Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 29 de abril de 2017

Adoração em espírito e em verdade

No Apocalipse, nosso Senhor Jesus deixou-nos um guia seguro pelo qual podemos conhecer a vontade de Deus em matéria de adoração e ainda precaver-nos contra os astuciosos enganos de Satanás quanto ao assunto.

Em virtude de sua natureza decisiva no âmbito na obra final de Cristo no santuário celestial, a adoração ocupa um lugar central no Apocalipse, especialmente nas profecias do tempo do fim.


Por meio destas profecias, Jesus Cristo nos adverte que os verdadeiros adoradores não serão avaliados no juízo por suas pretensas reivindicações de autoridade ou santidade, mas por sua obediência à "palavra de Deus" e ao "testemunho de Jesus" (Apocalipse 12:17; 14:12)!

Como assinala Hans K. LaRondelle, o povo que adora a Deus com estas duas características está em uma plataforma comum e adora em harmonia básica com a igreja dos apóstolos. A igreja remanescente está segura de parecer-se com a igreja apostólica em suas crenças fundamentais e em sua adoração espiritual de Deus. (1)

O testemunho de Jesus não é menos canônico do que a palavra de Deus! Ambos constituem a norma final para a adoração cristã e tudo o que se relaciona a ela.

O apelo de Cristo à adoração verdadeira (Apocalipse 14:7) deve, pois, ser compreendido à luz de Seu testemunho histórico a respeito do tema, sem o qual será impossível reavivá-la entre nós segundo a palavra de Deus.

O ensino de Jesus sobre a adoração verdadeira

O testemunho mais expressivo de nosso Senhor sobre a genuína adoração de Deus, tanto do ponto de vista da mensagem, como das circunstâncias em que ela foi transmitida, encontra-se em João 4:19-26.

O encontro de Jesus com a mulher samaritana é significativo sob todos os aspectos! Lembra-nos do profundo e amorável interesse do Senhor pelo perdido, Sua iniciativa em salvá-lo e Sua determinação em trazê-lo de volta à comunhão com Ele!

Também chama a nossa atenção para a abrangência de Seu inefável amor, que alcança o pecador independentemente das condições de seu nascimento, nacionalidade ou status social.

E o infinito poder do amor de Jesus pode romper até mesmo o mais espesso e impenetrável muro que divide os seres humanos!

Que pensamento sublime! O Deus que criou todas as coisas (João 1:1-3; Colossenses 1:15-16) assumiu a forma humana e, nessa humanidade sem pecado (João 8:46; I Pedro 1:19), ofereceu-Se voluntariamente como sacrifício pelos pecados de todo ser humano!

De fato, a vida que procede do Salvador é a única que pode restaurar um coração quebrantado, dolorido e arruinado pelas tragédias do pecado e comunicar autêntica paz e vida abundante à alma (João 14:27; 10:10)!

Assim, o precioso dom de Jesus à samaritana - "Se você Me conhecesse e pedisse, Eu lhe daria água viva" - ainda é oferecido a todo o pecador com a mesma força e intensidade de outrora e com o fim de suprir plenamente as mesmas necessidades!

Mas o diálogo de Cristo com aquela mulher revela também um dos objetivos mais importantes do ministério terrestre de nosso Redentor: restabelecer a adoração verdadeira de Deus!

A manifestação física de Jesus entre os homens mudaria para sempre o senso comum sobre a adoração. Chegara o tempo em que o culto a Deus não seria mais restringido por fatores étnicos ou geográficos, isto é, que a adoração verdadeira não favoreceria um povo em particular, nem dependeria de um local específico.

Um lugar geográfico para a adoração, como era o caso do templo de Jerusalém, favorecia, a princípio, o povo que dele se beneficiava. Mas a adoração a qual Cristo se referiu - "em espírito e em verdade" (João 4:23-24) - é essencialmente universal, não limitada, portanto, por aqueles fatores!

Tal é a dimensão conferida à adoração de Deus na mensagem do primeiro anjo em Apocalipse 14:6-7!

Tudo isso significava que não era mais necessário continuar na rotina do passado, nem aguardar um tempo futuro para entrar na verdadeira adoração e receber a "água viva".

Jerusalém era o lugar designado para a adoração (ver João 4:21) e continuaria assim por mais um breve tempo, mas a verdadeira adoração poderia começar "já". O que contava não era onde alguém adorava, mas a quem e como o fazia. (2)

E esta é a singularidade do testemunho de Cristo acerca da genuína adoração de Deus!

O princípio da adoração do Senhor

A maneira como Cristo testificou da adoração verdadeira à mulher samaritana constitui uma valiosa lição para nós. Ele não lhe estendeu o convite para tornar-se uma legítima adoradora nem a desafiou a tomar uma decisão nesse sentido, sem antes despertar em seu coração um ardente desejo pela "água viva" (João 4:10-15)!

A forma como Jesus trabalhou com a samaritana tinha o propósito de oferecer-lhe algo muito além de suas esperanças! Toda a ação de nosso Senhor durante esse encontro trazia consigo o terno interesse do Mestre em dar-lhe a "água viva", que era Ele mesmo!

Ao proceder assim, o Senhor desejava que ela entendesse que o fundamento da verdadeira adoração não estava nas formas e tradições de sua fé, a qual havia se desviado da verdadeira religião dos judeus, mas no relacionamento pessoal com o seu Criador e Redentor!

É precisamente aqui que encontramos o princípio da adoração que agrada a Deus: na experiência pessoal com a "água viva", Jesus Cristo, que satisfaz completamente a sede da alma e proporciona vida eterna àquele que a recebe! Nossa resposta não pode ser outra, senão adorar o Doador da vida!

Esta experiência envolve algo mais do que a mera profissão de fé em Jesus. O apóstolo Paulo a descreve nestes termos:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1-2)

Consideremos um pouco esta exortação inspirada, a fim de melhor compreender o testemunho de nosso Salvador no que tange à adoração verdadeira.

O apelo de Paulo para que os cristãos consagrem-se inteiramente a Deus abrange corpo, mente e espírito, ou seja, todas as dimensões do ser.

Nisto consiste o sacrifício vivo a que o apóstolo se refere, em contraste com os sacrifícios de animais no sistema cerimonioso do Antigo Testamento.

Da mesma forma como os animais eram sacrificados a Deus, agora os seguidores de Jesus devem oferecer-Lhe o corpo, não para ser morto, naturalmente, mas como sacrifício vivo dedicado a Ele e a Seu serviço!

No antigo sistema sacrifical, Deus exigia que a oferta fosse limpa, sem defeito nem mancha, razão por que os animais levados ao templo eram cuidadosamente examinados. Uma oferta que apresentasse qualquer traço de imperfeição era rejeitada.

De igual modo, nosso Senhor requer de Seus seguidores que apresentem seus corpos "por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus", no sentido de que suas faculdades sejam preservadas na melhor condição possível e a Ele dedicadas.

A oferta de si mesmo a Deus exige também a consagração das faculdades intelectuais e espirituais, pois a santificação deve incluir todo o ser, até que a imagem de Deus no homem, danificada pelo pecado, seja restaurada à sua perfeição original (Colossenses 3:9-10).

Considerando que o pecado provocou uma inversão hierárquica e inter-relacional na mente, onde suas faculdades mais nobres foram substituídas pelo impulso dos sentimentos e das emoções, as tendências de nossa natureza física devem estar sob o domínio das faculdades superiores, e estas, por sua vez, santificadas pela graça divina, devem sujeitar-se ao controle de Deus.

Assim, o sacrifício vivo (isto é, o sacrifício de todo o ser ao Senhor), santo (no sentido de que todas as suas faculdades sejam conservadas em pureza e santidade) e agradável a Deus (e não aos homens) é o caminho para que o cristão possa ofertar-Lhe um "culto racional", ou espiritual, o único aceitável ao Senhor.

Separação do mundo pela renovação da mente

O sacrifício de si mesmo a Deus deve, no entanto, ocorrer na mesma proporção em que o crente se afasta do mundo, de maneira que os valores e costumes seculares não moldem seu caráter.

A santificação jamais será uma realidade se o cristão viver de acordo com o mundo, pois, neste caso, viverá segundo a carne, e não pelo Espírito (Romanos 8:12-13). A transformação interior só pode vir se houver uma separação externa de todos os costumes mundanos (II Coríntios 6:14-18; 7:1).

A "água viva" destina-se a proporcionar ao crente um novo nascimento, uma nova vida, plenamente transformada desde o íntimo do ser, a fim de que o velho homem seja progressivamente silenciado e finalmente erradicado quando Jesus voltar (I Coríntios 15:53-56).

Sob o domínio das paixões carnais, será impossível ao cristão possuir algum discernimento espiritual, necessário à devida apreciação dos dons de Deus, porque as coisas espirituais se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14).

Porém, se houver genuína conversão e santificação, a mente sujeitar-se-á ao Espírito de Deus, mediante O qual teremos a mente de Cristo (I Coríntios 2:16), uma nova mente ou novo coração, em cumprimento à divina promessa em Ezequiel 36:26-27!

E como observamos em um artigo passado, a transformação diária do homem interior proporcionada por semelhante experiência certamente se refletirá na mudança progressiva e contínua da vida exterior, à medida que o caráter de Cristo se reproduz na vida do crente.

Uma vez que tal aconteça, estaremos habilitados a conhecer "a boa, agradável e perfeita vontade de Deus", decidir a seu favor, e viver de acordo com ela! Porque uma mente renovada pelo Espírito Santo terá plenas condições de saber o que Deus deseja e quais meios Ele providenciou para que cumpramos o Seu propósito.

A classe de adoradores que Deus procura

A santa exortação de Paulo lança preciosa luz sobre as palavras de nosso Senhor a respeito da adoração aceitável a Deus.

Ao despertar na mulher samaritana o desejo pela "água viva" - água capaz de satisfazer plenamente as necessidades presentes e futuras -, e identificando-a com o próprio Messias, Jesus habilmente desafiou-a a converter-se em uma verdadeira adoradora.

Pela manifestação do Filho de Deus, havia chegado o tempo em que o lugar de culto deixaria de ser um assunto de importância, que a verdadeira adoração emanaria de um coração convertido e santificado pelo Espírito do Senhor, e que esta seria de fato a adoração agradável a Deus!

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (João 4:23-24)

Note a ênfase do Senhor Jesus nestas duas qualidades!

Adorar a Deus em espírito e em verdade é adorá-Lo da maneira divinamente prescrita. Uma adoração que não tenha estas características, por mais sinceros que sejam os adoradores, não poderá agradar a Deus, do mesmo modo que um animal com o mais leve traço de imperfeição não seria aceito pelo sacerdote diante do antigo santuário.

E nosso bendito Salvador justifica sua definição da adoração verdadeira ao referir-se a Si mesmo com estas palavras: "Deus é espírito"!

Isto significa que Deus é um Ser espiritual infinito, transcendente e santo, não limitado por nenhum dos fatores aos quais estão sujeitos seres finitos.

Salomão reconheceu esta solene verdade em sua memorável prece de consagração do templo de Jerusalém:

Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei. (I Reis 8:27)

Não obstante, a despeito de Sua transcendência, o Senhor Deus declara por intermédio de Seu profeta:

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. (Isaías 57:15)

Embora Deus seja transcendente, Deus santo e eterno, Ele Se compraz em habitar em nosso coração pela fé (Efésios 3:17)! Que consolo e esperança esta sublime verdade nos traz! Que privilégio tremendo é poder receber o mais elevado dom do Céu, por mais insignificantes que nos consideremos - dom que pode suprir todas as nossas reais necessidades!

E as condições pelas quais o Senhor pode habitar em nosso coração são ainda mais relevantes hoje, em virtude da obra final de Cristo em Seu santuário!

A contrição e humildade face à nossa real situação perante Deus e a percepção do quanto necessitamos dEle em função de nossa incapacidade para obter a salvação são duas condições essenciais para que sejamos aceitos por Deus e aprovados por Ele no juízo!

Este é o terreno fértil que prepara o caminho para a nossa justificação e santificação, e nos habilita a sermos legítimos adoradores!

A propósito desta necessidade, Ellen G. White escreve:

Enquanto Cristo está purificando o santuário, os adoradores na Terra devem cuidadosamente rever sua vida, e comparar seu caráter com a norma de justiça. Ao observarem seus defeitos, devem buscar o auxílio do Espírito de Deus para habitá-los a ter força moral para resistir às tentações de Satanás, e alcançar a perfeição da norma. Eles podem ser vencedores sobre as próprias tentações que pareceram fortes demais para a humanidade suportar, pois o poder divino se combinará com o esforço humano, e Satanás não poderá vencê-los. (3)

Conclusão

Adorar a Deus em espírito e em verdade significa, portanto, adorá-Lo mediante o poder santificador de Deus e de Seu Espírito, quando então os princípios da verdade expressos em Sua Palavra são aplicados no mais íntimo do ser, e as faculdades físicas, mentais e espirituais são inteiramente consagradas a Ele e ao Seu serviço!

Adoração carnal, bastante em moda hoje, não é adoração em espírito e em verdade, pois "o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (I Coríntios 2:14).

Se o crente não é santificado torna-se inapto para ser um adorador espiritual, e, consequentemente, não é digno do Céu.

Com efeito, adorar em espírito e em verdade implica na capacidade de discernir as coisas de Deus do ponto de vista dEle, ou seja, espiritualmente, a partir da experiência santificadora com a palavra de Deus e o testemunho de Jesus!

Vede, então, que humildes e contritos adoradores estarão dispostos a aceitar e obedecer aos ensinos da Sagrada Palavra. São adoradores que têm em vista a glória de Deus, nascidos da água e do Espírito! São pedras vivas que refletem a imagem do Salvador, não pedras mortas, pedras de tropeço, cujo fim será segundo as suas obras.

São estes adoradores que Deus procura; adoradores dotados de coração sincero, movidos por uma ardente e profunda piedade, que procede da Palavra e do Espírito de Deus, e que, na contramão do espírito da época, subordinam o mundo à verdadeira religião!

Ellen White escreve:

A religião que vem de Deus é a única que leva a Ele. Para O servirmos devidamente, é mister nascermos do divino Espírito. Isso purificará o coração e renovará a mente, dando-nos nova capacidade para conhecer e amar a Deus. Comunicar-nos-á voluntária obediência a todos os Seus reclamos. Esse é o verdadeiro culto. É o fruto da operação do Espírito Santo. É pelo Espírito que toda prece sincera é ditada, e tal prece é aceitável a Deus. Onde quer que a alma se dilate em busca de Deus, aí é manifesta a obra do Espírito, e Deus Se revelará a essa alma. A tais adoradores Ele busca. Espera recebê-los, e torná-los Seus filhos e filhas. (4)

Que à luz do derradeiro apelo de Deus à adoração verdadeira, sejamos diligentes em cooperar com o Céu para que esta experiência de adoração seja uma realidade em nossa vida! Que assim seja.


Notas e referências

1. Hans K. LaRondelle. As Profecias do Tempo do Fim. XXI - A Mensagem do Tempo do Fim na Perspectiva Histórica - Apocalipse 12-14.

2. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Volume 5. Vanderlei Dorneles (Ed.). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013, p. 1040.

3. Ellen G. White. Refletindo a Cristo - Meditação Matinal 1986, p. 288.

4. ___________. O Desejado de Todas as Nações, p. 189.

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