A sombra da guerra paira sobre o mundo


Há muitos abalos sísmicos ocorrendo no mundo que estão formando um tsunami de mudanças em nível global. A guerra no Irã é um deles. O conflito entrou na terceira semana sem sinais de que vá chegar ao fim.

Março é o mês de Marte, o deus romano da guerra. Na Roma antiga, março era o primeiro mês do ano e marcava o início da temporada militar, quando os exércitos romanos retomavam as campanhas após o inverno.

Para o cristão que faz da Bíblia seu livro de cabeceira, este detalhe aparentemente trivial é muito significativo.

Ele lembra que, ao contrário do que afirmam os comandantes militares dos EUA que veem as incursões contra o Irã como "parte do plano de Deus", esta guerra é instigada por agentes satânicos (Apocalipse 16:13-16), e se ainda não evoluiu para algo muito maior é porque Deus está retendo os ventos da fúria das nações (7:1-3, conforme 11:18).

Falei a respeito em duas mensagens apresentadas em nosso grupo. Você pode conferi-las clicando aqui e aqui.

No último fim de semana, surgiram notícias de que o USS Tripoli foi redirecionado do Pacífico Ocidental para o Golfo Pérsico.

Com uma tripulação de 2.500 fuzileiros navais e uma esquadrilha de caças stealth F35B, o Tripoli é um porta-aviões leve. Sua presença na região sugere que os fuzileiros navais poderiam ser deslocados para proteger a infraestrutura petrolífera na Ilha de Kharg – a principal rota de exportação do petróleo iraniano –, que foi alvo de ataques dos Estados Unidos.

Se isso se confirmar, seria um caso de implantação de forças terrestres em uma ilha altamente estratégica para ambos os lados, o que poderia intensificar a escalada do conflito.

Em todo caso, o Golfo continua sendo palco de ataques de grande magnitude.

A retaliação do Irã já está afetando os centros energéticos de toda a região (e os bolsos dos consumidores ocidentais) após o ataque de Israel na quarta-feira contra South Pars, o campo de gás mais valioso do Irã, levando as tensões com os vizinhos a um possível ponto sem retorno.

O Catar expulsou rapidamente os adidos militares iranianos depois que mísseis causaram "danos extensos" em Ras Laffan – seu principal centro de exportação de GNL –, enquanto autoridades sauditas afirmam que "a pouca confiança que restava no Irã foi completamente destruída", informou o ZeroHedge.

Significado profético

Em meio às crescentes tensões, Donald Trump voltou a aumentar a retórica.

Em uma postagem publicada no Truth Social, o presidente americano advertiu que “destruirá completamente” South Pars se Teerã ousar atacar novamente a infraestrutura de GNL do Catar. Trump escreveu:

Nesse caso, os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodirão em grande escala todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã nunca viu nem testemunhou antes.

A ênfase é minha. E o tom da ameaça me fez lembrar das palavras do presidente em seu discurso do Estado da União – o mesmo discurso em que declarou "que a América é uma nação sob Deus":

Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América.

Trump também se referiu aos Estados Unidos como "a nação mais forte, rica, poderosa e bem-sucedida de toda a história".

Porque quando o mundo precisa de coragem, ousadia, visão e inspiração, ele ainda recorre à América. E quando Deus precisa de uma nação para realizar Seus milagres, Ele sabe exatamente a quem pedir…. Pois nosso destino é escrito pela mão da Providência.

Essas palavras estão repletas de significado profético!

Elas confirmam as observações que fiz sobre a natureza das ações do rei do Norte no tempo do fim (Daniel 11:40-45), em conexão com a característica mais singular da besta que emerge da terra – a aparência de cordeiro (Apocalipse 13:11). Ambas as profecias apontam para os Estados Unidos como o grande protagonista no tempo do fim.

As declarações de Trump não são mera bravata política.

Neste momento, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante comercial, Jamieson Greer, estão reunidos com autoridades chinesas, em Paris, para discutir assuntos comerciais que antecedem a tão esperada cúpula entre Trump e Xi, marcada para 31 de março em Pequim (Trump já declarou que deve adiar esse encontro em virtude da guerra).

De acordo com Ben Picton, estrategista sênior de mercado do Rabobank, o momento para o encontro entre Trump e Xi é interessante, visto que a influência chinesa acaba de ser neutralizada pelo poderio americano na Venezuela, em Cuba e no Canal do Panamá.

E como Andy Romano observou, as recentes demonstrações da força militar americana, que revelam tecnologia avançada e capacidade de mobilização rápida no Irã e na Venezuela, estão em consonância com a descrição da segunda besta em Apocalipse 13 como uma potência de influência global sem igual.

Para que os Estados Unidos exerçam o tipo de influência econômica e política descrita em Apocalipse 13, eles devem possuir um vasto alcance internacional e proeminência global – o suficiente para moldar a opinião pública mundial, influenciar políticas e orientar o rumo das nações. Uma nação fraca ou desconhecida jamais poderia desempenhar tal papel. A profecia, portanto, prevê uma potência com visibilidade sem igual e impacto mundial.

O poder inigualável dos Estados Unidos está sendo empregado em uma guerra que, evidentemente, vai muito além das fronteiras do Irã.

Assim como a guerra russo-ucraniana, a crise no Irã é parte das tensões geopolíticas entre o Norte Global e o Sul Global que poderiam escalar para o confronto decisivo antecipado em Daniel 11:40 a 45, conforme argumentei aqui.

Quando a América – o representante mais poderoso do Norte Global – triunfar sobre as potências aliadas do Sul, ela utilizará seu poder para fazer "com que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta" – o papado (Apocalipse 13:12).

Em outras palavras, a força política, militar e econômica mais poderosa da Terra usará sua autoridade para restaurar ao papado sua antiga glória temporal e espiritual e impor lealdade a esse poder, remodelando a ordem global em cumprimento à profecia.

A autoridade do papa novamente reconhecida

E então, como um prólogo escrito para esse cenário, uma carta se tornou manchete em meio à escalada da guerra.

Nela, o aiatolá Seyed Mostafa Mohaghegh Damad Ahmadabadi, membro do alto clero xiita do Irã, pede a Leão XIV que intervenha junto ao presidente americano e peça moderação!

E em seu respeitoso apelo, formulado em linguagem moral e teológica, Seyed se dirige ao papa como "Vossa Santidade"!

A reportagem do National Catholic Reporter lembra que não é a primeira vez que Seyed escreve a um papa.

Em 2018, ele enviou uma carta ao papa Francisco instando-o a intervir contra as sanções dos Estados Unidos ao Irã após a retirada de Washington do acordo nuclear.

Dois anos depois, em 2020, com a propagação da Covid-19, Seyed apelou novamente ao pontífice, pedindo-lhe que usasse sua autoridade moral para defender a suspensão das sanções [esta e todas as ênfases a seguir são minhas].

O NCR observa que os apelos de Seyed também refletem uma história pouco conhecida de diálogo entre o Vaticano e as autoridades religiosas xiitas.

"Há uma longa história de relacionamento entre Teerã e o Vaticano. Existem fortes relações diplomáticas", disse o padre Christopher Clohessy, professor de estudos árabes e islâmicos no Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos em Roma (PISAI).

Delegações viajam entre Teerã e Roma há anos, e o diálogo católico-xiita existe desde o início dos anos 2000.

Clohessy disse ao NCR que, "desde a visita extraordinária do Papa Francisco ao Iraque para ver o Aiatolá [Ali al-]Sistani, houve uma conscientização nos círculos xiitas sobre a pessoa do papa".

"Parece haver uma conscientização aguçada de que o papa detém certa influência e tem certo poder no cenário mundial", disse Clohessy.

O artigo diz que "o Vaticano há muito cultiva um papel de voz moral em assuntos internacionais…. Mas sua influência real, especialmente na atual crise do Oriente Médio, permanece incerta."

A julgar pela natureza e o ritmo dos acontecimentos, isso está para mudar.

Um tempo solene

O mundo atravessa o realinhamento geopolítico mais significativo da história.

O Irã compõe o bloco de países que querem mudar a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos, em vigor desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos e seus aliados querem que o status quo unipolar prevaleça.

No momento, esse conflito geopolítico está ocorrendo em um nível abaixo do limiar da guerra cinética direta, mas pode evoluir para algo maior e mais devastador, em cumprimento a Daniel 11:40 a 45 e Apocalipse 11:18.

As duas primeiras guerras mundiais reorganizaram a ordem internacional. A terceira fará o mesmo, mas em uma escala muito maior e, certamente, na direção antecipada nas profecias.

Agentes satânicos estão agora instigando conflitos entre as nações de todo o mundo, conduzindo-as "para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 16:13-14).

O que nos separa da deflagração total e do grande Dia do Senhor é a ação refreadora de Deus, que tem retido os ventos da aflição e da angústia por amor de Seu povo.

Não se permitirá que esses poderes das trevas levem a cabo sua obra antes que Deus tenha terminado Seu solene trabalho de selar na fronte os Seus servos (Apocalipse 7:1-3).

A condição aflitiva do mundo indica claramente que esse não e um acontecimento a ter lugar num futuro distante. Pelo contrário, é possível que a obra de confirmação daqueles que de fato pertencem a Cristo já tenha começado.

Agora é o tempo em que devemos desenvolver em nosso caráter os elementos de força, valor, fé em Deus e absoluta confiança Nele, de maneira que esses eventos não nos achem desprevenidos.

Agora é o tempo em que devemos cultivar uma relação tão íntima com Deus a ponto de se tornar natural o mantermo-nos firmes, permanecendo leais em circunstâncias cheias de perplexidades.


Se você quiser ajudar a fortalecer o nosso trabalho, por favor, considere contribuir com qualquer valor:

ou

Postar um comentário

0 Comentários