sábado, 26 de junho de 2021

Crise global: um ensaio para o futuro, um teste para o presente

Os direitos consagrados na Primeira Emenda da Constituição dos EUA – liberdade de consciência, liberdade religiosa, liberdade de expressão e de imprensa, liberdade de reunião – estão sendo comprometidos nestes tempos de crise; direitos que jamais deveriam ser sacrificados, mesmo em tais circunstâncias.

Como consequência de sua resposta à pandemia, o poder do estado cresceu de modo assustador nos últimos quinze meses, tanto em escopo quanto em escala, e, por isso, vivemos no período mais obscuro para as liberdades individuais.

Vigilância e monitoramento dos cidadãos, penas desproporcionaiscoleta arbitrária de dados, identificação biométrica, intimidação e repressão devido a pontos de vista divergentes sobre assuntos de interesse público... As reações do estado à crise sanitária sob o pretexto da segurança estão estabelecendo um precedente terrível. Como Thomas Jefferson advertiu: "A maior calamidade que poderia nos acontecer seria a submissão a um governo de poderes ilimitados".

Nada, porém, ilustra melhor a maneira pela qual a lógica inerente a estas políticas tem levado os governos a um tipo de coerção até há pouco tempo impensável, do que os chamados "certificados de imunidade" ou "passaportes de saúde", uma medida que expandirá ainda mais os poderes estatais sobre o cidadão.

Em 24 de março de 2020, Bill Gates se referiu a esses passaportes em uma entrevista a Chris Anderson, o curador do TED, a organização sem fins lucrativos que dirige as famosas séries de palestras, justificando seu emprego como uma forma de identificar pessoas imunizadas e, assim, garantir seu direito de ir e vir, o que, dito de outra forma, significa que pessoas sem essa certificação poderiam ser privadas desse direito.

Era evidente na ocasião que a adoção desses certificados criaria uma sociedade de dois níveis, em que um grupo teria acesso aos direitos básicos que era possível desfrutar livremente antes da pandemia e o outro, não.

Nos meses seguintes, governos ocidentais sinalizaram que não adotariam essa política. Mas, contrariamente às suas declarações, empresas estão se unindo ao governo para impor a política dos passaportes de saúde, de maneira que, a princípio, os governos não precisarão implantar essa medida arbitrária, uma vez que as empresas estão fazendo isso por eles.

Assim, os passaportes de vacinação estão sendo implementados sem qualquer supervisão ou consentimento do público. Sua admissão tem consequências devastadoras e de longo alcance para as liberdades constitucionais. O direito de acesso à economia é negado. Como Birsen Filip observou, liberdade econômica significa basicamente liberdade para consumir, trocar, produzir e cooperar de forma espontânea e voluntária. 

Em outras palavras, se as ações coercitivas do estado violassem ou abolissem a liberdade econômica, os indivíduos seriam essencialmente privados da liberdade geral, incluindo liberdade de discurso, liberdade de expressão, liberdade de religião, liberdade de reunião, liberdade de imprensa e liberdade intelectual.

Refletindo sobre as mesmas implicações de tal política, Brandon Smith escreveu:

Muitas pessoas parecem não entender que existem diferentes tipos de monopólios com os quais precisamos nos preocupar. Monopólios nas redes sociais e nas comunicações são um exemplo, mas e os monopólios ideológicos em geral? Você pode ter uma centena de pequenas empresas e grandes varejistas em uma comunidade, mas se todos eles decidirem cumprir coletivamente as leis contra a covid, ou se todos eles forem obrigados a fazer cumprir essas leis, todas as opções serão indistintamente removidas do mercado. Este é um monopólio ideológico tão perigoso quanto qualquer monopólio corporativo.

Naturalmente, você pode se recusar a tomar a vacina, mas se a maioria das empresas em sua comunidade exigir uma prova de vacinação antes que você possa trabalhar ou fazer compras nelas, sua recusa virá com a promessa de pobreza e possivelmente fome. Você seria completamente excluído da economia convencional.

Por mais assustador que seja, é em direção a essa realidade que o mundo caminha rapidamente.

Na Alemanha, por exemplo, um certificado digital de vacinação permitirá que os usuários baixem o comprovante de seu status de vacinação em um aplicativo no smartphone, o que lhes possibilitará acesso a restaurantes, museus e outros locais que exijam prova de imunização.

Foi precisamente a ausência de tal prova que impediu que uma idosa de 100 anos fizesse compras em um supermercado em Santiago, no Chile. O segurança do estabelecimento que negou sua entrada insistiu que perderia o emprego se permitisse seu acesso sem o certificado digital de saúde.

Mesmo uma pequena aldeia no Alasca com menos de 500 habitantes está exigindo que os moradores sejam totalmente vacinados para que possam fazer compras presencialmente.

Medidas emergenciais podem começar como respostas justificáveis a preocupações legítimas, mas invariavelmente se tornam instrumentos de conformidade e controle nas mãos de governos que tiram proveito das crises para aumentar seu poder. Sabemos que essas pequenas tiranias e hostilidades contra os interesses dos indivíduos, da sociedade e do estado de direito em nome do bem social são uma preparação para a crise vindoura (veja, por exemplo, Apocalipse 13:16-17).

Mas não devemos esquecer que elas também representam uma prova para o povo de Deus no presente. 

A quem vamos obedecer?

Qualquer pessoa que sustente um posicionamento contrário às políticas de saúde em vigor, seja por questões de razão ou consciência, se expõe ao risco de ser ridicularizada como anticientífica, considerada egoísta e censurada. A atmosfera de medo e intimidação em torno desse assunto diz muito sobre os tempos tenebrosos em que vivemos. Mas o problema não para por aí.

Como mencionei há pouco, as políticas cada vez mais restritivas estão criando uma sociedade de duas camadas, em que as liberdades e direitos básicos são garantidos apenas para os totalmente imunizados, ao passo que os não imunizados são tratados como cidadãos de segunda classe.

De que maneira isso nos afeta como igreja? Considere a seguinte situação.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma agência do Departamento de Saúde dos EUA) publica em seu website um guia atualizável sobre relacionamentos e atividades consideradas seguras, distinguindo entre vacinados e não vacinados. Nos exemplos de atividades em ambientes fechados, o CDC inclui a "plena assistência aos serviços de adoração" e "cantar em um coro" como atividades "seguras" para os totalmente vacinados e "minimamente seguras" para os não vacinados.

Pense por um instante no significado prático dessa distinção e seu impacto no modo como conduzimos a igreja de Deus.


Sabemos que é um dever moral reconhecer e obedecer à autoridade devidamente constituída e às leis do país enquanto forem justas e legitimamente exercidas. Mas quando suas reivindicações estão em desacordo com as reivindicações e princípios do reino de Deus, devemos fazer a escolha de Atos 5:29 e deixar com o Senhor as consequências.

Evidentemente, a vacina não é a marca da besta, mas as mesmas questões fundamentais de consciência e liberdade religiosa estão envolvidas, ainda que em menor escala, e devemos prestar atenção à elas.

Como reagiremos, então, à distinção do CDC? Adotaremos indiscriminadamente as políticas de saúde e trataremos os não vacinados como adoradores de segunda classe? Como campeões da liberdade religiosa, nos alinharemos com os padrões arbitrários das autoridades públicas, segregando ou mesmo recusando acolher pessoas que, por razões de consciência, se opõem à vacinação forçada? Confiaremos cegamente nas políticas governamentais para orientar nossa conduta como igreja de Deus, quando sabemos que muitas dessas políticas violam um dos princípios mais fundamentais de Seu reino, que é a liberdade de consciência?

Se endossarmos essas políticas, mesmo através da nossa omissão, dificilmente poderemos continuar ensinando e defendendo a liberdade de consciência sem prejuízo de nossa credibilidade. A resposta a estas questões imediatas também nos dará uma pista de como reagiremos à vindoura crise da lei dominical, que envolve desafios semelhantes, porém muito mais profundos.

Arrisco-me a dizer que a maioria das pessoas que recusa as vacinas não o faz por mero capricho.  Muitas têm motivos razoáveis. Podemos ou não concordar com elas, mas certamente é nosso dever respeitar e preservar sua liberdade de escolha no espírito de Cristo, e não penalizá-las.

Nesse contexto, parece-me um tanto precipitado defender as vacinas nos canais de comunicação da igreja baseados mais na perspectiva unilateral de cientistas que ocupam posições de poder, como meros refletores do pensamento alheio, do que no método puramente científico, pelo qual a busca sistemática e autocrítica da verdade pode ser alcançada.

Nosso conhecimento é imperfeito. Geralmente julgamos as coisas pelas primeiras impressões e intuições que recebemos, e raramente com base em critérios racionais e objetivos. É perigoso recorrer a atalhos mentais para entender o mundo, pois podemos acabar com uma visão grosseiramente diferente da realidade. No caso em apreço, há pontos de vista divergentes da narrativa oficial, mesmo em nossa comunidade médica, que convém ouvir e avaliar antes de formar uma opinião.

Além disso, é de conhecimento geral que a rotina traz segurança. Quando a rotina é abruptamente interrompida por uma crise, as pessoas entram em um estado de desorientação emocional provocado pelo choque. Nessas condições, elas estarão mais propensas a aceitar soluções pouco comuns, que minarão suas liberdades em troca da falsa sensação de segurança.

Esse é o caminho para que o ódio social e econômico exacerbado por uma crise transforme a discriminação em argumento político, com a consequente violência impulsiva contra grupos que passam a ser objeto da indignação geral. Essa cultura discriminatória raramente se limita a agressões mesquinhas e invariavelmente leva aos tipos de violência e tragédia sobre os quais a história e a experiência testificam amplamente.

Hoje, podemos dizer que o grupo mais suscetível ao descontentamento geral inclui os que, por razões de consciência, recusam a vacina. Amanhã, serão os que desejarem permanecer fiéis aos mandamentos de Deus pelas mesmas razões.

O mundo caminha inexoravelmente rumo ao que o Apocalipse chama de "a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (16:14). E, à medida que nos aproximamos desse Dia, Satanás intensificará seus esforços para destruir um dos princípios mais elementares do reino de Deus: a liberdade de consciência.

Por essa razão, é necessário que a igreja reconheça sua total dependência de Deus e viva e trabalhe de tal forma que Sua presença possa estar com ela.

Minha oração é que, no Espírito do Senhor, tomemos uma posição ousada e inspiradora a favor da liberdade de consciência. Se o fizermos e depositarmos nossa confiança no Senhor, não seremos envergonhados.

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