Existem dois tipos de plágio. O primeiro é a violação de direitos autorais — trata-se do plágio no âmbito judicial. O segundo é o empréstimo literário excessivo — o plágio em seu sentido convencional. Ambos foram analisados no Relatório Ramik.
Ellen White cometeu plágio ilegal de alguma forma?
Não, ela não cometeu.
Como parte de sua acusação inicial em 1980, Walter Rea afirmou que Ellen White teria plagiado de forma tão severa que poderia ter sido processada por violação de direitos autorais por outros autores de sua época.
Contudo, um estudo de pesquisa revelou que essa alegação também era inverídica.
Sim, mas quase nada tinha direitos autorais registrados naquela época. Se tivesse, ela poderia ter sido processada.
Isso não é verdade. O estudo de Ramik revelou que apenas um terço dos livros a que Ellen White potencialmente poderia ter recorrido possuía registro de direitos autorais. Ainda assim, mesmo que todos tivessem registro, nenhuma ação judicial válida por violação de direitos autorais poderia ter sido movida contra ela. Ela não foi culpada de violação de direitos autorais.
Do que se tratava esse estudo de Ramik? Dê-me os detalhes.
O Gabinete da Assessoria Jurídica da Associação Geral, sob a direção de Warren L. Johns, decidiu ir ao fundo dos aspectos legais dessa questão. Assim, em 21 de abril de 1981 — seis meses após Rea lançar suas acusações de plágio —, esse gabinete contratou os serviços de uma firma de altíssima reputação, especializada em direito de patentes, marcas e direitos autorais. Como se pode imaginar, as melhores firmas jurídicas desse ramo situam-se em Washington, D.C., visto ser ali que os registros do governo norte-americano são requeridos e defendidos.
Como se considerou necessária a atuação de um especialista em direito autoral, Vincent L. Ramik, sócio sênior da firma de advocacia Diller, Ramik & Wight, Ltd., foi contratado para conduzir pessoalmente o trabalho.
Ramik era adventista ou de algum modo favorável à nossa mensagem?
Nossos líderes nunca haviam realizado trabalho algum com a Diller, Ramik & Wight anteriormente. O próprio Ramik era católico. Essa informação consta três vezes no relatório final do estudo de pesquisa, publicado na edição de 17 de setembro de 1981 da Adventist Review (Ramik o afirmou duas vezes; o editor, uma). Posteriormente, Victor Cooper, um oficial da Associação Geral, também mencionou o fato na edição de 15 de outubro de 1981 do Mid-America Adventist Outlook. Cabe notar que, como parte de sua tarefa, Ramik leu O Grande Conflito. Ele declarou que, no decorrer de sua pesquisa, leu o livro na íntegra.
Ao longo de um período de quatro meses (de 21 de abril ao final de agosto de 1981), Ramik dedicou mais de 300 horas à pesquisa de cerca de 1.000 casos relevantes na história jurídica americana.
Em seguida, ele apresentou seu relatório.
Quais foram as conclusões dele?
Eis alguns fatos sobre o que foi descoberto:
"Com base em nossa análise dos fatos e precedentes legais... Ellen White não foi uma plagiadora, e suas obras não constituíram violação de direitos autorais/pirataria." — Vincent Ramik, relatório de 27 páginas, citado na Adventist Review, 17 de setembro de 1981, p. 3.
"Demonstra-se que as acusações sobre plágio, pirataria literária, violação de direitos autorais e afins são inteiramente desprovidas de fundamento na lei." — Warren Johns, ibid., p. 7.
"As acusações feitas contra ela simplesmente não se sustentam. Ela não agiu de maneira dissimulada, tortuosa ou antiética, como foi alegado. Ela foi uma mulher e autora cristã honesta e honrada." — Editor, ibid., p. 7.
"Ellen G. White enfaticamente não teria sido condenada por violação de direitos autorais." — Vincent Ramik, ibid., p. 3.
"Dito de outra forma, as palavras em si estão aí há anos e anos. A questão crucial é como você as combina e o efeito que deseja produzir a partir delas." — Ramik, ibid., p. 6.
"Em lugar algum identificamos que os livros de Ellen G. White tivessem virtualmente 'o mesmo plano e caráter em toda a sua extensão' que os de seus predecessores. Tampouco encontramos, ou os críticos fizeram referência a qualquer intenção de Ellen White de substituir... [outros autores] no mercado junto ao mesmo público leitor e comprador." — Ramik, ibid., p. 3.
"Agora, tomemos Walter Rea. Ele lê Ellen White e diz: 'Encontrei uma determinada frase aqui, um determinado parágrafo ali, e isso veio deste predecessor.' Ora, isso não é prova; é presunção." — Ramik, ibid., p. 5.
Após ler vários de seus livros e compará-los com as obras das quais alegava-se que ela teria copiado, Vincent Ramik declarou o seguinte:
"Considerando todos os fatores necessários para se alcançar uma conclusão justa sobre esta questão, sustenta-se que os escritos de Ellen G. White foram conclusivamente não plagiários." — Ramik, ibid., p. 3.
"Se eu tivesse que me envolver em um caso judicial dessa natureza, preferiria de longe atuar como advogado de defesa a figurar pela acusação. Simplesmente não há caso!" — Ramik, ibid., p. 6.
Ele iniciou o estudo favorável a Ellen White?
Tendo já lido sobre as acusações de Walter Rea no Washington Post, Vincent Ramik chegou a este caso um tanto preconcebido contra Ellen White. Ele explicou o que aconteceu quando leu pela primeira vez as declarações dos críticos e defensores dela — e, em seguida, abriu e leu seus livros, comparando-os com outras obras:
"De algum modo, ao ler uma defesa em particular da Sra. White autorizada pelos adventistas, fiquei com a sensação de que ela não estava, na verdade, muito bem defendida.
"Voltei com o pensamento de que a Sra. White era — se me permite usar a expressão empregada por outros — uma tomadora de empréstimos literários; e que ela havia tomado muito emprestado, e com algo menos do que candura e honestidade! Em outras palavras — e isso antes de me aprofundar em suas próprias obras —, fiquei realmente tendencioso contra ela, no sentido de achar que ela era o que algumas pessoas, como seu crítico mais recente, Walter Rea, haviam alegado: culpada de plágio...
"[Após começar a ler seus livros] mudei gradualmente 180 graus na direção oposta. Descobri que as acusações simplesmente não eram verdadeiras. Contudo, precisei extrair isso dos próprios escritos dela; não obtive isso nem das pessoas que diziam que ela era plagiadora, nem das que diziam que não era. Tive simplesmente de ler seus escritos e, então, livrar minha mente do viés que já havia construído — o preconceito. E, no fim, ela se saiu muito favoravelmente. No entanto, foram necessárias mais de 300 horas de leitura — incluindo, claro, jurisprudência e histórico de casos." — Ramik, ibid., p. 4.
Ramik, católico romano, ficou estupefato com o conteúdo dos escritos dela; ele não conseguia conceber como alguém desejaria criticar uma pessoa que escreveu retratos tão arrebatadores e celestiais de Cristo e do plano da salvação. Como parte de sua atribuição, Ramik comparou os escritos dela com outros livros religiosos contemporâneos de sua época — incluindo aqueles mencionados por Rea.
"Acredito que os críticos erraram feio o alvo ao se concentrarem nos escritos da Sra. White, em vez de se concentrarem nas mensagens contidas nesses escritos.
"A Sra. White me comoveu! Com toda a franqueza, ela me comoveu. Sou católico romano; mas, seja católico, protestante ou o que for — ela me comoveu. E penso que seus escritos deveriam comover qualquer pessoa, a menos que esteja permanentemente tendenciosa e seja irremovível." — Ramik, ibid., p. 4.
O que ele descobriu?
Ele ficou impressionado com a profundidade espiritual daqueles escritos, algo que faltava nos demais livros de sua época.
"Perguntaram-me se eu considerava Ellen White 'inspirada'. Pois bem, inspiração é um termo teológico, não jurídico; e sinto-me mais à vontade com termos jurídicos do que com termos teológicos.
"Não sei se ela era inspirada no sentido teológico.
"Acredito que ela era profundamente motivada. E, se não foi Deus quem a motivou, não sei quem mais poderia ter sido...
"A conclusão é esta: o que realmente importa é a mensagem da Sra. White, e não meramente a escrita mecânica — as palavras, orações e frases — da Sra. White." — Ramik, ibid., p. 6.
"Com toda a certeza, a natureza e o conteúdo de seus escritos tinham uma única intenção e esperança: promover a compreensão da Palavra de Deus pela humanidade." — Ramik, ibid., p. 3.
Ramik sustentava que não apenas a mensagem de Ellen White era significativa, mas também a sua evidente sinceridade de propósito.
"Percebe-se com clareza, a partir dos escritos da Sra. White, que ela era movida pela 'influência do Espírito Santo', o que, por si só, desmente qualquer intenção ilícita...
"É impossível imaginar que a intenção de Ellen G. White, refletida em seus escritos e nos esforços inquestionavelmente prodigiosos neles empenhados, fosse outra senão um esforço sinceramente motivado e altruísta de apresentar a compreensão das verdades bíblicas de forma coerente para que todos pudessem ver e compreender. Com toda a certeza, a natureza e o conteúdo de seus escritos tinham uma única intenção e esperança: promover a compreensão da Palavra de Deus pela humanidade." — Ramik, Relatório de 27 páginas.
Ramik concluiu que, no sentido jurídico, Ellen White não era culpada de plágio. Contudo, examinemos essa questão mais a fundo.
Voltemos agora a nossa atenção de forma mais detalhada para este tema dos "empréstimos".
Era original demais para ter sido copiado. O Relatório Ramik – 2
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