Inicialmente, recebemos nossas posições sobre o Santuário de William Miller, as quais foram modificadas e esclarecidas por Samuel Snow e Hiram Edson. Joseph Bates nos trouxe a mensagem do sábado e recebemos o Espírito de Profecia por meio de Ellen White.
Em 1848, ocorreram as conferências do sábado, ocasião em que vários de nossos pioneiros analisaram e estudaram detalhadamente todas as nossas posições doutrinárias.
No entanto, teria sido fácil para eles se extraviarem. Afinal, todos os grupos religiosos anteriores não haviam desenvolvido erros doutrinários?
Contudo, Ellen White estava presente; e, quando o grupo avançava até onde podia no estudo, ela era arrebatada em visão e recebia as interpretações corretas.
Nosso povo estudou a Bíblia com todo o empenho possível; mas, cada vez que começavam a se desviar para o erro, Ellen White recebia uma visão para corrigi-los. Fica evidente que, sem o Espírito de Profecia, não teríamos nossas atuais verdades doutrinárias.
Para que ninguém do grupo pensasse que se tratava de meras opiniões de Ellen White, Deus conduziu as coisas de modo que ela não conseguisse compreender nenhuma verdade escriturística ou doutrinária durante todo esse período. Isso era evidente a todos; por isso, estavam dispostos a aceitar a luz que ela lhes trazia em cada visão como vinda de Deus. Além disso, é claro, teria sido impossível forjar as próprias visões (sem respirar por cerca de meia hora, etc.), as quais ocorriam na presença de todo o grupo.
A melhor elucidação sobre este assunto encontra-se em Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 206-208. Detalhes adicionais serão encontrados em Testemunhos, vol. 5, p. 655-656; Testemunhos para Ministros, p. 24-26 e Obreiros Evangélicos, p. 302-303. Todas essas passagens são citadas abaixo:
"Muitos de nossos membros não percebem quão firmemente foram lançados os fundamentos de nossa fé. Meu esposo, o Pastor Joseph Bates, o Pai Pierce, o Pastor [Hiram] Edson e outros que eram perspicazes, nobres e fieis estavam entre aqueles que, após o cumprimento do tempo em 1844, buscaram a verdade como a tesouros escondidos. Eu me reunia com eles, e estudávamos e orávamos fervorosamente. Frequentemente permanecíamos juntos até tarde da noite e, às vezes, durante a noite inteira, orando por luz e estudando a Palavra. Vezes sem conta esses irmãos se reuniam para estudar a Bíblia, a fim de compreender o seu significado e estar preparados para ensiná-la com poder. Quando chegavam ao ponto em seus estudos no qual diziam: 'Nada mais podemos fazer', o Espírito do Senhor vinha sobre mim, eu era arrebatada em visão e uma explicação clara das passagens que estávamos estudando me era dada, com instruções sobre como deveríamos trabalhar e ensinar de maneira eficaz. Assim foi concedida a luz que nos ajudou a compreender as Escrituras no tocante a Cristo, Sua missão e Seu sacerdócio. Uma linha de verdade, estendendo-se daquele tempo até o momento em que entraremos na cidade de Deus, tornou-se clara para mim, e transmiti aos outros as instruções que o Senhor me havia dado.
"Durante todo esse tempo, eu não conseguia compreender o raciocínio dos irmãos. Minha mente estava, por assim dizer, trancada, e eu não alcançava o significado das Escrituras que estávamos estudando. Essa foi uma das maiores tristezas da minha vida. Permaneci nesse estado de espírito até que todos os pontos principais da nossa fé se tornaram claros para a nossa mente, em harmonia com a Palavra de Deus. Os irmãos sabiam que, quando não estava em visão, eu não conseguia compreender esses assuntos; por isso, aceitavam as revelações dadas como luz direta do céu.
"Por dois ou três anos, minha mente continuou fechada para a compreensão das Escrituras. No decorrer de nossos trabalhos, meu esposo e eu visitamos o Pai Andrews [pai de J.N. Andrews], que estava sofrendo intensamente com reumatismo inflamatório. Oramos por ele. Impus as mãos sobre a sua cabeça e disse: 'Pai Andrews, o Senhor Jesus te cura.' Ele foi curado instantaneamente. Levantou-se e andou pelo quarto, louvando a Deus e dizendo: 'Nunca vi nada semelhante. Anjos de Deus estão neste quarto. A glória do Senhor se manifestou. A luz parecia resplandecer por toda a casa, e a mão de um anjo foi posta sobre a minha cabeça. Daquele momento em diante, passei a ser capaz de compreender a Palavra de Deus.'
"Que influência é essa que levaria homens, nesta altura de nossa história, a trabalhar de forma dissimulada e poderosa para derrubar o fundamento da nossa fé — o fundamento que foi lançado no início de nossa obra mediante o estudo fervoroso da Palavra e por revelação? Sobre esse fundamento temos edificado nos últimos cinquenta anos. É de surpreender que, ao ver o início de um trabalho que removeria alguns dos pilares da nossa fé, eu tenha algo a dizer? Devo obedecer à ordem: 'Enfrentai-o!'...
"Devo transmitir as mensagens de advertência que Deus me dá para transmitir e, então, deixar com o Senhor os resultados. Devo agora apresentar o assunto em todos os seus aspectos, pois o povo de Deus não deve ser despojado.
"Nós somos o povo de Deus que guarda os Seus mandamentos. Ao longo dos últimos cinquenta anos, todas as formas de heresia têm sido lançadas contra nós, no intuito de obscurecer a nossa mente quanto ao ensino da Palavra — de modo especial no que se refere ao ministério de Cristo no santuário celestial e à mensagem do Céu para estes últimos dias, conforme proclamada pelos anjos do capítulo catorze do Apocalipse. Mensagens de toda ordem e espécie têm sido impostas aos adventistas do sétimo dia para tomar o lugar da verdade que, ponto por ponto, foi pesquisada mediante estudo acompanhado de oração e confirmada pelo poder operador de milagres do Senhor. Contudo, os marcos no caminho que nos tornaram o que somos devem ser preservados — e serão preservados —, como Deus indicou por meio de Sua Palavra e do testemunho do Seu Espírito. Ele nos convoca a nos apegarmos firmemente, com a firmeza da fé, aos princípios fundamentais que se baseiam em autoridade inquestionável." — Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 206-208.
"Meu esposo, juntamente com os Pastores Joseph Bates, Stephen Pierce, Hiram Edson e outros que eram perspicazes, nobres e fiéis, estava entre aqueles que, após o cumprimento do tempo em 1844, buscaram a verdade como a tesouros escondidos.
"Reuníamo-nos com a alma sobrecarregada, orando para que fôssemos um em fé e doutrina, pois sabíamos que Cristo não está dividido. Um ponto de cada vez tornava-se objeto de investigação. As Escrituras eram abertas com um sentimento de reverente temor. Frequentemente jejuávamos a fim de estar melhor preparados para compreender a verdade. Após uma oração fervorosa, se algum ponto não estivesse compreendido, ele era debatido e cada um expressava livremente a sua opinião; em seguida, curvávamo-nos novamente em oração, e súplicas fervorosas subiam ao céu para que Deus nos ajudasse a ver perfeitamente em harmonia, a fim de que fôssemos um, assim como Cristo e o Pai são um. Muitas lágrimas foram derramadas.
"Passávamos muitas horas dessa maneira. Às vezes, a noite inteira era dedicada à solene investigação das Escrituras, para que pudéssemos compreender a verdade para o nosso tempo. Em certas ocasiões, o Espírito de Deus vinha sobre mim, e trechos difíceis eram esclarecidos pelo meio designado por Deus, e então havia perfeita harmonia. Éramos todos de um só sentimento e de um só espírito.
"Buscávamos com o máximo fervor que as Escrituras não fossem torcidas para se adaptarem às opiniões de quem quer que fosse. Tentávamos fazer com que nossas divergências fossem as menores possíveis, não nos detendo em pontos de menor importância sobre os quais havia opiniões variadas. Contudo, o fardo de cada alma era promover entre os irmãos uma condição que respondesse à oração de Cristo para que os Seus discípulos fossem um, assim como Ele e o Pai são um.
"Às vezes, um ou dois irmãos se opunham obstinadamente à visão apresentada e agiam segundo os sentimentos naturais do coração; mas, quando esse comportamento se manifestava, suspendíamos nossas investigações e encerrávamos a reunião, para que cada um tivesse a oportunidade de recorrer a Deus em oração e, sem conversar com outros, estudasse o ponto de divergência, pedindo luz do céu. Despedíamo-nos com demonstrações de cordialidade, para nos reunirmos novamente o mais breve possível para novas investigações. Em certas ocasiões, o poder de Deus vinha sobre nós de forma marcante e, quando a luz clara revelava os pontos da verdade, chorávamos e nos alegrávamos juntos. Amávamos a Jesus; amávamos uns aos outros." — Testemunhos para Ministros, p. 24-26.
"Nessa época, havia fanatismo entre alguns daqueles que haviam crido na primeira mensagem. Erros graves de doutrina e prática eram acalentados, e alguns estavam prontos a condenar todos os que não aceitassem suas opiniões. Deus me revelou esses erros em visão e me enviou aos Seus filhos errantes para declará-los; contudo, no cumprimento desse dever, enfrentei amarga oposição e censura." — Testemunhos, vol. 5, p. 655-656.
"Devemos estar estabelecidos na fé, à luz da verdade que nos foi dada em nossa experiência inicial. Naquela época, um erro após o outro se avolumava contra nós; pastores e médicos introduziam novas doutrinas. Pesquisávamos as Escrituras com muita oração, e o Espírito Santo trazia a verdade à nossa mente. Às vezes, noites inteiras eram dedicadas a pesquisar as Escrituras e a pedir fervorosamente a orientação de Deus. Grupos de homens e mulheres consagrados se reuniam para esse propósito. O poder de Deus vinha sobre mim, e eu era capacitada a definir claramente o que era a verdade e o que era o erro.
"Ao serem assim estabelecidos os pontos de nossa fé, nossos pés foram postos sobre um fundamento sólido. Aceitamos a verdade ponto por ponto, sob a demonstração do Espírito Santo. Eu era arrebatada em visão, e explicações me eram dadas. Recebia ilustrações das coisas celestiais e do santuário, de modo que fomos colocados onde a luz resplandecia sobre nós em raios claros e distintos.
"Sei que a questão do santuário fundamenta-se na justiça e na verdade, exatamente como a temos mantido por tantos anos. É o inimigo que desvia as mentes para caminhos secundários. Ele se agrada quando aqueles que conhecem a verdade ficam absorvidos em reunir textos sagrados para amontoá-los ao redor de teorias errôneas, as quais não têm fundamento na verdade. As Escrituras assim utilizadas são mal aplicadas; não foram dadas para corroborar o erro, mas para fortalecer a verdade." — Obreiros Evangélicos, p. 302-303.
"Que as verdades que constituem o fundamento da nossa fé sejam mantidas diante do povo. Alguns se desviarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Eles falam em ciência, e o inimigo surge concedendo-lhes ciência em abundância; contudo, não se trata da ciência da salvação. Não é a ciência da humildade, da consagração ou da santificação do Espírito. Devemos agora compreender quais são os pilares da nossa fé — as verdades que nos tornaram, como povo, o que somos, guiando-nos passo a passo." — Counsels to Writers and Editors, p. 29 (Review, 25 de maio de 1905).
"O testemunho penetrante do Espírito de Deus separará de Israel aqueles que sempre estiveram em guerra contra os meios que Deus ordenou para manter as corrupções fora da igreja. Os erros devem ser chamados de erros. Pecados graves devem ser chamados pelo seu devido nome. Todo o povo de Deus deve se aproximar mais dEle... Só então verão o pecado sob a verdadeira luz e perceberão quão ofensivo ele é aos olhos de Deus." — Testemunhos, vol. 5, p. 676.
"O testemunho claro e direto deve permanecer vivo na igreja, ou a maldição de Deus repousará sobre o Seu povo tão certamente quanto repousou sobre o antigo Israel por causa dos seus pecados." — Testemunhos, vol. 3, p. 269.
"Nunca houve maior necessidade de advertências e repreensões fiéis... do que neste exato momento. Satanás desceu com grande poder, sabendo que pouco tempo lhe resta. Ele está inundando o mundo com fábulas agradáveis, e o povo de Deus aprecia que lhe sejam ditas coisas suaves... Foi-me mostrado que o povo de Deus precisa fazer esforços mais firmes e decididos para reprimir as trevas que se aproximam. A obra incisiva do Espírito de Deus é necessária agora como nunca antes." — Testemunhos, vol. 3, p. 327-328.
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