sábado, 29 de maio de 2021

O cerco está se fechando!

O Fim da América é um dos livros mais importantes que já li. Publicado nos Estados Unidos durante o segundo mandato de George W. Bush, em 2007 (a edição brasileira estreou três anos depois), o relato honesto, refletido e pungente de Naomi Wolf continua, não obstante, atual e, certamente, mais relevante do que nunca.

Na obra, a autora se refere a dez etapas no processo de sufocamento de uma democracia ou de destruição de movimentos democráticos, as quais, juntas, representam mais do que a soma da suas partes. Uma vez que todas sejam postas em prática, cada uma amplia o poder da outra e do conjunto.

"Pode parecer impossível", ela escreveu, "mas estamos vendo cada uma dessas dez etapas se consolidando nos Estados Unidos atualmente".

Naomi Wolf argumenta que a pressão gerada por esse conjunto de ataques à democracia subitamente empurra a nação para uma nova e degradante realidade, um ponto de virada que então se estabiliza na nova normalidade nacional para depois recomeçar nesse nível mais alto de opressão.

E precisamente agora recomeçamos esse processo no seu maior nível desde que o USA Patriot Act entrou em vigor em 2001, na esteira dos atentados de 11 de setembro, uma lei que ampliou exponencialmente o poder das forças de segurança do estado sob o pretexto de combater o terrorismo.

Refiro-me à mais recente política americana de vigilância de cidadãos comuns, uma das dez etapas em direção à virada totalitária.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) anunciou a criação de um novo centro de programas de prevenção para combater o extremismo doméstico e violências específicas. Trata-se de um centro para prever crimes ao melhor estilo de Minority Report!

Os esforços preventivos combinam o uso de uma gama de tecnologias de vigilância, coleta de dados e detecção de comportamento com programas de delação abrangentes, que incluem familiares, colegas e vizinhos como potenciais informantes, com o objetivo expresso de deter supostos criminosos antes que eles possam causar algum dano.

Considerando que "extremistas domésticos" é uma expressão que tem se tornado tão elástica quanto "fascistas" ou "fundamentalistas", qualquer americano comum que se envolver em comportamentos legais, mas que acionam os inúmeros sensores preventivos do DHS, pode ser rotulado de "extremista doméstico", o que, na prática, significa uma inversão no ônus da prova, de maneira que a culpa é presumida no lugar da inocência, uma reversão no ordenamento jurídico vigente.


John W. Whitehead e Nisha Whitehead, do The Rutherford Institute, lembram que não é preciso muito para ser incluído na lista de suspeitos do governo, da qual, também lembramos, dificilmente se pode sair. Basta usar certas palavras-gatilhos, navegar na internet, comunicar-se usando um telefone celular, dirigir um carro, hospedar-se em um hotel, comprar materiais em uma loja de ferragens, frequentar aulas de voo ou náutica, parecer suspeito a um vizinho, questionar a autoridade governamental ou simplesmente residir nos Estados Unidos.

Quem pode ser um terrorista doméstico de acordo com o DHS?

Bem, é aqui que as coisas ficam realmente interessantes.

James Wesley Rawles, um ex-oficial da Inteligência do exército americano,  postou recentemente no AxXiom for Liberty algumas tendências muito perturbadoras no treinamento de aplicação da lei destinado às autoridades locais, com destaque ao amplo escopo na definição do governo sobre potenciais terroristas domésticos.

Rawles lista as seguintes características que, segundo o DHS, qualificam uma pessoa como potencial terrorista doméstico (a ênfase é minha):

  • Expressões de filosofias libertárias (declarações, adesivos)
  • Pontos de vista orientados para a segunda emenda (ser membro da NRA ou de um clube de armas, possuir uma licença CCW [Carrying a Concealed Weapon, certificado que permite o porte oculto de arma de fogo nos EUA]).
  • Literatura sobrevivencialista (livros de ficção como "Patriots" e "One Second After" são mencionados pelo nome).
  • Autossuficiência (estocar alimentos, munições, ferramentas manuais, suprimentos médicos).
  • Medo de colapso econômico (compra de ouro e itens de troca).
  • Pontos de vista religiosos sobre o livro do Apocalipse (fim do mundo, anticristo).
  • Medo expresso do Big Brother ou do grande governo.
  • Homeschooling.
  • Declarações sobre direitos constitucionais e liberdades civis.
  • Crença em uma conspiração da Nova Ordem Mundial.

Então, se eu fosse um cidadão americano e meu blog tivesse mais alcance do que tem agora, provavelmente estaria na mira do DHS como um potencial "terrorista doméstico", alguém cujo nome constaria em listas de observação que autoridades locais e agências governamentais poderiam acessar.

Não somente eu, mas toda uma igreja que crê, vive e prega sobre as profecias do Apocalipse, o tempo do fim, a natureza e identidade do anticristo e a volta de Jesus!

Michael German, ex-agente do FBI e conselheiro de Política sobre Segurança Nacional, Imigração e Privacidade da ACLU (American Civil Liberties Union), observou:

A coisa mais perturbadora que descobrimos é o escopo das atividades de inteligência doméstica que ocorrem hoje. A espionagem doméstica agora está sendo feita por uma série de agências federais (FBI, DOD, DHS, DNI), bem como por polícias estaduais e locais e até mesmo empresas privadas. Muitas vezes, essa espionagem tem como alvo atividades políticas e práticas religiosas. Documentamos atividades de inteligência visando ou obstruindo atividades protegidas pela Primeira Emenda em 33 estados e na capital federal.

Naomi Wolf advertiu que os Estados Unidos dos Pais Fundadores estão num processo de alteração para sempre. Suas palavras adquirem um sentido único quando consideramos que esta grande nação, semelhante a um cordeiro, falará como dragão, à medida que abandona os nobres princípios sobre os quais foi fundada e manifesta o mesmo espírito arbitrário e opressor do papado medieval (Apocalipse 13:11-17).

É impossível reverter o fluxo da história. As tendências perturbadoras em curso na América são um avanço na direção antecipada na profecia. As liberdades de consciência e de expressão que tanto prezamos e que temos por garantidas estão sendo eliminadas, e todo aquele que quiser defendê-las ou posicionar-se pela verdade se encontrará em situações cada vez mais desfavoráveis.

Em Eventos Finais, p. 141 e 142, Ellen G. White escreveu:

Os seguidores da verdade são agora compelidos a escolher entre desrespeitar um claro preceito da Palavra de Deus, ou perder a liberdade. Se renunciarmos à Palavra de Deus e aceitarmos costumes e tradições humanos, talvez ainda nos seja permitido viver entre os homens, comprar e vender, e ter os nossos direitos respeitados. Se, porém, mantivermos a lealdade a Deus, isto se dará à custa de nossos direitos entre os homens, pois os inimigos da lei de Deus têm-se coligado para esmagar o juízo independente nas questões da fé religiosa e do controle das consciências humanas.

O povo de Deus reconhecerá o governo humano como sistema estabelecido por determinação divina e, por preceito e exemplo, ensinará obediência a ele como dever sagrado enquanto sua autoridade for exercida em sua legítima esfera de ação. Mas quando as suas reivindicações estão em desacordo com as reivindicações de Deus, devemos escolher obedecer antes a Deus do que aos homens. A Palavra de Deus precisa ser reconhecida e obedecida como autoridade acima de toda legislação humana. O “Assim diz o Senhor” não deve ser posto de lado por um “Assim diz a Igreja ou o Estado”. A coroa de Cristo deve ser erguida acima de todos os diademas dos potentados terrestres.

Se cedemos agora à pressão social, se comprometemos nossos valores cristãos a fim de agradar a homens que estão usando sua influência política para restringir a liberdade religiosa, estamos nos preparando para ingressar nas fileiras do adversário. Seguir a Jesus tem um custo, e se estamos cedendo à pressão social agora, certamente teremos dificuldades nos dias que virão.

Lembre-se: só poderão fazer a escolha certa e deixar com Deus as consequências os que estão sendo santificados na verdade! Nada, a não ser a santificação em Cristo nos habilitará a suportar com fé e intrepidez a influência de homens que estão trabalhando para reprimir a liberdade e compelir as pessoas a observar leis que contrariam o claro e direto "Assim diz o Senhor".

Queira Deus que sejamos uma voz em defesa da liberdade de consciência e trabalhemos em harmonia com nossas mais fervorosas orações para que, como atalaias que soam o alarme ao ver a iminência da espada, avisemos homens e mulheres sobre os perigos que evitariam se conhecessem a verdade.

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