Os tumultos na França são um aviso


Desde o último sábado, 17 de outubro, a França se tornou o palco de manifestações que rapidamente se transformaram na pior violência que o país viu em décadas, semelhantes aos protestos que varreram várias cidades americanas no verão de 2020.

De acordo com o governo francês, 550 mil pessoas saíram às ruas, 1.200 foram presas e 150 policiais ficaram feridos.

Manifestantes invadiram a prefeitura de Marselha, incendiaram a de Limoges e, em Lyon, queimaram um posto de turismo.

Grandes cidades, incluindo Paris, Marselha e Lille, tiveram suas lojas saqueadas e destruídas. Somente em Bordeaux, foram 100 delas, segundo informou o prefeito.

Estimativas do Ministério do Comércio apontaram para milhares de empresas afetadas, com prejuízos para as seguradoras que podem variar de centenas de milhões a mais de um bilhão de euros.


Não há dúvida de que a agitação social nas cidades francesas (que agora se espalha para outras partes da Europa) foi instrumentalizada pelos agentes do caos de sempre. Afinal, como observou Naomi Wolf, os "refugiados" que buscam "uma vida melhor" na Europa Ocidental nada têm em comum com refugiados de verdade.

Os verdadeiros refugiados vêm com suas famílias. Os soldados deixam suas famílias em casa.

Mas a agitação não surgiu no vácuo; ela é o clímax de um processo que se arrasta há muitos anos.

A França é a economia mais fortemente estatal da União Europeia e o exemplo mais flagrante das consequências do chamado socialismo democrático – mais governo, mais estado de bem-estar social, mais impostos, menos "emissões" –, com o agravante de combinar tudo isso com a imigração em massa.

No entanto, a França não é um exemplo único. Metade da economia da União Europeia é controlada diretamente pelo estado, e grande parte do restante é regulamentada, subsidiada ou tributada até o tutano do osso, sob o pretexto da prosperidade, igualdade e segurança, embora estagnação, inflação, dívida e descontentamento tenham sido os resultados.

Notamos de passagem que o então cardeal Joseph Ratzinger, em um discurso aos senadores italianos, se referiu ao socialismo democrático como "próximo da doutrina social católica" em muitos aspectos, um fato do qual manifestantes menos impulsivos deveriam estar cientes (sobre o pensamento econômico e social da Igreja, clique aqui, aqui e aqui).

Observamos, ademais, os efeitos danosos das doutrinas católicas quando Roma decidiu aplicá-las nos territórios governados pelo clero, como testemunhou Edmond About ao visitar os Estados papais pouco antes da Unificação Italiana.

De todo modo, é bastante improvável que vejamos protestos ou tumultos no Estado soberano de "sua santidade"!

Significativamente, um veículo de notícias se referiu aos protestos na França como "a Revolução Francesa da geração Z". A frase me fez lembrar da seguinte declaração de Ellen G. White, escrita há mais de um século:

Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas mas também as humanas. A centralização da riqueza e poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa — tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França.


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