O descanso dominical está sendo normalizado


"A marca da besta nos será recomendada com insistência." Esta frase de Ellen G. White foi escrita em 1882 e aponta para o tempo em que o clamor pela normalização do domingo como dia de descanso se tornará a nota tônica do discurso público pouco antes da volta de Jesus.

Esse tempo chegou!

Uma quantidade notável de editoriais, matérias e artigos de opinião tem surgido na mídia secular e confessional com argumentos favoráveis à observância do domingo como solução para os dilemas morais e as crises sociais.

Mencionarei apenas alguns exemplos (todas as ênfases são minhas).

O clamor pelo descanso dominical

O autor de um artigo publicado no Daily News observou, com evidente consternação, que "reduzimos os Dez Mandamentos para nove" ao "eliminarmos efetivamente o quarto mandamento como irrelevante e arcaico: 'Lembre-se do dia do sábado para santificá-lo.'"

Ele não está se referindo ao sábado do sétimo dia, como o mandamento expressamente diz, mas ao "Dia do Senhor", quando "as empresas fechavam" e "os eventos esportivos reconheciam o domingo como um dia de culto".

O tom nostálgico do autor, que contrasta esse "modo de vida" idealizado com a atividade comercial e a cultura esportiva dos domingos atuais, sugere que um retorno às restrições comerciais e de entretenimento no domingo ajudaria a reverter o "estresse crônico" que "está corroendo cada vez mais nosso bem-estar geral".

Esta mensagem tem sido consistentemente repetida.

O Economic Times, a principal fonte de notícias da Índia dedicada a assuntos econômicos, publicou um artigo descrevendo o domingo como "uma espécie de botão de pausa universal que nos convida a desacelerar, saborear pequenos momentos e talvez demorar um pouco mais antes de começar o dia".

O artigo diz que "para muitos cristãos, o domingo também é o 'Dia do Senhor', um momento de adoração e reflexão tranquila". E "mesmo para aqueles que não frequentam a igreja, o dia muitas vezes se torna um momento natural para relembrar os altos e baixos da semana e pensar no que está por vir"!

Elisabeth Cara, professora da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão, em um artigo escrito para o Avvenire – um jornal de origem católica subsidiado pela Conferência Episcopal Italiana, com sede em Roma –, argumentou que o domingo

não é simplesmente um dia de descanso, que pode ser substituído por qualquer outro dia da semana, ou um costume cultural, mas representa um dos poucos momentos em que o tempo individual pode se sincronizar e a família pode existir como uma unidade concreta de relacionamentos.

"Nesse sentido", diz a autora, "o domingo representa um bem relacional público: um recurso social que apoia a parentalidade, a solidariedade entre gerações e a coesão familiar e comunitária".

Defender o domingo, portanto, significa defender não apenas a possibilidade de estarmos juntos, mas também a possibilidade de uma vida familiar menos desigual, menos fragmentada e mais rica em relacionamentos significativos.

O Marietta Times se uniu à mesma narrativa de promoção do domingo. Em um artigo publicado um dia antes da sexagésima edição do Super Bowl, o maior evento do futebol americano dos Estados Unidos, o autor escreveu:

Hoje, uma infinidade de atividades compete com a frequência à igreja. Há apenas 50 ou 60 anos, a maioria dos estabelecimentos fechava aos domingos devido às 'Leis Azuis' [Blue Laws], por vezes chamadas de 'leis de fechamento dominical', que regulamentavam as atividades em deferência às tradições religiosas que designavam o domingo como um dia de adoração. No entanto, para muitas lojas e restaurantes hoje, o domingo é o dia mais movimentado da semana. Atividades juvenis são agora comumente agendadas para os domingos, o que levou o autor Jim Elliff a escrever um artigo intitulado 'Quando a Bola se torna Baal' – uma referência nada sutil à idolatria do antigo Israel.

Diante da "paganização" do domingo (o que é uma grande ironia), o autor conclui com um apelo: "cada um de nós precisa estar na assembleia de adoração [no domingo], e cada um de nós precisa que o outro também esteja presente"!

A prestigiada revista Vogue, sinônimo de beleza e elegância, se referiu às mesmas singularidades comumente atribuídas ao domingo, mas com a curiosa distinção de relacioná-lo com a cultura e a sofisticação francesas!

A arte do domingo à la française, também conhecida como 'domingo francês', ganhou recentemente maior destaque. E por um bom motivo: na França, o último dia da semana não é reservado para tarefas domésticas ou recados, mas para descansar, refletir, reconectar-se e recarregar as energias. É para cultivar os laços com a família, os amigos e consigo mesmo. Em muitas regiões do país, a maioria das lojas e serviços está fechada, então não há muita pressão para fazer muitas coisas.

O artigo diz explicitamente que "o domingo deve ser um dia de descanso", "deve ser protegido da eficiência e da urgência que muitas vezes permeiam o resto da semana" e que, na França, é considerado uma "pausa essencial", "não negociável"!

Como Andy Romano observou perceptivamente, ao apresentar o "domingo francês" de forma refinada e culta, a Vogue está intencionalmente elevando o domingo acima de todos os outros dias. Mais do que isso, ela afirma que o domingo "deve ser protegido", sugerindo que o dia está sob ameaça e que a sociedade tem a responsabilidade de salvaguardá-lo.

Esse tipo de linguagem [que não é exclusiva da Vogue] apresenta a justificativa para preservar o domingo por meio de medidas legislativas.

A pedra de toque da lealdade a Deus no tempo do fim

Estes poucos exemplos mostram que a mídia está moldando o sentimento público, normalizando a ideia de que o descanso dominical não é apenas desejável, mas também necessário para o bem comum.

Por outro lado, o MSN News listou doze razões pelas quais acredita que os adventistas do sétimo dia não são cristãos. A razão nº 12 diz (a ênfase é minha):

Talvez o ensinamento mais controverso seja a afirmação de que a Marca da Besta envolve leis de culto dominical. Os adventistas têm historicamente ensinado que, no fim dos tempos, o governo dos EUA forçará as pessoas a adorarem no domingo. Essa narrativa retrata outros cristãos e o governo como inimigos finais de Deus. Essa escatologia específica gera muita suspeita e medo em relação a outros grupos religiosos. Um estudo do Barna Group mostra que a Geração Z está cada vez mais cética em relação a essas narrativas religiosas baseadas no medo. É difícil ver um grupo como parceiro na fé quando sua profecia diz que você irá persegui-lo.

Evidentemente, o artigo ignora que a perspectiva adventista sobre os últimos tempos não tem a ver com "suspeita e medo", mas com autoridade bíblica.

As Escrituras são claras sobre o assunto, e qualquer pessoa ou autoridade que declare o contrário vai de encontro à Palavra de Deus, que identifica expressamente o único dia que o Senhor reconhece como Seu (Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:10; Marcos 2:27-28), bem como a tentativa calculada de mudá-lo (Daniel 7:25; Apocalipse 12:17; 14:12).

Os que insistem em defender a observância do domingo não têm outra escolha senão apelar para a tradição da Igreja e aos chamados benefícios sociais percebidos, já que não há nada na Bíblia que ordene a santificação do primeiro dia da semana.

E é exatamente por isso que a alegação do MSN News sobre a escatologia adventista é tão significativa.

Do ponto de vista profético, o sábado estará no centro da última grande controvérsia entre obedecer a Palavra de Deus ou as tradições humanas.

Em outras palavras, o que está em jogo aqui vai muito além da mera disputa entre dois dias da semana. Trata-se do reconhecimento da autoridade de Deus sobre a autoridade dos homens, uma questão moral e de peso eterno que obrigará cada pessoa a fazer uma escolha.

A mensagem do terceiro anjo em Apocalipse 14:9-12 lembra que todos temos que escolher entre a ira do homem e a ira de Deus. É entre a obediência ao homem e a obediência a Deus que a decisão precisa ser feita.


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