sábado, 3 de outubro de 2020

Uma sombra sinistra paira sobre a América

Duas pesquisas diferentes divulgadas no mesmo dia (1º de outubro de 2020) chamaram minha atenção. Embora independentes uma da outra, ambas estão relacionadas e cada uma revela a dimensão da crise que aflige a democracia americana.

Uma pesquisa, conduzida pelo Politico, revelou um aumento na proporção de americanos que acreditam que a violência seria justificada se seu lado perdesse a próxima eleição presidencial.

"Como um número crescente de líderes e acadêmicos americanos proeminentes, estamos cada vez mais temerosos de que este país esteja caminhando para a pior crise pós-eleitoral em um século e meio", dizem os pesquisadores, acrescentando que uma disputa eleitoral acirrada pode gerar violência e derramamento de sangue.

"Infelizmente, não estamos sendo alarmistas sobre o potencial de violência; tendências na opinião pública que temos monitorado fornecem fortes motivos para preocupação."

Entre os americanos que se identificam como democratas ou republicanos, 1 em cada 3 agora acredita que pode ser justificável recorrer à violência para promover os objetivos políticos de seus partidos - um aumento substancial nos últimos três anos.

Eis o que a pesquisa encontrou:

  • Em setembro, 44 por cento dos republicanos e 41 por cento dos democratas disseram que haveria pelo menos "um pouco" de justificativa para a violência se o candidato do outro partido ganhasse a eleição. Esses números aumentaram em relação a junho, quando 35% dos republicanos e 37% dos democratas expressaram o mesmo sentimento.

  • Da mesma forma, 36 por cento dos republicanos e 33 por cento dos democratas disseram que é pelo menos "um pouco" justificável para o seu lado "usar a violência para fazer avançar objetivos políticos" – em comparação aos 30 por cento dos republicanos e democratas em junho.

  • Tem havido um aumento ainda maior na proporção de democratas e republicanos que acreditam que haveria "muita" ou "uma grande" justificativa para a violência se seu partido perdesse em novembro. A parcela de republicanos que veem uma justificativa substancial para a violência caso seu lado perca saltou de 15% em junho para 20% em setembro, enquanto a parcela de democratas saltou de 16% para 19%.

  • Esses números são ainda maiores entre os partidários mais ideológicos. Dos democratas que se identificam como "muito liberais", 26 por cento disseram que haveria "uma grande" justificativa para a violência se seu candidato perdesse a presidência, em comparação com 7 por cento dos que se identificam como simplesmente "liberais". Dos republicanos que se identificam como "muito conservadores", 16 por cento disseram acreditar que haveria "uma grande" justificativa para a violência se o candidato republicano perdesse, em comparação com 7 por cento daqueles que se identificam como simplesmente "conservadores". Isso significa que os extremos ideológicos de cada partido são duas a quatro vezes mais propensos a ver a violência como justificada do que os membros convencionais de seu partido.

Os pesquisadores concluíram "que cerca de 1 em cada 5 americanos com forte afiliação política afirma estar bastante disposto a endossar a violência se o outro partido ganhar a presidência" e que tanto a história quanto a psicologia social nos advertem a levar essas ameaças muito a sério.

Eles também fizeram um paralelo entre as tendências atualmente em curso na América com a ascensão dos autoritarismos na Europa nas décadas de 1920 e 1930, quando "uma onda crescente de mobilização armada de rua e de confrontos violentos entre guerrilheiros rivais devastou culturas democráticas frágeis, intimidou e marginalizou as forças moderadas e deu aos autocratas em ascensão uma desculpa para exercer poderes de emergência".

Os pesquisadores observam que expressar aprovação à violência partidária não implica violência de fato, pelo menos por parte da maioria, em virtude dos riscos legais, sociais e físicos envolvidos. No entanto, eles assinalam que "mesmo uma mudança de 1 por cento nessas pesquisas representaria a opinião de mais de um milhão de americanos".

Além disso, dois dos pesquisadores descobriram "que eventos violentos tendem a aumentar a aprovação pública da violência política - criando potencialmente um ciclo vicioso, mesmo que a violência seja desencadeada em apenas alguns pontos".

A outra pesquisa, conduzida pelo Engagious, Sports and Leisure Research Group e a ROKK Solutions, e divulgada pela WND, constatou que três em cada cinco americanos acreditam que o país está à beira de uma guerra civil, e que mais da metade já está se preparando para isso.

"Este é o resultado de pesquisa mais assustador com o qual já estive associado", disse o pesquisador Rich Thau a Paul Bedard em sua coluna para o Washington Examiner.

A pesquisa revelou que 61% dos americanos acreditam que os EUA estão se aproximando de uma segunda guerra civil, quarenta e um por cento "concordam totalmente" com isso, e 52% estão "tão convencidos de que está próxima, ou que ocorrerá depois do dia da eleição, que estão estocando alimentos e outros itens essenciais".

Aqueles que estão nos extremos ideológicos são os mais propensos a acreditar na iminência de uma guerra, com 52% dos entrevistados "muito liberais" e "muito conservadores" afirmando acreditar na declaração "Estou preocupado que os EUA possam estar à beira de outra guerra civil".

A América nunca esteve tão dividida, e a liberdade, tão ameaçada.

A próxima eleição presidencial será, sem dúvida, a mais importante desde que Abraham Lincoln chegou à presidência em 1861, quando um clima social e político semelhante culminou com uma guerra civil que quase dividiu a nação.

Sobre essa guerra, aliás, Lincoln fez uma observação verdadeiramente esclarecedora que pode lançar alguma luz sobre o atual clima na sociedade americana.

Suas palavras deveriam nos lembrar que um inimigo tolerante onde é impotente continua sendo um inimigo em potencial:

Esta guerra nunca teria sido possível sem a influência sinistra dos Jesuítas. Devemos ao Papado a razão por que vemos agora nossa terra avermelhada com o sangue de seus filhos mais nobres... Oculto do conhecimento da nação o que sei sobre esse assunto; pois se o povo conhecesse toda a verdade, esta guerra se transformaria em uma guerra religiosa... Seria uma guerra de extermínio de ambos os lados. Os protestantes do Norte e do Sul certamente se uniriam para exterminar os padres e os jesuítas, se pudessem ouvir o que o professor Morse me disse a respeito dos planos feitos na própria cidade de Roma para destruir esta República..., como fizeram na Irlanda, no México, na Espanha e onde quer que haja qualquer povo que queira ser livre. (Charles Chiniquy, Fifty Years in the Church of Rome, cap. 60).

Então, não deveria nos surpreender que, em última instância, o papado seja o maior beneficiário da crise social e política que está devastando os Estados Unidos.

Não é a América dos democratas ou republicanos, nem tampouco da elite política e dos tecnocratas de plantão que está sob ameaça, mas uma América que já não pode dizer "Nós, o povo..."; a América com a qual Roma papal nunca se identificou, pois julga "em extremo perniciosa" sua liberdade.

Certamente, a liberdade de consciência e a separação constitucional dos poderes são perniciosas para uma Igreja que reclama ser "o governo supremo e a senhora soberana em todas as questões que dizem respeito aos direitos e deveres dos homens".

E, como Ellen G. White observou, "esta é a religião que os protestantes estão começando a encarar com tanto agrado e que finalmente se unirá com o protestantismo" (Eventos Finais, p. 130, 2), sob o pretexto de restaurar a ordem social.

O que acontece quando um governo protestante abandona os princípios que fizeram dele uma nação livre e independente pela adoção dos princípios católico-romanos?

Quando as igrejas protestantes se unirem com o poder secular para amparar uma religião falsa, à qual se opuseram os seus antepassados, sofrendo com isso a mais terrível perseguição, então o dia de repouso papal será tornado obrigatório pela autoridade mancomunada da Igreja e do Estado. Haverá uma apostasia nacional que só terminará em ruína nacional. (Eventos Finais, p. 134, 3).

O que está acontecendo hoje na América é apenas o princípio das dores. A solução vindoura para a crise institucional e social que se aprofunda mostrar-se-á mais letal que o problema.

Esse é o período em que nossa fé e lealdade a Deus serão provadas como nunca. Se desejamos estar entre os que triunfarão com Cristo, o tempo de preparo é agora.

2 comentários:

  1. Ricardo você escreve de um modo que elucida, abre nossos olhos a ponto de enxergarmos, ainda que superficialmente todos os "lados" em questão. Parabéns

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    1. Obrigado, Luiza, por suas palavras tão gentis! Que Deus seja louvado! Saudades!

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