Dudley Marvin Canright nasceu em 1840. Mais tarde, converteu-se ao adventismo e iniciou seu trabalho evangelístico. Assim como Walter Rea, possuía uma aptidão natural com as palavras e, tal qual ele, costumava atravessar momentos de dúvida e desestímulo. Nesses períodos, Canright encontrava alguém a quem culpar por suas dificuldades.
Anos atrás, o autor desta obra elaborou uma biografia de Canright dividida em cinco partes (Canright: The Man Who Boarded the Phantom Ship [DH-201-205]), atualmente integrada à primeira seção de nossa coletânea de tratados.
Canright experimentava fases recorrentes de desânimo, nas quais costumava responsabilizar a Deus ou a terceiros. Semelhante ao rei Saul, por vezes recobrava a lucidez por breves instantes e reconhecia a própria culpa, mas logo permitia que o espírito de oposição o dominasse novamente.
Por fim, em tom triunfante, comunicou a Ellen White que se desligava definitivamente da igreja. Chegara a declarar que se tornaria um pregador célebre e um grande homem caso rompesse com os adventistas.
Contudo, após sua saída, os batistas não tardaram a perceber sua animosidade e seus ressentimentos, acabando por afastá-lo da comunidade local que o acolhera.
Nos anos posteriores, Canright proferiu acusações severas contra Ellen White, para logo em seguida lamentar-se profundamente pelo que fizera. Por algum tempo, Carrie Shasky atuou como sua secretária e posteriormente relatou a profunda amargura que marcou aquela fase de sua vida.
Quando Ellen White faleceu, Canright aguardou sua vez na fila, aproximou-se do féretro e chorou copiosamente. Ele sabia que se encontrava em um caminho sem volta, incapaz de dominar o remorso por ter propagado inverdades a respeito daquela mulher piedosa.
Eis uma declaração de L. H. Christian, presidente da União de Conferências do Lago, que, no início de 1915, visitou Canright:
"Em 1915, instaram-me a visitar D. M. Canright, que outrora ocupara posição proeminente em nossa igreja. Ele morava, então, em um pequeno e pobre sítio perto de Grand Rapids, em Michigan. Estava ávido por falar de suas experiências passadas e parecia lamentar ter deixado o povo adventista. Falava como um homem desanimado e desiludido. Ao conversarmos sobre os adventistas de antigamente, começou a falar sobre a Sra. White.
"Ele disse: 'Eu a conhecia muito bem. Durante algum tempo, quando jovem, vivi em sua casa e, por dezoito anos, mantive convivência íntima com a família White. Quero dizer-lhe que jamais conheci uma mulher tão piedosa e bondosa e, ao mesmo tempo, tão desinteressada, prestativa e prática quanto a Sra. White. Ela era certamente uma mulher espiritual, uma mulher de oração e de profunda fé no Senhor Jesus.'
"Perguntei-lhe o que achava que aconteceria às pessoas se seguissem os Testemunhos da Sra. White.
"Ele respondeu: 'Qualquer um que siga os escritos dela, os Testemunhos, como vocês os chamam, em oração e fé, certamente chegará ao céu. Ela sempre exaltava a Jesus, e ensinava a verdadeira conversão e a santificação genuína como poucos o fizeram. Conheci um grande número de homens e mulheres que afirmam ser extraordinários em seu suposto chamado e dons divinos. Sempre os achei mais ou menos arrogantes e orgulhosos, ávidos por reconhecimento e, muitas vezes, arbitrários e severos ao julgar os outros. Na Sra. White, encontrei exatamente o oposto. Ela era reservada e modesta, e parecia não ter absolutamente nenhum desejo de chamar atenção para si mesma como alguém importante ou para a sua autoridade.'
"Alguns meses após essas visitas, no funeral da Sra. White em Battle Creek, encontrei D. M. Canright novamente. Éramos seis homens que formavam a guarda de honra enquanto o público passava pelo tabernáculo para ver a Sra. White em seu caixão simples. Notei o Sr. Canright quando ele desceu o corredor em direção à tribuna. Parou junto ao caixão e contemplou a Sra. White por um bom tempo. Inclinou-se e pegou em sua mão direita, que realizara aquela quantidade imensa de escritos.
"Mais tarde, perguntei-lhe: 'Agora que ela está morta, o que o senhor realmente pensa da Sra. White?'
"Ele replicou: 'Ela era uma mulher extremamente piedosa. Durante toda a sua vida, viveu perto de Jesus e ensinou o caminho da fé viva. Quem seguir as instruções dela certamente será salvo no reino de Deus.'" — L. H. Christian, citado em Fruitage of Spiritual Gifts, p. 51-53.
E depois temos Walter Rea.
"Agora analisemos Walter Rea. Ele lê Ellen White e diz: 'Encontrei certa frase aqui, um determinado parágrafo ali, e isso veio deste antecessor'. Ora, isso não é prova; isso é mera suposição." — Vincent L. Ramik, Relatório de 27 páginas, citado na Adventist Review, 17 de setembro de 1981, p. 5.
Eis aqui um pensamento solene para ponderar:
Fred Veltman estava imerso nos ensinamentos liberais de Desmond Ford e, como resultado, pouco valorizava Ellen White ou seus escritos ("Ela é uma profetisa morta", disse ele). Posteriormente, aceitou a oportunidade de ser remunerado por vários anos — enquanto desenterrava evidências para provar que ela não era inspirada.
Contudo, após seis anos dedicado à leitura de O Desejado de Todas as Nações e à sua comparação com centenas de outros livros de sua época, Veltman declarou que ela era verdadeiramente uma profetisa de Deus para o seu tempo e para o nosso, e que seus escritos eram muito superiores aos de qualquer outro autor moderno!
Após um estudo de seis anos sobre O Desejado de Todas as Nações, Fred Veltman converteu-se. É bem provável que isso tenha significado a salvação de sua alma.
Em triste contraste, vemos Walter Rea, que estudou os escritos de Ellen White por tantos anos ou até mais — com o único propósito de destruir a confiança das pessoas nesses livros. Durante esse tempo, ele teve de combater repetidamente as convicções do Espírito Santo, enquanto buscava maneiras de destruir a influência das palavras inspiradas que lia. Não foi fácil ir contra a corrente, mas ele insistiu nisso — até endurecer sua consciência como pedra. Que Deus tenha misericórdia de sua pobre alma.
Lúcifer tornou-se um diabo no céu. Por estar na presença de grande luz, atribuiu-a ao mal. Fez isso para atrair atenção para si mesmo como o grande erudito capaz de desenterrar a maldade em Deus e em Suas obras.
É isso que converte uma pessoa em um diabo.
Será que Walter Rea explica o motivo de ter agido daquela maneira?
No prólogo de seu livro The White Lie, Walter Rea explica que foi o desejo de vingança que o impulsionou a iniciar sua cruzada para destruir o Espírito de Profecia. Ele relata que, após compilar duas obras com citações do Espírito de Profecia referentes a personalidades do Antigo e do Novo Testamento, o E.G. White Estate deu pouca atenção aos seus livros. Sentindo-se desprezado e acreditando que não recebera o reconhecimento merecido, decidiu revidar.
Como Walter Rea deflagrou o seu ataque?
Nos dias 23 e 24 de outubro de 1980 (uma quinta e uma sexta-feira), o jornal Los Angeles Times publicou manchetes sobre as acusações de Walter Rea de que Ellen White seria plagiadora. O título de uma das matérias era "Plagiarism Found in Prophet Books" [Plágio Encontrado em Livros de Profetas]. A agência Associated Press transmitiu a notícia para outros jornais nos Estados Unidos.
Com o intuito de conferir maior tom sensacionalista à matéria, Walter Rea ampliou deliberadamente a distorção dos fatos.
De que maneira ele fez isso?
A referida reportagem do Times, embasada em informações fornecidas por Walter Rea, citava o pastor Neal C. Wilson, presidente da Associação Geral, afirmando que "o grau de material emprestado e de dependência literária é de proporções alarmantes".
No entanto, Rea distorceu deliberadamente as palavras pronunciadas por Wilson, repassando-as ao jornal para circulação nacional. O procedimento adotado revela a índole do responsável por tais acusações: tratava-se de um relato inverídico, propagado por alguém que formula acusações ciente de sua falsidade. Esse aspecto não deve ser esquecido!
Eis a frase integral de N. C. Wilson, a qual Rea retirou de um contexto isolado em uma carta enviada pouco tempo antes:
"Como resultado de 14 ou 15 anos de estudo, e de pesquisas mais intensivas nos últimos dois ou três anos, o pastor Rea sente que o grau de material emprestado e de dependência literária é de proporções alarmantes." — N. C. Wilson, carta dirigida aos membros da comissão instituída pela Associação Geral para examinar as acusações de Walter Rea, citada na Adventist Review, 27 de novembro de 1980.
Quando alguém enviou a Rea uma cópia daquela carta, ele isolou a frase de seu contexto original e a repassou ao Los Angeles Times, fazendo parecer que o presidente da Associação Geral acreditava na veracidade das conclusões de Rea.
Sinceramente, se Rea é capaz de distorcer dessa maneira uma frase do pastor Wilson para servir aos seus próprios propósitos, é possível confiar que suas acusações contra Ellen White sejam verdadeiras?
— Especialmente considerando o fato de que quanto mais ousadas fossem suas acusações, maior seria o lucro financeiro obtido durante sua futura turnê de palestras.
Em 13 de novembro de 1980, Rea foi despojado do ministério. Pouco tempo depois, iniciou sua turnê de palestras pela América do Norte, apresentando-se como alguém em uma grande marcha triunfal. Ele parecia ser um homem corajoso o suficiente para vender sua alma em troca das recompensas de condenar publicamente a figura de Ellen White.
Na realidade, ele estava lucrando com a própria autodestruição.
No entanto, Walter Rea costumava crer no Espírito de Profecia e praticar os seus padrões! Como pôde decair de tal maneira?
Isso pode acontecer com qualquer pessoa. Contudo, no caso de Rea, ele aparentemente sempre manteve uma rebeldia parcial contra os princípios apresentados naquelas obras. A ligação telefônica feita pelo autor ao Dr. Wood, do Atlantic Union College, foi mencionada no capítulo anterior. Ao descrever aquele encontro, o Dr. Wood relatou que os administradores da instituição desejaram que ele encontrasse Rea com antecedência, de modo que um jantar foi organizado antes da palestra. Quando se encontraram no restaurante, após as apresentações, sentaram-se à mesa. Assim que os cardápios foram entregues, Walter Rea disse de forma abrupta: "Eu nunca fiz o juramento Mau Mau!" [*]
Em seguida, pediu um jantar completo à base de carne. Essa foi a maneira que encontrou para declarar que jamais havia sido vegetariano.
Portanto, a relutância de Walter Rea em submeter-se aos escritos do Espírito de Profecia remontava aos seus primórdios.
Contudo, foi a sua turnê por centros adventistas em toda a América que causou o maior estrago. Os curiosos compareciam com grande expectativa para ouvir o que ele tinha a dizer. Ele falava de modo incisivo e acelerado, apresentando um ou dois paralelos literários, condenando severamente Ellen White por algum instante e, em seguida, introduzindo mais um ou dois paralelos. Os adeptos de uma postura mais sofisticada apreciavam aquilo, mas punham suas almas em risco ao comparecerem a tais reuniões.
"Deus se desagrada de nós quando vamos ouvir o erro, sem sermos obrigados a ir; pois, a menos que Ele nos envie àquelas reuniões onde o erro é imposto ao povo pelo poder da vontade, Ele não nos guardará. Os anjos cessam seu cuidado vigilante sobre nós, e somos deixados aos açoites do inimigo, para sermos ensurdecidos e enfraquecidos por ele e pelo poder de seus anjos maus; e a luz ao nosso redor torna-se contaminada com as trevas." — Primeiros Escritos, p. 125.
Como Walter Rea organizou um roteiro tão sistemático de palestras por centros adventistas? Certamente alguém o auxiliou.
De fato, auxiliou. A Associação de Fóruns Adventistas [AFF, na sigla em inglês] forneceu-lhe uma programação completa de circuito de palestras por toda a América do Norte e Canadá.
A AAF é uma organização frouxamente vinculada que promove reuniões mensais locais em grandes igrejas adventistas e campus universitários por toda a América do Norte. Ao divulgar seus eventos, frequentemente transmitem a aparência de contarem com o "patrocínio oficial" da igreja. De fato, suas reuniões são anunciadas com frequência em jornais de âmbito regional da igreja e, muitas vezes, realizadas em nossas instituições de ensino superior. A AAF também edita a Spectrum, uma publicação trimestral de matiz liberal e cético. O uso de joias é aprovado, a homossexualidade é desculpada, Ellen White é desacreditada e defende-se que a criação ocorreu há milhões de anos. Tais são as visões encontradas em suas páginas.
Contudo, conforme indica a citação do Espírito de Profecia mencionada anteriormente, há riscos em comparecer a reuniões dessa natureza. Com frequência, são selecionados preletores que introduzem dúvidas sutis a respeito de nossas doutrinas e padrões históricos, bem como da fidedignidade do Espírito de Profecia. O trecho citado deveria ser afixado à entrada de tais recintos ou entregue em folhetos àqueles que cruzam suas portas.
Poderia me dar uma ideia do que trata o livro de Walter Rea?
O livro de Walter Rea, The White Lie, pode ser resumido em quatro frases:
(1) Declarações repetidas de que ele havia sido humilhado pela liderança e desejava dar o troco.
(2) Uma forte animosidade contra Ellen White porque, segundo afirmava, os escritos dela impediam as pessoas de viverem de maneira diferente nos dias de hoje.
(3) A determinação de atacar os escritos de Ellen White com o propósito de libertar os adventistas dos padrões e das doutrinas contidos em seus livros.
(4) Argumentos frágeis e vazios de que os escritos dela haviam sido copiados de outros autores.
Vamos analisar cada um destes quatro pontos:
1 — Rea estava tentando se vingar da liderança da igreja. Em seu prólogo, ele afirma que foram líderes da igreja antipáticos e inúteis que o impulsionaram a realizar suas pesquisas (The White Lie, p. 19). Em seu raciocínio distorcido, concluiu que poderia feri-los destruindo o caráter e a influência de Ellen White. Aparentemente, ele não teve hombridade para enfrentar os líderes diretamente; por isso, descarregou sua fúria sobre uma mulher piedosa que já não estava viva para se defender.
Em 1982, um crente na Flórida relatou ao autor deste livro que foi durante o período em que Rea atuava ali como pastor adventista que ele deu início à sua campanha para ferir os líderes da igreja, destruindo a confiança no Espírito de Profecia. Ele imaginava que isso provaria a todos o grande homem que ele era. Recordar-se-á de que foi sob um equívoco semelhante que Judas levou a cabo sua traição contra Cristo. Walter deveria ter lido com atenção as páginas 716 a 722 de O Desejado de Todas as Nações.
Em seu livro, Rea afirma que os escritos do Espírito de Profecia foram resultado de um grande complô urdido pelos líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia. De acordo com o cenário fantasioso que ele idealizou, eles teriam se dirigido à jovem Ellen Harmon e lhe atribuído a incumbência de fingir visões e conceber novas doutrinas! O ódio terrível de Rea transparece na declaração a seguir, assim como em todo o seu livro de inspiração satânica:
"Para que qualquer grupo ou organização consiga sustentar a ideia de que lhe foram concedidas as concessões para o porvir, de que são realmente aqueles que Deus escolheu para comercializar as indulgências para esta vida e para a utopia futura, eles precisam inevitavelmente se dedicar à tarefa de reorganizar ou reatribuir os fatos da história e reescrever o Cânon [das Escrituras]... Sem hesitar nem um momento quanto ao fracasso, os adventistas delegaram essa tarefa monumental a [Ellen Harmon (White)]... Estava criada uma oportunidade sob medida. A história religiosa fornece ampla evidência de que o 'verdadeiro crente' é muito mais propenso a aceitar os ditames dos simplórios se esses ditames puderem, de alguma forma, receber uma roupagem celestial." — Walter Rea, The White Lie, p. 31.
O trecho acima parece uma conspiração tresloucada dos Illuminati. Um pequeno grupo de homens anônimos teria decidido plantar sonhos em uma jovem para, em seguida, obter dinheiro e prestígio por meio deles. Na verdade, eles teriam lucrado muito mais se tivessem permitido que um dos seus inventasse os sonhos!
Em todas as épocas, os ímpios atribuem aos justos os seus próprios motivos e ações. Coube a Rea a tarefa, por ele mesmo assumida, de "reorganizar ou reatribuir os fatos da história".
2 — O ódio de Rea por Ellen White é surpreendentemente profundo. Segue-se um de seus comentários irônicos a respeito dela, em que compara Ellen White a uma criminosa e a uma vampira:
"Toda instituição, toda entidade corporativa, todo sistema estabelecido — seja político, social ou religioso — precisa ter seu padroeiro... Independentemente da categoria ou do período de existência, o patrono é venerado mesmo que tenha sido um vampiro; é canonizado mesmo que tenha sido um vigarista; é elevado à condição de santo mesmo que tenha sido um pecador público." — Ibid., p. 23.
Rea mal consegue conter sua ojeriza.
"Nesta odisseia que empreendemos juntos... o santo padroeiro será Ellen Gould White, a líder canonizada da Igreja Adventista do Sétimo Dia." — Ibid., pp. 25-26.
3 — Walter Rea deseja libertar os adventistas dos escritos de Ellen White para que possam pensar e se conduzir de maneira muito mais parecida com o mundo. Esta é, segundo Rea, uma de suas razões específicas para atacar os escritos dela.
"O relato dela também fechou a porta que havia se aberto para que o adventismo fizesse uma contribuição expressivamente diferente para a concepção mundial da religião. E a porta permanece fechada até hoje, porque a igreja do advento não consegue superar as interpretações do Cânon segundo a Irmã White." — Ibid., p. 34.
Eis um exemplo do escárnio zombeteiro que se encontra por todo o seu livro. Rea declara que a mente confusa de Ellen White concebeu uma mistura desenfreada de declarações conflitantes e desorientadas.
"É preciso uma mente ágil para lidar com dois problemas ao mesmo tempo. Frequentemente, uma mente assim produz respostas inúteis, mas é muito divertido. Em teologia, é francamente prazeroso. Aprender a não dizer nada com propriedade é a primeira regra. A segunda regra é dizê-lo de tal maneira que ninguém possa questionar suas conclusões filosóficas (caso chegue a alguma). É como aprender um pouco sobre tudo, de modo que logo você passa a saber tudo sobre nada." — Ibid., p. 38.
É a mente de Walter Rea que se encontra desorientada. Declarações desse tipo fazem apenas com que mentes racionais afastem-se de seu livro com repulsa. Poderia tal pensamento confuso originar-se de uma mente capaz de realizar pesquisas ponderadas e proveitosas sobre os escritos de Ellen White? O livro de Rea guarda uma semelhança marcante com o Mein Kampf de Hitler, com suas especulações desenfreadas, acusações vingativas e planos audaciosos para destruir o inimigo imaginário.
4 — Walter Rea apresenta argumentos superficiais para sustentar sua tese de que Ellen White copiou outros escritores.
O primeiro ponto levantado em seu livro é que Ellen White teria plagiado a obra Paradise Lost [O Paraíso Perdido], de John Milton. Nessa obra de tom elevado e majestoso, publicada originalmente em 1667, Milton narrou em versos métricos a queda de Adão e Eva. Rea lista diversos conceitos que, segundo ele, Ellen White necessariamente teria copiado de Milton:
1 - Os anjos leais tentaram reconquistar os que haviam se desentendido.
2 - Eva foi advertida a permanecer próxima de Adão.
3 - Os argumentos de Satanás direcionados a Eva são analisados, ponto por ponto, por Ellen White.
4 - Os efeitos imediatos do pecado manifestaram-se de formas variadas.
5 - Adão pecou por amor a Eva, que já havia transgredido.
6 - Adão foi avisado de que consequências terríveis adviriam de sua falta.
7 - Tanto Adão quanto Eva sentiu uma profunda tristeza ao ter de deixar o jardim.
Em resposta, argumentamos o seguinte:
(1) Cada um dos sete conceitos acima seria evidente para qualquer leitor do relato contido no capítulo 3 de Gênesis. Não representaria nenhum grande desafio deduzi-los daquele capítulo.
(2) John Milton ditou O Paraíso Perdido após perder a visão. É provável que ele mantivesse uma comunhão íntima com Deus, assim como Ellen White. O Senhor pôde conduzir o pensamento de ambos por caminhos semelhantes.
(3) Na verdade, pouco importaria se Ellen White tivesse lido a obra de Milton, não é mesmo?
(4) Walter Rea tenta enquadrar Ellen White em uma redoma restritiva, como se não lhe fosse permitido ver, ouvir ou ler quaisquer palavras ou conceitos formulados por outra pessoa. Caso o fizesse, passaria a ser considerada uma falsa profetisa. Walter Rea a rotulou de imitadora, de grande tomadora de empréstimos e de plagiadora contumaz.
Poderia me dar alguns exemplos do tipo de "empréstimos" em que ele baseou suas acusações?
Alfred Edersheim escreveu uma das maiores e mais completas biografias de Cristo entre as muitas publicadas no século XIX. Intitulada The Life and Times of Jesus the Messiah [A Vida e os Tempos de Jesus, o Messias], esta obra em cinco volumes foi publicada originalmente em 1883. (O Desejado de Todas as Nações foi escrito entre 1892 e 1898). Edersheim era um judeu convertido, e seria de esperar que Ellen White quisesse consultar essa vasta coletânea, redigida por alguém tão intimamente familiarizado com os costumes judaicos.
O autor desta obra possui há muitos anos uma edição em volume único dos escritos de Edersheim. Contudo, em todo esse tempo, nunca encontrou em Edersheim qualquer passagem que apresentasse a mais tênue semelhança com O Desejado de Todas as Nações. Por quê? Porque ela não o copiou.
Na página 86 de seu livro The White Lie, Rea transcreve um trecho de carta enviada por Robert Olson, então dirigente do E.G. White Estate:
"Há cerca de oito meses, o pastor Rea enviou-me uma cópia de algumas de suas pesquisas que, em sua opinião, demonstravam que Ellen White dependia fortemente de Edersheim para parte do conteúdo que redigiu em O Desejado de Todas as Nações." — R. W. Olson, carta aos Administradores do E.G.W. Estate, 29 de novembro de 1978.
Após ler a pesquisa pré-publicação de Rea, Olson destacou, nessa mesma carta, o livro de Edersheim como aquele que Rea alegava ter sido o mais utilizado por Ellen White.
Em três passagens de seu livro (páginas 309, 314 e 321), Rea compara Edersheim com O Desejado de Todas as Nações, a fim de demonstrar a extensão alarmante em que ela teria copiado tal autor. É evidente que Rea selecionou os exemplos mais flagrantes. Abaixo encontram-se os três. Como de praxe, nos trechos seguintes Ellen White escreve com maior clareza e imponência do que o autor comparado:
Edersheim: "Quando a natureza humana, a de Adão antes de sua queda, foi criada sem pecado e impecável... Jesus assumiu voluntariamente sobre Si a natureza humana com todas as suas enfermidades e fraquezas... Era a natureza humana, em si mesma capaz de pecar, mas que não havia pecado. A posição do primeiro Adão era a de ser capaz de não pecar." — Life and Times, p. 298.
White: "Quando Adão foi assaltado pelo tentador, nenhum dos efeitos do pecado estava sobre ele. Ele permaneceu na força da virilidade perfeita, possuindo o pleno vigor da mente e do corpo... Cristo assumiu as enfermidades da humanidade degenerada... Ele tomou a natureza do homem, com a possibilidade de ceder à tentação." — O Desejado de Todas as Nações, p. 117.
Edersheim: "A malícia e a hipocrisia deles foram imediatamente percebidas e desmascaradas por Ele... Rejeitamos a ideia de que a atitude de Cristo constituiu uma forma de evasão à pergunta... Tratou-se de uma resposta perfeitamente real, ao [apontar] para a imagem e a inscrição na moeda... o que fez muito mais do que repreender a hipocrisia e a presunção deles." — Life and Times, p. 386.
White: "Jesus leu o coração deles como a um livro aberto e desmascarou sua hipocrisia... [apontando] para a inscrição na moeda... Ele seria... preso por incitação à rebelião... A resposta de Cristo não constituiu evasão alguma... Ele havia repreendido a hipocrisia e a presunção deles." — O Desejado de Todas as Nações, p. 602.
Edersheim: "A criança devia estar livre de todas as máculas corporais que a tivessem desqualificado para o sacerdócio." — Life and Times, p. 194.
White: "As ofertas apresentadas ao Senhor deviam ser sem mácula. Essas ofertas representavam a Cristo, e disso é evidente que o próprio Jesus era livre de deformidade física. Ele era 'o cordeiro sem defeito e sem mancha': 1 Pedro 1:19. Sua estrutura física não estava manchada por nenhum defeito; Seu corpo era forte e saudável. E, ao longo de Sua vida, Ele viveu em conformidade com as leis da natureza. Física, bem como espiritualmente, Ele foi um exemplo do que Deus planejou que toda a humanidade fosse por meio da obediência às Suas leis." — O Desejado de Todas as Nações, pp. 50-51.
Pois bem, o que aprendemos com as comparações acima — os paralelos mais estreitos que Rea conseguiu encontrar nos três volumes da biografia de Cristo de Edersheim? Tudo o que conseguimos perceber é que Ellen White era uma escritora muito superior!
Comparação 1: Como muitos de nossos leitores sabem, Ellen White escreveu centenas de vezes sobre a natureza humana de Cristo. Seria de esperar que encontrássemos sua declaração a respeito da natureza humana de Cristo em O Desejado de Todas das Nações, o que de fato ocorre nas páginas 49 e 117. Uma declaração clara sobre o tema exige uma comparação com Adão — algo que ela também fez repetidamente em outros escritos, muitos deles anteriores.
Comparação 2: A afirmação de que a resposta de Cristo não foi evasiva constituía apenas uma opinião para Edersheim, mas representava uma certeza para Ellen White. A acusação potencial era a de rebelião, detalhe que Edersheim não mencionou.
Comparação 3: O fator "sem mácula" seria esperado em qualquer declaração sobre uma criança oferecida ao Senhor. Contudo, enquanto Edersheim afirma que isso era necessário para os deveres sacerdotais, Ellen White salienta que era necessário para que o Cordeiro pudesse ser oferecido em favor do povo e, posteriormente, para os deveres sacerdotais.
Exatamente como disse o advogado Vincent Ramik: "Não há caso algum". O que mais aprendemos no livro de Rea?
É bastante significativo que aprendamos muito sobre Walter Rea, pois ele gasta uma quantidade desproporcional de tempo falando sobre o quão maravilhoso ele é. No processo, ele revela a escuridão em sua própria vida. Ele está obcecado por medos e ódios, sendo um homem desesperado disposto a ir a qualquer extremo para destruir pessoas boas que ele imagina estarem em seu caminho. Em um desses parágrafos de esperada auto-exaltação, pretendendo (por meio de seu livro) conquistar seus inimigos imaginários, Walter Rea escreveu o seguinte:
"Se os estudos de Ford eram perturbadores, a pesquisa de Walter Rea era francamente assustadora. A notícia dela fez com que os administradores corressem para os computadores com as palmas das mãos suadas... o verdadeiro crente está sendo induzido a aceitar a interpretação da verdade das Escrituras por meio dos supervendedores de seu sistema... Rea, por outro lado, era um combatente de guerrilha. Ele parecia estar mirando na jugular. Seus estudos tinham o propósito de... contornar a autoridade dos supervendedores do sistema." — Walter Rea, The White Lie, pp. 270-271.
Em seu autoelogio e em seu ódio por Ellen White, Rea comporta-se como um monomaníaco. Contudo, toda mania tem uma causa. Acima de tudo, Walter Rea deseja a liberdade para fazer o que bem entende e viver como o mundo, sem se ver tolhido por quaisquer padrões impostos.
"Pessoas inteligentes e sensatas não concordam com Ellen... no sentido de que uma mulher é mais espiritual se não usar aliança de casamento... de que, no tocante às preliminares sexuais entre casais felizes (tendo isso sido rotulado como uma concessão à natureza 'animal' e, talvez, uma causa de doença), menos é melhor... de que os alimentos à base de carne têm a tendência de animalizar a natureza." — Ibid., p. 271.
No parágrafo acima, Rea praticamente declara: Quero que as restrições sejam removidas. Meus interesses são joias, sexo e o consumo de carne. Nenhum padrão cristão, imposto por qualquer autoridade superior, deve limitar aquilo que posso fazer.
Você pôde observar o caminho em que Walter Rea se encontra. É isso o que você deseja para a sua vida? Deseja percorrê-lo ao lado dele? Deseja compartilhar do destino que ele receberá após a morte?
Qual é a alternativa?
De um lado estão o mundo e Walter Rea. Do outro, encontram-se a aceitação e a obediência a Deus e aos Seus Escritos Inspirados. Analisar as ideias de Walter Rea não foi uma tarefa agradável; contudo, examinar os escritos de Ellen White constitui uma experiência encorajadora e fortalecedora. Eles têm ajudado centenas de milhares de pessoas a encontrar a Deus e a permanecer ao Seu lado. Poderia uma fé assim causar ofensa?
Eis um trecho exemplar de um de seus livros:
"Se você se entregou a Deus para realizar a obra dEle, não precisa nutrir ansiedade quanto ao amanhã. Aquele de quem você é servo conhece o fim desde o princípio. Os eventos de amanhã, que se encontram ocultos à sua vista, estão patentes aos olhos dAquele que é onipotente... No entanto, quando cremos verdadeiramente que Deus nos ama e tenciona fazer-nos o bem, cessamos de nos preocupar com o futuro. Confiamos em Deus assim como uma criança confia em pais amorosos. Desse modo, nossas aflições e tormentos desaparecem, pois a nossa vontade se funde na vontade de Deus... Apenas um único dia nos pertence, e durante este dia devemos viver para Deus. Por este único dia, devemos depositar nas mãos de Cristo, em solene serviço, todos os nossos propósitos e planos, lançando sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós. 'Porque eu sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor, pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais.'" — O Maior Discurso de Cristo, pp. 101-102.
Como a leitura de mensagens tão gloriosas como essa poderia causar mal a alguém?
As pessoas que acolheram as acusações de Walter Rea perderam tanto. Há encorajamento, fé e certeza na Palavra de Deus — algo que os críticos jamais podem nos proporcionar.
Recordar-se-á da declaração de Walter Rea na reunião do Walla Walla Adventist Forum em fevereiro de 1982: "Não façam com a Bíblia o que estou fazendo com os escritos de Ellen White, ou vocês também destruirão a Bíblia!"
Ele sabia exatamente o que se propusera a fazer e, na vida de muitas pessoas, Walter Rea o concretizou. Ele erradicou o Espírito de Profecia da vida delas.
Por volta de 1986, uma professora de Ohio telefonou para perguntar se poderia passar por aqui para ver o que o autor deste livro dispunha sobre a controvérsia envolvendo Rea. Pouco tempo depois, durante as férias de verão, ela chegou acompanhada da filha. Embora estivesse enfeitada com adornos e cosméticos tal qual uma pessoa não adventista, relatou que fora esposa de um pastor adventista. No entanto, explicou que, quando Walter Rea viajava fazendo palestras, ela e o marido decidiram abandonar o ministério.
Tendo se afastado do Espírito de Profecia, pouco tempo depois ele a abandonou, bem como à filha, para ficar com outra mulher. Desde então, ela se afastou inteiramente do adventismo. Contudo, restavam-lhe dúvidas persistentes na mente. O autor deste livro tentou esclarecer os pontos em questão; porém, parecia impossível quebrar o domínio que o mundo agora exercia sobre ela. Forneci-lhe artigos e outros materiais e, naquela mesma tarde, ela partiu para dar continuidade à sua viagem rumo a férias na Flórida.
Walter Rea tem destruído pessoas ao longo dos anos. E continua a fazê-lo. É por essa razão que o presente livro foi publicado. A necessidade dele ainda subsiste.
Mas o que aconteceu com o próprio Walter?
Um conhecido de Walter Rea, residente no sul da Califórnia, telefonou-nos em 1995 para relatar que Rea tampouco acredita mais na Bíblia! Ele entregou a terceiros o fruto do ceticismo quanto à Palavra de Deus e, agora, colhe-o para si mesmo. Trata-se de um homem taciturno, que remoe seus ódios sufocados. Lembrem-se da advertência de Moisés ao povo a respeito de outros três rebeldes contra o profeta de Deus na antiguidade:
"Retirai-vos, peço-vos, das tendas destes homens ímpios e não toqueis em nada do que é deles, para que não sejais consumidos em todos os seus pecados." — Números 16:26.
Este constitui um excelente conselho para nós hoje.
No terceiro advento, uma morte horrível, semelhante à que Corá e seus companheiros sofreram, será a paga daqueles que tentaram destruir a confiança alheia na Santa Palavra de Deus.
Retirai-vos, peço-vos, daquelas tendas. Não toqueis em nada ali, para que não sejais consumidos!
Em todas as suas acusações, Walter Rea não conseguiu tocar no Espírito de Profecia. Nada pode fazer para prejudicá-lo, porquanto se acha inteiramente sob a proteção divina. Contudo, Rea muito feriu a inúmeros indivíduos que confiaram o futuro às suas alegações jactanciosas.
Decidi-vos a apegar-vos, com a mais plena confiança, à Santa Palavra de Deus e, na força de Cristo, a obedecer-lhe cabalmente. Deus vos abençoará por isso; e, em breve, unireis aos santos na luz, à medida que se congregarem ao redor do grande trono branco para louvar Aquele que nos amou a ponto de enviar Seu Filho para morrer, a fim de que tivéssemos a vida eterna.
"Esta obra é de Deus, ou não é. Deus não faz nenhuma obra em parceria com Satanás. Minha obra... traz o selo de Deus ou o selo do inimigo. Não há meio-termo nessa questão. Os testemunhos procedem do Espírito de Deus, ou do diabo." — Testemunhos para a Igreja, vol. 4, p. 230.
"Satanás está... constantemente introduzindo o elemento esporádico — para desviar da verdade. A própria e última ilusão de Satanás será anular o testemunho do Espírito de Deus. 'Não havendo visão, o povo perece' (Provérbios 29:18). Satanás trabalhará com engenhosidade, de diferentes maneiras e por meio de diversos agentes, para abalar a confiança do povo remanescente de Deus no verdadeiro testemunho" (Carta 12, 1890).
"Acender-se-á um ódio contra os testemunhos que é satânico. A atuação de Satanás consistirá em abalar a fé das igrejas neles, por esta razão: Satanás não pode ter um caminho tão livre para introduzir seus enganos e aprisionar almas em suas ilusões se as advertências, as repreensões e os conselhos do Espírito de Deus forem acatados" (Carta 40, 1890). — Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 48.
"Então, os redimidos serão acolhidos no lar que Jesus lhes está preparando. Ali, os seus companheiros não serão os depravados da terra, os mentirosos, os idólatras, os impuros e os incrédulos; mas conviverão com aqueles que venceram a Satanás e que, mediante a graça divina, formaram caracteres perfeitos. Toda tendência pecaminosa, toda imperfeição que aqui os aflige foi removida pelo sangue de Cristo, e a excelência e o brilho de Sua glória, superando em muito o esplendor do sol, lhes são concedidos. E a beleza moral, a perfeição do Seu caráter, irradia por meio deles, possuindo um valor que ultrapassa em muito este esplendor exterior. Eles estão imaculados diante do grande trono branco, partilhando da dignidade e dos privilégios dos anjos.
"Tendo em vista a gloriosa herança que pode ser sua, 'que dará o homem em troca da sua alma?' (Mateus 16:26). Ele pode ser pobre, contudo possui em si mesmo uma riqueza e uma dignidade que o mundo jamais poderia conferir. A alma redimida e purificada do pecado, com todas as suas nobres faculdades dedicadas ao serviço de Deus, tem um valor supremo; e há alegria no céu, na presença de Deus e dos santos anjos, por uma alma redimida — uma alegria que se expressa em cânticos de solene triunfo." — Caminho a Cristo, p. 126.
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* N.T. O termo remete ao levante nacionalista dos Mau Mau contra o domínio britânico no Quênia, marcado por rituais de juramento secretos e de forte adesão ideológica. Ao afirmar em tom irônico que "nunca fez o juramento Mau Mau", Walter Rea quis indicar que não estava preso a dogmas cegos ou a lealdades partidárias inquestionáveis em relação à Igreja Adventista ou à liderança da instituição.
Parte 2. Como Deus protegeu os escritos
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