sábado, 30 de janeiro de 2021

Da prosperidade à ruína americana

A América nunca esteve tão alinhada com Roma papal. Isso lhe diz algo?

Para os que compreendem que o republicanismo e o protestantismo são os princípios fundamentais da nação – princípios que, nas palavras de Ellen G. White, são o segredo de seu poder e prosperidade –, tal alinhamento diz muita coisa.

Existem apenas duas situações em que a árvore da liberdade, regada com as lágrimas e o suor dos que ansiavam gozar do fruto de seu próprio trabalho e obedecer às convicções da própria consciência, poderia ser desenraizada do Novo Mundo:

A corrupção moral e política e... a apostasia protestante pela adoção dos princípios católico-romanos.

Na dedicatória de seu livro ao povo dos Estados Unidos, o padre Chiniquy, que militou "vinte e cinco anos nas hostes do Catolicismo Romano", advertiu-o enfaticamente sobre o perigo de deixar-se cair "nas mãos desses, que trazem nos lábios o sagrado nome da Liberdade e no rosto a máscara da Libertação, [mas] têm jurado destruir toda e qualquer Liberdade":

"Americanos! Vós estais dormindo sobre um vulcão, e não suspeitais disso! Estais apertando ao peito uma víbora, cuja picada vos levará à morte, e não o sabeis." [1]

No mesmo tom, o padre Crowley, que exerceu o sacerdócio católico durante vinte e um anos, e cujas palavras agora se têm revelado igualmente cruciais, escreveu:

"Amantes de vosso país [os Estados Unidos], cuidado com as intrigas jesuíticas, o poder político do Romanismo e as palavras doces dos políticos que chegam à presidência!" [2]

Infelizmente, essas e muitas outras advertências semelhantes caíram em ouvidos surdos nos últimos dois séculos e hoje a maioria dos americanos sequer as conhecem.

Precisamente como escreveu Suzanne O’Malley em sua resenha do best-seller de Manlio Graziano, In Rome We Trust: The Rise of Catholics in American Political Life, ao mencionar o fato mais importante para a tese do autor, ou seja, a surpreendente "amnésia coletiva dos Estados Unidos em relação ao fenômeno dos católicos em cargos públicos e judiciais de hoje".

Mais adiante, O’Malley cita o historiador Gaetano Salvemini, que observa: "Os protestantes americanos têm o coração no lugar certo e a cabeça em lugar algum: eles nem percebem a importância do fato de metade de seu corpo diplomático (católico ou não) ter passado por escolas administradas por jesuítas".

Joe Biden, o 46º presidente dos Estados Unidos, é o segundo católico a ocupar o mais alto cargo do país. Ele também é um amigo íntimo dos jesuítas. (No primeiro domingo como presidente, ele escolheu a Igreja Católica da Santíssima Trindade no bairro de Georgetown, em Washington, a poucos quilômetros da Casa Branca. A paróquia, como a vizinha Universidade de Georgetown, é administrada pela ordem.)

"Pela primeira vez na história americana", escreveu Stephen P. White, "nenhum ramo de nosso governo federal será liderado por um protestante. O presidente será católico. A presidente da Câmara é católica. O líder da maioria no Senado será judeu. O presidente da Suprema Corte é católico (e a Corte como um todo é majoritariamente católica)".

"Esses fatos são emblemáticos de uma grande mudança na vida pública americana", acrescentou.

A invocação inicial durante a posse foi feita pelo mentor espiritual de Biden, o padre jesuíta Leo O'Donovan, que, não por acaso, é ex-presidente da Universidade de Georgetown, a instituição católica e jesuíta de ensino superior mais antiga dos EUA, localizada no coração da capital federal.

Cerimônia de formatura no auditório Gaston Hall da Universidade de Georgetown. Entre seus ex-alunos, figuram dois presidente dos EUA, dois juízes da Suprema Corte e muitos diplomatas e membros do Congresso americano (Wikimedia Commons).

"Biden é conhecido por ser amigo de vários padres jesuítas", escreveu Christopher White, "e, quando era vice-presidente, ocasionalmente assistia à missa na Igreja Católica da Santíssima Trindade em Georgetown".

Como observou Alissa Wilkinson, "a escolha do clero para as preces durante a cerimônia não é apenas uma formalidade - é uma declaração do novo presidente, sinalizando os valores de sua administração ao país".

Biden frequentemente citou sua fé durante a campanha, e isso já indicava, nas palavras de Wilkinson, que seu catolicismo "será uma parte importante não apenas de sua cerimônia de posse, mas também de sua presidência".

O que se confirmou nas nomeações para a nova administração. Mais de um terço do novo gabinete de Joe Biden é católico.

"Nunca houve uma administração mais católica na história dos Estados Unidos", tuitou Steven Millies, diretor do Bernardin Center at Catholic Theological Union, em Chicago.

O general Lloyd Austin, por exemplo, é o nomeado de Biden para chefiar o Departamento de Defesa. Quando Austin supervisionava as tropas no Iraque, um dos soldados sob seu comando era o filho de Biden, Beau. Austin e Beau Biden iam juntos à missa todos os domingos e frequentemente sentavam-se juntos.

Além dos cargos oficiais do Gabinete, Biden nomeou o ex-secretário de Estado John Kerry para liderar sua equipe climática e a ex-embaixadora da ONU, Samantha Power, para chefiar a USAID, que supervisiona a ajuda humanitária. Ambos são católicos e admiradores confessos de Francisco.

Kerry foi fundamental na negociação do Acordo Climático de Paris em 2015 e elogiou especificamente a encíclica ambiental de Francisco, de 2015, "Laudato Si, sobre o Cuidado de Nossa Casa Comum", como uma ferramenta "poderosa" para responder à ameaça das mudanças climáticas.

A jugar pela série de ações durante seus primeiros sete dias no cargo, o presidente Joe Biden está "tornando o combate às mudanças climáticas uma prioridade em todo o governo federal".

Assim, seu governo "parece pronto para implementar muitas das políticas e práticas que se alinham com os repetidos apelos de Francisco para uma 'conversão ecológica' pessoal e coletiva, conforme expresso na Laudato Si", escreveu Daniel P. Horan.

Visto que os primeiros cinco meses de 2021 darão continuidade ao ano especial de aniversário da publicação da encíclica de Francisco (que, aliás, oportuniza a questão dominical), o acontecimento é parte de um esforço para realizar a referida "conversão ecológica".

A diretora associada de relações governamentais da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Meghan Goodwin, "esboçou uma longa lista de prioridades ambientais compartilhadas pelos bispos e Biden. No topo da lista estava a justiça ambiental, uma questão que ela chamou de 'prioridade máxima dos bispos' e que o presidente eleito enfatizou ao longo de sua campanha".

"Grupos religiosos fazendo lobby em Washington veem possibilidades de anexar medidas climáticas à legislação por meio do processo de dotações orçamentárias e futuros pacotes de recuperação COVID-19".

Perdoe-me, não pude evitar a ênfase! Afinal, as possibilidades do lobby religioso podem eventualmente incluir o domingo – que recebeu uma menção especial na encíclica socioambiental do papa – como parte das medidas legislativas em resposta aos desafios climáticos que ameaçam "nossa casa comum".

Quando essa questão se tornar mais crítica, o domingo se tornará mais evidente e mais necessário no pacote de "soluções" romanista em nome do "bem comum". Não é difícil ligar os pontos!

A forte influência católica no governo de Joe Biden não deveria nos surpreender.

Washington concentra uma próspera comunidade católica, formada por "uma teia complexa e multifacetada de cardeais e outros religiosos, políticos, professores e católicos comuns que também costumam se relacionar com as pessoas mais poderosas do planeta".

"O catolicismo é a religião majoritária na Suprema Corte, e católicos ou não, os juízes, juntamente com muitos notáveis da comunidade judiciária da capital, costumam comparecer à Missa Vermelha anual na Catedral de São Mateus, o Apóstolo".

"Frequentemente, padres e irmãs católicos podem ser vistos nas ruas de Washington e ao redor do Capitólio, enquanto cuidam do bem-estar público com o apoio do governo federal", o que certamente contribui para fazer da Igreja o segundo maior provedor de serviços sociais nos EUA, depois do governo.

Em Brookland, um dos bairros da capital americana, a presença do catolicismo é tão marcante que rendeu a ele a alcunha de "Pequena Roma"!

O’Malley escreve que, na "famosa fotografia da sala de guerra em que oficiais da Casa Branca veem os SEALs da Marinha derrotando Osama bin Laden em 1º de maio de 2011, [Graziano] observa (citando o artigo de Dario Fabbri, 'O Fator Romano', publicado no Limes), que ‘nove são católicos ou receberam uma educação jesuíta'".

No segundo mandato de Obama, o segundo, terceiro, quarto e quinto cargos na linha de sucessão foram ocupados por católicos: O vice-presidente Joe Biden, o presidente da Câmara, John Boehner, o presidente pro tempore do Senado, Patrick Leahy, e o secretário de estado, John Kerry. Além disso, os católicos compreendiam "mais de um terço dos membros do governo, todos os cargos militares mais importantes, dois terços da Suprema Corte e 38 por cento dos governadores dos Estados Unidos".

Três dos últimos cinco diretores da CIA pertenciam à Igreja Católica, e vários católicos lideraram a agência em períodos críticos durante a Guerra Fria.

Alguns dos diretores mais influentes da história da CIA eram católicos devotos, que frequentavam a missa e, em muitos casos, eram membros de grupos católicos influentes, como os Cavaleiros de Malta.

Talvez isso explique por que João Paulo II recebia informações regulares da CIA, considerada uma de suas fontes mais confiáveis, pelo menos de acordo com as revelações de um livro publicado na época, sobre o qual a agência de inteligência americana e o Vaticano não se pronunciaram.

Como se tudo isso não bastasse, a chave nas garras da águia presente no brasão da Agência de Segurança Nacional dos EUA, representando a chave para a segurança, "evoluiu do brasão de São Pedro, o Apóstolo, e seu poder de desligar e ligar", segundo a página da NSA na internet em março de 2004, um detalhe que foi omitido no site atual.

A título de curiosidade, as chaves cruzadas no brasão papal são símbolos de seu poder espiritual e temporal.


A considerável representatividade católica nos Estados Unidos do século 21 só pode ser explicada pelo zelo com que a Igreja, através dos jesuítas e de outras ordens católicas, conquistou a América para o papado ao longo dos séculos 19 e 20, conforme expliquei resumidamente nesta postagem.

Na edição de 11 de dezembro de 1888 da Review and Herald, parágrafo 13, Ellen White escreveu:

Por meio de fraude e falsidade, Satanás agora está usando aqueles que afirmam ser cristãos com o fim de separar o mundo da misericórdia de Deus. Eles estão trabalhando cegamente. Não veem que, se um governo protestante sacrifica os princípios que os tornaram uma nação livre e independente e, através da legislação, incorporam à Constituição princípios que irão propagar a falsidade e a ilusão papais, eles estão mergulhando nos horrores romanos da Idade das Trevas.

E em Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 372.3, ela diz:

É ao tempo da apostasia nacional, quando, agindo segundo os métodos de Satanás, os governantes da Terra se enfileirarem ao lado do homem do pecado — é então que a medida da culpa se encherá; a apostasia nacional é o sinal para a ruína da nação.

Embora os Estados Unidos ainda não tenham entrado na fase derradeira da ruína nacional, não é tudo isso uma descrição inequívoca do que estamos vendo hoje?

Notas e referências

1. Carlos Chiniquy, Cinquenta Anos da Igreja Católica Apostólica Romana. São Paulo: Livraria Independente Editora, 1947, p. 14.

2. Jeremiah J. Crowley, Romanism: A Menace to the Nation. Aurora, MO: The Menace Publishing Co., [1912], p. 196.

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