quarta-feira, 14 de abril de 2021

Sobre a crise, as vacinas e o Grande Reset

A liberdade é derivada da soberania do indivíduo, sem a qual uma sociedade ordenada e livre não pode existir.

Por isso, os Fundadores dos EUA incluíram na Constituição vários freios e contrapesos para proteger a soberania pessoal da ambição política. Eles sabiam que a tendência de abusar do poder político está profundamente enraizada na mentalidade daqueles que detêm o monopólio da força.

Com efeito, os cidadãos se veem diante da obrigação de impor restrições constitucionais a si mesmos e a seus governantes e de organizar instituições civis para garanti-las e salvaguardá-las.

Afinal, como Thomas Jefferson observou, o princípio "de que o governo geral é o juiz exclusivo da extensão dos poderes que lhe são delegados nada mais é que despotismo, já que o critério de quem administra o governo seria a medida de seus poderes, e não a constituição".

Os Fundadores, porém, não foram ingênuos a ponto de presumir que uma barreira de papel manteria a soberania pessoal e a liberdade seguras para sempre. Responsabilidade e liberdade andam de mãos dadas.

Se a história e a experiência nos servem de guia, é preciso reconhecer que os direitos individuais são um bem demasiadamente frágil para ser considerado renovável, garantido e resistente a todos os ataques. A tirania, por outro lado, é sempre mais resiliente e prolífica.

Desde o seu nascimento, o sistema democrático tem sido definido pelo caráter de seus cidadãos e só pode continuar existindo se estes forem suficientemente diligentes e vigilantes para preservá-lo. E uma vez que o sistema constitucional é administrado por instrumentos humanos imperfeitos, o dever de vigiar se impõe com maior força.

Contudo, em meio à uma pandemia que teima em não ceder, o cidadão, inseguro e apreensivo quanto ao futuro, tem renunciado ao dever de preservar sua autonomia e liberdade em troca de segurança. Iludido pela ideia de que mais intervenção governamental pode restituir a normalidade, ele não hesita em dar mais poder a seus governantes, os quais certamente aproveitarão seu medo em benefício próprio.

É assim que o critério de quem governa se torna a medida de seus poderes, e não a constituição. Esse é o ponto em que nos encontramos agora.


Hoje, o governo decide onde e quando, o que e como. Os únicos direitos que o cidadão têm são aqueles que o governo permite. É o fim da soberania pessoal e da liberdade, pois quando os direitos individuais são retirados é quase impossível reavê-los.

A esse respeito, um juiz federal da Pensilvânia observou:

Em uma emergência, mesmo um público vigoroso pode baixar a guarda sobre suas liberdades constitucionais apenas para descobrir que as liberdades, uma vez renunciadas, são difíceis de recuperar e que as restrições – embora oportunas em face de uma situação de emergência – podem persistir muito tempo depois que o perigo passou.

O isolamento generalizado de toda a população é uma inversão tão dramática do conceito de liberdade em uma sociedade livre que chega a ser quase presumivelmente inconstitucional.

O ano de 2020 viu uma onda de restrições governamentais e limites às liberdades individuais em consequência da pandemia. Em 2021, os impactos das políticas públicas em resposta a novas crises tendem a exacerbar ainda mais esse quadro.

Na Inglaterra, por exemplo, novas leis contra o coronavírus deram ao governo poder para regular várias formas de interação social e familiar, incluindo até mesmo relações sexuais (!), enquanto na Escócia, cidadãos insatisfeitos podem denunciar seus vizinhos à polícia. Em Aberdeen, policiais entraram em uma casa e prenderam a família, depois que um vizinho reclamou que "havia gente demais lá dentro".

Mas a política de vacinação talvez seja o exemplo mais representativo dessas violações dos direitos constitucionais por parte de governos cada vez mais inflados e invasivos.

Veja, não estou discutindo se a vacina é segura ou se você deve ou não tomá-la. A decisão é uma questão de consciência.

Minha preocupação diz respeito a como essa política de saúde afeta nossa liberdade, pois ser vacinado está se tornando rapidamente uma condição para recuperar direitos básicos de cidadania, e isso é um problema.

Pessoas que se recusarem a ser vacinadas podem ser privadas do direito de viajar, trabalhar ou mesmo se reunir com outras pessoas. Significa que, para exercer esses direitos básicos, a pessoa deve tomar a vacina e, além disso, comprovar que foi vacinada mediante um certificado válido de imunidade ou "passaporte de vacinação".


Arthur L. Caplan, professor de bioética da Universidade de Nova York, em uma entrevista à CNN, resumiu bem do que se trata: "Com um certificado [de imunidade à] Covid, você vai ganhar liberdade, vai ganhar mobilidade e vou sugerir que provavelmente você conseguirá certos empregos".

Em outras palavras, sem certificado de vacinação, sem liberdade, sem mobilidade e sem trabalho. É um bom argumento para encorajar as pessoas a se vacinarem.

"Algumas pessoas ainda não têm certeza se querem tomar a vacina, mas se você prometer a elas mais mobilidade, mais capacidade de conseguir um emprego, mais capacidade de viajar, esse é um incentivo muito poderoso para realmente obter uma vacinação mais completa".

Bem-vindo à sociedade irracional de adultos infantilizados que dependem dos estímulos e cuidados paternais do governo para com eles!

Num esforço de promover a aceitação dos passaportes da imunidade do coronavírus (e, potencialmente, de qualquer outra futura doença ameaçadora), as pessoas têm sido convencidas pela propaganda de massa (que ainda influencia a forma como o público percebe os acontecimentos) de que tal exigência não passa de um inconveniente com o qual logo se acostumarão e que, no fim, será vantajoso para elas. Os passaportes são inevitáveis, dizem, e as pessoas devem se habituar com eles, pois destinam-se a protegê-las da disseminação da Covid-19.

Naturalmente, para que a aceitação seja alcançada, fomentar o medo se torna um recurso indispensável. Ameaças podem resultar em conformidade, juntamente com o desejo íntimo de um retorno às atividades consideradas normais. Uma pesquisa constatou que a ampla maioria dos britânicos agora apoia os "passaportes de vacina" obrigatórios para frequentar bares, usar o transporte público ou até mesmo cortar o cabelo.

Devo lembrar a meus leitores que a liberdade pressupõe o direito de rejeitar a obrigatoriedade por questão de consciência, não de apoiá-la. Um sistema que categoriza pessoas e determina quais atividades lhes são legalmente permitidas com base na condição de terem sido ou não vacinadas representa um ataque à liberdade.

Não obstante, passaportes de vacinação serão exigidos para que as pessoas façam coisas que antes eram básicas e que costumavam fazer sem a necessidade de expor seus registros pessoais de saúde.

Mas os problemas vão muito além disso. A erupção do vulcão La Soufriere na pequena ilha caribenha de São Vicente tornou-se o palco dramático das implicações mais assustadoras da exigência de um passaporte de imunidade.

Em meio a cortes de fornecimento de energia e de água e com o sol encoberto por um enorme manto de cinzas, os cerca de 16.000 ilhéus diretamente em risco estão sendo informados de que somente os que tomaram a vacina contra a Covid-19 poderão ser resgatados!

O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, disse a repórteres em uma coletiva de imprensa no sábado (10/04) que apenas pessoas vacinadas poderiam ser evacuadas em navios: "O oficial médico-chefe deve identificar as pessoas já vacinadas para que possamos embarcá-las". Ao mesmo tempo, as nações insulares de Barbados, Granada, Antígua e Santa Lúcia aceitarão somente refugiados totalmente imunizados.

Como observou Tyler Durden, do ZeroHedge:

O governo está essencialmente dizendo à sua população em pânico para tomar a vacina ou enfrentar a morte pelo desastre natural em curso e pela rápida deterioração das condições na pequena ilha. As vacinas estão criando uma sociedade de duas camadas, com a classe inferior da população não vacinada presa na ilha, preparando-se para a próxima grande erupção.

Você já deve ter percebido para onde a coisa toda caminha.

Da simulação à realidade

Em outubro de 2019, o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em parceria com o Johns Hopkins Center for Health Security e a Bill & Melinda Gates Foundation, conduziu um "exercício de simulação de alto nível para preparação e resposta à pandemia" chamado Evento 201.

A simulação ocorreu pouco antes da pandemia real de Covid-19 e foi justificada pelo "número crescente de epidemias nos últimos anos, com cerca de 200 eventos anuais", com "uma probabilidade cada vez maior de um desses eventos se tornar uma ameaça global... que representaria perturbações para a saúde e a sociedade e causaria perdas econômicas anuais".

A julgar pela descrição, não deixa de ser curioso como exercícios de simulação às vezes parecem preceder eventos reais. Mais importante, no entanto, é observar quem são os patrocinadores desse tipo de evento e em que consiste a sua agenda.

Uma rápida olhada em outra simulação semelhante, o Cyber Polygon 2020, pode nos dar algumas informações. Esse exercício também previu uma catástrofe global, porém na área de segurança cibernética, e uma nova edição está programada para 9 de julho deste ano.


Em um extenso artigo sobre essa simulação, Johnny Vedmore e Whitney Webb escreveram o seguinte (os destaques são meus):

O exercício ocorre vários meses depois que o WEF, a "organização internacional para a cooperação público-privada" que conta com a elite mais rica do mundo entre seus membros, anunciou formalmente seu movimento por um Grande Reset, que envolveria a transição coordenada para uma Quarta Revolução Industrial na economia global, em que trabalhadores humanos se tornarão cada vez mais irrelevantes...

Novos sistemas econômicos com suporte digital e em parceria com ou administrados por bancos centrais são uma parte fundamental do Grande Reset do WEF, e tais sistemas seriam parte da resposta para controlar as massas dos recém-desempregados. Como alguns têm observado, esses monopólios digitais, não apenas serviços financeiros, permitiriam que aqueles que os controlam "desligassem" o dinheiro de uma pessoa e o acesso aos serviços se esse indivíduo não cumprir certas leis, mandatos e regulamentos.

O WEF tem promovido e criado ativamente esses sistemas e, mais recentemente, passou a chamar seu modelo preferido de "capitalismo de partes interessadas". Embora anunciado como uma forma mais "inclusiva" de capitalismo, o capitalismo das partes interessadas basicamente fundiria os setores público e privado, criando um sistema muito mais parecido com o corporativismo fascista de Mussolini do que qualquer outra coisa.

Não obstante, como observam os autores, para que o novo sistema substitua o atual em declínio, este deve de alguma forma colapsar totalmente, e seu substituto deve ser promovido de modo que as massas o vejam como um sistema melhor.

Quando as pessoas mais poderosas do mundo, como membros do WEF, desejam fazer mudanças radicais, crises convenientemente emergem - seja uma guerra, uma praga ou colapso econômico -, as quais permitem uma "reinicialização" do sistema, que é frequentemente acompanhada por uma transferência massiva de riqueza para cima.

Logo após a crise COVID-19 se agravar em março passado [2020], [Klaus] Schwab [fundador e presidente do WEF] observou que a crise pandêmica era exatamente o que se precisava para lançar o Grande Reset, pois serviu como um catalisador conveniente para iniciar uma revisão das economias, da governança e da sociedade em escala global.

Não é preciso especular a esse respeito, e o leitor interessado em ler o artigo de Vedmore e Webb na íntegra descobrirá muito mais acerca dessa agenda conspiratória.

Para os propósitos deste post, no entanto, será suficiente mencionar que a Ernst and Young, uma das maiores empresas de serviços profissionais do mundo, esteve representada no Cyber Polygon 2020 por sua parceira em segurança cibernética, Jacqueline Kernot, que discutiu com Hector Rodriguez, vice-presidente sênior da Visa, como se preparar para ataques cibernéticos.

Ernst and Young e Visa, ao lado de outras corporações vinculadas ao WEF, como a Salesforce [uma empresa americana de software], estão bem representadas no exclusivo Conselho para o Capitalismo Inclusivo do Vaticano. O Conselho, assim como o WEF, clama pela reconstrução do sistema econômico, para que seja mais "sustentável", "inclusivo" e "dinâmico", "aproveitando o poder do setor privado".

Não é de admirar, então, que o Grande Reset do Fórum Econômico Mundial e a elite corporativa que compõe o Conselho para o Capitalismo Inclusivo pautem sua agenda compartilhada nos conceitos católicos de "justiça social" e "bem comum". A ideia de um sistema econômico inclusivo nos moldes da Doutrina Social Católica nada mais é do que coletivismo disfarçado de capitalismo, algo sobre o qual planejo escrever oportunamente.

Esse sistema coletivista supostamente inclusivo, que na prática significa riqueza crescente para poucos e igualdade econômica nivelada por baixo para os demais, nada tem em comum com uma sociedade livre, fundada nos princípios da autorrealização pessoal, do engajamento colaborativo voluntário e da preocupação caridosa com a vida alheia.

A propósito do Grande Reset, Michael Rectenwald, do Mises Institute, escreveu:

As características chinesas que o Grande Reset visa reproduzir em conexão com o capitalismo ocidental se assemelhariam ao totalitarismo do Partido Comunista Chinês. Isso exigiria uma grande redução dos direitos individuais – incluindo direitos de propriedade, liberdade de expressão, liberdade de movimento, liberdade de associação, liberdade de religião e o sistema de livre empresa como o entendemos.

Dito de outra forma, esse arranjo nada mais é do que uma espécie de neofeudalismo. No período feudal, a igreja foi a maior proprietária de terras [1] e, num sistema de divisões sociais claramente marcadas, era quase impossível a uma pessoa que não pertencesse às classes superiores elevar sua condição. [2]

Ao contrário do que era lógico esperar, a Igreja foi o principal adversário da emancipação dos servos, e há muitos indícios de que as ordens religiosas eram os mais severos entre os latifundiários, no sentido de se apegar a seus direitos e defender a manutenção das condições feudais. [3]


Em "Isto não é uma teoria conspiratória", observei acerca do Conselho para o Capitalismo Inclusivo com o Vaticano que nunca é demais desconfiar de ideias bem-intencionadas quando seus promotores são aqueles que controlam o mundo corporativo, financeiro e religioso.

O que me parece bastante evidente é que esse grande projeto de dominação global – com um apelo  mais sonoro à medida que as crises se tornam um poderoso argumento para a mudança – tornará a vida do povo de Deus muito difícil quando for implementado.

E não devemos duvidar de que isso aconteça, pois Apocalipse 13 e 17 antecipam um futuro muito mais distópico do que imaginou Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo.

Enquanto testemunhamos a construção da estrutura que permitirá à Roma papal retomar a posição que teve durante os séculos de ferro da Igreja, rogo a Deus que despertemos de nosso sono e sejamos mais diligentes em nosso preparo individual e na salvação das almas a perecer. Nada pode ser mais importante do que isso.

Notas e referências

1. Leo Huberman, História da Riqueza do Homem, 17ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1981, p. 22.

2. Ibid., p. 54.

3. Ibid., p. 56 e 57.

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