Em defesa do Espírito de Profecia – E quanto aos escritores bíblicos? Como os escritores bíblicos escreviam

Walter Rea realizava sua grande turnê pela América do Norte. Por onde quer que passava, os adventistas afluíam em multidões às suas reuniões, realizadas em auditórios alugados nos principais centros adventistas.

A reunião daquela noite ocorria em um auditório em Walla Walla, no estado de Washington. O salão estava repleto de estudantes, professores e moradores locais vindos do Walla Walla College, situado na vizinha College Place. Todos ouviam com atenção enquanto Walter enumerava ponto por ponto em seu ataque constante à integridade dos escritos do Espírito de Profecia. (Ele sempre fazia questão de dedicar mais tempo a atacá-la do que a apresentar os supostos "empréstimos" — visto que não dispunha de muitos para mostrar. Em seu livro, ele sempre exibia esses "empréstimos" em fontes muito grandes, a fim de dar a impressão de que eram volumosos; quando, na verdade, havia encontrado apenas alguns.)

Ao término de sua palestra, triunfante com o que lhe parecia ser uma demolição devastadora do Espírito de Profecia, ele se virou para se afastar do pódio.

Subitamente, porém, fez uma pausa; algo em seu íntimo o levou a retornar ao microfone. Ele declarou então o seguinte: "Não façam com a Bíblia o que estou fazendo com os escritos de Ellen White, caso contrário vocês destruirão a Bíblia também!"

"Walter Rea revelou inadvertidamente o cerne da questão ao declarar ao seu público em College Place, no sábado à tarde: 'Não façam com a Bíblia o que estou fazendo com os escritos de Ellen White, caso contrário vocês destruirão a Bíblia também.'" — North Pacific Union Gleaner, 1º de fevereiro de 1982, p. 10.

Tendo dito isso, ele se assentou.

Por que Walter Rea proferiu esse aviso?

Aquela declaração sinistra era um presságio do que ocorreria àqueles que optassem por trilhar esse caminho ao lado de Walter. Era também uma predição do que mais tarde se cumpriria em relação a ele próprio; trataremos mais sobre isso no próximo capítulo.

Os escritos de Ellen White situam-se — quase — em uma categoria à parte. Quase, porém não totalmente. Quanto à sua origem, natureza e conteúdo, eles podem ser comparados diretamente aos métodos e às produções dos escritores bíblicos.

Pois, como se vê, qualquer acusação que possa ser assacada contra Ellen White também pode ser dirigida contra os escritores bíblicos!

Walter Rea sabia disso. Naquela triste declaração proferida em Walla Walla — a qual parecia ter sido arrancada dele à força —, ele previu que, no devido tempo, aqueles que seguissem seus passos acabariam por desconsiderar a integridade da Bíblia ou rejeitar por completo seus diversos ensinamentos.

Sendo assim, podemos compreender como Ellen White utilizava ou não as fontes observando a maneira como os escritores bíblicos as empregavam?

Sim. A única base de comparação cabível são as próprias Escrituras Sagradas. Os críticos podem tergiversar o quanto quiserem; contudo, o Espírito de Profecia sobressai-se enormemente sobre todos os demais livros, com exceção dos escritos bíblicos.

Por essa razão, para que possamos compreender a forma como ela redigia suas obras, cumpre-nos retornar à Bíblia.

Por que Walter Rea não assumiu abertamente que seus ataques contra Ellen White constituem também ataques contra a Bíblia?

O ataque de Walter Rea ao Espírito de Profecia é dissimulado e insidioso. Ele não ataca publicamente as puras doutrinas nem os elevados padrões encontrados nos escritos dela. Tampouco aponta falhas em seu estilo literário impecável.

Em vez disso, ele insinua que ela copiou grandes proporções de seus livros de outros autores. Dessa forma, busca minar sua integridade fundamental como filha de Deus, cristã e pessoa de conduta moral.

No entanto, em seus escritos e neste presente livro, constatamos que, apesar das acusações covardes de Walter Rea, seus escritos mantêm-se com uma beleza intocada, precisão notável e perfeita adaptação às necessidades da humanidade. Vimos que, entre quinhentos livros contemporâneos com os quais foi comparada, ela não tem igual. Acima da multidão barulhenta de outros autores, o Espírito de Profecia permanece sóbrio, piedoso e imaculado.

Constatamos também que as acusações de Rea carecem de fundamentos sólidos. Sim, há algumas ocasiões em que Ellen White registrou algumas coisas encontradas em outros livros. Mas você e eu também fazemos isso; todos fazem.

E assim o fizeram os escritores bíblicos.

A acusação específica contra Ellen White (nem sempre expressa com tantas palavras) é que, por ser considerada uma escritora inspirada, ela não pode obter nenhuma informação de outras fontes. De acordo com essa teoria, ela precisa receber cada ideia e fato diretamente de Deus: ela deve vê-los em visão ou ouvir uma voz sem som em seu ouvido, e então registrá-los.

No entanto, não foi assim que os escritores bíblicos produziram seus livros. Walter Rea afirmou: "Não façam com a Bíblia o que estou fazendo com os escritos de Ellen White, ou vocês também destruirão a Bíblia." Ele estava certo.

Walter Rea sabia que, se os jovens estudantes que frequentavam o Walla Walla College seguissem suas ideias e métodos, logo se tornariam ateus! E, no caminho até lá, tornar-se-iam liberais empedernidos, oferecendo apenas um culto da boca para fora às palavras de Deus, conforme encontradas nas Escrituras Sagradas.

Leitor, pondere sobre isso. Qual caminho você deseja seguir?

Pois bem, será que os escritores inspirados tomaram emprestado muitos elementos de fontes externas?

Constatamos que apenas uma pequena parcela dos escritos de Ellen White foi, de alguma forma, emprestada. Os escritores bíblicos não utilizaram um grande número de outras fontes, assim como Ellen White também não.

Portanto, apenas uma parcela muito pequena da totalidade dos escritos de Ellen White foi emprestada?

Sim; você se lembrará de que, no capítulo anterior, relacionamos seus escritos principais em que outras fontes podem ter sido utilizadas:

1 - Manuscrito 24, 1886: Um breve resumo de duas páginas e meia que ela fez de um capítulo. Não foi publicado até 1958 (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 19-21).

2 - Carta 19e, 1892: Metade de uma carta proveio de uma fonte externa.

3 - O capítulo "A Ciência e a Bíblia", em Educação: Cerca de um quinto deste capítulo proveio de declarações científicas que ela considerava precisas.

4 - Declarações de historiadores em O Grande Conflito: Várias declarações feitas por historiadores. Em sua Introdução ao livro, ela mencionou que procedeu dessa forma.

5 - Sketches from the Life of Paul [Esboços da Vida de Paulo]: Este pequeno livro de 1883 continha algum material externo incluído em suas páginas.

6 - Caminho a Cristo: Algumas passagens podem ou não ter sido emprestadas.

7 - Algumas palavras ou frases em O Desejado de Todas as Nações: Algumas palavras ou frases, e nada mais. O Projeto O Desejado de Todas as Nações comprovou isso.

8 - Os demais livros: Praticamente nada, razão pela qual O Desejado de Todas as Nações foi selecionado para a pesquisa.

Tendo em vista o fato de que Ellen White escreveu vinte e cinco milhões de palavras, o exposto acima representa apenas uma pequena fração do total de sua produção literária. Por mais que se esforcem, os críticos não conseguem encontrar muito mais do que os itens acima para reclamar.

Você pode fornecer-me alguns exemplos de empréstimos literários por parte dos escritores bíblicos?

Eis uma breve panorâmica com alguns exemplos de como os escritores bíblicos utilizaram fontes escritas anteriores na elaboração de suas obras. Algumas dessas fontes eram escritos bíblicos anteriores; outras eram escritos pagãos e seculares.

Eles agiram exatamente como Ellen White: não viviam em uma redoma de vidro; observavam os eventos no mundo ao seu redor, liam extensamente e (ocasião em que se fazia necessário) utilizavam uma variedade de materiais na preparação de suas escrituras. Eis alguns dos empréstimos realizados por escritores bíblicos:

1 - Material emprestado de escritores de Escrituras anteriores. Ellen White fez isso, e os próprios escritores bíblicos também o fizeram. Por exemplo, compare Isaías 2:2-4 com Miquéias 4:1-3.

2 - Compare também Isaías 36 a 39 com 2 Reis 18 a 20.

3 - O evangelho de Marcos é notável. Ou Marcos copiou Mateus e Lucas, ou eles copiaram Marcos. Os evangelhos de Mateus e de Marcos são extremamente semelhantes. Há várias décadas, o presente autor conduziu um estudo sobre o livro de Marcos, na tentativa de localizar eventos originais nele contidos. Encontrou apenas alguns poucos; ambos insignificantes. Cada ocorrência em Marcos pode ser encontrada em Mateus (e muitas em Lucas). Contudo, quando Marcos relata um evento, frequentemente fornece mais detalhes do que Mateus apresenta — motivo pelo qual citamos o livro de Marcos. Exatos noventa e cinco por cento do conteúdo de Marcos estão presentes em Mateus e/ou Lucas. Marcos 14:51 é um dos poucos episódios em Marcos que não se encontram em Mateus e/ou Lucas.

É provável que Marcos tenha redigido seu breve evangelho primeiro. Em seguida, Mateus utilizou-o extensivamente, acrescentando ainda mais eventos. Posteriormente, Lucas colocou Mateus diante de si e aproveitou grande parte dele, além de adicionar uma seção volumosa (especialmente dos capítulos 10 a 19), a qual contém muitas parábolas e milagres.

A introdução de Lucas ao seu Evangelho (conhecida como o "prólogo de Lucas", Lucas 1:1-4) assemelha-se à introdução de Ellen White em O Grande Conflito. Ambos os escritores inspirados declaram ter utilizado fontes externas.

Em contrapartida, o Evangelho de João é único. Ele escreve como alguém que estava bem familiarizado com os três primeiros evangelhos, mas redigiu sua obra de maneira bastante independente deles. A maior parte do livro de João não se encontra nos outros três; por essa razão, eles são chamados de "evangelhos sinóticos" (que se veem da mesma forma).

À luz de Lucas 1:1-4 e dos evangelhos de Mateus e Marcos, é extremamente provável que os escritores evangélicos também tenham recorrido a outras fontes que hoje não mais possuímos.

"Lucas não obteve suas informações por meio de visões ou sonhos, mas mediante sua própria pesquisa. Contudo, embora o material do Evangelho de Lucas não tenha sido fornecido por revelação divina, ele foi, não obstante, escrito sob inspiração divina. Ele não escreveu para relatar algo novo ao seu leitor, mas para assegurar-lhe a verdade, 'para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído'. O que Lucas escreveu não era original, mas era confiável. Deus guiou Lucas a utilizar as fontes corretas." — Robert W. Olson, Ellen G. White’s Use of Uninspired Sources.

4 - Ao preparar o livro de Provérbios, Salomão pode ter utilizado materiais anteriores: "E, quanto mais sábio foi o pregador, mais ensinou o povo conhecimento; e, atentando e esquadrinhando, compôs muitos provérbios. O pregador procurou achar palavras agradáveis; e escreveu com retidão palavras de verdade" (Eclesiastes 12:9-10).

5 - O apóstolo Paulo citou Epimênides, um poeta grego do século VI a.C. Compare Tito 1:12 e Atos 17:28 com a seguinte passagem poética de Epimênides:

"Fizeram um túmulo para Ti, ó Santo e Altíssimo — os cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, ventres desocupados! Mas Tu não estás morto; vives e permaneces para sempre; pois n'Ele vivemos, nos movemos e existimos." — Epimênides.

Fica evidente que a originalidade não constituía um critério de inspiração.

6 - Ao escrever Judas 14-15, Judas pode ter citado uma obra anterior denominada Livro de Enoque, um livro pseudepigráfico (atribuído a um falso autor) redigido cerca de cem anos antes do tempo de Cristo:

"E eis que Ele vem com dezenas de milhares de Seus santos, para executar juízo sobre todos e destruir todos os ímpios, e para condenar toda a carne por todas as obras de sua impiedade que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que os pecadores ímpios proferiram contra Ele." — Enoque 1:9, citado em R.H. Charles, The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament [Os Apócrifos e Pseudepígrafos do Antigo Testamento], vol. 2, p. 189.

É provável que esta declaração de Enoque (citada em Judas 14-15) tenha sido transmitida oralmente e, posteriormente, registrada por um autor desconhecido no Livro de Enoque. A leitura do livro de Enoque, realizada pelo presente autor, revelou pouco proveito. Contudo, Judas foi inspirado a reconhecer que esta única afirmação do pseudo-Enoque era correta.

Da mesma forma, Ellen White podia ler os escritos de historiadores e discernir quais fatos eram corretos, embora um historiador afirmasse determinado ponto e outro sustentasse o oposto.

7-12 - Diversas passagens do livro do Apocalipse assemelham-se a outros trechos do Livro de Enoque:

"E vi... e eis que uma estrela caiu do céu." — Enoque 86:1 (compare com Apocalipse 9:1).

"Todos foram julgados, considerados culpados e lançados neste abismo de fogo." — Enoque 90:26 (compare com Apocalipse 20:15).

"E o primeiro céu se apartará e passará, e um novo céu aparecerá." — Enoque 91:16 (compare com Apocalipse 21:1).

"O cavalo caminhará até o peito no sangue dos pecadores." — Enoque 100:3 (compare com Apocalipse 14:20).

"Os seus nomes serão apagados do livro da vida." — Enoque 108:3 (compare com Apocalipse 3:5).

"Depois disso vi... uma multidão além de número e cálculo, que estava em pé diante do Senhor dos Espíritos." — Enoque 40:1 (compare com Apocalipse 7:9).

Ora, é bem provável que as passagens acima sejam meras coincidências e que João não tenha feito referência a Enoque nem o copiado. Também é possível que João estivesse se referindo a um livro anterior (hoje desconhecido), do qual o pseudo-Enoque também extraiu citações.

De forma significativa, estas "coincidências" entre o Apocalipse e o pseudo-Enoque são muito maiores do que as conexões verbais triviais encontradas por Walter Rea e pela equipe do Projeto O Desejado de Todas as Nações para sugerir qualquer "empréstimo" por parte de Ellen White em relação a outros autores.

13 - Não temos certeza de quando o Código de Hamurabi foi escrito antes do tempo de Moisés; contudo, se foi redigido nessa época, é possível que Moisés tenha sido orientado a utilizar alguns de seus princípios.

Código de Hamurabi, n.º 14: "Se um cidadão furtou o filho de um cidadão, ele será morto."

Êxodo 21:16: "E quem furtar algum homem, e o vender, ou se for achado na sua mão, certamente será morto."

Código de Hamurabi, n.º 196 e 200: "Se um cidadão destruir o olho do filho de um cidadão, o olho dele será arrancado."

Deuteronômio 19:21: "Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé."

Contudo, havia outras leis no Código de Hamurabi que eram inumanas e cruéis. Tais preceitos não foram incluídos nos escritos mosaicos (veja o Comentário Bíblico, vol. 1, p. 616-619).

Franqueando a análise, os dois exemplos supracitados de "cópia" decorrem apenas do bom senso e, para o presente autor, não indicam nenhum "empréstimo" indevido. No entanto, os críticos nos apresentam estruturas de palavras semelhantes, fundamentadas no bom senso, que Ellen White supostamente teria "tomado emprestado".

14 - Há também o livro de Judas e as passagens de 2 Pedro 2 e 3. Isso lhe proporcionará, em seu tempo livre, uma noite fascinante de estudo. Leia o livro de Judas e observe onde o seu conteúdo é essencialmente repetido no segundo e terceiro capítulos de 2 Pedro. Note especialmente Judas 4-18 em comparação com 2 Pedro 2:1 a 3:18.

É provável que, primeiro, Judas tenha escrito sua epístola e que, posteriormente, Pedro, fazendo referência a ela, a tenha modificado ligeiramente e incorporado em sua segunda carta. Contudo, também é possível que Judas tenha tomado uma porção de 2 Pedro, reorganizado-a e produzindo sua própria epístola.

Alguém poderá argumentar: "Ora, tanto 2 Pedro quanto Judas fazem parte das Escrituras." E de fato fazem. Nesse caso, o autor que utilizou o material estava apenas aproveitando os escritos de outro cristão.

15 - Outro empréstimo, que pode ter uma explicação simples, encontra-se em 2 Crônicas 36:22-23 e Esdras 1:1-3a. É provável que Esdras tenha escrito 1 Crônicas, 2 Crônicas e Esdras; por isso, ele repetiu o final de 2 Crônicas no início de seu livro de Esdras. Isso nos traz à lembrança o método de Ellen White de incorporar seus escritos anteriores em O Desejado de Todas as Nações.

16 - Há também um caso em que outro escritor bíblico copiou um dos salmos. O Salmo 18:2-50 foi copiado em 2 Samuel 22:2-51.

Acabamos de examinar uma coleção impressionante de empréstimos literários.

Se é incorreto que os profetas obtenham informações de outras fontes, por que Moisés ouviu e atendeu aos conselhos de Jetro (Êxodo 18)? Por que ele não esperou por uma visão para instruí-lo? Por que Deus permitiu que Moisés se tornasse dependente de um mero ser humano para receber orientação, em vez de conceder-lhe uma visão celestial? Uma profetisa inspirada de Deus explica:

"Quando Zípora se reuniu a seu marido [Moisés] no deserto, percebeu que os fardos dele estavam esgotando suas forças, e externou seus temores a Jetro, o qual sugeriu medidas para o seu alívio...

"Esse conselho foi aceito e não apenas trouxe alívio a Moisés, mas resultou no estabelecimento de uma ordem mais perfeita entre o povo. O Senhor havia honrado grandemente a Moisés e operado maravilhas por intermédio de sua mão; contudo, o fato de ter sido escolhido para instruir os outros não o levou a concluir que ele próprio não necessitava de instrução." — Patriarcas e Profetas, p. 384, 301.

Como a passagem acima demonstra, você já percebeu que a Bíblia e o Espírito de Profecia estão plenos de bom senso?

17 - Em Atos 17:28, Paulo cita outro poeta antigo, o grego Arato, que séculos antes havia escrito: "Pois somos também sua geração" (veja Atos dos Apóstolos, p. 239).

Paulo recorreu a citações tanto de Epimênides quanto de Arato; e hoje reconhecemos essas ocorrências como parte da Palavra Inspirada de Deus. O Senhor orientou Paulo a saber o que selecionar e incluir em seus escritos. Se Walter Rea tivesse vivido na época de Paulo, ele certamente estaria instigando as pessoas a lançarem os escritos de alguém assim ao fogo.

Alguém poderá argumentar: "Ora, Paulo não copiou muita coisa." Bem, dentre vinte e cinco milhões de palavras, Ellen White também copiou pouquíssimo. Relacionamos todos os pontos essenciais, e isso representa apenas uma porcentagem ínfima de toda a sua produção literária.

18 - 1 Coríntios 15:33 traz uma terceira citação feita por Paulo de um escritor secular, Menandro, que viveu três séculos antes de Cristo.

"Paulo não atribui créditos a Menandro, nem dá a entender que se trata de uma citação. O provérbio não era original de Paulo, e é razoável supor que o Senhor não revelou de forma sobrenatural a Paulo o que Menandro havia dito; contudo, aceitamos 1 Coríntios 15:33 como plenamente inspirado. Não era inspirado antes que Paulo o proferisse, mas, quando ele inseriu essa frase em sua carta aos coríntios, ela se tornou parte do cânon sagrado das Escrituras." — Robert Olson, Ellen G. White’s Use of Uninspired Sources.

É por esse motivo que Walter Rea advertiu seus ouvintes a não fazerem com a Bíblia o que ele estava tentando fazer com os escritos de Ellen White. Ele sabia que os mesmos princípios e práticas haviam sido empregados por ambos.

Essa questão acerca dos escritores bíblicos voltou a surgir durante a turnê de palestras de Walter Rea por todo o continente?

Em outra etapa de sua jornada continental para minar a confiança no Espírito de Profecia, Rea dirigiu-se à Nova Inglaterra. Em preparação para a palestra de Rea no Atlantic Union College, em Massachusetts, um dos professores de Antigo Testamento, o Dr. John Wood, foi convidado a apresentar uma refutação logo após o término da exposição de Rea. O plano era conferir um caráter de debate ao evento e intensificar o entusiasmo daqueles que desejavam comparecer.

Em um momento posterior, o presente autor conversou por telefone com o Dr. Wood, o qual relatou que, ao contrário de muitos outros, sentia-se preparado para enfrentar Rea. Wood afirmou que se especializara durante anos em comparações entre os escritos do Antigo Testamento e textos seculares, mencionando, por exemplo, que determinado salmo encontrava-se registrado em um escrito pagão anterior. Embora tal conceito possa parecer desagradável e talvez incorreto, ele evidencia o fato de que as acusações de Rea também podem ser aplicadas aos escritores da Bíblia.

Na noite de domingo, 24 de janeiro de 1982, primeiro Rea e, em seguida, Wood fizeram seus pronunciamentos. Após o evento, Rea aproximou-se de Wood e, demonstrando profunda admiração pelo domínio que este possuía sobre os empréstimos literários no Antigo Testamento, declarou em essência: "Não consigo refutar o que o senhor diz. Minhas acusações aplicam-se igualmente tanto aos escritos de Ellen White quanto à Bíblia."

Isso evoca uma declaração resumida feita por Robert W. Olson, secretário do E.G. White Estate à época:

"A resposta, portanto, à nossa pergunta — 'Os empréstimos literários de Ellen White diminuem, em alguma medida, sua pretensão à inspiração?' — é não. Ou seja, a resposta é não, a menos que insistamos em um padrão para os profetas bíblicos e em um padrão diferente para Ellen White. Se era adequado que os profetas bíblicos utilizassem fontes não inspiradas em determinadas ocasiões, dificilmente podemos censurar Ellen White por seguir o exemplo deles." — Robert Olson, Ellen G. White’s Use of Uninspired Sources.

Abaixo constam alguns trechos de um extenso relatório sobre aquela noite marcante, publicado no jornal do Atlantic Union College:

"No domingo, 24 de janeiro, muitos estudantes e professores do AUC abandonaram suas televisões e a transmissão do Super Bowl para comparecer a um evento que prometia ser igualmente emocionante: John Wood, professor adjunto de Teologia, enfrentando Walter Rea, ex-pastor adventista e autor do livro The White Lie. O debate, realizado no auditório municipal de Lancaster e patrocinado pela Associação de Fóruns Adventistas, atraiu um público considerável...

"Rea falou primeiro, intitulando sua palestra 'The White Lie'. Ministro adventista por trinta e cinco anos antes de seu afastamento em 1980, ele ainda se considera adventista e mantém vínculo oficial... [Após ridicularizar o Espírito de Profecia, Rea afirmou:] 'Devemos confiar em nossos teólogos [em vez de nos Escritos Inspirados]. Se não podemos, para que os educamos em primeiro lugar?'

"O pastor Wood abordou o tema 'Profetas e Plagiadores', centrando seus argumentos naquilo que considera ser a questão central — a natureza da inspiração. Ele contestou a 'heresia fundamentalista'... e apresentou inúmeros exemplos em que a Bíblia 'plagia' fontes apócrifas e até mesmo pagãs. O Salmo 29, segundo ele, seria um salmo cananeu que descreve a manifestação de Baal ao seu povo... Demonstrou-se também que o tabernáculo e o templo de Salomão possuíam design e decorações semelhantes aos de templos pagãos." — Rea vs. Wood at Town Hall, em The Lancastrian (jornal semanal oficial do Atlantic Union College), 9 de fevereiro de 1982, p. 1.

O presente autor rejeita todas essas sugestões de que tanto a Bíblia quanto o Espírito de Profecia tenham sido copiados de quaisquer outras fontes. Observamos uma quantidade reduzida de frases emprestadas, mas nada além disso.

[Nota breve: o Dr. Wood teoriza que o templo glorioso de Salomão foi copiado da arquitetura de templos pagãos. Isso não é verdade. Deus deu o modelo para o Templo a Davi (4SG-a 113), assim como anteriormente havia dado o modelo do tabernáculo do deserto a Moisés (Êx 25:8, 40; Hb 8:5). Na realidade, o design externo de extraordinária beleza da Acrópole em Atenas, na Grécia, foi copiado do Templo de Salomão. O nosso Memorial a Lincoln possui um projeto semelhante. Embora Salomão tenha sido elogiado como seu projetista (PR 66), foi Deus quem concebeu aquele Templo (PR 66). Cristo o originou (DTN 193) e elaborou seus planos (3CB 1129; PVG 349). Cristo foi o arquiteto do Templo de Salomão (PVG 349).]

Em relação às declarações acima feitas pelo Dr. Wood, tenha em mente que as datas antigas frequentemente aparecem confusas. A causa disso reside em grande parte em um erro de datação cometido pelos arqueólogos desde o final da década de 1930 na cronologia egípcia. Este tópico é abordado com certo detalhe no capítulo 21 do livro do presente autor, Evolution Cruncher. Por exemplo, os arqueólogos de fato encontraram a muralha de Jericó que ruiu. Contudo, utilizaram erroneamente o método de datação egípcio, que se baseava em uma interpretação incorreta da lista de reis de Manetão e do chamado ciclo sótico. Para mais informações sobre o assunto, consulte a obra supracitada. Embora atualmente esgotada, ela será republicada em breve.

É por tais razões que se pode afirmar erroneamente que o Código de Hamurabi antecede o Código Mosaico, e que o cântico a Baal é tido como anterior ao Salmo 29.

O artigo do The Lancastrian conclui citando diversos comentários feitos por participantes do evento:

"Um estudante do último ano de teologia disse: 'Eu estava sentado lá pensando: Isso deveria estar no programa Real People! [*] Nunca vi ninguém colocar tantas palavras em um período de tempo tão curto'... Uma pessoa sentiu que 'Rea ficou impressionado com Wood'."

"Dale Cradall comentou: 'Ficou claro que, se rejeitarmos Ellen White com base nas conclusões do pastor Rea, também teremos de rejeitar todos os profetas da Bíblia, pois eles também tomaram emprestado material de seus contemporâneos.'" — The Lancastrian (jornal do Atlantic Union College), 9 de fevereiro de 1982.


"Em cada ser humano, Ele discernia possibilidades infinitas. Via os homens como poderiam ser, transfigurados por Sua graça — na 'formosura do Senhor nosso Deus' (Salmo 90:17). Olhando para eles com esperança, inspirava esperança. Indo ao encontro deles com confiança, inspirava confiança. Revelando em Si mesmo o verdadeiro ideal do homem, despertava, para a sua concretização, tanto o desejo quanto a fé. Na Sua presença, almas desprezadas e decaídas percebiam que ainda eram seres humanos, e desejavam provar-se dignas da Sua consideração. Em muitos corações que pareciam mortos para todas as coisas santas, despertavam-se novos impulsos. A muitos desesperados abria-se a possibilidade de uma nova vida." — Educação, p. 80.

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* N.T. Série de televisão americana do gênero reality show que foi ao ar originalmente na rede NBC de 19 de abril de 1979 a 1984, nas noites de quarta-feira.


Os homens que atacam. Canright e Rea

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