segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A besta que "era", "não é", "mas aparecerá"


Em resposta à reação de João à impressionante visão que acaba de lhe ser revelada, o anjo solenemente diz:


"Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher." (Apocalipse 17:7)

E passa então a explicar-lhe o sentido dos acontecimentos que se tornariam realidade histórica, os quais dizem respeito aos poderes que haviam de perseguir a igreja e a verdade (verso 8):

A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.

É significativo que o anjo, ao mencionar o destino inglório que aguarda a besta, mantenha nosso foco na vitória como a cena final do grande drama!

Ele nos lembra que, mesmo em face da tremenda luta que teremos de travar, nunca devemos nos esquecer da promessa dAquele que jamais perdeu uma batalha: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mateus 28:20)!

Essa bendita certeza nos enche de ânimo e esperança, mesmo diante de uma uma besta que nos parece tão assustadora!

Um detalhe curioso é que o anjo usa as palavras "era e não é, mas aparecerá" para descrever as três fases de existência da besta, uma expressão semelhante à frase "aquele que é, que era e que há de vir", que descreve a divindade de nosso Senhor Jesus e Sua gloriosa vinda (Apocalipse 1:4; 4:8)!

Essa singular referência, extraída do nome divino em Êxodo 3:14 - "EU SOU O QUE SOU" -, evidencia, antes de tudo, a absoluta existência de Cristo sem qualquer limite de tempo!

Durante Seu ministério terrestre, nosso Senhor atribuiu a Si mesmo esse santo nome, reivindicando, dessa forma, Sua divindade (João 8:24, 28, 58; 13:19), fato que Ele novamente testificou a João, agora na condição de Senhor glorificado:

Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno. (Apocalipse 1:17-18)

As palavras "eu sou" (no grego, eimi, referindo-se à auto existência e eternidade de Cristo) contrastam notavelmente com "estive", ou "cheguei a estar" (egenomēn) morto.

Embora tenha sofrido a morte que cabia ao homem em virtude do pecado, Cristo segue sendo o "eu sou", pois rompeu os grilhões da morte com Sua ressurreição, e permanece vivo para todo o sempre! Essa é a garantia que o crente tem da vida eterna (João 11:24-25)!

Porém ao usar uma expressão semelhante para se referir à besta, o anjo sugere fortemente uma contrafação da própria experiência de Cristo, Aquele que vive; esteve morto, mas que está vivo pelos séculos dos séculos!

Essa imitação burlesca da natureza e da experiência de Cristo reflete a ambição de Lúcifer de ocupar o lugar de nosso Senhor, O qual é bendito eternamente (ver Isaías 14:12-14; Ezequiel 18:12-17).

Mas ao contrário da ressurreição de Cristo, que nos traz alentadora esperança e assegura-nos uma gloriosa vitória, a "ressurreição" da besta lançará o mundo em densa escuridão e completa ruína.

As fases sucessivas da besta e suas sete cabeças

O anjo intérprete explica o significado das cabeças e das fases de experiência da besta, elucidando o mistério sob cujo véu se ocultam as realidades de interesse para o povo de Deus:

9 Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,
10 dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.

Com base na explicação do anjo, fica evidente a relação entre as etapas de existência da besta e a sucessão das cabeças. Afinal, a besta afirma-se como tal por meio de suas cabeças, e seria coisa estranha se estas agissem independentemente do corpo.

De modo que o anjo expõe o sentido das fases de experiência da besta revelando as sucessivas atuações de suas respectivas cabeças.


O anjo explica que as cabeças representam "montes", um símbolo comumente empregado pelos profetas do Antigo Testamento para se referir a reinos (Isaías 2:2-3; Jeremias 17:3; 31:23; 51:24-25; Ezequiel 17:22-23), mas que em Apocalipse 17 também podem ser uma referência a Roma, a cidade das sete colinas.

O fato de a mulher estar sentada sobre sete montes indicaria, nesse caso, a localização geográfica de sua sede administrativa.

Ora, não representa essa mulher "a grande cidade que domina sobre os reis da terra" (Apocalipse 17:18)? E que Igreja reivindica um domínio não menos que universal, que busca governar os reis da terra a partir de uma grande cidade, conhecida por suas sete colinas, e referida pelos cristãos do primeiro século como "Babilônia" (I Pedro 5:13), senão a Igreja Católica Romana?

Sestertius, moeda romana cunhada durante o reinado de Vespasiano (69-79 d.C.). A inscrição em torno da efígie do imperador diz: IMP[ERATOR] CAESAR VESPASIANVS AVG[VSTVS] P[ONTIFEX] M[AXIMVS] T[RIBVNICIA] P[OTESTATE] P[ATER] P[ATRIAE] CO[N]S[VL] III. "Pontifex Maximus", então o título mais honrado da grandeza imperial, foi posteriormente adotado pelos papas. Roma é simbolizada por uma divindade - Dea Roma - sentada entre as sete colinas da cidade, tendo ao seu lado a loba, que, segundo a lenda, amamentara Rômulo e Remo (Créditos: clique aqui).

As sete cabeças, no entanto, também simbolizam "sete reis", e estes não podem se referir a reis ou formas distintas do governo da antiga Roma, como propõe os preteristas, nem aos papas desde 1929, segundo uma interpretação de matiz dispensacionalista, porque pelo uso da palavra "reis", a profecia tem em vista reinos ou impérios, e não indivíduos isolados.

E o anjo os descreve em tal ordem que, como já dissemos, coincide indubitavelmente com as sucessivas fases de existência da própria besta.

Vamos considerar por um instante o significado das sete cabeças da besta.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que as visões sobre as bestas no Apocalipse têm seu antecedente em Daniel 7.

Neste capítulo, cada besta é descrita como possuindo apenas uma cabeça, com exceção do leopardo, que possui quatro cabeças, uma singularidade explicada em Daniel 8:8 e 21, 22.

Em Apocalipse 12, porém, João vê um dragão com sete cabeças, uma característica certamente incomum em relação aos animais simbólicos de Daniel 7! Essa particularidade reforça o propósito do capítulo 12 (e dos capítulos 13 e 17), que é apresentar um panorama, um quadro geral do grande conflito.

Nesse contexto, cada cabeça representa um instrumento usado por Satanás para perseguir o povo de Deus durante o período de sua existência.

A visão de João em Apocalipse 12 revela, contudo, que esse panorama do conflito dos séculos é delineado a partir da tentativa do dragão de devorar o "filho varão" quando nascesse (verso 4).

Quem é o "filho varão", "que há de reger as nações com cetro de ferro" e que "foi arrebatado para Deus até ao seu trono" (verso 5), senão Jesus Cristo, o Filho de Deus?

Com efeito, essa visão se concentra no período do grande conflito que começa com o nascimento de nosso Senhor Jesus e se estende até o remanescente final (verso 17), abrangendo toda a era cristã, com as visões subsequentes enfatizando cada vez mais seu desenvolvimento no tempo do fim.

Agora, vejamos Apocalipse 13.

Este capítulo descreve a visão que João teve de uma besta que emerge do mar e, como o dragão, tem sete cabeças. Não se trata de mais sete cabeças na sequência profética, mas das mesmas sete cabeças  mencionadas no capítulo 12.

Contudo, há uma diferença! Enquanto em Apocalipse 12 a descrição dos eventos é mais genérica, abrangendo mais de um ator, a visão do capítulo 13 focaliza somente uma das sete cabeças da besta: A cabeça que foi "como golpeada de morte", mas cuja "ferida mortal foi curada" (verso 3).

Alguns teólogos sustentam que é essa cabeça, e não a besta em si, que simboliza o papado. Mas não creio que essa explicação seja válida. A cabeça é uma parte anatômica do animal, e é a cabeça dominante no período de interesse da profecia que movimenta a besta e transmite a ela suas características.

João observa que essa besta incorpora elementos dos três primeiros animais mencionados em Daniel 7: "A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão" (Apocalipse 13:2), ao passo que o dragão, correspondente ao quarto animal na visão de Daniel (7:7), dá à besta "o seu poder, o seu trono e grande autoridade" (Apocalipse 13:2).

Considere que cada reino mencionado em conexão com essa besta também está associado a cada uma de suas cabeças: Babilônia corresponderia, então, à primeira cabeça, o império medo-persa, à segunda, a Grécia macedônica, à terceira, e Roma imperial, à quarta.

Enquanto as características das três primeiras cabeças estão incorporadas à besta, a quarta cabeça, Roma, é revelada à parte, como o dragão que dá à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade, porque esse império ainda existia nos dias de João, ao passo que os três impérios antecessores já eram história.

Se Apocalipse 13 focalizasse o império neobabilônico, por exemplo, a cabeça dominante de interesse da profecia seria esse império e, portanto, todas as características da besta durante esse período deveriam nos remeter à Babilônia de Nabucodonosor.

Se a visão focalizasse o império medo-persa, a cabeça dominante durante esse período seria, então, esse império, e todas as características da besta durante a vigência dessa cabeça deveriam aludir à Média e à Pérsia.

E assim sucessivamente.

Mas como a visão de João focaliza a cabeça papal (portanto a quinta cabeça da besta, de acordo com nossa contagem), encontramos na besta todas as características que nos remetem à cabeça papal dominante. Essa é a razão por que não devemos separar o significado da cabeça do significado da besta.

As duas cabeças seguintes, a sexta e a sétima, são o foco de Apocalipse 17!

A esta altura, é importante ressaltar outro pormenor não menos significativo.

O dragão tem sobre as cabeças sete diademas ou coroas reais, enquanto a besta que emerge do mar tem dez diademas sobre seus chifres.

A besta escarlate, por sua vez, não tem diademas nem sobre as cabeças nem sobre os chifres, o que faz supor que a monarquia já não é mais um sistema de governo vigente durante o período de interesse desta visão.

Observa-se, além disso, uma revelação progressiva das sete cabeças de cada uma das bestas:

  • O dragão tem sete cabeças;
  • Seu aliado mais próximo, a besta marítima, também tem sete cabeças, mas uma delas é "como golpeada de morte", e a "ferida mortal foi curada" (Apocalipse 13:3);
  • E das sete cabeças da besta escarlate se diz que "caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco" (Apocalipse 17:10).
Essa revelação progressiva das sete cabeças das bestas reforça a conclusão de que se tratam dos mesmos sete poderes de interesse da profecia ao longo da história, através dos quais Satanás tem perseguido o povo de Deus.

Cada besta é revelada dentro de uma dinâmica que expressa a continuidade dessa perseguição, e cada cabeça dos poderes políticos atuantes em seu tempo é inspirada pelo mesmo poder que as dirige, ou seja, Satanás.

E, assim, as múltiplas faces dessa atividade iníqua, sendo gradualmente expostas pela divina providência aos olhos do observador diligente, trazem finalmente à plena luz aquilo que o diabo certamente deseja manter oculto nas sombras.

Profecias paralelas e complementares

Desde que o tema do tempo do fim foi introduzido em Apocalipse 10, os capítulos seguintes ocupam-se em revelar progressivamente o drama secular do conflito de Satanás e todos os seus instrumentos contra Cristo e Sua igreja, com uma ênfase cada vez maior no tempo do fim, em conexão com as profecias de Daniel, cujo significado é esclarecido e ampliado.

Apocalipse 11 introduz, dessa forma, o tema da perseguição ao povo de Deus mencionando o período de tempo em que tal infortúnio teria lugar: "quarenta e dois meses" ou "mil duzentos e sessenta dias" (versos 2 e 3), o mesmo período citado em Daniel 7:25 e 12:7.

Como é comum na linguagem profética, ambas as referências simbolizam anos literais (Levítico 25:1-7; Números 14:34; Ezequiel 4:4-6), e dizem respeito ao mesmo período de tempo. (1)

Notemos, porém, que Apocalipse 11 não identifica claramente o agente perseguidor, a não ser "a besta que surge do abismo" (verso 7), cuja atuação interrompe temporariamente a atividade opressora exercida ao longo do período profético indicado.

O capítulo 12 volta a mencionar o mesmo período profético (versos 6 e 14), mas agora identifica expressamente o dragão - "que se chama diabo e Satanás" (verso 9) - como agente perseguidor e o mesmo poder que dirige os diferentes aspectos da perseguição:

  1. Contra o "filho varão", Jesus Cristo (versos 4-5);
  2. Contra a mulher virtuosa, símbolo da igreja de Cristo, durante o período de 1.260 anos (versos 6, 13-16);
  3. Contra o restante da descendência da mulher, isto é, o remanescente do tempo do fim - "os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (verso 17).
Desse modo, Apocalipse 12 lança mais luz sobre o capítulo precedente, identificando o perseguidor e revelando o grande conflito no contexto da era cristã, desde o nascimento de Cristo, passando pelos séculos pós-apostólicos, até o remanescente do tempo do fim.

Note, contudo, que Satanás opera indiretamente, mediante reinos e instituições terrestres. E não devemos duvidar de que ele é um jogador extremamente inteligente e habilidoso, que sabe tirar proveito tanto das qualidades humanas como de suas fraquezas.

Pois este ardiloso adversário se mostra a encarnação de uma tenacidade inexorável, de uma força de vontade com direção única, determinado a aproveitar cada oportunidade e empregar todos os esforços para a consecução de seus vis propósitos.

E porque o poder é a autoridade suprema dos homens que anseiam obtê-lo e expandi-lo, Satanás pode, por meio deles, realizar suas próprias pretensões de poder, de maneira que a verdadeira mão que desfere o golpe oculta-se nas ações dos homens que, no exercício de sua ambição, não temem recorrer à coação e à brutalidade.

A partir do capítulo 13, a revelação se amplia cada vez mais em direção ao conflito final de Apocalipse 12:17.

Neste capítulo somos informados de que o dragão tem um aliado, a besta marítima, a quem confere "o seu poder, o seu trono e grande autoridade" (Apocalipse 13:1-2).

Como observamos, essa besta agrega em si características das três primeiras bestas mencionadas em Daniel 7, porém elas são citadas retrospectivamente por João; a besta "era semelhante ao leopardo, com pés como de urso e boca como de leão" (Apocalipse 13:2. Comparar com Daniel 7:1-6).

Significa que o quarto animal na visão de Daniel, descrito ali como "terrível, espantoso e sobremodo forte", e com "dez chifres" (Daniel 7:7), acha-se representado em Apocalipse 13 na figura do dragão, o qual tem também dez chifres (Apocalipse 12:3).

Devemos concluir, portanto, que a besta que emerge do mar mantém em sua natureza traços da Babilônia, Medo Pérsia e Grécia Helenística, visto serem estes os três primeiros reinos simbolizados, respectivamente, pelo leão, urso e leopardo, e que o quarto animal, diferente de seus antecessores, simboliza o Império Romano, representado em Apocalipse 13 pela figura do dragão. (2)

E essa besta heterogênea, que recebe do dragão, isto é, de Roma imperial, "o seu poder, o seu trono e grande autoridade", simboliza, naturalmente, a potência que o sucede e é por ele favorecida, à qual também é "dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses" (Apocalipse 13:5-6. Comparar com Daniel 7:8, 20-21, 25).

Os três primeiros reinos (Babilônia, Medo Pérsia e Grécia) contribuíram, por assim dizer, para a formação da besta do mar pela herança cultural e religiosa que legaram a ela; o quarto reino (Roma imperial), pela atribuição de seu poder e autoridade à besta, que, por sua vez, exerceu-os ao longo do período profético mencionado.

Notam-se também aqui três fases sucessivas da besta: (1) ela recebe do dragão autoridade e a usa para fazer guerra contra os santos durante 42 meses (Apocalipse 13:5); (2) uma de suas cabeças é "como golpeada de morte" (verso 3); (3) a ferida mortal é curada e a besta revive (versos 3 e 8).

E é a besta que emerge da terra - cujos dois chifres são semelhantes aos de cordeiro, mas que fala como dragão (Apocalipse 13:11), sendo, portanto, seu segundo aliado mais próximo - quem comunica "fôlego à imagem da besta", a fim de que ela ressuscite para uma nova fase de perseguição aos santos (versos 15-17).

O clímax da revelação profética

Esse conjunto de informações exposto em Apocalipse 13, e que amplia as revelações dos capítulos 11 e 12, é finalmente complementado pela visão de João em Apocalipse 17! (3)

E as sucessivas fases da besta escarlate, paralelas às da besta marítima de Apocalipse 13, são de importância tal, que o anjo intérprete se refere a elas três vezes (a ênfase é minha):

A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá. (Apocalipse 17:8)
E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. (verso 11)

Temos, assim, um paralelismo notável entre as visões dos capítulos 13 e 17, que se complementam:


Essa correspondência revela claramente que o poder perseguidor a serviço da iniquidade "era" quando esteve em atividade durante 42 meses, isto é, 1.260 dias/anos (42 x 30 = 1.260); "não é" depois de ter recebido uma ferida mortal no fim desse período; e "aparecerá" no momento em que essa ferida for definitivamente curada, quando então voltará a reinar como perseguidora dos santos.

Em Apocalipse 17, as sucessivas fases da besta escarlate, bem como de suas respectivas cabeças, devem ser entendidas em função de suas relações com a mulher, uma distinção que não é feita em Apocalipse 13.

Assim, a besta escarlate, ou o poder estatal:

  • "ERA", enquanto esteve unido à mulher - a Igreja apóstata - na atividade de reprimir todos os que ameaçassem a estrutura de suas pretensões, o que, segundo Apocalipse 13, ocorreu durante 42 meses proféticos, ou 1.260 anos, período correspondente à supremacia papal, de 538, ano em que o imperador romano, Justiniano, reconheceu o papa como cabeça de todas as igrejas, até 1798, quando o general de Napoleão, Berthier, aprisionou o papa Pio VI, privando a Igreja de seu poder temporal. (4)
  • "NÃO É", no momento em que a relação entre a mulher e a besta escarlate é interrompida, ou seja, quando uma das cabeças da besta de Apocalipse 13 é ferida de morte ao término dos 1.260 anos. Trata-se do fim da supremacia papal, depois de 1798, quando, em virtude da Revolução Francesa, surge o estado laico.
  • "HÁ DE VIR", no instante em que essa antiga aliança entre a mulher e a besta escarlate, entre a Igreja papal e o estado for paulatinamente restaurada, o que se tem verificado desde a assinatura do Tratado de Latrão, em 1929, entre Mussolini e a Igreja, resultando na criação do atual Estado do Vaticano.


Vede, agora, que o anjo de Apocalipse 17, ao enfatizar três vezes as etapas de existência da besta escarlate, como foi dito acima, indica ao observador perspicaz que João contempla a referida besta entre as fases "não é" e "está para emergir", o que localiza o profeta entre o fim da hegemonia papal, quando igreja e estado atuavam juntos, e o início da restauração desse conluio infame, à medida que é curada a ferida mortal infligida ao papado!

Sustentar que a experiência visionária de João deve ser considerada do ponto de vista do tempo do profeta, isto é, por volta do ano 100 da era cristã, e não do tempo da visão, que claramente localiza o profeta depois de 1798, ou seja, no tempo do fim, significa contrariar todas as evidências e o bom senso.

E, conquanto os cristãos do primeiro século e das gerações posteriores possam ter obtido dessas mensagens alguma inspiração e proveito, sua aplicação especial se destina à última geração de crentes, para quem tais mensagens constituem fonte de resistência nos dias finais de engano e de preparação para o bem-aventurado aparecimento de nosso Senhor.

Mantendo diante de nós essa certeza, a de que João estava testemunhando eventos de nossos próprios dias, não há como errar no tocante àquilo que a profecia realmente visa nos transmitir.

E, embora não devamos ser dogmáticos com relação àqueles aspectos ainda não cumpridos da profecia, será de bom alvitre que apreciemos aqueles que nos são permitidos conhecer pela divina providência, à medida que se tornam realidade histórica, tendo sempre em vista as palavras do Mestre:

Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais. (João 14:29)

No próximo artigo vamos examinar mais detidamente os períodos "não é" e "aparecerá" da besta escarlate, e os desdobramentos que se seguirão, conforme revelados na palavra profética.

Notas e referências

1. Para mais informações, leia o seguinte post, em que abordo esse importante período profético: "Antecedentes históricos das leis dominicais".

2. Para uma exposição mais detalhada, confira o post, "Profecias que revelam a hora do juízo - Daniel 7".

3. Uma evidência adicional dessa revelação progressiva é o fato de a besta de Apocalipse 17 agregar características de cada um dos três poderes em evidência nos capítulos 12 e 13 - o dragão, a besta marítima e a besta terrestre. Pois a besta escarlate compartilha, além das sete cabeças e dez chifres, a mesma cor do dragão (Apocalipse 12:3; 17:3); e exibe nomes de blasfêmia que são encontrados na besta marítima, com a distinção de que, enquanto esses nomes limitam-se às cabeças da besta do mar (Apocalipse 13:1), na besta escarlate cobrem-lhe todo o corpo (17:3), porquanto, uma vez no largo declive da iniquidade, desce ela até a mais baixa profundeza; e, assim como a besta terrestre emerge numa região relativamente despovoada em relação à besta marítima (por comparação com base em Apocalipse 17:15), a besta escarlate procede do deserto (Apocalipse 13:11; 17:3).

4. Em 15 de fevereiro de 1798, Berthier emitiu a seguinte declaração: "O povo romano é reintegrado aos seus direitos de soberania ao proclamar sua independência, apropriar-se do governo da antiga Roma, e constituir a República Romana. O general-em-chefe do exército francês na Itália declara, em nome da República Francesa, que reconhece a República Romana independente, e que a mesma está sob a proteção especial do exército francês. O general-em-chefe também reconhece, em nome da República Francesa, o governo provisório eleito pelo povo soberano. Toda a autoridade temporal que emana do Papa é, consequentemente, suprimida, e não mais exerce qualquer função... A República Romana, reconhecida pela República Francesa, abrange todo o território que permaneceu sob a autoridade temporal do Papa, após o Tratado de Campo-Formio." - The Times, London, Monday, March 12, 1798, p. 3.

[Este artigo foi revisado em 11 de fevereiro de 2021]

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