Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A reconstrução simbólica de Babilônia nos últimos dias

A Babilônia apocalíptica é um fenômeno dos últimos tempos. Ela é mencionada seis vezes no Apocalipse em conexão com os juízos retribuidores de Deus (as sete pragas) e a volta de Jesus.

A palavra "Babilônia" não foi escolhida pela Providência por mero capricho. Há uma analogia entre esse fenômeno escatológico e a antiga Babilônia. Assim como esta última foi inimiga de Deus, de Sua verdade e de Seu povo, aquela apresentará uma disposição semelhante.


Ao nos lançarmos à tarefa de identificar as corporações religiosas e políticas profeticamente relevantes para Apocalipse 14:8, é importante considerarmos que a palavra "Babilônia", como usada no último livro da Bíblia, também se refere a uma tentativa sistemática de reconstruir figuradamente aquilo que Babilônia histórica representou no passado.

Nesse sentido, Babilônia é um conceito que se procura reviver de algum modo, em um flagrante desafio à mensagem divina que anuncia a queda moral e literal desse falso sistema religioso.

A "Corte Babilônica" de Hollywood

No livro do Apocalipse, Babilônia é o extremo oposto de Jerusalém, a cidade santa. Segundo o contexto, estas cidades tão antagônicas representam grupos distintos de pessoas. Neste caso, a "cidade santa" simboliza o povo de Deus (Apocalipse 11:2) e "Babilônia", os inimigos do povo de Deus (Apocalipse 17).

Observamos acima que o uso da expressão "Babilônia" no Apocalipse indica, antes de tudo, uma tentativa calculada de se reconstruir ou restaurar simbolicamente aquilo que a Babilônia histórica representou no passado. Essa iniciativa, contudo, não é só filosófica ou institucional, mas também material num certo sentido.

Deus havia disposto que a antiga Babilônia jamais seria reconstruída depois de sua queda (Jeremias 50:13, 39 e 40; 51:29, 37 e 43). Revivendo o espírito recalcitrante manifestado na torre de Babel (Gênesis 11:1-6, comparar com 1:28 e 9:1 e 7), os homens querem hoje contrariar mais uma vez a ordem divina, reconstruindo de algum modo a antiga Babilônia.

Hollywood & Highland é um enorme complexo que ocupa quase dois quarteirões da icônica "cidade dos sonhos". Inaugurado em 2001, o complexo abriga mais de sessenta lojas, nove restaurantes, seis salas de cinema, dois clubes noturnos e o famoso Hotel Renaissance Hollywood, com seus 640 quartos, além do Teatro Dolby (antigo Teatro Kodak) - o lar permanente da premiação anual do Academy Awards.




A entrada posterior para o teatro é uma recriação maciça da antiga Porta de Ishtar.

A estrutura original foi construída em torno de 575 a.C. por ordem de Nabucodonosor II em homenagem à deusa, e consistia no principal acesso à cidade mesopotâmica da Babilônia.

A versão de Hollywood (localizada no coração do Hollywood & Highland conhecido como Babylon Court) foi inspirada no filme Intolerance, de 1916, considerado um épico do cinema mudo, dirigido por D.W. Griffith.

Na fachada da imponente construção há dois relevos em destaque. O primeiro representa o deus Assur, também denominado Anshar (na mitologia babilônica) e Ashur, deus nacional da Assíria. Era considerado um deus guerreiro, casado com Ishtar (Inanna, para os sumérios), deusa da guerra e do amor sexual.

O segundo relevo representa o deus cabeça de águia Nisroque, divindade assíria da agricultura. Em uma escultura de Nínive, ele aparece espargindo água sobre a árvore sagrada. Tem na mão esquerda um recipiente com água, e na direita, uma esponja.

Foi para esta divindade que Senaqueribe, rei da Assíria, passou a orar após voltar de sua trágica campanha em Judá, ocasião em que foi assassinado por seus dois filhos (ver II Reis 19).

Alguns autores religiosos consideram Nisroque como sendo um anjo caído, que pertenceu à ordem dos Principados e um associado de Belfegor (o "senhor do fogo"). Johann Weyer e Collin de Plancy se referem a Nisroque como o "chefe de cozinha" dos príncipes do inferno. (1)



Como foi dito, a temática da Babylon Court foi inspirada no filme Intolerance, de D.W. Griffith. Convém tecer alguns comentários sobre essa produção do cinema mudo.

Intolerance é um drama histórico que aborda o problema da intolerância através de quatro linhas narrativas: (1) na antiga Babilônia, uma garota é vítima da rivalidade religiosa que resulta na queda da cidade; (2) na Judeia, os fariseus hipócritas condenam a Jesus Cristo; (3) na Paris de 1572, dois jovens huguenotes preparam-se para o casamento sem saber do iminente massacre do Dia de São Bartolomeu; e (4) na América moderna, reformadores sociais arruínam a vida de uma jovem mulher e seu amado. (2)


Cena do filme Intolerance que inspirou a Babylon Court

Curiosamente, Hollywood escolheu uma cena da primeira linha narrativa como inspiração para o coração do seu complexo. Na qualidade de indústria maçônica, a escolha faz todo o sentido.

Igualmente curioso é o fato de o filme de Griffith retratar Ciro como um déspota tirano e indigno de confiança, coisa pouco frequente. Como se sabe, Ciro deixou atrás de si uma reputação de monarca benevolente. Para os judeus, Ciro foi considerado como um salvador, como um enviado de Jeová, por tê-los libertado do cativeiro e permitir-lhes reconstruir o seu templo em Jerusalém. (3)

De fato, em virtude de seu papel profético na libertação do povo judeu, Ciro é apresentado nas Escrituras como um símbolo de Cristo (Isaías 44:28; 45:1).

É particularmente significativo que o Hotel Renaissance (renascimento) esteja localizado atrás desta versão moderna da Porta de Ishtar - a porta através da qual o homem se reconectaria com os deuses. Há um evidente simbolismo que procura reviver certos aspectos do misticismo pagão, os quais frequentemente inspiram os roteiros de muitas produções hollywoodianas.

A religião de Hollywood: o evangelho segundo Matrix

A reconstrução simbólica de Babilônia antecipada no Apocalipse indica que o mundo estará imerso em uma nova forma de paganismo pouco antes da volta de Jesus. O redescobrimento de crenças pagãs é, aliás, uma das características mais marcantes da pós-modernidade, que vê na intuição, nas emoções e na experiência mística fontes confiáveis em matéria de conhecimento e realização.

À frente desse fenômeno está o gnosticismo, um conjunto de crenças sincréticas que historicamente rivalizou com o cristianismo nos primeiros séculos.

Em síntese, o gnosticismo sustenta que a realidade nada mais é que uma ilusão criada pelo Demiurgo, uma entidade maligna responsável pela criação do cosmos material. Segundo o apócrifo de João, um texto gnóstico datado do século II d.C., o Demiurgo, chamado Yaldabaoth, é representado por uma serpente com cabeça de leão. Os gnósticos o identificaram com Jeová do Antigo Testamento.

Nesta criação mal sucedida que constitui o mundo físico, o Demiurgo mantém as almas dos homens em um estado de sono ou ilusão, alienando-as, desse modo, de sua fonte original. Tal condição só pode ser superada mediante a gnose, uma forma de conhecimento mais intuitiva e emocional do que racional.

Desde os anos 90, tem sido um fenômeno recorrente nas produções hollywoodianas a adoção de temas inspirados em narrativas míticas do gnosticismo. O Professor Wilson Roberto Vieira Ferreira, Mestre em Comunicação Contemporânea pela Universidade Anhembi-Morumbi, apresenta em seu blog (clique aqui) uma lista representativa de filmes com essa temática.

Dentre os filmes gnósticos de maior sucesso, destaca-se Matrix, produzido pelos irmãos Wachowski e considerado por críticos e cinéfilos o maior feito do cinema desde Star Wars. O objetivo aqui não é apresentar uma dissertação sobre o filme, mas chamar nossa atenção para o aspecto que mais nos interessa nesse momento: a reconstrução simbólica de Babilônia nos últimos dias.

O personagem principal na trama, interpretado por Keanu Reeves, chama-se Thomas A. Anderson, um programador solitário que também se identifica como o hacker Neo. Ambos os nomes remetem ao papel "messiânico" do personagem. Anderson tem origem na expressão inglesa "Ander's son" ("filho de André"). O nome André deriva do grego "Andreas", a partir da palavra "andrós", que significa "homem". Anderson, portanto, significa "filho do homem".

Neo, por sua vez, deriva da palavra grega "néos" e significa "novo". Em Matrix, Neo/Anderson é o "novo filho do homem" destinado a libertar a raça humana da realidade ilusória produzida pelas máquinas (o "demiurgo"). A função messiânica de Neo é confirmada na fala do "cliente" no início do filme: "Aleluia! Você é o meu salvador, meu Jesus Cristo particular".

É a bordo da "USS. Nabucodonosor" - nome do principal rei de Babilônia responsável pela destruição de Jerusalém - que o protagonista é iniciado em seu papel como o escolhido. Na cena em que Neo é apresentado à tripulação, a câmera se desloca rapidamente sobre a placa de identificação da nave, na qual se lê: "USS Nebuchadnezzar".



"Logos" e "Osiris" são os nomes igualmente sugestivos das outras naves humanas procedentes de Zion. A versão hollywoodiana de Sião, porém, não corresponde ao monte da salvação onde estão Cristo e os remidos (Apocalipse 14:1), mas à resistência humana sediada próximo ao núcleo da Terra.

Em Matrix, Babilônia é a versão humana da salvação que pretende libertar as pessoas de uma realidade artificial (a verdade) criada por um Deus (o "demiurgo") que não se importa conosco.

Essa abordagem implica a negação da segunda mensagem angélica - o anúncio da queda moral e literal de tudo o que Babilônia simboliza -, na medida em que sugere a sobrevivência e resistência desse poder. Trata-se da hermenêutica invertida, típica do gnosticismo.

A nova Babilônia: o meio é a mensagem

A célebre máxima na segunda parte deste subtítulo pertence ao teórico da comunicação Herbert Marshall McLuhan.

Ao contrário da maioria de nós, os agentes de transformação global responsáveis por tornar Babilônia mística uma realidade não ignoram os efeitos sociais e psicológicos dos meios que utilizam para criar o consenso.

E o entretenimento tem se mostrado um excelente recurso para incutir ideias que de outro modo seriam prontamente rejeitadas pela consciência crítica.

O Apocalipse revela que Babilônia simbólica tem um modus operandi específico.

Diferentemente de Jesus Cristo, que estimulava as pessoas a pensar, expondo-lhes suas reais necessidades e levando-as à Bíblia (Mateus 13:51; Lucas 10:26; 20:17), Babilônia explora principalmente as experiências emocionais e sensoriais; ela "maravilha" (Apocalipse 13:3), "seduz" (13:14), "embriaga" (14:8; 17:1-2) e apela aos sentidos (13:13-14; 16:13-14).

Quando a estrela da música pop, Madonna, fez sua apresentação no intervalo do Superbowl em 2012, o conteúdo da música tornou-se menos importante do que o faustoso visual repleto de simbolismos pagãos, consistindo na própria mensagem que se pretendia transmitir ao público naquela noite.

Em sua primeira apresentação, a performance de Madonna foi claramente inspirada em elementos procedentes da cultura religiosa do Egito, Suméria e Babilônia, encarnando a imagem da antiga deusa babilônica Ishtar, cognata da deusa Isis, dos egípcios, e de Inanna, dos sumérios. Ishtar era associada ao planeta Vênus, conhecido como a Estrela da Manhã. No ocultismo, a expressão é atribuída também a Lúcifer.


Performance de Madonna no intervalo do Superbowl 2012

Em uma entrevista no talk show de Anderson Cooper, Madonna se referiu à dimensão espiritual da apresentação que faria alguns dias depois no Superbowl com as seguintes palavras:

O Superbowl é como o Santo dos Santos nos Estados Unidos. Vou fazer algo como uma experiência na igreja, um sermão, e ele terá que ser muito impactante.

Katy Perry também deixou uma mensagem impactante em sua performance no show do intervalo do Superbowl deste ano (2015). Em pé sobre um leão metálico gigante, a cantora representou a deusa babilônica Ishtar, geralmente retratada pelos antigos como estando em pé sobre um leão. (4)


Performance de Katy Perry no intervalo do Superbowl 2015

Penso que esses tributos a divindades pagãs, oferecidos por astros e estrelas da música pop e do cinema (os quais estão entre os maiores formadores de opinião do mundo), são parte da reconstrução simbólica de Babilônia antecipada no livro do Apocalipse.

Na perspectiva das profecias, esse redescobrimento do paganismo pela sociedade pós-moderna é um sinal inequívoco de que estamos no limiar da volta de Jesus.

O apóstolo João declara: "Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno." (I João 5:19). Fica a pergunta: De que lado do conflito nós estamos?


Notas e referências

1. Informações obtidas a partir dos sites: <http://www.infopedia.pt/$assur> e <https://en.wikipedia.org/wiki/Nisroch>. Acesso em: 23 set. 2015, 10h29min. Para mais detalhes sobre a Babylon Court de Hollywood e a motivação pagã por trás dessa indústria, ver a excelente apresentação de Scott Mayer, "Sistema Falso de Adoração" (recomendo que assistam a toda a série). Mais informações também podem ser obtidas neste artigo: "Osiris, The Oscars and The Babylon Gate".

2. Informação disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt0006864/>. Acesso em: 23 set. 2015, 10h45min.

3. Michael Roaf. Mesopotâmia (Grandes Civilizações do Passado). Barcelona: Ediciones Folio, 2006, p. 204 e 222.

4. Com informações do blog Knowledge is Power: "Show de Madonna no Superbowl: uma celebração da grande sacerdotisa da indústria musical"; "A Performance de Katy Perry no Superbowl 2015: Do Sacrifício de Fogo ao Super Estrelato".

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