domingo, 25 de julho de 2021

Provas de imunidade: 1.533 líderes cristãos se posicionam a respeito

Líderes proeminentes de várias denominações cristãs – dentre eles, três pastores adventistas – assinaram uma carta aberta ao primeiro-ministro Boris Johnson advertindo sobre os riscos de exigir passaportes de vacinação como condição para frequentar igrejas ou outros locais públicos.

Suas preocupações corroboram as observações que fiz recentemente a respeito do assunto e são especialmente relevantes por envolverem uma significativa parcela da liderança cristã no Reino Unido, que não temeu manifestar sua oposição a essa política.

Segue abaixo uma tradução da carta.


Carta Aberta de Líderes Cristãos ao Primeiro-Ministro sobre Propostas de Passaporte de Vacinação

Para: O Primeiro-Ministro Boris Johnson

Abril de 2021

Caro Primeiro-Ministro,

Como líderes cristãos de várias denominações, continuamos a orar neste momento por vosso governo "e [por] todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito" (1 Timóteo 2:2).

No entanto, vos escrevemos sobre uma questão que suscita grande preocupação, a saber a possível introdução na nossa sociedade dos chamados "passaportes de vacinação", também referidos como "certificados de status da COVID" e "passes de liberdade". Nos opomos totalmente a esta proposta e desejamos destacar três pontos sobre a consideração potencial de qualquer esquema desse tipo.

Em primeiro lugar, fazer da vacinação a condição para que alguém possa entrar em um local ou participar de uma atividade não faz sentido lógico em termos de proteção de terceiros. Se as vacinas são altamente eficazes na prevenção de doenças significativas, como parece ser a evidência dos resultados dos ensaios até o momento, então aqueles que foram vacinados já receberam proteção; não há benefício para eles se outras pessoas forem vacinadas. Além disso, uma vez que as vacinas não previnem a infecção per se, mesmo uma pessoa vacinada poderia, em teoria, transportar e potencialmente transmitir o vírus, de maneira que decidir o status de "não disseminador seguro" de alguém com base na prova de sua imunidade à doença é espúrio.

Em segundo lugar, a introdução de passaportes de vacinação constituiria uma forma antiética de coerção e violação do princípio do consentimento informado. As pessoas podem ter várias razões para não poderem ou não desejarem receber as vacinas atualmente disponíveis, incluindo, para alguns cristãos, sérias questões de consciência relacionadas à ética na fabricação ou teste de vacinas. Corremos o risco de criar uma sociedade de duas camadas, um apartheid médico no qual uma classe inferior de pessoas que recusam a vacinação é excluída de áreas significativas da vida pública. Há também um temor legítimo de que esse esquema seja a ponta do iceberg, levando a um estado de coisas permanente em que o status de vacinação COVID poderia ser expandido de modo a abranger outras formas de tratamento médico e talvez até outros critérios além desse. Este esquema tem o potencial de destruir a democracia liberal como a conhecemos e de criar um estado de vigilância no qual o governo usa a tecnologia para controlar certos aspectos da vida dos cidadãos. Como tal, esta constitui uma das propostas políticas mais perigosas já feitas na história da política britânica.

Por fim, como líderes cristãos, queremos afirmar que não prevemos nenhuma circunstância em que fecharíamos nossas portas a quem não tem passaporte de vacinação, certificado de teste negativo ou qualquer outro "comprovante de saúde". Para a Igreja de Jesus Cristo, excluir aqueles considerados pelo estado como socialmente indesejáveis seria um anátema para nós e uma negação da verdade do Evangelho. A mensagem que pregamos é dada por Deus a todas as pessoas e consiste em nada mais do que o dom gratuito da graça oferecido em Cristo Jesus, com o apelo universal ao arrependimento e fé nele. Negar o acesso de pessoas para ouvir esta mensagem vivificante e receber este ministério vivificante seria uma traição substancial a Cristo e ao Evangelho. Igrejas e organizações cristãs sinceras não poderiam fazer isso e, como líderes cristãos, seríamos compelidos a resistir vigorosamente a qualquer lei desse tipo.

Chamamos vossa atenção para a recente revisão judicial que anulou a proibição do governo escocês ao culto público, o que demonstra que essa prevenção desproporcional do direito de culto é uma violação clara do Artigo 9 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Não podemos ver como qualquer tentativa de impedir que pessoas se reúnam para o culto com base em testes ou não vacinação não seja igualmente considerada uma violação. Concordamos com os membros do Parlamento que já se opuseram a esta proposta: que seria divisivo, discriminatório e destrutivo introduzir qualquer certificação sanitária obrigatória na sociedade britânica. Apelamos ao governo para que afirme com firmeza e clareza que não contemplará este plano iliberal e perigoso, nem agora nem nunca.

Com os melhores cumprimentos,

Veja aqui a lista completa dos signatários

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sábado, 17 de julho de 2021

Uma política que não combina com os Estados Unidos

Sabemos que América está começando a falar como dragão (Apocalipse 13:11) quando seus governantes punem cidadãos por suas opiniões, restringem a liberdade de imprensa, criam prisões secretas, sancionam a tortura, detêm cidadãos arbitrariamente, perseguem grupos e pessoas que discordam da narrativa oficial e vigiam cidadãos comuns, características típicas de regimes totalitários, que encontram na Inquisição o seu mais perfeito modelo.

Sobre o último aspecto do totalitarismo – a  vigilância de cidadãos comuns,  uma prática que abordei recentemente aqui –, Anita Novinsky observa que a delação, a denúncia, os "rumores" eram as bases comuns em que se apoiavam tanto a Inquisição Medieval como a Inquisição Moderna. "Havia", ela escreve, "os auxiliares da Inquisição, chamados 'familiares', que ajudavam na caça aos suspeitos, funcionando como espiões, o que tornava mais eficiente o trabalho dos inquisidores". [1]

No século XIII, o Quarto Concílio de Latrão determinou no Canon 3 que todo arcebispo ou bispo, pessoalmente ou através de um representante eclesiástico ou de pessoas de boa reputação, visitasse duas vezes ou, no mínimo, uma vez por ano a diocese na qual se sabia residirem hereges, e que três ou mais homens de bom caráter, ou, ainda, todo a comunidade, fossem compelidos a jurar que, se alguém soubesse da presença de hereges ou outros suspeitos de heresia, denunciasse ao bispo. [2]

O sistema de denúncias da Inquisição serviu de precedente tanto para a polícia secreta da Itália fascista – que, a partir de 1933, estimulou os italianos comuns a fornecer informações sobre seus vizinhos – como para a polícia nazista – que, de 1930 em diante, colocou milhões de cidadãos sob vigilância.

Muitas pessoas que viveram sob o nazismo declararam, em uma pesquisa, que haviam sido espionadas pelos vizinhos, por colegas de trabalho ou de escola ou pela polícia. Algumas pessoas disseram que suas babás, empregadas, colegas de escritório e professores estavam todos listados como espiões. [3]

Então chegamos ao aparato de vigilância do governo americano pós-11 de setembro.

Menos de um ano depois dos atentados terroristas, o governo Bush desencadeou a Operação Tips – Sistema de Informação e Prevenção do Terrorismo – com o objetivo de recrutar informantes entre os cidadãos americanos para comunicar ao Departamento de Justiça qualquer atividade que considerassem suspeita. Os milhões de cidadãos que o programa pretendia alistar deveriam chegar à marca de um informante para cada 24 americanos! [4]

Por resistência do Congresso, a Tips teve vida curta, mas a política de vigiar cidadãos comuns nunca deixou de ser praticada pelo estado profundo. E desde os eventos no edifício do Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, essa política tem sido mais uma vez adotada oficialmente, com agências federais como o FBI encorajando cidadãos americanos a denunciar membros da família e colegas de trabalho que reconhecerem em vídeos e fotos do evento.


Este é um momento potencialmente perigoso para a liberdade, em que crises oferecem excelentes justificativas e coberturas para a imposição de um estado policial. A menos que você tenha faltado às aulas de história, é impossível não relacionar o que vem acontecendo nos Estados Unidos desde o 11 de setembro com o sistema de ameaças da Inquisição.

Delitos por opinião que sujeitavam o infrator à intimidação do estado, prisão arbitrária, tortura e mesmo à morte eram males que os Pais Fundadores conheciam muito bem e que procuraram banir do solo americano mediante a Constituição e a Declaração dos Direitos.

O sistema de freios e contrapesos constitucionais foi estabelecido como uma barreira contra a tendência natural de desejar liberdade para si, e não necessariamente para os outros. Para a geração revolucionária, era essa barreira que mantinha a linha tênue que separa a civilização da barbárie.

No entanto, a América, a "terra dos livres e lar dos valentes", está rapidamente descendo uma ladeira escorregadia em direção ao que o Apocalipse chama de "imagem da besta" (13:11-17), uma identificação desta nação com o espírito e os princípios de organização do papado.

E não há dúvida de que Satanás está aproveitando as crises que vivemos hoje para refinar o roteiro que será seguido quando chegar o tempo de suas manifestações mais extraordinárias.

Lembremos, porém, que em todo o poderio satânico não há força para vencer uma única pessoa que se rende confiante a Jesus Cristo!

Hoje, enquanto ainda temos um fiel Substituto e Fiador, que por Sua expiação proveu-nos um infinito tesouro de força moral, busquemos diligentemente formar e moldar nosso caráter segundo Sua vontade, e, assim, resistir com resoluta fé às renhidas provas que ainda virão.

Notas e referências

1. Anita Novinsky, A Inquisição. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 18.

2. The Twelfth General Council (1215), Fourth Lateran Council, Canon 3. H.J. Schroeder, Disciplinary Decrees of the General Councils: Text, Translation, and Commentary. St. Louis, Mo. and London: B. Herder Book Co., 1937, p. 244.

3. Naomi Wolf, O Fim da América: Cartas a um jovem patriota norte-americano. Rio de Janeiro: Record, 2010, p. 130 e 131.

4. Ibid., p. 125.

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sábado, 3 de julho de 2021

A lei dominical na profecia

A atual pandemia parece ter despertado a atenção de muitas pessoas para as profecias bíblicas. Algumas têm manifestado um interesse sincero em conhecer mais a respeito dos sinais que precederão a segunda vinda de Cristo. Ao mesmo tempo, percebe-se que outras têm feito releituras da escatologia bíblica a partir de perspectivas que tendem a suprimir/relativizar os elementos preditivos das profecias e a condicioná-las historicamente.

No contexto adventista, por exemplo, alguns têm enxergado a promulgação de um futuro "decreto dominical" em âmbito global como uma possibilidade remota ou algo impossível de acontecer. Assim, a tradicional interpretação adventista da imposição da observância do domingo não se encaixa nessa visão.

Foi para esclarecer essa e outras questões relacionadas ao cenário profético apresentado na Bíblia e nos escritos de Ellen White que o Instituto de Pesquisa Bíblica (BRI, na sigla em inglês), órgão ligado à sede mundial da denominação, preparou o documento intitulado "Answers to Questions on the Mark of the Beast and End Time Events", publicado em 25 de junho. A seguir, disponibilizamos uma versão traduzida para o português.

RESPOSTAS A PERGUNTAS SOBRE A MARCA DA BESTA E OS EVENTOS FINAIS

Têm chegado perguntas ao Instituto de Pesquisa Bíblica acerca da posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia quanto à relação entre a marca da besta e a guarda do domingo, bem como a respeito da condicionalidade da profecia e dos escritos de Ellen G. White sobre o tempo do fim. As seguintes perguntas resumem as principais preocupações que foram trazidas à nossa atenção e respondidas aqui de maneira resumida.

1. Visto que nem o sábado nem o domingo são especificamente mencionados no livro do Apocalipse, como pode a marca da besta envolver um dia de adoração ou uma lei exigindo a guarda do domingo?

A marca da besta é mencionada sete vezes no Apocalipse (13:16, 17; 14:9, 11; 16:2; 19:20; 20:4). Quatro dessas menções aparecem no centro do livro (Ap 12-14), que é introduzida por uma visão da arca da aliança contendo os Dez Mandamentos (Ap 11:19). O povo remanescente de Deus é identificado como os que "guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Ap 12:17). Imediatamente depois isso, João descreve duas bestas que perseguem a igreja de Deus: (1) uma que "emerge do mar" (Ap 13:1) e (2) outra que "emerge da terra" (Ap 13:11). A primeira besta ordena uma falsa adoração e sua atividade de perseguição se assemelha à do "chifre pequeno" de Daniel 7, que cuidaria "em mudar os tempos e a lei" (v. 25) e perseguiria o povo de Deus por 1.260 dias/anos (Ap 13:4, 8).

A conexão com a profecia de Daniel mostra que a falsa adoração envolve uma tentativa de mudar os "tempos" de Deus e Sua lei dos Dez Mandamentos. O único mandamento dos dez que lida com tempo é o quarto — o mandamento para santificar o sábado do sétimo dia. Historicamente, a tentativa de mudar o dia de adoração foi perpetrada pela igreja romana, que reverencia o domingo como dia de descanso, em vez do sábado, o dia de descanso bíblico.

O fato de a segunda besta em Apocalipse 13, representando o protestantismo apostatado, exercer a mesma autoridade da primeira besta (Ap 13:12) e cooperar com ela para impor a falsa adoração mostra que o domingo será uma marca distintiva importante dos que adoram a besta e sua imagem, em contraste com o povo remanescente de Deus que guarda "os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (Ap 14:12). Sua obediência inclui a santificação do sétimo dia porque eles dão ouvidos ao chamado para "adorar aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" (Ap 14:7; ver Êx 20:11). Eles recebem o selo de Deus (Ap 7:4; 14:1), enquanto os que rejeitam esse chamado e reverenciam o domingo, a marca da autoridade da besta, são descritos como parte de Babilônia e recebem a marca da besta (Ap 14:8-11). A prova final, portanto, tem a ver com a verdadeira ou a falsa adoração embasada na obediência à lei de Deus, o que inclui o sábado e o dia de adoração inventado pelo homem, o domingo.

2. Qual é o número da besta e como isso se relaciona à marca da besta?

Na Bíblia, o número da besta é mencionado em Apocalipse 13:17, 18: "Para que ninguém possa comprar nem vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem [anthropou = de um ser humano]: Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis".

A Igreja Adventista do Sétimo Dia não tem uma posição oficial sobre essa questão, mas há dois pontos de vista principais em nosso meio acerca do número da besta (666), em Apocalipse 13:17, 18. Alguns o interpretam como uma referência crítica ao título papal Vicarius Filii Dei, embora não nos seja dito que "666" seja o somatório do valor numérico das letras em tal designação.

Outros veem o "6" triplo como indicativo de uma trindade satânica. Eles ressaltam que a expressão "é número de homem" (Ap 13:18) pode ser traduzida como "é número da humanidade", ou seja, de seres humanos separados de Deus. Esse número (seis usado três vezes) simbolizaria, portanto, uma rebelião intensa e independência total de Deus. No entanto, o texto grego é literalmente 600 + 60 + 6, e não três 6 ou um 6 triplo. Ao reconhecer isso, muitos adventistas do sétimo dia continuam a associar o número da besta com o título papal Vicarius Filii Dei, tendo pesquisas recentes proporcionado boas evidências históricas para vincular o "666" com esse título. Seja como for, há muitas evidências do texto e da história para identificar a primeira besta de Apocalipse 13 com o papado, independentemente de como o "666" seja compreendido.

3. Na Bíblia, há profecias condicionais e incondicionais. Como os escritos de Ellen G. White poderiam ser compreendidos à luz desse fato? A interpretação pode ser condicional se a profecia apocalíptica é incondicional?

As profecias clássicas do Antigo Testamento se concentram primariamente no próprio tempo e contexto histórico do profeta, embora também possam incluir uma perspectiva cósmica, mais ampla, que atinge até o "dia do Senhor" no tempo do fim (ver, por exemplo, Is 2:12; 13:9; Jo 2:21). As profecias clássicas dadas no contexto da aliança de Deus com Israel continham elementos condicionais, cujo cumprimento dependia da resposta de Israel (ver Dt 28). Semelhantemente aos profetas canônicos, os testemunhos de Ellen G. White acerca de pessoas e instituições podem ter apenas uma aplicação local, condicional, visto que seu cumprimento geralmente dependia da resposta ou decisão dos envolvidos. No entanto, como nas Escrituras, os princípios subjacentes são de aplicação contínua.

Por outro lado, as descrições feitas por Ellen White sobre o tempo do fim devem ser compreendidas no contexto escatológico da profecia apocalíptica bíblica, bem como em visões que ela mesma recebeu de Deus. Essas mensagens proféticas interpretam a profecia apocalíptica, que é, por sua própria natureza, incondicional e se concentra na resolução do grande conflito. Considerando que as mensagens proféticas de Ellen G. White refletem o contexto do tempo do fim, e não o contexto local da época em que foram escritas, elas devem ser compreendidas como profecias incondicionais, ou seja, como as profecias apocalípticas de Daniel e Apocalipse que dão sustentação ao seu panorama profético.

4. Os pontos de vista de Ellen G. White sobre o papado e o protestantismo, em conexão com a marca da besta, mudaram com o passar dos anos?

Não há mudança real nos pontos de vista de Ellen G. White sobre o papado e o protestantismo, nem a respeito da imposição da marca da besta. A fim de compreender suas últimas declarações, é útil considerar seus primeiros escritos sobre o tema. A primeira declaração de Ellen G. White a respeito do catolicismo e do protestantismo como poderes perseguidores data de 1850 e se baseia em Apocalipse 13 e 17, capítulos nos quais o papado é descrito como "a mãe das meretrizes" e os protestantes, como "suas filhas", assim como "a besta de dois chifres".

Várias fases da perseguição são descritas: (1) o "dia" do papado refere-se aos 1.260 anos de supremacia papal e perseguição ao povo de Deus; (2) os protestantes, em harmonia com o que diz a segunda mensagem angélica (Ap 14:8), também começariam a persegui-los. O fato de Ellen G. White não considerar encerrada a obra de perseguição do papado está claro nos parágrafos subsequentes, que indicam fases adicionais de perseguição; (3) igrejas protestantes, juntamente com a Igreja Católica, viriam contra os que "guardam o sábado e desconsideram o domingo"; e (4) a Igreja Católica emprestaria sua influência aos protestantes nos Estados Unidos para destruir o povo de Deus (Ellen G. White, Ms 15, 1850, parágrafos 5-7). Assim, de acordo com Ellen White, católicos e protestantes farão uma aliança durante um período considerável de tempo para perseguir o povo de Deus.

A próxima declaração importante, publicada em 1884, discorre sobre essa fala inicial de 1850 e mostra que a mensagem do segundo anjo sobre a queda de Babilônia se refere especificamente ao protestantismo apóstata: "A palavra de Deus ensina que essas cenas [de perseguição durante o período de supremacia papal] devem se repetir à medida que católicos e protestantes se unirem para a exaltação do domingo" (Ellen G. White, The Spirit of Prophecy, v. 4, p. 233, 396).

Em suma, a posição de Ellen G. White sobre o papado e a promoção da santidade do domingo permanece consistente. Declarações posteriores, incluindo as que foram publicadas nas diversas edições de O Grande Conflito, são um aprimoramento de sua declaração inicial, não uma mudança de posicionamento. Por exemplo, em 1900, ela escreveu: "Quando vier a prova, será mostrado claramente o que é a marca da besta. Ela é a observância do domingo" (Ellen G. White, Eventos Finais, p. 224).

5. Os adventistas do Sétimo Dia continuam sustentando o cenário do tempo do fim encontrado nos escritos de Ellen G. White?

Em harmonia com a referência ao testemunho de Jesus em operação no final da história mundial (Ap 12:17), os adventistas reconhecem Ellen G. White como mensageira do Senhor e continuam sustentando que seus escritos foram dados à igreja remanescente como um guia inspirado para estes últimos dias, sendo especialmente úteis na compreensão das profecias da Bíblia acerca dos eventos finais. Conforme demonstram as respostas a essas perguntas, cremos que suas interpretações proféticas são sólidas e permanecem relevantes e instrutivas para a igreja.

6. A interpretação adventista de Apocalipse 13 é anticatólica?

Ellen G. White reconhece que os filhos de Deus estão presentes em todas as denominações, incluindo a Igreja Católica Romana. Ela declara: "Não devemos criar desnecessariamente um preconceito em seu espírito [isto é, na mente dos católicos] com o fazer-lhes um ataque. […] Pelo que Deus me tem mostrado, grande número será salvo dentre os católicos" (Manuscrito 14, 1887, parágrafo 4). Em outra de suas obras, a pioneira acrescenta: "Entre eles [os católicos] existem muitos que são cristãos conscienciosos, que vivem segundo a luz que lhes é proporcionada, e Deus atuará em seu favor" (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 243). Essas declarações deixam claro que Ellen G. White não era, de forma alguma, anticatólica. Dito isso, vale salientar que ela permanecia alinhada com a Reforma. A pioneira via o sistema doutrinário católico, incluindo a missa e os outros sacramentos, como inconsistentes com a fé em Cristo e com o princípio da Sola Scriptura. Além disso, ela entendia que a estrutura de autoridade da Igreja Católica Romana está em oposição direta à Bíblia e sua autoridade. Sua compreensão de Apocalipse 13 é consistente com a teologia adventista e com a interpretação historicista de outras profecias apocalípticas em Daniel e Apocalipse.

7. Alguns têm conjecturado que a Bíblia e Ellen G. White não proporcionam sustentação à compreensão de que a adoração no sábado versus domingo será uma questão importante no tempo do fim. Há evidências recentes que sustentem a interpretação tradicional adventista?

Em primeiro lugar, devemos ser muito cuidadosos ao lidar com profecias bíblicas não cumpridas e resistir à tentação de interpretar as Escrituras pelas lentes das últimas manchetes dos jornais. Devemos seguir princípios sólidos de interpretação bíblica e dar a devida atenção ao texto bíblico (ver Frank M. Hasel, ed., Biblical Hermeneutics: An Adventist Approach [Silver Spring, MD: Biblical Research Institute e Review and Herald Academic, 2020]). A ideia de que declarações de Ellen G. White sobre a Igreja Católica Romana não refletem a realidade pós-Concílio Vaticano II, que foram condicionadas pelas circunstâncias de seu tempo e não se aplicam à nossa situação presente demanda uma análise mais detalhada.

Embora o Concílio Vaticano II tenha levado a uma maior abertura por parte da Igreja Romana para com outros grupos religiosos, não houve mudança doutrinária substancial, inclusive acerca de sua posição sobre o domingo como dia de adoração. De fato, a interpretação adventista das profecias de Daniel e Apocalipse e as declarações de Ellen G. White a esse respeito parecem cada vez mais plausíveis. Por exemplo, na seção 67 de sua Carta Apostólica Dies Domini, o papa João Paulo II declarou que "é natural que os cristãos se esforcem para que, também nas circunstâncias específicas do nosso tempo, a legislação civil tenha em conta o seu dever de santificar o domingo" e enfatizou que eles "têm a obrigação de consciência de organizar o descanso dominical de forma que lhes seja possível participar na Eucaristia, abstendo-se dos trabalhos e negócios incompatíveis com a santificação do dia do Senhor".

Mais recentemente, o papa Francisco fez o seguinte apelo em sua Encíclica Laudato Si (seção 13): "O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar". Esse desenvolvimento, de acordo com o papa Francisco, inclui a restauração da vida espiritual, tendo em seu cerne a Eucaristia e o domingo como dia universal para o descanso, bem como para experimentar essa restauração.

A importância da adoração no domingo e a obrigação de participar da missa aos domingos também são enfatizadas no catecismo católico mais recente: "Todo cristão deve evitar impor a outrem, sem necessidade, o que possa impedi-lo de guardar o Dia do Senhor. […] Não obstante as pressões de ordem econômica, os poderes públicos se preocuparão em assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm obrigação análoga para com os seus empregados" (Catechism of the Catholic Church, 1994, seção 2187; ver também as seções 2176, 2177, 2182 e 2184; disponível em português aqui).

O papel unificador do domingo também é reconhecido por líderes ortodoxos. Numa edição de 2015 da Sunday Magazine, o teólogo e líder ortodoxo Demetrios Tonias considerou o "domingo como marca da unidade cristã". Portanto, não é surpresa que alguns políticos impulsionem essas ideias e até mesmo preconizem uma frequência obrigatória na igreja aos domingos e leis dominicais mais estritas, não apenas dos Estados Unidos. A forte Aliança Europeia pelo Domingo (European Sunday Alliance) está exigindo leis dominicais mais rígidas nos países da União Europeia. Embora esses desdobramentos sejam sinais dos tempos e mereçam nossa devida atenção, podem não ser o cumprimento final do cenário do tempo do fim que é apresentado nas Escrituras e nos escritos de Ellen White. Contudo, certamente proporcionam uma estrutura na qual essas coisas podem plausivelmente ocorrer em um período de tempo relativamente curto.

Conclusão

Como adventistas do sétimo dia, nossa missão é pregar o evangelho eterno ao mundo, que está centrado no sacrifício de uma vez por todas de Cristo na cruz, o dom gratuito de Sua justiça e Seu ministério de intercessão e juízo no santuário celestial. Nossa tarefa especial no tempo do fim se concentra na proclamação das três mensagens angélicas, a fim de preparar um povo para Seu breve retorno. Nossa compreensão profética dos eventos finais é essencial a essas mensagens.

Embora não devamos nos envolver em especulações que nos distraiam dessa missão, os eventos finais realmente tendem a confirmar nossa compreensão. Estamos convencidos de que as mensagens proféticas de Deus, conforme reveladas na Bíblia e nos escritos de Ellen G. White, são corretas e proporcionam um cenário cada vez mais plausível à medida que nos aproximamos dos eventos finais que foram divinamente revelados, mesmo se não pudermos determinar precisamente quão breve esses eventos se darão.

Nosso foco deve permanecer na missão da igreja, fortalecendo a família, envolvendo-nos em evangelismo e refletindo Jesus em nossa vida. À medida que as condições do mundo avançam e continuamos a estudar as profecias da Bíblia em busca de orientação, especialmente os livros de Daniel e Apocalipse, nossa compreensão dos eventos finais se tornará mais clara. Os escritos de Ellen G. White também são um recurso importante que lançam luz sobre essas profecias.

INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA, órgão vinculado à sede mundial da Igreja Adventista, nos Estados Unidos (com tradução de Hander Heim)

sábado, 26 de junho de 2021

Crise global: um ensaio para o futuro, um teste para o presente

Os direitos consagrados na Primeira Emenda da Constituição dos EUA – liberdade de consciência, liberdade religiosa, liberdade de expressão e de imprensa, liberdade de reunião – estão sendo comprometidos nestes tempos de crise; direitos que jamais deveriam ser sacrificados, mesmo em tais circunstâncias.

Como consequência de sua resposta à pandemia, o poder do estado cresceu de modo assustador nos últimos quinze meses, tanto em escopo quanto em escala, e, por isso, vivemos no período mais obscuro para as liberdades individuais.

Vigilância e monitoramento dos cidadãos, penas desproporcionaiscoleta arbitrária de dados, identificação biométrica, intimidação e repressão devido a pontos de vista divergentes sobre assuntos de interesse público... As reações do estado à crise sanitária sob o pretexto da segurança estão estabelecendo um precedente terrível. Como Thomas Jefferson advertiu: "A maior calamidade que poderia nos acontecer seria a submissão a um governo de poderes ilimitados".

Nada, porém, ilustra melhor a maneira pela qual a lógica inerente a estas políticas tem levado os governos a um tipo de coerção até há pouco tempo impensável, do que os chamados "certificados de imunidade" ou "passaportes de saúde", uma medida que expandirá ainda mais os poderes estatais sobre o cidadão.

Em 24 de março de 2020, Bill Gates se referiu a esses passaportes em uma entrevista a Chris Anderson, o curador do TED, a organização sem fins lucrativos que dirige as famosas séries de palestras, justificando seu emprego como uma forma de identificar pessoas imunizadas e, assim, garantir seu direito de ir e vir, o que, dito de outra forma, significa que pessoas sem essa certificação poderiam ser privadas desse direito.

Era evidente na ocasião que a adoção desses certificados criaria uma sociedade de dois níveis, em que um grupo teria acesso aos direitos básicos que era possível desfrutar livremente antes da pandemia e o outro, não.

Nos meses seguintes, governos ocidentais sinalizaram que não adotariam essa política. Mas, contrariamente às suas declarações, empresas estão se unindo ao governo para impor a política dos passaportes de saúde, de maneira que, a princípio, os governos não precisarão implantar essa medida arbitrária, uma vez que as empresas estão fazendo isso por eles.

Assim, os passaportes de vacinação estão sendo implementados sem qualquer supervisão ou consentimento do público. Sua admissão tem consequências devastadoras e de longo alcance para as liberdades constitucionais. O direito de acesso à economia é negado. Como Birsen Filip observou, liberdade econômica significa basicamente liberdade para consumir, trocar, produzir e cooperar de forma espontânea e voluntária. 

Em outras palavras, se as ações coercitivas do estado violassem ou abolissem a liberdade econômica, os indivíduos seriam essencialmente privados da liberdade geral, incluindo liberdade de discurso, liberdade de expressão, liberdade de religião, liberdade de reunião, liberdade de imprensa e liberdade intelectual.

Refletindo sobre as mesmas implicações de tal política, Brandon Smith escreveu:

Muitas pessoas parecem não entender que existem diferentes tipos de monopólios com os quais precisamos nos preocupar. Monopólios nas redes sociais e nas comunicações são um exemplo, mas e os monopólios ideológicos em geral? Você pode ter uma centena de pequenas empresas e grandes varejistas em uma comunidade, mas se todos eles decidirem cumprir coletivamente as leis contra a covid, ou se todos eles forem obrigados a fazer cumprir essas leis, todas as opções serão indistintamente removidas do mercado. Este é um monopólio ideológico tão perigoso quanto qualquer monopólio corporativo.

Naturalmente, você pode se recusar a tomar a vacina, mas se a maioria das empresas em sua comunidade exigir uma prova de vacinação antes que você possa trabalhar ou fazer compras nelas, sua recusa virá com a promessa de pobreza e possivelmente fome. Você seria completamente excluído da economia convencional.

Por mais assustador que seja, é em direção a essa realidade que o mundo caminha rapidamente.

Na Alemanha, por exemplo, um certificado digital de vacinação permitirá que os usuários baixem o comprovante de seu status de vacinação em um aplicativo no smartphone, o que lhes possibilitará acesso a restaurantes, museus e outros locais que exijam prova de imunização.

Foi precisamente a ausência de tal prova que impediu que uma idosa de 100 anos fizesse compras em um supermercado em Santiago, no Chile. O segurança do estabelecimento que negou sua entrada insistiu que perderia o emprego se permitisse seu acesso sem o certificado digital de saúde.

Mesmo uma pequena aldeia no Alasca com menos de 500 habitantes está exigindo que os moradores sejam totalmente vacinados para que possam fazer compras presencialmente.

Medidas emergenciais podem começar como respostas justificáveis a preocupações legítimas, mas invariavelmente se tornam instrumentos de conformidade e controle nas mãos de governos que tiram proveito das crises para aumentar seu poder. Sabemos que essas pequenas tiranias e hostilidades contra os interesses dos indivíduos, da sociedade e do estado de direito em nome do bem social são uma preparação para a crise vindoura (veja, por exemplo, Apocalipse 13:16-17).

Mas não devemos esquecer que elas também representam uma prova para o povo de Deus no presente. 

A quem vamos obedecer?

Qualquer pessoa que sustente um posicionamento contrário às políticas de saúde em vigor, seja por questões de razão ou consciência, se expõe ao risco de ser ridicularizada como anticientífica, considerada egoísta e censurada. A atmosfera de medo e intimidação em torno desse assunto diz muito sobre os tempos tenebrosos em que vivemos. Mas o problema não para por aí.

Como mencionei há pouco, as políticas cada vez mais restritivas estão criando uma sociedade de duas camadas, em que as liberdades e direitos básicos são garantidos apenas para os totalmente imunizados, ao passo que os não imunizados são tratados como cidadãos de segunda classe.

De que maneira isso nos afeta como igreja? Considere a seguinte situação.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma agência do Departamento de Saúde dos EUA) publica em seu website um guia atualizável sobre relacionamentos e atividades consideradas seguras, distinguindo entre vacinados e não vacinados. Nos exemplos de atividades em ambientes fechados, o CDC inclui a "plena assistência aos serviços de adoração" e "cantar em um coro" como atividades "seguras" para os totalmente vacinados e "minimamente seguras" para os não vacinados.

Pense por um instante no significado prático dessa distinção e seu impacto no modo como conduzimos a igreja de Deus.


Sabemos que é um dever moral reconhecer e obedecer à autoridade devidamente constituída e às leis do país enquanto forem justas e legitimamente exercidas. Mas quando suas reivindicações estão em desacordo com as reivindicações e princípios do reino de Deus, devemos fazer a escolha de Atos 5:29 e deixar com o Senhor as consequências.

Evidentemente, a vacina não é a marca da besta, mas as mesmas questões fundamentais de consciência e liberdade religiosa estão envolvidas, ainda que em menor escala, e devemos prestar atenção à elas.

Como reagiremos, então, à distinção do CDC? Adotaremos indiscriminadamente as políticas de saúde e trataremos os não vacinados como adoradores de segunda classe? Como campeões da liberdade religiosa, nos alinharemos com os padrões arbitrários das autoridades públicas, segregando ou mesmo recusando acolher pessoas que, por razões de consciência, se opõem à vacinação forçada? Confiaremos cegamente nas políticas governamentais para orientar nossa conduta como igreja de Deus, quando sabemos que muitas dessas políticas violam um dos princípios mais fundamentais de Seu reino, que é a liberdade de consciência?

Se endossarmos essas políticas, mesmo através da nossa omissão, dificilmente poderemos continuar ensinando e defendendo a liberdade de consciência sem prejuízo de nossa credibilidade. A resposta a estas questões imediatas também nos dará uma pista de como reagiremos à vindoura crise da lei dominical, que envolve desafios semelhantes, porém muito mais profundos.

Arrisco-me a dizer que a maioria das pessoas que recusa as vacinas não o faz por mero capricho.  Muitas têm motivos razoáveis. Podemos ou não concordar com elas, mas certamente é nosso dever respeitar e preservar sua liberdade de escolha no espírito de Cristo, e não penalizá-las.

Nesse contexto, parece-me um tanto precipitado defender as vacinas nos canais de comunicação da igreja baseados mais na perspectiva unilateral de cientistas que ocupam posições de poder, como meros refletores do pensamento alheio, do que no método puramente científico, pelo qual a busca sistemática e autocrítica da verdade pode ser alcançada.

Nosso conhecimento é imperfeito. Geralmente julgamos as coisas pelas primeiras impressões e intuições que recebemos, e raramente com base em critérios racionais e objetivos. É perigoso recorrer a atalhos mentais para entender o mundo, pois podemos acabar com uma visão grosseiramente diferente da realidade. No caso em apreço, há pontos de vista divergentes da narrativa oficial, mesmo em nossa comunidade médica, que convém ouvir e avaliar antes de formar uma opinião.

Além disso, é de conhecimento geral que a rotina traz segurança. Quando a rotina é abruptamente interrompida por uma crise, as pessoas entram em um estado de desorientação emocional provocado pelo choque. Nessas condições, elas estarão mais propensas a aceitar soluções pouco comuns, que minarão suas liberdades em troca da falsa sensação de segurança.

Esse é o caminho para que o ódio social e econômico exacerbado por uma crise transforme a discriminação em argumento político, com a consequente violência impulsiva contra grupos que passam a ser objeto da indignação geral. Essa cultura discriminatória raramente se limita a agressões mesquinhas e invariavelmente leva aos tipos de violência e tragédia sobre os quais a história e a experiência testificam amplamente.

Hoje, podemos dizer que o grupo mais suscetível ao descontentamento geral inclui os que, por razões de consciência, recusam a vacina. Amanhã, serão os que desejarem permanecer fiéis aos mandamentos de Deus pelas mesmas razões.

O mundo caminha inexoravelmente rumo ao que o Apocalipse chama de "a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (16:14). E, à medida que nos aproximamos desse Dia, Satanás intensificará seus esforços para destruir um dos princípios mais elementares do reino de Deus: a liberdade de consciência.

Por essa razão, é necessário que a igreja reconheça sua total dependência de Deus e viva e trabalhe de tal forma que Sua presença possa estar com ela.

Minha oração é que, no Espírito do Senhor, tomemos uma posição ousada e inspiradora a favor da liberdade de consciência. Se o fizermos e depositarmos nossa confiança no Senhor, não seremos envergonhados.

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