A estrutura das relações internacionais está sendo redefinida, à medida que os Estados Unidos se movimentam mais agressivamente no tabuleiro de xadrez geopolítico mundial.
Se nossa compreensão de Daniel 11:40 a 45 estiver correta, o resultado será um mundo diferente daquele que conhecemos agora – um mundo em que o 'rei do norte' estabelecerá as regras do jogo nos minutos finais da partida da vida.
E enquanto a mudança mais importante no equilíbrio de poder da história está em andamento, outra mudança significativa tem dominado o discurso público, especialmente na América.
Refiro-me ao número crescente de vozes que clamam pela restauração da observância do domingo.
Um artigo publicado pela Blaze Media, fundada por Glenn Beck, uma figura influente na mídia conservadora, é mais um exemplo recente desse clamor cada vez mais sonoro.
O artigo aborda o que o apresentador da BlazeTV, Jason Whitlock, chama de "o problema do domingo na América".
O argumento é que os esportes dominicais "estão expulsando a igreja, a família e a fé, transformando o dia do Senhor em dia de jogo".
Na visão do analista esportivo Danny Kanell, a solução seria "implementar leis que proíbam o início de jogos de esportes juvenis nos fins de semana antes das 9h" (todas as ênfases são minhas).
"E que tal nenhum esporte aos domingos? Que tal essa? Vamos colocar essas leis em vigor", Kanell acrescentou.
Taylor Jacob Moe, ex-jogador profissional de futebol americano, concordou: "Na verdade, acho que essa é a atitude que todos deveríamos tomar". E sugeriu que as leis dominicais dos Estados Unidos (blue laws), criadas entre os séculos XVII e XIX, seriam um meio de reverter a profanação "destrutiva e terrível" do "dia do Senhor":
Aliás, a América costumava adotar isso como um todo. Sabe, voltando... desde o início da nossa fundação até por volta de 1960, tínhamos as chamadas blue laws, em que não se podia ir às compras para nada que não fosse essencial, porque acreditávamos no dia do Senhor.
O fato de comentaristas esportivos defenderem abertamente a restrição e até mesmo a proibição de esportes no domingo sob o argumento de que se trata de uma instituição sagrada na história americana é particularmente significativo, em virtude de sua considerável influência junto ao público.
Estas vozes se unem ao crescente coro em defesa da restauração da observância do domingo como um bem comum que deve ser legalmente promovido e preservado.
Frases como "Vamos colocar essas leis em vigor" ilustram a determinação e ousadia com que essas pessoas e a mídia têm abraçado a causa dominical.
Manifestações tão diretas e ousadas não podem ser classificadas como simples antecedentes, mas como parte da própria crise dominical antecipada em Apocalipse 13:16-17.
A crise entra agora em um estágio avançado e atingirá seu ponto culminante quando a liberdade de consciência deixar de ser um direito e passar a ser apenas uma concessão, em cumprimento à profecia.
Vozes intolerantes na América
Esta percepção ganha espessura à luz das declarações feitas recentemente por importantes figuras do nacionalismo cristão americano.
1. Mark Meckler, um dos palestrantes no "FlashPoint Live", evento que reuniu políticos e influenciadores cristãos em Boise, Idaho, é presidente da Convention of States Foundation (COSF), uma organização conservadora que busca mobilizar os estados americanos para alterar a Constituição e limitar o poder do governo federal.
Embora a COSF não tenha uma relação institucional formal com a Heritage Foundation – um think tank conservador que publicou os documentos "Project 2025" e "Saving America by Saving the Family", os quais destacam a importância histórica, cultural e religiosa do domingo – há uma afinidade ideológica entre elas; enquanto a primeira mobiliza e organiza base política, a última fornece arcabouço teórico e estratégico.
Esta observação é importante, porque a COSF (assim como o Tea Party Patriots, Turning Point USA e Family Research Council) é uma organização capaz de transformar ideias como as da Heritage Foundation em pressão política efetiva.
Por isso, quando Meckler – um nacionalista cristão que se considera um "conservador radical" – protestou que as igrejas cristãs "trocam a retidão e a verdade por empatia e tolerância" e declarou que a única esperança para salvar os Estados Unidos é que os cristãos "se tornem muito menos tolerantes", suas palavras representaram mais do que mera retórica vazia. Sob aplausos, ele disse:
Somos tolerantes demais como povo e como nação. Há precedentes bíblicos para isso. No antigo Israel, não toleravam esse tipo de comportamento. Não o toleravam na época de Jesus. Jesus era muito direto sobre esse tipo de coisa. Nós ensinamos uma versão incrivelmente gentil, higienizada – eu diria, uma versão efeminada – de Jesus. Este é um homem que fez um chicote de nove cordas, entrou para virar as mesas, gritou com as pessoas e as chamou de víboras por pecarem, por fazerem coisas terríveis contra a lei de Deus.
"Já não agimos assim como nação", ele continuou, acrescentando pouco depois:
Se olharmos para a história dos Estados Unidos da América e para a fundação deste país – não estou sugerindo que devemos fazer isso –, mas, na época da fundação deste país, antes de nos tornarmos uma nação, a maioria dos estados, que eram colônias naquela época, tinha leis que exigiam que você fosse à igreja aos domingos. Eles não eram tolerantes com os não crentes. E, portanto, essa ideia de que devemos simplesmente aceitar todo mundo e tudo, essa é uma ideia moderna, vem de Satanás e está destruindo nosso país.
2. O ex-funcionário do governo Trump, William Wolfe, que atualmente dirige o Centro de Liderança Batista, proferiu um discurso na Igreja Bethel, em Petersburg, Virgínia Ocidental, em que admitiu abertamente que o objetivo dos nacionalistas cristãos é conquistar poder político e impor sua moral a todos os demais.
Não devemos vacilar, não devemos hesitar em dizer às pessoas – não porque sejamos tão sábios, não porque tenhamos criado as regras do mundo; não fomos nós –, mas porque nos submetemos humildemente à forma como Deus estabeleceu as regras do mundo, e dizemos: ‘É assim que devemos organizar nossas vidas em conjunto’. E, francamente, sim, vamos impor isso a vocês. Se vocês não gostarem, sinto muito, mas isso é bom, correto e justo se estiver de acordo com os padrões de Deus, e vou impor minha moral a vocês, na medida em que nossa moral é a moral de Deus [mutilada pelas tradições humanas].
Wolfe continuou:
Vocês devem sempre se questionar: 'Acredito no que Deus acredita? Estou defendendo o que Deus diz ser bom?' E, se for o caso, então vocês devem ter a coragem de dizer: 'É assim que vamos administrar nossa cidade, é assim que vamos administrar nosso município, é assim que vamos administrar nosso estado, e é assim que devemos administrar os Estados Unidos da América, legislando a moralidade que podemos encontrar na Bíblia'.
Quando li as declarações de Wolfe, lembrei-me imediatamente de uma citação do livro The Liberal Illusion, do escritor e jornalista francês Louis Veuillot.
Considerado uma das figuras centrais do ultramontanismo – um movimento que defendia a supremacia absoluta do papa sobre a Igreja e as autoridades civis – Veuillot escreveu (observe a notável semelhança com o atual discurso protestante):
… quando chegar a hora e os homens perceberem que o edifício social deve ser reconstruído de acordo com padrões eternos [isto é, os padrões de Roma], seja amanhã ou daqui a séculos, os católicos organizarão as coisas segundo esses padrões. Sem se deixar abater por aqueles que preferem permanecer na morte, eles restabelecerão certas leis da vida. Eles restaurarão Jesus à sua elevada dignidade, e Ele não será mais insultado. Criarão seus filhos para conhecerem a Deus e honrarem seus pais. Defenderão a indissolubilidade do casamento e, se isso não for aprovado pelos dissidentes, não deixará de ser aprovado por seus filhos. Eles tornarão obrigatória a observância religiosa do domingo em nome de toda a sociedade e para o próprio bem desta, revogando a permissão para que os livres-pensadores e os judeus celebrem, incógnitos, a segunda-feira ou o sábado por conta própria. Aqueles a quem isso possa incomodar terão de suportar o incômodo. O respeito não será negado ao Criador nem o repouso negado à criatura simplesmente para fazer a vontade de certos maníacos, cuja condição frenética os leva a impedir, de forma estúpida e insolente, a vontade de todo um povo.
3. Em outra demonstração deste espírito de "amor fraternal", Joel Webbon, pastor batista reformado e nacionalista cristão, pediu recentemente a Donald Trump a prisão e execução de Tim Walz, governador democrata do Estado de Minnesota, por suas críticas às políticas de imigração do governo. Eis suas palavras:
Prenda Tim Walz, leve-o para Washington, julgue-o e o enforque. Honre a Cristo. Salve o país.
O começo do fim
Ora, não são estas declarações assombrosas, em conjunto com o clamor cada vez mais vigoroso em prol do descanso dominical, um sinal inequívoco de que a América está começando a falar como dragão (Apocalipse 13:11)?
E não é significativo que os cristãos protestantes que as fazem estejam reproduzindo tão fielmente os sentimentos católicos expressos por Louis Veuillot em uma obra que considera a tolerância uma ameaça à ortodoxia católica?
Ellen G. White escreveu há mais de um século:
Os chifres semelhantes aos do cordeiro e a voz de dragão deste símbolo indicam contradição flagrante entre o que professa e pratica a nação assim representada. A 'fala' da nação são os atos de suas autoridades legislativas e judiciárias. Por esses atos desmentirá os princípios liberais e pacíficos que estabeleceu como fundamento de sua política. A predição de falar 'como o dragão', e exercer 'todo o poder da primeira besta' [o papado], claramente anuncia o desenvolvimento do espírito de intolerância e perseguição que manifestaram as nações representadas pelo dragão e pela besta semelhante ao leopardo. E a declaração de que a besta de dois chifres faz com 'que a Terra e os que nela habitam adorem a primeira besta', indica que a autoridade desta nação deve ser exercida impondo ela alguma observância que constituirá ato de homenagem ao papado.
Estamos testemunhando os primeiros movimentos nesse sentido. E essa tendência não é um caso isolado.
Governos, sindicatos e grupos religiosos de diferentes países estão seguindo o exemplo da América, ao promover o domingo como um dia semanal de descanso que deve ser reconhecido e protegido pelo poder civil.
No Brasil, o Espírito Santo é o único estado onde a proibição do comércio aos domingos já está em vigor, ainda que em caráter experimental. Goiás está em vias de aprovar a mesma medida, e a Bahia estuda a possibilidade de implementá-la.
A tendência de restringir ou proibir o comércio aos domingos e elevar esse dia a um status especial na sociedade indica o surgimento de um padrão em muitas partes do mundo.
Devemos prestar atenção a este e outros sinais, preparar-nos de acordo, e regozijar-nos com a certeza de que nosso tempo neste mundo de pecado está chegando ao fim e que em breve receberemos a coroa da vida que Cristo prometeu aos que o amam.
Se você quiser ajudar a fortalecer o nosso trabalho, por favor, considere contribuir com qualquer valor:


0 Comentários