Os primeiros livros de Ellen White sobre a vida de Cristo foram Espírito de Profecia, Volume 2 (1877), e os primeiros 19 capítulos do Volume 3 (1878). No entanto, com o passar dos anos, ela continuou a escrever ainda mais sobre a vida terrestre de Jesus.
Após a conclusão de O Grande Conflito em 1884 e sua ampliação em 1888, seguida por Patriarcas e Profetas em 1890, ela determinou que, finalmente, escreveria uma obra completa sobre a vida de Cristo. Seis anos foram dedicados a essa tarefa, visto que ela frequentemente sofria interrupções por conta de problemas em todo o campo mundial, especialmente em Battle Creek.
"Quando ela foi para a Austrália no outono de 1891, sua expectativa era de que o tão aguardado livro sobre a vida de Cristo pudesse ser preparado em breve. Durante os anos de 1892 a 1898, ela dedicou muito tempo à redação dos capítulos dessa obra." — A. L. White, Ellen G. White: Mensageira do Remanescente, pp. 58-59.
Ao examinar todo esse material para o Projeto O Desejado de Todas as Nações, Veltman compreendeu gradualmente a maneira como Ellen White preparava cada capítulo de O Desejado de Todas as Nações.
Como ela escrevia um capítulo?
Ellen White se assentava e, ou começava a escrever diretamente, ou selecionava um (às vezes dois, mas jamais mais de dois) outro livro sobre a vida de Cristo para verificar como abordavam o assunto.
Em seguida, ela deixava o livro de lado e, recorrendo a seus próprios escritos anteriores sobre o tema em questão, reescrevia o texto, adicionando elementos de transição e novos materiais.
Ocasionalmente, enquanto escrevia, uma palavra ou frase que ela notara anteriormente em um livro sobre a vida de Cristo lhe vinha à mente, e ela a utilizava. Desse modo, na quase totalidade do tempo, aquilo que ela redigia era de sua própria lavra (à exceção das citações bíblicas, por certo).
Isso era cópia? Não, não era. Era empréstimo? Não. Era plágio? De modo algum. Abordaremos mais sobre tudo isso no próximo capítulo.
Embora Ellen White jamais consultasse mais de um ou dois livros por vez antes de começar a escrever, quais eram os nomes dos livros aos quais ela poderia ter recorrido?
Havia nove possibilidades: Lyman Abbott, A Life of Christ [A Vida de Cristo]; Alfred Edersheim, The Life and Times of Jesus the Messiah [A Vida e os Tempos de Jesus, o Messias]; F. W. Farrar, Life of Christ [Vida de Cristo]; John Fleetwood, The Life of Our Lord and Saviour Jesus Christ [A Vida de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo]; Cunningham Geikie, The Life and Works of Christ [A Vida e as Obras de Cristo]; William Hanna, The Life of Christ [A Vida de Cristo]; George Jones, Life Scenes from the Four Gospels [Cenas da Vida dos Quatro Evangelhos]; Daniel March, Walks and Homes of Jesus [Caminhos e Lares de Jesus]; Hugh Macmillan, Our Lord’s Three Raisings from the Dead [As Três Ressurreições Realizadas por Nosso Senhor].
Compreenda-se que ela pode não ter recorrido a todos esses livros. Apenas parecia que, por vezes, poderia haver em O Desejado de Todas as Nações palavras ou frases semelhantes às encontradas em uma ou outra dessas obras.
Poderia me dar amostras de como eram essas semelhanças?
Eis todas as semelhanças encontradas no capítulo 58 de O Desejado de Todas as Nações (páginas 524-536). Você notará que elas são inexpressivas. Destacaremos a frase do Espírito de Profecia em negrito:
"O maior dos milagres de Cristo" (DTN 524).
"O maior de Seus milagres" (Hanna 452).
"Esse milagre coroador" (DTN 529).
"O grande e derradeiro milagre coroador" (Hanna 450).
"Lázaro fora acometido por uma enfermidade súbita" (DTN 525).
"Lázaro fora prostrado por uma daquelas febres malignas e agudas da Palestina, que irrompem subitamente" (Macmillan 146-147).
"Entrei no último restante do Meu dia, mas, enquanto restar alguma parte dele, estou seguro" (DTN 527).
"Enquanto eu fizer o que Ele deseja, minha vida estará segura" (Hanna 449).
"Absorta em seu pesar, Maria não ouviu as palavras" (DTN 529).
"Maria não ouvira a princípio sobre a vinda do Senhor ou, se ouvira, estava absorta demais em seu pesar para prestar-Lhe atenção" (Hanna 458).
"Jesus incentivou a sua fé" (DTN 530).
"Jesus, que estava disposto a incentivar essa fé imperfeita" (Fleetwood 281).
Após examinar os exemplos típicos acima do assim chamado "empréstimo", poder-se-ia muito bem perguntar: a que se deve todo esse alarde? Simplesmente não há nada de significativo aqui!
Sinceramente, as queixas e as acusações são patéticas quando comparadas aos supostos "paralelismos" efetivamente encontrados.
"O maior dos milagres." Ora, a ressurreição de Lázaro foi isso mesmo, não foi? Por que ela não usaria esse adjetivo? Ela não precisava ler o livro de outra pessoa para concluir isso. Lázaro estava morto havia três dias. Antes de Sua própria ressurreição, nenhum milagre físico realizado por Cristo fora maior.
"O milagre coroador." Concordamos que essa era uma expressão singular. No entanto, seria essa semelhança isolada uma razão plausível para condenar Ellen White como uma reles ladra e criminosa?
"Acometido por uma enfermidade." De que outra forma ela diria isso? Esperava-se que dissesse "ele ficou doente", "ele adoeceu", "ele andou indisposto"? Não era necessário ler o livro de ninguém para chegar à expressão trivial "acometido por uma enfermidade".
"... estou seguro." Trata-se de uma explicação óbvia do sentido de João 11:9. Como você descreveria esse versículo?
"Maria não ouviu..." Trata-se de uma explicação simples e extremamente necessária de João 11:20. Observe que Hanna não tinha certeza sobre qual das duas possibilidades seria a verdadeira razão, ao passo que Ellen White, com convicção, selecionou uma delas. Ela sempre falava com certeza, enquanto todos os demais autores falavam com hesitação.
"Jesus incentivou a sua fé." Ora, e não incentivou? Jesus proferiu as palavras de João 11:23 em resposta à declaração de pesar de Maria no versículo 22. Leia a progressão dos versículos 22 a 26. É evidente que Ele a estava incentivando a exercitar fé Nele como uma Pessoa divina e como o Grande Libertador. Não é preciso pesquisar em livros para perceber isso.
Em conclusão, com a possível exceção de "milagre coroador", nada naquele capítulo parece ter sido extraído de outros autores.
Isso resume a totalidade das semelhanças encontradas em um capítulo inteiro de O Desejado de Todas as Nações.
Mas não deveria cada livro no mundo ser totalmente diferente de qualquer outro?
Em meio a tudo isso, cumpre lembrar que é natural que dois autores distintos, ao abordarem o mesmo assunto, empreguem palavras e expressões semelhantes.
Da próxima vez em que estiver em um grupo de estudos com amigos, entregue uma folha de papel a cada um e peça-lhes que descrevam, em um breve parágrafo, o episódio em que Jesus caminhou sobre as águas em direção ao barco — desde o momento em que os discípulos O avistaram pela primeira vez até o instante em que subitamente O reconheceram.
Compare então as folhas — e você encontrará inúmeras semelhanças. Em suma: (1) Eles viram uma figura misteriosa caminhando. (2) Ficaram com medo. (3) Ele falou. (4) Eles O reconheceram e se alegraram. (5) Alguns talvez tenham acrescentado outro ponto, ocorrido logo em seguida: rogaram-Lhe que fosse até eles e aplacasse a tempestade. A menos que alguém tenha escrito em um idioma estrangeiro, todas as folhas serão semelhantes. A seguir, compare os papéis, conte os supostos "paralelismos" e decida "quem copiou de quem". Teoricamente, você constatará que todos na sala "pegaram emprestado" de alguém.
Penso que uma questão fundamental seria, não se ela empregava ocasionalmente uma palavra semelhante, mas se Ellen White se aferrava de forma escravizada aos conceitos e à teologia de outros autores.
Existe uma diferença dramática entre a escolha de conceitos feita por Ellen White e a dos demais autores. Nos quatro Evangelhos, muitos (muitos!) detalhes são deixados sem explicação. No entanto, ao elaborar um comentário amplo sobre a vida de Cristo, seria necessário preencher algumas dessas lacunas. Os outros autores de obras sobre a vida de Cristo sugeriam com hesitação esta ou aquela possibilidade. Ellen White, por sua vez, falava sempre com a mais absoluta certeza e selecionava apenas uma possibilidade — e tudo o que ela escrevia soava irrepreensivelmente correto! Eis algumas amostras desse contraste. As ideias contidas em O Desejado de Todas as Nações são comparadas às de outros livros:
"Ellen White é claramente única naquilo que decide incluir e no que opta por omitir em sua descrição deste tema:
"1 — Lázaro morreu depois que o mensageiro retornou a Betânia (não antes do retorno do mensageiro). Neste ponto, E. G. W. discordou de Abbott, Edersheim, Farrar, Hanna, March e Macmillan.
"2 — A promessa de Cristo, 'Teu irmão há de ressuscitar', apontava para a futura ressurreição dos justos (não para a ressurreição imediata de Lázaro). Neste ponto, E. G. W. discordou de Edersheim, Farrar e Macmillan.
"3 — A morte de Lázaro foi um sono inconsciente (não uma existência consciente em algum lugar). Neste ponto, E. G. W. discordou de Abbott, Farrar, Geikie, Hanna, March e Macmillan.
"4 — Uma das razões pelas quais Jesus chorou foi que o povo pranteava enquanto o Doador da vida estava presente para ajudá-los. Abbott, March e Macmillan apresentaram outras razões, mas não esta." — The Use of Earlier Writings by Scriptural Writers [PG-6], uma coletânea extraída de estudos selecionados apresentados na Assembleia da Associação Geral de Nova Orleans (1985), por R. W. Olson, R. W. Coon e P. A. Gordon, pp. 2-3.
Como Fred Veltman conduziu seu trabalho de pesquisa?
Ele instalou seu escritório em Angwin, na Califórnia, sede do Pacific Union College e lar de seus muitos amigos liberais. Em seguida, após recrutar voluntários não remunerados para auxiliá-lo, estabeleceu 14 perguntas que cada membro da equipe deveria aplicar rigorosamente a cada uma das 2.624 "unidades de frase" nas quais os 15 capítulos de O Desejado de Todas as Nações haviam sido subdivididos. Poder-se-ia pensar que se tratava de uma operação da CIA! Sem dúvida, era igualmente complexa. Embora a tarefa fosse consumir seis tediosos anos para ser concluída, o grupo estava determinado a localizar cada fonte utilizada naqueles 15 capítulos!
Especificamente, quais foram as suas conclusões?
Houve treze conclusões. Consideremos brevemente cada uma delas:
As informações a seguir baseiam-se nas páginas 871-903 do relatório de 958 páginas de Veltman sobre o Projeto O Desejado de Todas as Nações. Se desejar ler uma discussão muito mais detalhada sobre esse projeto, remetemos você ao conjunto de folhetos de 16 páginas do presente autor, The Desire of Ages Project [WM–351-354].
Nº 1 — Veltman e seus assistentes constataram a existência de fontes pré-DTN (a expressão "fontes pré-DTN" é o termo utilizado por Veltman para designar os escritos anteriores de Ellen White sobre temas da vida de Cristo) para todo o livro. Ao analisá-las e comparar seu estilo, vocabulário e conceitos com O Desejado de Todas as Nações, ele concluiu que a própria Ellen White o escreveu, e não seus assistentes! Essa é uma descoberta de grande relevância, mas há outras (Relatório de Veltman, p. 871).
Nº 2 — Veltman verificou que O Desejado de Todas as Nações estava em total harmonia com os posicionamentos teológicos apresentados nos escritos anteriores de Ellen White. Nenhuma de suas visões doutrinárias ou ensinamentos havia sofrido alteração (Relatório, p. 874).
Nº 3 — Veltman divulgou suas conclusões após ele e seus assistentes dedicarem seis anos à comparação do nível espiritual de O Desejado de Todas as Nações com 500 livros alheios ao Espírito de Profecia. Constataram que, de forma consistente, O Desejado de Todas as Nações apresentava um conteúdo incomparavelmente mais espiritual do que qualquer um ou todos os outros 500 livros sobre a vida de Cristo! Nenhuma daquelas outras obras possuía a ênfase espiritual encontrada em O Desejado de Todas as Nações! (Relatório, p. 875).
Nº 4 — Suas perguntas de 5 a 7 nos conduzem ao cerne da pesquisa: Ellen White copiou outras fontes?
"Qual é a natureza da dependência literária de O Desejado de Todas as Nações em relação a outras fontes?" "Qual proporção do capítulo contém frases em sua composição que refletem a influência de outras fontes?"
"Qual é a natureza da independência do texto de O Desejado de Todas as Nações influenciado por outras fontes literárias? Qual proporção do capítulo contém frases que não refletem a influência de fontes literárias em sua composição?"
"Qual é o grau de dependência das frases dependentes, quando avaliadas segundo a escala de classificação? Como as frases dependentes são classificadas quando calculadas em relação a todas as frases do capítulo, excluindo-se as citações bíblicas?" (Relatório, pp. 20-21).
Essas três perguntas se resumem ao seguinte: Em que medida Ellen White utilizou fontes? O gráfico de Veltman (apresentado à p. 879 de seu Relatório), que sintetiza os dados para essas três questões, é intitulado "Estatísticas sobre a Avaliação de Paralelismos de Fontes para o texto de O Desejado de Todas as Nações".
Eis um resumo das conclusões apresentadas neste gráfico: Observe a linha inferior (horizontal) do gráfico em seu Relatório. Trata-se da linha dos "totais". Foi isso o que essencialmente se descobriu ao longo dos seis anos de trabalho exaustivo. Ela revela sete fatos fundamentais:
(1) Há 2.624 unidades de frase na totalidade dos 15 capítulos (gráfico: coluna 2, parte inferior). (Nós as referiremos como "frases", visto que quase todas são frases completas, à exceção de nove frases compostas que ele dividiu em duas.)
(2) Das 2.624 frases, nenhuma é "estritamente literal" (col. 11, parte inferior). Isso significa que NEM UMA ÚNICA das 2.624 frases foi DIRETAMENTE COPIADA DE QUALQUER FONTE, além dos escritos anteriores do Espírito de Profecia ou da Bíblia! Essa é a conclusão de seis anos de pesquisa intensiva!
(3) Das 2.624 frases, apenas 29 foram "literais" ou parcialmente semelhantes! Trata-se de uma proporção de uma frase a cada noventa que apresentou leve semelhança!
(4) As colunas 7 a 9 indicam variados graus de paráfrase, cujo total soma 532. Isso significa que, das 2.624 frases, 532 parecem indicar alguma possibilidade de paráfrase. Contudo, cumpre ter em mente que, pela própria natureza do material, é plenamente possível que muitas dessas 532 frases apenas aparentem ser paráfrases, quando na realidade não o são. (Você se lembrará de nossa análise anterior sobre quando Jesus conversou com Maria e Marta por ocasião da morte de Lázaro. Quase a totalidade dos supostos paralelismos reduzia-se a nada.) "Paráfrase" significa exprimir a totalidade ou parte da ideia de uma frase com palavras diferentes. Seria difícil para qualquer pessoa redigir um parágrafo descrevendo um acontecimento da vida de Cristo sem utilizar palavras semelhantes às que outros empregariam.
(5) A coluna 6 indica que uma citação bíblica, extraída de uma fonte, diferia da King James Version. Veltman classificou incorretamente cada uma dessas ocorrências como "fonte externa". Uma citação bíblica não é uma "fonte externa"! Ainda assim, Veltman utilizou a coluna 6 ao elaborar o total da coluna 12.
(6) A coluna 5 representa a "independência parcial", referindo-se às frases em que o mais leve indício de possível uso de uma fonte pudesse estar presente. Essa categoria soa tão abrangente que provavelmente pouco significa. Veltman também empregou essa coluna para chegar ao total de sua Coluna 12.
(7) Resumo: Das 2.624 frases nos 15 capítulos, nenhuma era efetivamente literal (cópias exatas); apenas 29 eram parcialmente literais; e somente 532 poderiam constituir paráfrases.
(8) O total final para a Coluna 12 resulta da soma das colunas 5 a 10, o que se mostra bastante desarrazoado — e, ainda assim, esse total alcança apenas 823. (Caso se tivessem utilizado as Colunas 7 a 11, o total da Coluna 12 seria de apenas 561.)
Eis o quadro: Essa exaustiva pesquisa de seis anos produziu zero "textos estritamente literais" e apenas 28 "textos parcialmente literais" em mais de duas mil e seiscentas frases!
Ramik afirmou que simplesmente não havia caso; e os dados da pesquisa de Veltman dizem essencialmente a mesma coisa.
Nº 5 — Veltman buscou determinar os livros aos quais Ellen White provavelmente recorria antes de iniciar a redação de um capítulo. Os três gráficos de Veltman indicam as possíveis fontes primárias e secundárias (além de seus escritos anteriores e da Bíblia) que ela poderia ter utilizado. O livro de William Hanna, Life of Christ [A Vida de Cristo], foi sem dúvida o consultado com maior frequência. Nenhuma das outras obras foi empregada amiúde.
Visto que Veltman constatou que nenhum dos livros sobre a vida de Cristo possuía a profunda espiritualidade presente em O Desejado de Todas as Nações, por que Ellen White se daria ao trabalho de consultá-los?
A resposta é por demais simples. Ela a eles recorria primordialmente em busca de informações factuais — tais como dados geográficos, históricos e culturais —, as quais não lhe haviam sido reveladas em visão. Ela sabia que seria guiada para discernir claramente a verdade ao lê-los. Foi-lhe dito que poderia fazê-lo; foi incentivada a fazê-lo; e, portanto, assim o fez.
"Em sua experiência inicial, quando se via vivamente angustiada ante a dificuldade de traduzir em linguagem humana as revelações da verdade que lhe haviam sido transmitidas, lembrou-se-lhe o fato de que toda sabedoria e conhecimento provêm de Deus, e assegurou-se-lhe que Deus concederia graça e orientação. Declarou-se-lhe que, na leitura de livros e periódicos religiosos, ela encontraria preciosas gemas da verdade expressas em linguagem aceitável, e que receberia o auxílio do céu para reconhecê-las e separá-las do entulho do erro ao qual por vezes se achavam associadas." — W. C. White, Carta datada de 1933, redigida em Elmshaven, Califórnia.
"Ela conhecia a obra de Daniel March, Walks and Homes of Jesus [Caminhos e Lares de Jesus], bem como Night Scenes in the Bible [Cenas Noturnas da Bíblia]. As obras de Geikie, Hours with the Bible [Horas com a Bíblia], e as de Edersheim sobre o Templo e seus serviços, além da vida social judaica, eram-lhe igualmente conhecidas, juntamente com algumas outras. Embora, como destacado, esses livros não constituíssem o que se poderia chamar de suas fontes, provaram ser um auxílio para ela na descrição de lugares, costumes e acontecimentos históricos." — A. L. White, The Australian Years [Os Anos na Austrália], pp. 385-386.
Ao examinar os três gráficos de fontes elaborados pela equipe de Veltman, chama a atenção o fato de que quase nada ali se poderia plausivelmente classificar como "fontes"! Apenas pequenos fragmentos e indícios foi tudo o que sua equipe conseguiu localizar em 500 livros!
Nº 6 — Veltman constatou que Ellen White recorria a "dados de fonte" (informações colhidas em outras obras) com maior frequência para "material contextual e descritivo do que para comentários devocionais e evangelísticos" (p. 900). Esse fato revela que ela utilizava outros livros primordialmente apenas para obter dados contextuais e factuais. Esta pode ser uma das descobertas mais importantes do estudo. Ao redigir uma obra, qual o problema em buscar material complementar de apoio sobre geografia, história secular romana e assuntos afins em outros livros? Absolutamente nenhum!
Nº 7 — Veltman observou que Ellen White pode ter modelado uma pequena parte da sequência e dos títulos dos capítulos com base nos de outros autores. Esse ponto jamais foi contestado. Com frequência, não se revelava em visão a Ellen White qual acontecimento antecedera ou sucedera a outro. Cabia a ela decidir a ordenação dos fatos, a divisão e o conteúdo dos capítulos, bem como seus respectivos títulos.
"À medida que o material era reunido e organizado em capítulos, cumpria dedicar cuidadosa atenção à sequência dos acontecimentos na vida do Salvador. Em que medida e com que grau de detalhamento as visões forneceram a ordem cronológica do ministério e dos milagres na vida e na obra de Cristo, não se sabe. Sabe-se, contudo, que uma década antes ela fizera uma solicitação significativa: 'Diga a Mary que me consiga algumas histórias da Bíblia que me forneçam a ordem dos acontecimentos' (E. G. W., Carta 38, 1885). Os evangelistas, em seus relatos, não ajudavam muito no quesito sequência. Na ausência de instrução direta de Ellen White ou de pistas no próprio material, a Srta. Davis consultava harmonias dos Evangelhos criteriosamente preparadas e, com o progresso do trabalho, fez uso considerável da obra de S. J. Andrews, Life of Our Lord upon the Earth [A Vida de Nosso Senhor sobre a Terra], a qual, como destacado em sua página de rosto, levava em consideração 'relações históricas, cronológicas e geográficas'." — A. L. White, The Australian Years, pp. 384-385.
"Os títulos dos capítulos surgiam de forma bastante natural à medida que o material era preparado, sendo representativos do assunto abordado. A narrativa bíblica sugeria alguns, contudo houve certos paralelismos com títulos de capítulos empregados por outros autores que escreveram sobre a vida de Cristo. A seleção fundamentava-se na adequação e no apelo ao leitor." — Ibid., p. 385.
Nº 8 — Veltman descobriu que, aplicando seus exaustivos métodos de pesquisa, todas as "fontes" pareciam frequentemente copiar umas às outras! Nesse ponto, esse estudo insensato de perseguir moinhos de vento transforma-se em uma verdadeira comédia.
"Frequentemente encontramos semelhanças e até expressões literais entre as fontes utilizadas por Ellen White." — Relatório de Veltman, p. 952.
"Os autores utilizados por Ellen White apresentavam amiúde paralelismos literários entre si." — Ibid.
Empregando os métodos que Veltman utilizou para rastrear a "dependência literária" e o "uso de fontes" (pp. 920, 952), constata-se que todas as fontes pareciam copiar umas às outras! Teria sido interessante se Veltman houvesse elaborado gráficos interconectando todos os "empréstimos" feitos pelas diversas "fontes" entre si. Ele poderia ter tabulado o quanto cada um "tomou emprestado" dos demais! Torna-se evidente que os pressupostos de Veltman sobre o que constitui "material emprestado" são tão rigorosos que se aplicariam a absolutamente tudo o que qualquer pessoa escrevesse! Da próxima vez que você redigir uma carta a alguém, saiba que terá "copiado" de outra pessoa a quem jamais conheceu ou de quem nunca ouviu falar! Talvez de alguém que escreveu uma carta há cem anos.
Essas acusações de "plágio" contra Ellen White prejudicaram milhares de pessoas; contudo, fundamentam-se em pressupostos extremados de semelhança de conteúdo — os quais condenariam os escritos de qualquer indivíduo como plagiados!
Quem estaria disposto a renunciar à sua fé no Espírito de Profecia para perambular pelas veredas desérticas desbravadas por críticos como Walter Rea?
Nº 9 — Em outra passagem, Veltman menciona mais uma descoberta sobre O Desejado de Todas as Nações. Encontramo-la à p. 901 de seu Relatório: ao contrário de todos os outros 500 autores de sua época, Ellen White falava com autoridade, como quem sabia de forma absoluta que cada detalhe estava correto! Não haveria meio humanamente possível para que um autor de obras sobre a vida de Cristo soubesse quais possibilidades eram exatas. Por essa razão, os demais autores expressavam incerteza com muita frequência; Ellen White, todavia, jamais.
"Onde a fonte podia recorrer ao uso da imaginação e da suposição — ou, em outras palavras, deixar claro que não estava necessariamente tratando dos fatos reais do caso —, o comentário descritivo de Ellen White lê-se como uma obra histórica." — Ibid., p. 901.
Nº 10 — Veltman também realizou algumas verificações nas fontes dos escritos do Espírito de Profecia anteriores a O Desejado de Todas as Nações. Sua conclusão (pp. 903-904) foi de que não havia evidências suficientes de que seus escritos pré-DTN tivessem sido tomados de empréstimo de quaisquer fontes externas.
Nº 11 — Após uma análise extremamente minuciosa, Veltman concluiu que os auxiliares de Ellen White não escreveram seu livro, O Desejado de Todas as Nações, nem qualquer parte dele. Não organizaram sua estrutura nem redigiram seu conteúdo. No entanto, como relatado anteriormente, eles fizeram correções gramaticais (ibid., p. 913).
Nº 12 — Após investigação aprofundada, Veltman concluiu igualmente que não houve mudança progressiva em seu estilo de escrita, conteúdo, objetivos, crenças, etc., entre seus escritos pré-DTN e o próprio O Desejado de Todas as Nações (ibid., p. 925).
Nº 13 — Acusou-se Marian Davis, a principal assistente de Ellen White, de ter sido a autora de O Desejado de Todas as Nações, Parábolas de Jesus, Educação e A Ciência do Bom Viver.
Contudo, Veltman concluiu que isso seria impossível. Afirmou que Marian Davis não poderia ter escrito os livros de Ellen White, visto que o trabalho de Davis em O Desejado de Todas as Nações cessou abruptamente em 1899, devido à exaustão pelo excesso de trabalho. Ainda assim, o trabalho realizado no livro antes e depois permaneceu rigorosamente uniforme. Portanto, Marian não poderia ter feito qualquer redação propriamente dita (ibid., pp. 945-946).
Essas foram as treze descobertas consolidadas por Fred Veltman. Há outros fatores que devamos levar em consideração?
Devemos manter em mente também o seguinte:
1 — Ellen White recebeu visões frequentes durante o período em que redigia O Desejado de Todas as Nações. Ela não apenas recorreu aos seus escritos anteriores e, possivelmente, realizou algumas consultas a outros livros sobre a vida de Cristo, como também recebeu instrução direta do anjo. Sabe-se que escreveu muitas seções inéditas — além de reescrever seus materiais anteriores.
"Conforme o leitor pôde observar pela frequência com que visões foram concedidas a Ellen White na Austrália acerca dos variados aspectos da obra e da experiência de indivíduos, é razoável presumir que, enquanto escrevia, cenas da vida e da obra de Jesus eram-lhe frequentemente apresentadas. Em 1889, ela relatou como 'a traição, o julgamento e a crucificação de Jesus' haviam passado diante dela, 'ponto por ponto' (Carta 14, 1889). Em 1900, ela escreveu:
"'Cenas celestiais foram-me apresentadas na vida de Cristo, aprazíveis de contemplar, e novamente cenas dolorosas que nem sempre eram agradáveis para Ele suportar, as quais me entristeciam o coração' (MS 93, 1900)." — A. L. White, The Australian Years, pp. 382-383.
2 — O Desejado de Todas as Nações contém uma classe de material bastante peculiar, a qual seria infinitamente mais fácil de interpretar como "dependente de fontes" do que a maioria dos demais livros do Espírito de Profecia. Isso decorre do seu caráter predominantemente narrativo, isto é, repleto de descrições de episódios e acontecimentos. Por que obras como Testemunhos para Ministros, Mensagens aos Jovens e outros livros do Espírito de Profecia não foram selecionados por Rea em seus ataques, tampouco por Veltman em sua pesquisa? A resposta reside no fato de que O Desejado de Todas as Nações exige, de modo especial, o conhecimento de dados geográficos, históricos e culturais para os quais Ellen White normalmente precisaria recorrer a autores externos.
3 — A própria natureza do conteúdo de O Desejado de Todas as Nações favorece a ilusão de dependência literária onde, na verdade, pouca ou nenhuma existe. Isso se deve ao fato de ela estar descrevendo acontecimentos que inúmeros outros autores também relataram. Tornava-se fácil, portanto, para que alguém mais tarde surgisse apontando múltiplos paralelismos imaginários na descrição.
Tome-se como exemplo o relato de Jesus curando o enfermo no tanque de Betesda. Há pouquíssimas maneiras de descrever essa cena de contornos tão delimitados. Em um universo de 500 livros, seria tarefa simples encontrar algum autor que tivesse retratado esse episódio de forma semelhante!
Como você descreveria tal acontecimento? Há um limite para as formas como uma história bíblica parcialmente detalhada pode ser narrada, por se tratar de um incidente específico e breve. Os fatos, tal como apresentados na Bíblia, estabelecem limites bastante estreitos para o que se pode dizer a respeito.
Se você escrevesse um livro sobre a vida de Cristo, tudo o que redigisse seria "semelhante a" e "paralelo a" todos os outros livros sobre o mesmo tema! Contudo, se escrevesse sobre algo mais singular — um conjunto de relatos não encontrado em nenhuma outra obra impressa —, seu livro pareceria diferente dos demais. Seria essa a razão pela qual O Desejado de Todas as Nações foi escolhido para esse tratamento severo, numa tentativa de provar "empréstimo" e "plágio"? Walter Rea sabia que podia manipular os fatos com esse livro.
É significativo que, a despeito de todos esses fatores, o máximo a que Veltman pôde chegar foi isto: nenhuma frase diretamente citada e apenas 29 frases "literais" (parcialmente semelhantes) de um total de 2.624! Trata-se de apenas uma frase a cada noventa a apresentar leve semelhança! Isso foi tudo o que seis anos de pesquisa produziram!
Enfrentemos os fatos: todo o argumento contra Ellen White é frágil e superficial. Razões adicionais que evidenciam a inconsistência dessa acusação serão apresentadas no próximo capítulo.
Veltman passou a ver as coisas de forma diferente ao concluir este projeto?
Costuma-se dizer que a Palavra de Deus é como um bloco de granito maciço, cujas dimensões são rigorosamente iguais em todas as direções. Você pode empurrá-lo, movê-lo e girá-lo de qualquer maneira, mas ele sempre permanecerá de pé.
O mesmo se dá com o Espírito de Profecia. Os céticos podem tentar arranhar o rochedo das Escrituras, mas jamais conseguirão desgastá-lo. Ele permanece firme contra todos os ataques dos críticos.
Por certo, descobertas dessa ordem devem ter exercido forte impacto sobre Veltman! É evidente que o Projeto O Desejado de Todas as Nações — idealizado inicialmente para durar dois anos, depois estendido para quatro e, por fim, para seis anos — transformou Fred Veltman! Ele permaneceu em contato direto com a Palavra de Deus durante seis anos, e isso o abalou profundamente. Ele iniciara o projeto como um desconfiado assumido quanto ao Espírito de Profecia, perfeitamente disposto a manifestar suas dúvidas de forma aberta. Concluiu-o, porém, com a seguinte declaração:
"Tenho a firme convicção, agora mais do que antes de iniciar este projeto de pesquisa, de que a questão não consiste em decidir se Ellen White foi uma profetisa ou meramente uma líder religiosa. Não se trata de uma alternativa excludente, mas sim de uma condição integrativa." — Relatório de Veltman, p. 956.
Essa formulação perspicaz confirmou que Veltman havia concluído que ela era tanto uma profetisa quanto uma líder religiosa.
Eis outros comentários conclusivos extraídos do relatório oficial de Veltman:
"O caráter especial do comentário de Ellen White reside em sua aplicação prática das Escrituras e na ênfase atribuída às realidades espirituais e à devoção pessoal." — Ibid., p. 925.
"Qualquer pessoa ciente da limitada educação formal de Ellen White surpreender-se-ia com o elevado nível de legibilidade, clareza e força literária que seus escritos originais ostentam." — Ibid., p. 927.
"Outro aspecto bastante singular da obra de Ellen White sobre a vida de Cristo é o destaque concedido ao que, na falta de termo melhor, denominei 'realidades espirituais'." — Ibid., p. 928.
"Ellen White parece ter nutrido enorme interesse pelo 'outro mundo', pelo universo invisível e real dos seres espirituais." — Ibid.
"Ellen White escreve como quem lida com realidades concretas, quer na Terra, quer além do mundo que contemplamos. O leitor não é levado a imaginar nada além do que teria sido estar na Palestina ao tempo de Jesus e vivenciar as realidades que ela descreve." — Ibid., p. 929.
"[Ela] manteve-se fiel ao enredo principal e aos elementos essenciais do contexto e da caracterização das personagens. O leitor de O Desejado de Todas as Nações dificilmente se detém no texto em si ou se impressiona com a habilidade literária da autora. Ele é absorvido pela narrativa, seu significado e seu apelo." — Ibid., p. 930.
"A marca registrada de Ellen White pode ser encontrada nos apelos e lições devocionais, morais ou cristãs, os quais surgem em qualquer ponto do capítulo, embora frequentemente fiquem reservados para o final." — Ibid., pp. 930-931.
"O que requer reconhecimento, além de seu comentário independente, é a seletividade demonstrada nas inúmeras decisões que ela deve ter tomado de NÃO utilizar materiais de suas fontes." — Ibid., p. 937.
"Se há uma conclusão geral extraída de minhas inumeráveis horas dedicadas à leitura e ao estudo de seus escritos ao longo dos últimos seis anos, é esta: Ellen White foi, acima de tudo, uma cristã convicta e prática. Suas obras foram redigidas para instruir e edificar a fé pessoal e a obediência individual à vontade de Deus, tal como expressa em Sua Palavra, a Bíblia." — Ibid., p. 957.
"Na redenção, Deus revelou Seu amor por meio de um sacrifício — um sacrifício tão amplo, profundo e sublime que se revela imensurável." — Filhos e Filhas de Deus [Meditações Matinais, 1956], p. 11.
A obra de um profeta. Como um profeta escreve
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