empresas operam e quem podem contratar e sobre a participação do cidadão médio na vida econômica.

Dentro desta espiral descendente das liberdades e responsabilidades individuais, o governo tem agora o poder final nas mãos para decidir a vida e a morte de indivíduos e suas famílias.

Sou de opinião que as vacinas atualmente disponíveis, de uso emergencial, não podem ser qualificadas como uma medida de saúde pública capaz de fornecer benefícios coletivos que justifiquem os riscos individuais. Em contrapartida, há pessoas que pensam que esses riscos se justificam diante de uma situação de crise. A questão, porém, não é essa.

Por mais mortal que a Covid-19 seja, ela não apresenta razões legítimas para restringir as liberdades individuais nem constitui uma ameaça existencial que justifique a destruição do estado democrático de direito. Não obstante, os governos ao redor do mundo, recorrendo a táticas autoritárias, estão ditando o nível de participação do cidadão na vida social com base em seu status de saúde.

Trata-se de uma ameaça muito maior para a sociedade do que o vírus – a ameaça do totalitarismo, do estado contra o indivíduo. Esse é o ponto.

Neste estágio dos acontecimentos, as medidas governamentais contra a Covid-19 estão destruindo não apenas a autonomia individual, mas também o pensamento crítico, por conta da deferência cega e sinalização de virtude condicionadas pelo medo. Condicione as pessoas a reagir ao medo, e elas o farão por reflexo, não por consciência.

As medidas que visam a vacinação obrigatória têm enormes implicações para o futuro da liberdade e da própria segurança, não apenas no que tange às questões de saúde pública, mas ao próprio cerne da Constituição e da Declaração de Direitos. Se um governo pode agir além da justificativa constitucional, então não haverá limites para o que ele pode exigir.

Pense, por exemplo, no que tem acontecido na Austrália. Nos últimos dezoito meses, os governos estadual e federal:

  • proibiram os cidadãos de deixar o país sem permissão.
  • proibiram os cidadãos de entrar no país, sob pena de cinco anos de prisão.
  • proibiram os cidadãos e residentes de cruzar as fronteiras estaduais.
  • proibiram os cidadãos e residentes de se afastar a mais de 5 km de sua casa sem permissão.

Melbourne está sob confinamento há 245 dias e em Victoria foi anunciada a vacinação obrigatória para todos os funcionários públicos. Além disso, está sendo testado em Nova Gales do Sul um programa piloto que obrigará os cidadãos a fornecerem à polícia selfies com georreferenciamento para provar que estão em quarentena domiciliar. Caso não respondam a mensagens aleatórias das autoridades dentro de cinco minutos, agentes da saúde podem ser enviados ao endereço residencial para averiguação.

Como se tudo isso não bastasse, aqueles que se recusam ou não podem mostrar seu status de vacinação para frequentar locais públicos estão sendo denunciados à polícia e presos.

Instalação de quarentena supervisionada obrigatória em Alice Springs, Austrália. Viajantes internacionais e interestaduais que são elegíveis para entrar no Território do Norte são obrigados por lei a cumprir 14 dias de quarentena em acomodações supervisionadas como esta (Fonte).

Em Ontário, Canadá, uma mulher foi presa diante de seus filhos em um centro comunitário por não ter apresentado um comprovante de vacinação. Segundo o policial que efetuou a prisão, o gerente da instalação havia pedido que ela saísse e que, se não fornecesse "identificação", seria presa por "invasão de propriedade".

Com a eclosão da pandemia, a interferência do governo na vida dos cidadãos atingiu níveis vistos apenas em filmes de ficção distópicos. Os que controlam a máquina estatal não renunciarão ao que consideram ser sua prerrogativa numa situação de crise, e, de fato, continuarão exercendo-a agressivamente, mesmo quando os poderes de emergência não se justificam.

Em Direito, Legislação e Liberdade, Friedrich Hayek observou: "'Emergências' sempre foram pretexto para o solapamento das salvaguardas da liberdade individual e, uma vez que estas estejam suspensas, não é difícil para o detentor desses poderes de emergência tomar as medidas necessárias para que o estado de exceção persista". [1]

Nosso sistema de governo foi originalmente instituído para proteger a liberdade individual. No entanto, há uma mudança no sentido oposto, e ninguém a definiu melhor do que o Dr. Anthony Fauci, conselheiro do presidente Joe Biden, quando disse: "Chega um momento em que você tem que desistir do que considera seu direito individual de tomar suas próprias decisões pelo bem maior da sociedade".

Por favor, considere as implicações práticas dessa declaração à luz dos acontecimentos recentes.

A "velha" Constituição de 1787, com suas restrições ao poder governamental, está se tornando um documento meramente formal, pois os direitos que ela reconhece estão rapidamente se tornando privilégios que podem ser concedidos ou retirados segundo os critérios de quem governa e em nome de ideais vagos como o "bem comum".

A vacinação obrigatória como condição para a cidadania não se limita mais a instalações sociais e culturais não essenciais, mas abrange agora instalações de saúde e locais de trabalho. Em nome da saúde e segurança, o governo está transformando direitos em privilégios e punindo qualquer resistência.

A aplicação dessa política e seu alcance de longo prazo claramente constituem uma grave violação dos direitos constitucionais e das liberdades civis, como a liberdade de movimento, liberdade econômica e o princípio da não discriminação.

Podemos discutir se, juridicamente, essa violação não se justifica em face da necessidade. Mas não devemos esquecer que a necessidade, nas palavras do estadista britânico William Pitt, "é o fundamento para toda violação da liberdade humana: é o argumento dos tiranos; é o credo dos escravos".

O argumento em favor da necessidade imperativa ignora, com efeito, o risco sempre presente de um controle governamental desproporcional, pois é da natureza do governo nunca desperdiçar a oportunidade de aproveitar uma crise para ampliar suas próprias competências e poderes legais. Como Thomas Jefferson escreveu, "o progresso natural das coisas é que a liberdade ceda e o governo ganhe terreno".

Compelir a consciência contraria os princípios de amor e liberdade que constituem o fundamento do governo de Deus e, por isso, defender esses princípios em questões práticas e urgentes é uma responsabilidade moral, além de um poderoso testemunho em favor de nossa mensagem.

Demolição planejada

O que está acontecendo em todo o mundo, particularmente nas nações do mundo livre, chega a ser surreal. O aspecto mais importante, contudo, não é apenas a magnitude e a força das transformações em curso, mas o fato de que elas representam um distanciamento da ordem social como a conhecemos.

Parece claro que a crise está sendo usada com o fim aparente de uma vasta transformação política e econômica da sociedade ocidental, uma destruição planejada dos alicerces de uma sociedade livre e sua reconstrução com o fim de melhor controlá-la.

"Se olharmos para o que está acontecendo," escreveu Chris MacIntosh, um empreendedor na área de investimentos, "o que parece flagrantemente óbvio para mim é que há uma demolição coordenada de países inteiros, seus setores de negócios e, com essa ruína financeira, a implementação de uma abordagem de cima para baixo para 'consertar' a ruína".

"Destruir tudo quanto for possível, o mais rápido possível" tem sido há muito tempo o lema de grupos no alto escalão que já não escondem do público seus planos de remodelar o mundo de cima para baixo, um sistema hierárquico organizado em moldes rígidos, semelhante ao que existiu na Idade Média, em que os homens não podiam sequer dirigir a si mesmos.

Vista dessa perspectiva, a crise deixa de ser uma questão de saúde para se tornar uma ferramenta política e ideológica que atende aos interesses dessas entidades, como o Fórum Econômico Mundial e o Conselho do Capitalismo Inclusivo com o Vaticano, uma elite de gravatas e batinas que, dispondo de amplos recursos e imbuída de um zelo e senso de urgência incomuns, está trabalhando ativamente para levar o indivíduo de volta às restrições que, no passado, o mantinham sujeito aos padrões arbitrários das autoridades políticas e eclesiásticas. Libertar o indivíduo dessas restrições foi uma das grandes conquistas do protestantismo.

Em Ecclesiastical Megalomania, John W. Robbins escreveu que "a noção de governo republicano e democrático recebeu seu ímpeto no mundo moderno da doutrina do sacerdócio de todos os crentes, que derrubou a estrutura de classes da Igreja-Estado medieval". [2] Essa Igreja está determinada a reconstruir tais estruturas e, por isso, tem seduzido governos e corporações de todo o mundo para se unirem à sua causa (Apocalipse 18:3).

Como grandes empresas estão se tornando aparatos estatais, à medida que a extensão do poder governamental passa a incluir companhias privadas e outras entidades com soluções de pronta resposta para crises reais ou pressentidas, a aliança com esses poderes corporativos é estratégica para o papado, pois permitirá que ele influencie todos os aspectos das estruturas sociais, econômicas e governamentais para sua própria vantagem.

Não é coincidência, portanto, que os ideais socialistas que orientam o Grande Reset do Fórum Econômico Mundial reflitam o pensamento social e econômico da Igreja. Citando Alexis de Tocqueville, Hayek observou em O Caminho da Servidão [3]:

A democracia amplia a esfera da liberdade individual, o socialismo a restringe. A democracia atribui a cada homem o valor máximo; o socialismo faz de cada homem um mero agente, um simples número. Democracia e socialismo nada têm em comum exceto uma palavra: igualdade. Mas observe-se a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade na repressão e na servidão.

O Grande Reset, o Conselho do Capitalismo Inclusivo com o Vaticano e a agenda verde pretendem implementar sistemas econômicos comparativamente mais coletivistas, o que exigirá maior intervenção estatal e implicará menor liberdade individual. Prioridades mais coletivas e comunitárias abrangem desde combater a Covid-19 e as mudanças climáticas até a justiça racial.

Outrora considerada uma proteção e um valor fundamental em nossa sociedade, a soberania individual tem sido frequentemente descrita hoje como um valor prejudicial aos imperativos da nova consciência coletiva.

Porque o indivíduo é visto como parte de uma ampla comunidade cujos membros se interconectam, as ações dele afetam a todos de alguma forma, de modo que o coletivo tem o direito de microgerenciar a vida do indivíduo. Decidir quais liberdades são aceitáveis e quais não são fica, portanto, a critério do grupo, em detrimento da consciência individual.

Quando se fala em "bem comum", o que se quer dizer, de fato, é: "Você é parte de nossa comunidade global e, por isso, podemos determinar o que é melhor para você". Se as pessoas não puderem ser induzidas a se comprometer com tal sistema voluntariamente, serão forçadas a fazê-lo por meio da intimidação.

Em sua crítica inflexível à encíclica de Paulo VI, Populorum Progressio, Ayn Rand escreveu que a encíclica "insiste enfaticamente em apenas duas demandas políticas: que as nações do futuro adotem o estatismo, com um controle totalitário das atividades econômicas de seus cidadãos; e que essas nações se unam em um estado global, com um poder totalitário sobre o planejamento global". [4]

Mais adiante, ela observou perceptivamente:

Trata-se do espetáculo da religião subindo na onda do estatismo, em uma tentativa desesperada de recuperar o poder que perdeu na época do Renascimento. A Igreja Católica nunca desistiu da esperança de restabelecer a união medieval da igreja e do estado, com um estado global e uma teocracia global como seu objetivo final.

É por isso que Roma está determinada a destruir as liberdades que só podem existir em uma república constitucional, em que os poderes governamentais são limitados e onde religião e política não se misturam. Para restabelecer seu poder, o papado necessita suprimir os princípios que regem as nações livres e substituí-los por outros mais próximos ao seu sistema de governo.

Nesse sentido, o estatismo, o coletivismo e as panaceias intervencionistas nos níveis regional e global certamente favorecem as ambições de Roma.

Harold Berman, historiador americano do século passado, citado por John W. Robbins, observou que "a chave para a renovação da lei no Ocidente a partir do século XVI foi o conceito protestante do poder do indivíduo, pela graça de Deus, de mudar a natureza e criar novas relações sociais por meio do exercício de sua vontade". [5]

Por sua ingenuidade, estupidez e tendências autodestrutivas, as nações ocidentais estão cometendo suicídio econômico e cultural ao restringir o poder do indivíduo e negar-lhe sua autonomia, abrindo, inadvertidamente ou não, o caminho para a completa restauração do poder temporal do papado.

Não obstante suas declarações mais altruístas, a tendência do papado nessa direção, isto é, de uma ruptura com o pensamento moderno pautado na autonomia e liberdade individuais e um retorno aos princípios teocráticos que regiam a velha ordem europeia, se torna evidente quando a consideramos não só em relação às últimas décadas, mas numa perspectiva histórica mais ampla.

O papa não é somente um líder religioso. Ele também é um chefe de estado, prerrogativa que nenhum outro líder religioso no mundo possui. Como tal, o papa desfruta da posição singular de autoridade política e moral, que vem se consolidando ao ritmo das crises com potencial de mudança.

Foram as crises provocadas pelas duas grandes guerras mundiais que permitiram que o Vaticano progredisse substancialmente nas questões em que havia fracassado em tempos de relativa paz. Foi em meio às tensões da Guerra Fria que João Paulo II afirmou-se como líder mundial e lançou o papado na arena da política internacional.

E agora que a falta de organização e liderança política diante de uma crise de dimensões globais se torna cada vez mais evidente, a posição do papa como líder especial entre os líderes mundiais é fortalecida em idêntica proporção. Só podemos esperar que a sanha intervencionista e coletivista e o estado policial inaugurados com o 11 de setembro e ampliados durante a pandemia reforcem ainda mais essa tendência.

Um prelúdio para a crise vindoura

A crise atual, no centro da qual estão os não vacinados, nos dá uma pista sobre os desenvolvimentos futuros. Ela é, em muitos sentidos, um prelúdio para a crise dominical vindoura, que afetará diretamente o povo de Deus.

Considere, por exemplo, o caso de Monica Smit, ativista e jornalista australiana, acusada de incitar protestos anti-lockdown violentos em Melbourne. Ela se recusou a assinar o termo de fiança por causa das condições exigidas, que incluíam um toque de recolher imposto pelo tribunal e a remoção de suas redes sociais de qualquer material que incitasse oposição às instruções das autoridades de saúde dentro de 48 horas após sua libertação.

Imagine que eu, um cristão adventista do sétimo dia convicto e cidadão cumpridor das leis, fosse preso, acusado de perturbar a ordem pública por me recusar a observar todas as prescrições governamentais para o bom cumprimento dos objetivos de interesse público e das soluções de mitigação de "uma das maiores ameaças existenciais ao nosso mundo" – as mudanças climáticas – incorporados à agenda do chamado "domingo verde", encampada por uma instituição político-religiosa que considera o domingo como "o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico" [6] e diz expressamente que a "legislação civil [deve ter] em conta o seu dever de santificar o domingo". [7]

Imagine ainda que, para ter direito à fiança, o tribunal exija que eu me abstenha de praticar ou me envolver em atividades consideradas ilícitas nesse dia e que, além disso, remova das redes sociais qualquer material que contrarie as instruções da autoridade competente dentro de 48 horas após minha libertação, incluindo referências ao sábado como o selo de Deus, à marca da besta e ao decreto dominical. O que aconteceria se eu me recusasse a cumprir essas condições consideradas legais em nome do bem comum?

"Dever moral" será a nota tônica nesta iminente crise envolvendo a consciência, assim como hoje, de acordo com o papa, é um "dever moral" vacinar-se.

Em consonância, aliás, com o posicionamento do papa, desde 1º de outubro o Vaticano está exigindo que todos os seus funcionários sejam vacinados ou se submetam a testes regulares para a Covid-19. Se não puderem comprovar adequadamente seu status de saúde, serão considerados faltosos e não receberão salário. A decisão resultou, até agora, na renúncia de três guardas suíços que se recusaram a cumprir a ordem do Vaticano e na suspensão de outros três por não estarem vacinados.

Apesar de muitos católicos buscarem isenção religiosa para a vacinação por motivos de consciência e de saúde e os bispos do Colorado reconhecerem expressamente esse direito, como apontamos aqui, o próprio Vaticano tem sido irredutível em sua política, o que, dado o tenebroso histórico da Igreja no que tange à liberdade, não é nem um pouco surpreendente.

Como Paul Joseph Watson observou, o fato de não haver isenção religiosa para a vacinação contra a Covid-19 dentro dos limites da cidade-estado diz tudo o que você precisa saber sobre o Vaticano e o papa.

Os desenvolvimentos em curso estão nos levando em direção àquela que será a maior prova para esta geração. As rápidas mudanças econômicas e sociais, de uma ordem que reconhece a soberania individual para uma que a restringe e a nega, estão criando as condições ideais para que Roma, que cuidou em mudar os tempos e a lei e que sempre oprimiu o povo de Deus (Daniel 7:25), reivindique sua antiga posição de governar as consciências e decidir a vida de cada indivíduo.

Não está longe o dia em que os que desejam permanecer leais à palavra de Deus e ao testemunho de Jesus (Apocalipse 1:9) sentirão a mão opressora, por obedecerem a Deus segundo os ditames de sua consciência. Serão objeto de escárnio e desprezo universais, semelhante ao que sentem hoje os que decidem exercer sua liberdade de escolha em uma questão de saúde. 

Nestes tempos de quebrantamento da "lei da liberdade" (Tiago 2:10-12), Deus será glorificado e honrado por nossa perseverança e lealdade. Um testemunho inabalável, nobre e íntegro só poderá sair dos lábios se nossas capacidades e faculdades forem inteiramente consagradas e devotadas ao Senhor.

Que os desafios atuais nos motivem nesse sentido, para que, quando a lei de Deus for grandemente ridicularizada e levada ao maior desprezo, permaneçamos, como fiéis seguidores de Cristo, firmes em obedecer aos Seus mandamentos e inabaláveis "pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Judas 1:3).

Notas e referências

1. Friedrich A. Hayek, Law, Legislation and Liberty: A New Statement of the Liberal Principles of Justice and Political Economy. London: Routledge Classics, 2013, p. 459.

2. John W. Robbins, Ecclesiastical Megalomania: The Economic and Political Thought of the Roman Catholic Church. Unicoi, TN: Trinity Foundation, 1999, edição digital, sem paginação.

3. Friedrich A. Hayek, The Road to Serfdom. London: Routledge Classics, 2006, p. 25.

4. Ayn Rand, Capitalism: The Unknown Ideal. New York: Signet, 1986, edição digital, sem paginação.

5. John W. Robbins, op. cit.

6. Paulo VI, Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, 4 de dezembro de 1963, #106.

7. João Paulo II, Carta Apostólica Dies Domini sobre a Santificação do Domingo, 31 de maio de 1998, #67.

Se você gostou desta postagem e quer apoiar o nosso trabalho, não esqueça de divulgá-la em suas redes sociais. Você também pode contribuir com este ministério clicando no botão abaixo. Sua doação permitirá que o evangelho eterno alcance muito mais pessoas em todo o mundo, para honra e glória de nosso Senhor Jesus. Que Deus o abençoe ricamente!