segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Espíritos operadores de sinais

Concluímos o artigo anterior identificando, com base nas três mensagens angélicas originais (Apocalipse 14:6-12), três mensagens angélicas falsas, isto é, as mensagens dos espíritos demoníacos provenientes do dragão, da besta e do falso profeta, que, combinadas com sinais e prodígios, unirão as nações da Terra em uma cruzada contra Deus e Seu povo (16:13-14, 16; 17:13-14).

Sabemos que as forças religiosas que terão um protagonismo no tempo do fim possuem o caráter do dragão, de uma besta selvagem e de um falso profeta porque o Senhor Jesus o revelou. Afinal, os ritos, cultos e declarações formais de uma Igreja podem ser um disfarce bastante convincente para sua apostasia.

Mas não é só isso.

Precisamente porque o dragão tem a habilidade de se transformar em anjo de luz, e seus ministros, em ministros de justiça (II Coríntios 11:14-15), que a revelação de Jesus Cristo a respeito deles se torna para nós especialmente relevante.

Seria pouco comum que alguém adorasse um poder caso soubesse que ele profere "blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo" (Apocalipse 13:6). Contudo, "adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra" (verso 8), porque foram seduzidos por sua feitiçaria (18:23).

Dificilmente alguém que o soubesse seguiria um falso profeta. Mas, uma vez que o poder homônimo "opera grande sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens", "seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar" (13:13-14).

Ninguém em sã consciência daria ouvidos a espíritos de demônios. No entanto, como eles são capazes de se passar por anjos de luz e operam sinais, multidões serão enganadas por sua mensagem, pois a Escritura claramente diz que os "reis do mundo inteiro" serão reunidos "para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 16:14).

O engano das multidões, porém, não é uma fatalidade do destino. Aqueles que são enganados não são vítimas indefesas perante os meios de manipulação das forças do mal. São vítimas porque seus "nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro" (13:8; 17:8), "porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (II Tessalonicenses 2:9-10).

Este é o motivo pelo qual os descrentes serão seduzidos pelo engano. Receberam a oportunidade de amar a verdade originada em Deus e personificada em Cristo, mas recusaram o privilégio. Serão deixados à mercê da mentira pela recusa em apreciar o amor pelo que é verdadeiro.

Um falso avivamento no tempo do fim

"Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (I Coríntios 10:12). Entre acolher o amor da verdade para ser salvo e rejeitar o privilégio pela condescendência com os sentidos, o caminho pode ser surpreendentemente curto.

Nossa única segurança está em reconhecer que nada podemos fazer separados de Cristo e de Sua Palavra, e que necessitamos sempre da presença de Seu Espírito em nós para nos livrar das tentações e pecados.

O inimigo está motivado e determinado, e, ao nos aproximarmos do fim da história terrestre, ele intensificará seus esforços para envolver o mundo inteiro em sua confederação, ocultando seu verdadeiro caráter sob o disfarce do cristianismo.

Nosso Senhor Jesus advertiu que os agentes das trevas manifestarão tão grande poder, "que, se possível fora, enganariam até os escolhidos". (Mateus 24:24, Almeida Corrigida Fiel).

E Paulo escreveu que "o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem" (II Tessalonicenses 2:9-10).

A palavra grega traduzida aqui como "aparecimento", parousia, ocorre 24 vezes no Novo Testamento, das quais 17 se referem à segunda de vinda de Cristo!

O uso excepcional que Paulo faz do termo neste verso indica fortemente que o último grande engano de Satanás consistirá em imitar o glorioso aparecimento de nosso Senhor Jesus.

Isso não é algo que possa ser exagerado. Em meio aos "grandes sinais e prodígios", os espíritos professarão fé nas Escrituras e demonstrarão respeito pelas instituições da igreja, ao passo que seu chefe, como ato culminante no grande drama do engano, alegará ser o próprio Cristo.

É neste contexto que as três mensagens angélicas falsas são proclamadas. E as predições de que os "reis do mundo inteiro" serão, de fato, ajuntados (Apocalipse 16:14-16) e que terão "um só pensamento" (17:13) revelam quão bem-sucedida será a contrafação da verdade.

Assim, se as três mensagens angélicas originais preparam um povo para encontrar com o Senhor quando Ele regressar, as três mensagens angélicas falsas preparam um povo para receber com entusiasmo "falsos cristos e falsos profetas".

Se a proclamação das três mensagens angélicas originais amadurece a "seara da terra" e a prepara para a colheita, para os celeiros do Céu (Apocalipse 14:14-16), as três mensagens angélicas falsas amadurecem "os cachos da videira da terra" e os preparam para ser lançados "no grande lagar da cólera de Deus" (versos 17-20).

Não obstante, aos olhos humanos, as coisas parecerão diferentes.

Sabemos que, antes de ser anunciada ao mundo, a tríplice mensagem de Apocalipse 14:6-12 deve reavivar os servos de Deus encarregados de proclamá-la; deve despertá-los e santificá-los para que possam receber a plenitude do Espírito Santo (Joel 2:28-29) e assim iluminar o mundo com a glória do evangelho de Cristo (Apocalipse 18:1).

Embora num sentido diferente, a tríplice mensagem de Apocalipse 16:13-14 também visa reavivar os adoradores do dragão, da besta e do falso profeta, "aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro", para que possam unir todas as nações e assim impor ao mundo um falso modelo de adoração.

A falsificação será quase perfeita!

A profecia revela que os espíritos imundos semelhantes a rãs – uma figura que enfatiza seu caráter repulsivo – são, todavia, espíritos operadores de sinais.

Imagine do ponto de vista de seu valor as operações maravilhosas efetuadas por esses espíritos, os "grandes sinais e prodígios de mentira" que são capazes de realizar, e que Deus permite "para experimentar os que habitam sobre a terra". Somente os que guardaram a palavra da perseverança de Cristo serão preservados "da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro" (Apocalipse 3:10).

Se, à semelhança de seu líder, os espíritos de demônios podem se transformar em anjos de luz (II Coríntios 11:14-15), então não lhes é difícil efetuar maravilhosos milagres de cura, personificar com exatidão parentes e amigos que faleceram e, assim, apelar aos nossos mais profundos sentimentos de simpatia.

Em um mundo assolado por doenças (Lucas 21:11), quem recusará as curas milagrosas efetuadas por demônios disfarçados de anjos de luz?

Quem poderá resistir a anjos maus, que, com notável exatidão, podem reproduzir a aparência, hábitos e expressões familiares de entes queridos falecidos (veja I Samuel 28:6-14)?

E o que dizer da capacidade que o próprio Satanás tem de personificar Cristo?

Por favor, imagine por um instante a cena.

Satanás manifestando-se em várias partes do mundo em brilho e majestade semelhantes à descrição do Filho de Deus dada por João no Apocalipse, andando entre os homens como Jesus fazia e pronunciando sobre eles bênçãos, assim como Cristo abençoou os discípulos durante Seu ministério terrestre.

Imagine-o realizando milagres parecidos com os que o Senhor Jesus realizou, curando os enfermos, "ressuscitando" os mortos.

Ouvem-se por toda parte gritos de exclamação: "Cristo voltou como Ele prometeu!", "Ele está entre nós!", "Aleluia", "Glórias ao nome do Senhor!".

Do trabalhador no campo aos grandes investidores de Wall Street, todos ficam fascinados com sua aparência e embevecidos por seu encanto quase irresistível.

Há um avivamento religioso, uma confraternização universal!

Das prisões ecoam brados de triunfo! Personalidades idolatradas do show business entregam sua vida a "Jesus"! Figuras do mundo político reconhecem o seu "senhorio" e oferecem a ele sua autoridade! Empresas decidem honrar o domingo como dia santo, suspendendo todas as suas atividades nesse dia!

Quem poderá resistir a uma contrafação dessa magnitude? Quem ousará duvidar de manifestações tão extraordinárias de poder?

Nossa única defesa contra o engano

A resposta está em Gênesis 3:1-5.

Satanás não poderia enganar Eva a menos que disfarçasse sua aparência real, por isso usou a serpente como médium, algo certamente extraordinário. A astúcia seguinte consistiu em semear dúvida no coração da mulher quanto ao verdadeiro significado do mandamento de Deus (verso 1):

É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

"Vocês não podem comer de nenhuma árvore do jardim" contradiz, evidentemente, a expressa declaração do Senhor em Gênesis 2:16 e 17:

E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Depois de semear dúvida, Satanás pronunciou a Eva uma sentença aparentemente cheia de autoridade, mas que outra vez contradizia, agora de modo escancarado, a explícita ordem do Senhor (Gênesis 3:4):

Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis.

Que lição podemos extrair deste relato dramático? A resposta é: Por mais sedutoras que sejam as operações maravilhosas de Satanás, o propósito fundamental de todas elas é um só: Mudar o que Deus disse.

Se não sabemos o que Deus realmente diz em Sua Palavra, se negligenciamos a responsabilidade pessoal de conhecê-la, facilitamos o trabalho do inimigo. A recusa deliberada em compreender a verdade torna a vítima da mentira cúmplice.

Nossa única segurança é permanecer no "Assim diz o Senhor" (veja Mateus 7:15-27), pois a Palavra de Deus é a única fonte de verdade eterna (João 17:17), a única arma espiritual tanto defensiva como ofensiva (Efésios 6:17).

A "palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração" (Hebreus 4:12).

Não há nenhum outro meio que possa nos assegurar o que é verdadeiro e o que é falso. Não existe nenhum outro método pelo qual podemos nos proteger dos poderosos enganos do inimigo.

"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva", ou "é porque não há luz neles" (Isaías 8:20, ACF).

A lei e o testemunho compreendem a Palavra de Deus em sua totalidade. Esta verdade é enfatizada sete vezes no Apocalipse com as expressões "palavra" ou "mandamentos de Deus" e "testemunho" ou "fé de Jesus" (1:2; 1:9; 6:9; 12:11; 12:17; 14:12; 20:4).

Estas são as duas grandes colunas da verdade que os fiéis seguidores de Cristo de todas as épocas mantiveram ou guardaram, e que a igreja remanescente do tempo do fim manterá ou guardará durante o conflito final contra Satanás e seus representantes.

Por meio delas, toda doutrina será provada, toda atividade, exposta, todo fenômeno, esclarecido, de modo a descobrir sua consistência e origem e saber se procede de Deus ou do inimigo.

Diante dos muitos ardis de Satanás, o conhecimento da Palavra não pode ser meramente teórico, intelectual ou teológico.

O arquienganador não brinca em serviço. Ele conhece nossas fraquezas, e ajusta suas técnicas e métodos de acordo com cada uma delas. Com diligência incansável e vontade inflexível, estuda quais pecados somos mais propensos a cometer e, assim, assegura que não nos faltem tentações e oportunidades.

Não há em nós poder algum que nos ajude a resistir a um inimigo tão astuto e habilidoso, com milhares de anos de experiência na famigerada arte de enganar e seduzir para a perdição.

Se queremos vencer o poder e a malignidade do pai da mentira necessitamos estar permanentemente ligados à videira verdadeira, que é Cristo, "porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:1-5).

Apenas por meio de uma conexão vital com Ele é que podemos estar ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo e ser salvos. Permanecer em Cristo até o fim implica estar em constante comunhão diária com Ele mediante o estudo e meditação de Sua Palavra, viver Sua vida e produzir Seus frutos!

Essa conexão só será possível se dedicarmos tempo a Jesus! Experiências isoladas e ocasionais não farão diferença. A única forma de ter uma relação pessoal com Cristo é passar tempo suficiente com Ele, pois conhecê-lO de fato significa vida eterna e perfeita segurança contra todas as astúcias e enganos de Satanás.

Lembre-se, o inimigo sempre trabalhará com base na ignorância. O desconhecimento da vontade de Deus tal como expressa em Sua Palavra é o que abre as portas para um adversário que é muito mais hábil, poderoso e astuto do que nós.

Separe um tempo para estar a sós com Deus.

Peça ao Senhor sabedoria (Tiago 1:5) e examine as Escrituras para encontrar a "pérola de grande valor", que é Cristo (Mateus 13:45-46João 5:39)! Deus promete recompensar nossa determinação e diligência (Provérbios 2:1-5):

Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento, e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus.

Teste a consistência e validade de suas crenças à luz do "está escrito".

Prove os espíritos para saber se procedem ou não de Deus usando como único critério a "palavra de Deus e o testemunho de Jesus".

Responda ao amor de Deus acalentando o amor pela verdade mediante o Seu Espírito.

E testemunhe a outros o que Jesus tem feito por você, para que mais pessoas sejam libertas dos ardis e enganos do diabo e estejam entre aqueles que viverão eternamente com o Senhor!

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