Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 27 de maio de 2017

Duas cidades: dois grupos de adoradores

Uma das características mais marcantes do Apocalipse é o contraste que este extraordinário livro estabelece entre os poderes em conflito no grande drama dos séculos.

O Cordeiro opõe-se à besta, a mulher pura, à grande meretriz, e Sião ou Jerusalém, à Babilônia.

Há, inclusive, três mensagens angélicas verdadeiras (Apocalipse 14:6-12) em contraste com três mensagens angélicas falsas (Apocalipse 16:13-14)!


Essa dinâmica da revelação profética baseada nos contrastes é um recurso didático bastante útil para ressaltar a verdade face ao erro, de defini-la tão claramente quanto as palavras podem fazê-lo ao contrastá-la com o engano.

O fenômeno recorrente destes contrastes põe em relevo o caráter exaltado de Cristo e Sua dignidade, em oposição às pretensões altivas e blasfemas do dragão, Satanás (Apocalipse 12:9), e situa o remanescente final da igreja de Cristo acima e contra os poderes babilônicos que se aliaram ao dragão.

E os contrastes entre Babilônia e Jerusalém são particularmente instrutivos para a nossa compreensão da mensagem do segundo anjo (Apocalipse 14:8), os quais são revelados do ponto de vista da adoração, que é um tema de especial interesse do Apocalipse, especialmente de suas profecias do tempo do fim.

Vê-se, portanto, uma íntima ligação entre as mensagens do primeiro e do segundo anjo.

Babilônia e seus adoradores são expostos em sua verdadeira natureza e julgados pelo tribunal do Céu em função da norma da verdade salvadora revelada em Sião, em seu santuário e em seu culto religioso, e que é ampliada na primeira mensagem angélica!

Isto não quer dizer que devamos olhar para a Palestina, no Oriente Médio, em busca de instrução a respeito da adoração verdadeira.

Os nomes que João usa no Apocalipse para descrever os dois partidos antagônicos no tempo do fim - Jerusalém e Babilônia - indicam uma relação de analogia, e não de identidade com a história da salvação de Israel e seu principal arqui-inimigo, a antiga Babilônia.

Assim, a palavra "Babilônia" foi intencionalmente escolhida pela Providência para estabelecer essa relação teológica de tipo e antítipo, em que o arqui-inimigo de Israel no passado é um protótipo do arqui-inimigo da igreja de Cristo ao longo da era cristã, e, especialmente, no tempo do fim.

E a queda histórica do império neobabilônico, tal como predita pelos profetas do Antigo Testamento, é também um protótipo da queda da Babilônia espiritual dos últimos dias. Há algo de essencial que conecta ambas as Babilônias e suas respectivas quedas, e que o Apocalipse amplia e esclarece dentro da estrutura assinalada do tempo do fim.

Além disso, com a morte, ressurreição e ascensão de nosso Redentor, o ponto central do drama foi transferido do santuário terrestre, na Jerusalém literal, para o santuário no Céu (Hebreus 1:3; 8:1-2; 9:24). Esta é a razão por que Satanás, por meio de seu agente mais próximo, a besta marítima, tem manifestado um ódio profundo contra o santuário celestial (Apocalipse 13:6).

Nós precisamos pela fé olhar para Cristo em Seu santuário, na Jerusalém celestial, em busca de orientação e segurança!

A oposição entre a "cidade santa" e a "grande cidade"

Como vimos no artigo anterior, a palavra "Babilônia" é mencionada precisamente seis vezes no Apocalipse, uma singularidade que diz muito sobre a natureza desse poder à luz do Antigo Testamento!

Ao mesmo tempo, Babilônia é identificada como a "grande cidade" exatamente sete vezes (Apocalipse 16:19; 17:18; 18:10, 16, 18, 19 e 21)! Há uma ênfase aqui que não pode ser ignorada.

A "grande cidade" está em flagrante oposição à "cidade santa" mencionada em Apocalipse 11:2. Ambas estão em conflito e representam duas classes distintas de adoradores, cuja influência é universal, e onde a primeira se caracteriza por sua obstinada rejeição à "palavra de Deus" e ao "testemunho de Jesus", e a segunda, por sua incondicional fidelidade a estas duas grandes colunas da fé (Apocalipse 12:17; 14:12).

Ao passo que a "cidade santa" é constituída dos fiéis adoradores de Deus, os quais, juntamente com o "santuário de Deus" e seu "altar", são "medidos", ou purificados e separados, o "átrio exterior" é deixado de parte, onde os "gentios" estabeleceram seu culto idólatra (Apocalipse 11:2).

É possível encontrar a "cidade santa" onde existirem pessoas fiéis à palavra e ao testemunho de Jesus, da mesma forma que é possível localizar a "grande cidade" onde houver pessoas que rejeitam essa mesma palavra e testemunho. É o tipo de relação com o evangelho eterno que determinará o caráter de cada partido, de cada grupo de adoradores.

Com efeito, só podemos discernir onde uma cidade termina e a outra começa à luz de suas relações com a "palavra de Deus" e o "testemunho de Jesus". Não há outra maneira de se estabelecer uma linha divisória entre ambas.

Reivindicações de autoridade e santidade, profissão de fé, aparência de piedade, milagres, nada disso constitui um guia seguro para distinguir a esfera de influência de cada uma destas cidades.

A "cidade santa" é descrita como "o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram". A "grande cidade" ou Babilônia compreende o lugar onde os "moradores da terra" adoram e servem à besta. Ambas também são simbolizadas, respectivamente, por uma mulher pura (Apocalipse 12) e por uma grande meretriz (Apocalipse 17).

Tendo em vista a progressiva queda moral e iminente queda literal da moderna Babilônia anunciada pelo segundo anjo (Apocalipse 14:8) e o solene chamado de Deus para abandoná-la e unir-se a Cristo e Sua igreja remanescente (Apocalipse 18:4; 14:12), necessitamos identificar com precisão essa "grande cidade", de modo que possamos atender ao apelo divino e, assim, evitar os juízos que impendem sobre ela.

Até aqui, fomos esclarecidos pela Santa Escritura sobre a natureza desse poder, cuja correspondência literária e teológica com a sua congênere do passado, a antiga Babilônia, tem se revelado bastante instrutiva nesse sentido.

Do mesmo modo, desejamos identificar a moderna Babilônia espiritual, que, à semelhança de seu arquétipo no Antigo Testamento, é uma organização poderosa e visível, com manifestações religiosas e políticas concretas, um adversário real e literal do Israel de Deus.

Com este objetivo, vamos analisar o capítulo que mais fornece informações a respeito de Babilônia - Apocalipse 17 -, uma das profecias mais desafiadoras do último livro da Bíblia, porém fundamental para se estabelecer a identidade de Babilônia, o significado de sua prostituição e a natureza de seu vinho incestuoso, os detalhes de sua queda, e a urgência do derradeiro chamado de Deus para abandonarmos a "grande cidade".

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