sábado, 17 de julho de 2021

Uma política que não combina com os Estados Unidos

Sabemos que América está começando a falar como dragão (Apocalipse 13:11) quando seus governantes punem cidadãos por suas opiniões, restringem a liberdade de imprensa, criam prisões secretas, sancionam a tortura, detêm cidadãos arbitrariamente, perseguem grupos e pessoas que discordam da narrativa oficial e vigiam cidadãos comuns, características típicas de regimes totalitários, que encontram na Inquisição o seu mais perfeito modelo.

Sobre o último aspecto do totalitarismo – a  vigilância de cidadãos comuns,  uma prática que abordei recentemente aqui –, Anita Novinsky observa que a delação, a denúncia, os "rumores" eram as bases comuns em que se apoiavam tanto a Inquisição Medieval como a Inquisição Moderna. "Havia", ela escreve, "os auxiliares da Inquisição, chamados 'familiares', que ajudavam na caça aos suspeitos, funcionando como espiões, o que tornava mais eficiente o trabalho dos inquisidores". [1]

No século XIII, o Quarto Concílio de Latrão determinou no Canon 3 que todo arcebispo ou bispo, pessoalmente ou através de um representante eclesiástico ou de pessoas de boa reputação, visitasse duas vezes ou, no mínimo, uma vez por ano a diocese na qual se sabia residirem hereges, e que três ou mais homens de bom caráter, ou, ainda, todo a comunidade, fossem compelidos a jurar que, se alguém soubesse da presença de hereges ou outros suspeitos de heresia, denunciasse ao bispo. [2]

O sistema de denúncias da Inquisição serviu de precedente tanto para a polícia secreta da Itália fascista – que, a partir de 1933, estimulou os italianos comuns a fornecer informações sobre seus vizinhos – como para a polícia nazista – que, de 1930 em diante, colocou milhões de cidadãos sob vigilância.

Muitas pessoas que viveram sob o nazismo declararam, em uma pesquisa, que haviam sido espionadas pelos vizinhos, por colegas de trabalho ou de escola ou pela polícia. Algumas pessoas disseram que suas babás, empregadas, colegas de escritório e professores estavam todos listados como espiões. [3]

Então chegamos ao aparato de vigilância do governo americano pós-11 de setembro.

Menos de um ano depois dos atentados terroristas, o governo Bush desencadeou a Operação Tips – Sistema de Informação e Prevenção do Terrorismo – com o objetivo de recrutar informantes entre os cidadãos americanos para comunicar ao Departamento de Justiça qualquer atividade que considerassem suspeita. Os milhões de cidadãos que o programa pretendia alistar deveriam chegar à marca de um informante para cada 24 americanos! [4]

Por resistência do Congresso, a Tips teve vida curta, mas a política de vigiar cidadãos comuns nunca deixou de ser praticada pelo estado profundo. E desde os eventos no edifício do Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, essa política tem sido mais uma vez adotada oficialmente, com agências federais como o FBI encorajando cidadãos americanos a denunciar membros da família e colegas de trabalho que reconhecerem em vídeos e fotos do evento.


Este é um momento potencialmente perigoso para a liberdade, em que crises oferecem excelentes justificativas e coberturas para a imposição de um estado policial. A menos que você tenha faltado às aulas de história, é impossível não relacionar o que vem acontecendo nos Estados Unidos desde o 11 de setembro com o sistema de ameaças da Inquisição.

Delitos por opinião que sujeitavam o infrator à intimidação do estado, prisão arbitrária, tortura e mesmo à morte eram males que os Pais Fundadores conheciam muito bem e que procuraram banir do solo americano mediante a Constituição e a Declaração dos Direitos.

O sistema de freios e contrapesos constitucionais foi estabelecido como uma barreira contra a tendência natural de desejar liberdade para si, e não necessariamente para os outros. Para a geração revolucionária, era essa barreira que mantinha a linha tênue que separa a civilização da barbárie.

No entanto, a América, a "terra dos livres e lar dos valentes", está rapidamente descendo uma ladeira escorregadia em direção ao que o Apocalipse chama de "imagem da besta" (13:11-17), uma identificação desta nação com o espírito e os princípios de organização do papado.

E não há dúvida de que Satanás está aproveitando as crises que vivemos hoje para refinar o roteiro que será seguido quando chegar o tempo de suas manifestações mais extraordinárias.

Lembremos, porém, que em todo o poderio satânico não há força para vencer uma única pessoa que se rende confiante a Jesus Cristo!

Hoje, enquanto ainda temos um fiel Substituto e Fiador, que por Sua expiação proveu-nos um infinito tesouro de força moral, busquemos diligentemente formar e moldar nosso caráter segundo Sua vontade, e, assim, resistir com resoluta fé às renhidas provas que ainda virão.

Notas e referências

1. Anita Novinsky, A Inquisição. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 18.

2. The Twelfth General Council (1215), Fourth Lateran Council, Canon 3. H.J. Schroeder, Disciplinary Decrees of the General Councils: Text, Translation, and Commentary. St. Louis, Mo. and London: B. Herder Book Co., 1937, p. 244.

3. Naomi Wolf, O Fim da América: Cartas a um jovem patriota norte-americano. Rio de Janeiro: Record, 2010, p. 130 e 131.

4. Ibid., p. 125.

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