"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Ap 14:12)

domingo, 5 de julho de 2015

A ciência da salvação


Em vista da grandiosa provisão de Deus na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, e pelo fato de o sincero arrependimento do pecado permitir a Deus, por assim dizer, perdoar e restaurar o pecador contrito que tem fé em Jesus, a mensagem do evangelho é um chamado do Céu para que homens e mulheres busquem sinceramente ao Senhor e recebam os generosos suprimentos de Sua graça.


Este poderoso apelo é a obra do anjo portador do evangelho eterno (Apocalipse 14:6), e sua mensagem ecoa por toda a Escritura:

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor. (Atos 3:19)

Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. (Hebreus 3:7-8)

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificais as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. (Tiago 4:8)

Embora Deus não esteja longe de cada um de nós (Atos 17:27), Ele espera que O busquemos em espírito e verdade (Salmo 145:18; Isaías 55:6) mediante fé (Atos 16:31; Hebreus 10:19-22), genuíno arrependimento (Atos 3:19) e confissão dos pecados (I João 1:9). Somente pela graça de Jesus Cristo podemos obter o perdão e a purificação espiritual. Nosso amorável e compassivo Redentor estende o convite para irmos a Ele com o pesado fardo de nossos pecados, preocupações e fadigas:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mateus 11:28-30)

Mesmo a resposta que se espera do pecador ao convite do evangelho não foi deixada exclusivamente à mercê da força humana. A conversão não depende nem da vontade nem dos esforços meritórios do homem, mas do poder convincente do Espírito Santo. O homem por si só é incapaz de entender e apreciar as riquezas do evangelho, e tampouco pode resistir e vencer o pecado por sua própria força. Necessita desesperadamente entregar-se à influência iluminadora e regeneradora do Espírito Santo, por meio de Quem não apenas são revelados os dons da graça de Deus, como também levados a efeito no coração humano.

Mediante o Espírito Santo, o pecador é unido a Cristo, pois a presença do Espírito equivale à presença do próprio Senhor Jesus (João 14:16-19). É o Espírito Santo que torna eficaz o que foi realizado por nosso Redentor na cruz, convertendo, purificando e tornando o crente participante da natureza divina. Quando atende ao apelo divino e aceita a Cristo como seu Salvador, o suplicante encontra a paz e a segurança que somente a graça de Deus pode proporcionar (João 14:27).

Arrependimento e conversão

Segundo João 16:8 e 13, a obra do Espírito Santo na redenção do homem consiste de quatro etapas fundamentais: (1) produzir-lhe profunda convicção de que é um pecador; (2) despertar-lhe a necessidade de aceitar a justiça de Cristo, tanto a atribuída na justificação (Romanos 10:3-10), como a comunicada na santificação (Gálatas 2:20; Filipenses 2:13; I Tessalonicenses 5:23); (3) adverti-lo da realidade de um juízo contra o pecado; e (4) guiá-lo a toda verdade.

Uma vez que o pecador ouça a voz do Espírito Santo e aceite a Jesus pela fé, três condições devem ser satisfeitas para que haja genuíno arrependimento e conversão:

Reconhecimento da condição de pecador perante Deus. Na parábola do fariseu e o publicano (Lucas 18:9-14), nosso Salvador sublinhou o contraste entre aquele que se considera santo na esperança de obter o favor de Deus e o louvor dos homens, e o que admite sua condição de pecador, confessando seus pecados e suplicando a misericórdia e o perdão de Deus.

Conquanto o publicano se sentisse indigno até mesmo de orar, foi compelido a fazê-lo pelo reconhecimento de sua desesperada condição. Admitia em seu íntimo que não possuía qualquer das virtudes que se espera de um filho de Deus, e a vívida sinceridade de suas palavras demonstrava um intenso sentimento de necessidade que nenhum bálsamo humano poderia curar. Esta é, sem dúvida, uma condição essencial para ser aceito por Deus e obter Sua misericórdia, visto que sem ela não temos qualquer esperança.

Em um Salmo que constitui a síntese e o modelo do verdadeiro arrependimento, Davi, com o coração quebrantado e afligido pela culpa e necessitando da misericórdia de Deus, reconheceu a propensão natural do homem para o mal ao declarar: "Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim... Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe." (Salmo 51:3 e 5). Estas palavras, vindas de um coração profundamente contrito, expressam o triste fato de que a natureza carnal exerce sobre o homem uma dominação escravizadora da qual não pode escapar por suas próprias forças.

Paulo salientou a mesma verdade em sua carta aos Romanos, ao apresentar o pecado como um poder dominante que torna impossível ao homem resistir à sua influência, tornar-se justo diante de Deus ou superar sua condição pecaminosa por seus próprios esforços. Ao contrastar o domínio impiedoso do pecado, tanto no mundo como no íntimo de cada pessoa, com a universalidade e o poder da graça de Deus, Paulo prova que não há salvação fora de Cristo. Redimir o homem do pecado e regenerar seu caráter é uma obra divina. Por isso, Davi não somente pediu por perdão, mas também por purificação, ao clamar: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável." (Salmo 51:10).

Tristeza pelo pecado. Um coração verdadeiramente arrependido não apresenta causas atenuantes, desculpas ou justificativas para suas faltas, nem busca o perdão por medo das consequências, mas se ressente do pecado e confia no poder de Deus para perdoar e restaurar.

No cerimonial típico da expiação, os israelitas deviam afligir sua alma, isto é, sentir profunda tristeza e repulsa pelo pecado como condição primordial para alcançar o perdão e a purificação prometidos (Levítico 23:27-29). Na forte mensagem de arrependimento à Sião, a mesma condição se requeria do povo (Joel 2:12). Igualmente, o grupo de selados na visão de Ezequiel, que não partilha da triste sorte de Jerusalém, inclui apenas aqueles que "suspiram e gemem por causa das abominações que se cometem no meio dela." (Ezequiel 9:4).

Deus não será indiferente a um espírito entristecido e angustioso por causa do pecado. Ele mesmo diz: "Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra." (II Crônicas 7:14).

Paulo se alegrou porque os cristãos coríntios haviam sido "contristados para arrependimento", ou seja, "contristados segundo Deus" (II Coríntios 7:9), testificando que a virtude da graça de Cristo de fato atuara em suas vidas mediante o dom do Espírito Santo. O apóstolo usa essa experiência prática para estabelecer o contraste entre o verdadeiro arrependimento e o mero remorso provocado pelo medo das consequências (II Coríntios 7:10).

A "tristeza segundo Deus" implica no reconhecimento e na admissão da culpa e no esforço proporcional para reparar a falta de modo que ela não se repita. Somente pela graça de Cristo pode o pecador sentir genuíno pesar pelo pecado, arrepender-se dele e abandoná-lo com a firme resolução de não mais cometê-lo. O quebrantado e humilde de espírito, que se dispõe a obedecer de forma voluntária e cujo coração reconhece sua indignidade e incapacidade para obter a salvação por méritos próprios, será, de fato, aceito por Deus (Salmo 34:18; 51:17; Isaías 57:15; 66:2).

Confissão e abandono do pecado. A Escritura declara: "O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia." (Provérbios 28:13). Todo aquele que procura encobrir ou desculpar seus pecados resiste à obra do Espírito Santo (João 16:8) e, por conseguinte, coloca-se na infeliz condição acerca da qual nosso Salvador advertiu em Mateus 12:32.

Confissão e abandono do pecado refletem mais do que apenas a constatação de que se estava errado, de que o pecado realmente implica em insanidade, loucura e alienação, e de que é preciso uma mudança da mente. Confessar e abandonar o pecado completam o conceito bíblico de arrependimento porque envolvem não só uma disposição mental, mas principalmente uma mudança de direção, de atitude e comportamento, um retorno à verdadeira fonte de vida e do discernimento moral. A experiência do arrependimento implica, portanto, em afastar-se do pecado e, ao mesmo tempo, aproximar-se de Deus, a fonte única de perdão e restauração (Ezequiel 18:23 e 32).

O arrependimento divinamente dirigido (Atos 5:31) é a resposta humana ao amor de Deus, tornado eficaz no coração pela obra regeneradora do Espírito Santo, O qual conduz o pecador à cruz de Cristo. Por esta razão, a possibilidade de arrependimento só existe quando o evangelho eterno é proclamado com poder. Todos os que desejarem experimentar esse arrependimento completo e radical, que envolve a conversão da vida em seu nível mais profundo, descobrirão que Deus é "compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade" (Êxodo 34:6).

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