Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 26 de novembro de 2016

O evangelho eterno em símbolos

A ênfase ou aplicação especial do evangelho para o tempo do fim, segundo revelada na obra profética do "anjo forte" de Apocalipse 10, diz respeito a uma verdade procedente do santuário. Não do santuário hebreu, com seu sistema típico e sacrifical, mas do "verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu" (Hebreus 8:2), no qual Cristo entrou "para comparecer, agora, por nós, diante de Deus" (9:24). Não obstante, como escopo da redenção e do juízo, o santuário terrestre lança preciosa luz sobre a natureza da obra de nosso amado Salvador no centro divino de operações no Céu, especialmente no contexto do tempo do fim.


De modo que, para compreender o significado especial do evangelho para a última geração, precisamos primeiro considerar o ministério do santuário terrestre, tendo em mente que os ritos e símbolos, com suas promessas de redenção e erradicação do pecado, não tinham em si mesmos um fim, mas apontavam para as diferentes fases da obra redentora de Cristo em favor de Sua igreja: Seu ato de redenção na cruz, Seu ministério sacerdotal no Céu, e Sua obra final de julgamento.

Significado dos sacrifícios típicos

Mencionamos em nossa postagem anterior que o ministério do antigo santuário hebreu consistia de duas partes:


  • O serviço diário, efetuado pelos sacerdotes no altar do holocausto e no lugar Santo do tabernáculo, e que consistia nos sacrifícios da manhã e da tarde, na oferta de incenso suave no altar de ouro, e nas ofertas pelos pecados individuais e para os sábados, luas novas e solenidades especiais.
  • O serviço anual, realizado uma vez por ano somente pelo sumo sacerdote no Lugar Santíssimo, e que consistia na purificação do santuário, um rito solene que completava o ciclo anual do ministério.


O sistema de sacrifícios constituía a base de ambos os serviços, pois "sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hebreus 9:22). Deus o estabeleceu para que os ofertantes pudessem entrar em íntimo relacionamento com Ele, para que abrissem o coração ao Senhor e divisassem, pela fé, o sacrifício infinitamente superior para o qual aqueles sacrifícios apontavam, ou seja, a suprema oferta de Deus na pessoa do Messias vindouro, Jesus Cristo.




Em virtude do papel simbólico dos sacrifícios nos ritos do santuário, Deus instruíra os israelitas a não comer sangue, "porque a vida da carne está no sangue" e, como tal, era o único meio para fazer expiação pelos pecados do povo (Levítico 17:10-11). O sangue sacrifical representava, com efeito, um meio de expiação, o resgate de uma vida por outra vida. Jesus Cristo ofereceu Sua vida sem pecados a fim de proporcionar ao pecador vida abundante que só pode ser mensurada pela vida do próprio Deus!

Por este motivo, o Senhor também ordenara expressamente a Moisés que toda a oferta apresentada para o ritual do santuário fosse "sem defeito" (Êxodo 12:5). Apenas uma oferta sem mácula poderia simbolizar adequadamente a perfeita pureza dAquele que Se ofereceria como "cordeiro sem defeito e sem mácula" (I Pedro 1:19).

Portanto, se o sangue de bodes e de touros  e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito Eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! (Hebreus 9:13-14)

Visto que o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23), a morte do pecador era simbolicamente assumida pelo sacrifício do animal, apontando para o sacrifício real de substituição efetuado por nosso bendito Redentor "uma vez por todas" (Hebreus 7:27). A oferta sacrifical no santuário terrestre consistia, pois, numa oferta de salvação. Prefigurava a manifestação da graça, do amor e da justiça de Deus na morte de Seu Filho, a fim de preservar a vida dos seres humanos, trazê-los de volta à comunhão com Ele, e resolver o problema do pecado e da morte!

Além disso, a oferta sacrifical ilustrava de maneira dramática a tragédia que o pecado representa. Oferecer a vítima inocente em sacrifício pelo culpado era um ato por demais doloroso. O rito, porém, ajudava o israelita a compreender sua aflitiva condição perante Deus e sua impreterível necessidade de um Salvador. Ensinava que pecado e morte são faces da mesma moeda, e que o elevado valor do perdão não significa subestimar, relevar ou negligenciar o pecado. A cruz representa uma reação divina contra o pecado, e o preço pago por nossa redenção é o "precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (I Pedro 1:19). A magnitude do sacrifício revela a magnitude do problema.

Assim, ao contrário da concepção pagã de sacrifício, segundo a qual o adorador se aproximava da divindade na tentativa de apaziguá-la e obter seus favores, no sistema típico e sacrifical do santuário terrestre era o próprio Deus quem se aproximava do homem e oferecia o meio pelo qual este seria reconciliado com o Céu. No paganismo, o ofertante providenciava o sangue em busca de algum tipo de expiação. No plano de Deus, é Ele mesmo quem provê o sangue para o resgate na pessoa de Seu amado Filho (João 3:16)!

O santuário manifestava o desejo expresso de Deus de habitar entre o Seu povo (Êxodo 25:8; Salmo 132:13-14), de estabelecer um relacionamento íntimo, constante e duradouro com cada israelita. À medida que se aproximava de Deus, a santidade da presença divina deveria transformar o caráter do adorador e servir de princípio para sua conduta ética nas mais variadas circunstâncias da vida. O sistema de sacrifícios e ofertas era o meio que Deus proveu para que pecadores pudessem viver e permanecer na Sua santa presença. Representava o elo sagrado entre Deus e Seu povo.

Solução divina para o pecado

Todo o sistema típico do santuário era também uma revelação do modo como Deus resolveria o problema do pecado e da morte e reconciliaria o homem Consigo mesmo. Deus não criou o homem para que vivesse em um estado de alienação, com todos os seus efeitos psicológicos, sociais e ambientais devastadores, mas para que desfrutasse do harmonioso relacionamento com o seu Criador e com seus semelhantes. O pecado rompeu radicalmente essa união, trazendo desarmonia a um Universo outrora perfeito.

Desde então, Deus e o homem estão separados pelo pecado do homem (Romanos 3:23), e é impossível que este reverta essa condição por si mesmo (versos 9 a 18). As funções simbólicas e didáticas dos serviços rituais do santuário lembravam ao israelita desta trágica realidade (Jeremias 17:1), e ensinavam que a reconciliação só é possível mediante a remoção do pecado através do sangue da vítima sacrifical (Hebreus 9:22). A expiação com base no sangue é a maneira de Deus reparar a ruptura radical provocada pelo pecado, de conquistar o homem e trazê-lo de volta a Ele!

Mas ao contrário dos animais oferecidos no altar do holocausto, os quais não tinham escolha, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo ofereceu-Se voluntariamente por expiação pelos pecados do mundo (João 10:17-18). Não esperou que merecêssemos tão grande sacrifício; provou Seu amor para conosco pelo fato de ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8)! Esta é a verdade mais essencial do evangelho. Nenhum homem pode estar em paz consigo mesmo, com seus semelhantes e com Deus se não for primeiro reconciliado com Deus mediante a morte de Seu Filho, Jesus Cristo.

O trato do Céu para com o pecado envolve, portanto, um esforço supremo da divindade para reconciliar o homem com Deus e erradicar o pecado. Deus não originou o pecado, nem é responsável por sua existência. No entanto, Deus é responsável por suas criaturas, da mesma forma como um pai é responsável por seus filhos. Assim, Ele tomou para Si a responsabilidade de resolver o problema do pecado até seu último limite. Deus assumiu a culpa dos pecadores, a fim de declará-los justos, ao mesmo tempo em que honrava Sua lei. O perdão e a justificação se tornaram possíveis somente porque o próprio Deus suportou nossa punição.

Mas o Senhor não poderia declarar justo o pecador que aceita Sua graça sem que primeiro a justiça da própria Divindade fosse declarada. O pecado lançou dúvidas sobre o caráter moral de Deus e de Seu governo, e tais suspeitas não poderiam permanecer sem uma solução oportuna. Na cruz, o Senhor não apenas demonstra Seu amor pelos pecadores, mas também dispensa um tratamento adequado ao problema do pecado. Por isso, Deus designou Seu Filho como propiciação para manifestar cabalmente Sua justiça. A cruz é a revelação da justiça de Deus de modo que Ele mesmo pudesse ser justo e, portanto, o justificador de todo aquele que tem fé em Jesus.

Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. (Romanos 3:24-26)

A reação de Deus à tragédia do pecado era tipificada pelos sacrifícios de animais e pelo ministério sacerdotal realizado com base no sangue. Porém a sombra dos bens vindouros deveria encontrar sua plena realização, do contrário Deus não seria justo em Seu trato com o pecado. Neste contexto, a morte de Cristo na cruz satisfez primeiramente necessidades morais da própria Divindade, ou seja, declarou Deus justo e reto perante todo o Universo. Se tais necessidades não tivessem sido satisfeitas por um ato exclusivamente divino, não seria feita justiça, e a salvação não poderia vir ao pecador. Em Seu trato com o pecado, o caráter Deus expresso em Sua santa lei é cabalmente vindicado, enquanto o transgressor é plenamente justificado mediante a fé.

Assim, Deus é justo tanto ao perdoar e purificar o pecador que aceita Sua generosa provisão, como ao dispensar um tratamento proporcional à tragédia que o pecado representa, removendo todo o traço de dúvida sobre o caráter e a legitimidade do governo divino ao garantir a final erradicação do pecado e a eterna segurança do trono de Deus e de Seus súditos. Todas estas verdades fundamentais estavam simbolizadas nos ritos do santuário terrestre, e sem eles dificilmente compreenderíamos o plano da redenção em toda a sua magnificência e alcance.

O serviço diário ou regular

Havia diferentes tipos de ofertas no antigo sistema do santuário que, em conexão com o ministério sacerdotal, estavam no centro do culto israelita. Sua ampla função abrangia diversas circunstâncias pessoais e coletivas, e revela-nos hoje que cada aspecto de nosso ser, tudo o que temos e tudo que somos deve ser inteiramente consagrado ao Senhor e estar sob Sua constante influência (Romanos 12:2; I Tessalonicenses 5:23). Como o escopo de nosso estudo é limitado, vamos mencionar apenas os ritos mais importantes e sua relação com a obra redentora de Cristo.

Dia após dia, pela manhã e à tarde, um cordeiro de um ano era oferecido sobre o altar de sacrifícios, juntamente com a oferta de manjares (Êxodo 29:38-39; Números 28:1-8). O sangue era aspergido sobre as bordas do altar e o corpo era completamente queimado (Levítico 1:5-9). Pela morte do animal a expiação pelo pecado era feita, e o povo, consagrado a Deus. Estes sacrifícios apontavam para a real e definitiva oferta pelo pecado, o sacrifício de Cristo, a genuína expiação então vindoura, que transcende em muito os sacrifícios de animais, visto que é o próprio Deus quem Se oferece como vítima.

Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus. (Hebreus 10:11-12)

Os sacrifícios levíticos, portanto, não tinham a propriedade de purificar o pecador, nem removiam pecados efetivamente, do contrário não precisariam ser repetidos (Hebreus 10:1-4). Eles prefiguravam o legítimo Cordeiro pascal, cujo sacrifício único e todo-abrangente realizou uma obra completa, e, por isso, não precisa ser repetido, "a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas" (Hebreus 10:10). O israelita era perdoado e justificado sim, mas com base na promessa de um Messias futuro.

A oferta pelo pecado em favor do indivíduo constituía a parte mais importante do serviço diário ou regular. Sua função era remover o pecado e a culpa do ofertante e transferi-los para a vítima sacrifical e, em seguida, para o santuário, que assumia a responsabilidade por eles, permitindo que o pecador saísse perdoado e purificado.

Em profunda contrição, o pecador trazia sua oferta à porta do tabernáculo (Levítico 1:3) e, erguendo a mão sobre a cabeça da vítima (verso 4), confessava seus pecados, transferindo-os simbolicamente para o animal inocente, o qual era morto pelo próprio ofertante (verso 5). Por esse ato dramático, o pecador arrependido reconhecia sua culpa perante Deus pela violação de Sua lei, e que seus pecados causaram a morte da vítima inocente, símbolo do verdadeiro Cordeiro pascal (Isaías 53:5, 6, 8). Pela transgressão da lei, os pecadores estavam condenados à morte (I João 3:4; Romanos 6:23). Não obstante, a culpa e a penalidade incidiam sobre a vítima sacrifical, e não sobre o pecador, que saía perdoado e reconciliado com Deus. Este rito extremamente significativo cumpriu-se na morte de nosso Redentor na cruz, em que nosso pecado foi transferido para Ele e na qual Ele sofreu a sorte que deveria ter sido nossa (II Coríntios 5:14-15; I Pedro 2:24).

Depois de feito o sacrifício, o sangue do animal era usado para fazer expiação sobre o altar (Levítico 4:25). Este rito marcava o transporte do sangue para o santuário. Visto que a vida da carne está no sangue, esta parte da cerimônia estava intimamente relacionada à expiação (Levítico 17:11). O sangue era o meio pelo qual o pecado passava da vítima sacrifical para o tabernáculo.

Em alguns casos, o sangue era aplicado sobre os chifres do altar do holocausto (Levítico 4:25, 30), e em outros casos, era trazido pelo sacerdote para o interior do santuário e aspergido diante do véu e sobre o altar do incenso (versos 6, 17 e 18). Quando a transferência do sangue para o santuário não ocorria dessa forma, o pecado era transferido a ele na pessoa do sacerdote, que comia a carne da oferta pelo pecado ou oferta da purificação, levando assim em si mesmo o pecado do povo (Levítico 6:25-30; 10:17).

Agora note o seguinte: A transferência para o santuário do sangue portador dos pecados confessados revelava que a redenção não encontra o seu termo na cruz, não obstante a natureza única e definitiva deste imenso sacrifício, mas sua continuidade na obra celestial de Cristo em nosso favor; não como oferta, mas como "sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação", no qual Ele ministra pela virtude de Seu precioso sangue (Hebreus 9:11-12; 8:1-2). A manipulação ritual do sangue em conexão com o tabernáculo ensinava que Deus assumia a responsabilidade pelo pecado dos pecadores contritos, apontando para a obra celestial de Cristo em Seu santuário à destra do Pai.

Com efeito, depois de ter feito a purificação dos pecados na cruz (Hebreus 1:3), nosso amado Salvador não subiu ao Céu e assentou-Se à direita do Pai para nada fazer. Por outro lado, Cristo não está agora levando sobre Si pecados no sentido vicário. Ele não permanece à direita de Deus oferecendo sacrifícios. Esta obra não é parte do ministério de Cristo junto ao trono de Deus, porque isto Ele fez, "uma vez por todas" e "pare sempre", quando a Si mesmo Se ofereceu (Hebreus 9:26, 28; 10:10, 12). Em contraste com as ofertas típicas do santuário terrestre, que prosseguiam continuamente, dia após dia, o sacrifício de Cristo não precisa ser repetido. É único, perfeito e todo-abrangente.

A obra sacerdotal de Cristo no Céu

É no poder de Sua oferta sacrifical que nosso Sumo Sacerdote efetua em Seu santuário não uma obra de sacrifício, pois Ele já o realizou uma única vez na Terra, mas de intercessão. Na qualidade de Deus-Homem, nosso Redentor obteve um "ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas" (Hebreus 8:6).

Por fazer-Se semelhante a nós em todas as coisas, porém sem pecado, Ele está apto a ser "misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo" (Hebreus 2:17-18; 4:15-16). Como nosso divino Advogado, que conhece nossas necessidades melhor do que nós mesmos, Jesus Cristo pode reclamar Seus méritos a favor dos pecadores arrependidos, ao apresentar ao Pai Sua vida de perfeita obediência à lei, pela qual esta é honrada. Assim, Ele advoga com justiça tanto a causa de Deus como a do homem.

Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus. 
Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. (Hebreus 7:26, 25)

O fato de o Senhor Jesus exercer agora esta obra celestial não como vítima, mas como sacerdote, não significa que o Seu sacrifício não tenha importância no Céu. Cristo assumiu Sua obra sacerdotal pela virtude de Seu sangue, de forma que Sua obra intercessora está intimamente ligada ao Seu ato de redenção na cruz. Mas esta redenção só é eficazmente aplicada ao crente pelo ministério de Cristo no Céu. Não é possível separar ambas as fases do programa divino de redenção. A intercessão ou mediação de Cristo no poder de Seu sangue torna a redenção efetuada na cruz real e eficaz em nossa vida, completando e substituindo o sistema de sacrifícios e o ministério sacerdotal do santuário terrestre.

Ao passo que o sacerdócio levítico exercia suas funções sempre à distância, de maneira que o adorador comum nunca avançava além do pátio, Cristo, nosso Sumo Sacerdote, mediante Seu sangue, abriu o caminho para que, por meio dEle, tenhamos acesso direto ao trono da graça em Seu santuário, a partir do qual Ele concede arrependimento e fé, ministra o perdão e a purificação, repele a tentação, elimina o pecado e salva integralmente todos os que O recebem como Salvador. Em Seu ministério sacerdotal, Cristo une a própria vida à vida dos que reconhecem sua desesperada condição e dependência dEle, operando uma eterna redenção!

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. (Hebreus 10:19-23)

O ministério sacerdotal realizado diariamente no antigo santuário a partir do sangue da vítima inocente apontava, pois, para a obra sacerdotal de Cristo em Seu santuário, no poder de Sua oferta sacrifical. Note, porém, que a obra diária de remoção e transferência simbólicas dos pecados de Israel para o tabernáculo durante o ano contaminava os lugares santos. Isto mostrava que, embora o ofertante tivesse sido perdoado e purificado com base na promessa e pudesse desfrutar das bênçãos de Deus pela mediação dos sacerdotes, o pecado permanecia uma realidade sem solução definitiva, um problema em aberto para o qual os serviços diários não dispensavam um tratamento direto e determinante, no sentido da final erradicação do pecado enquanto realidade tangível.

Daí por que o serviço anual, chamado Dia da Expiação, era o clímax de todo o sistema levítico. Sua função consistia em fazer uma expiação final pelo povo e pelo santuário. Assim, enquanto os sacrifícios regulares em conexão com o ministério sacerdotal purificavam o penitente que, ao longo do ano, havia trazido sua oferta pessoal e confessado seus pecados, e pelos quais o santuário assumira a responsabilidade, no Dia da Expiação o próprio santuário era purificado da presença dos registros de pecados confessados. É evidente que esta cerimônia soleníssima prefigurava uma obra de expiação derradeira e determinante em seus efeitos, um veredito procedente do trono de Deus que condena o pecado à sua final erradicação.

Ao buscar entender, com a ajuda de Deus, o profundo significado do Dia da Expiação, esperamos compreender também a natureza e propósito da última e culminante obra antitípica da expiação na forma de um juízo, o qual, em conjunto com a expiação efetuada na cruz e aplicada na obra da expiação mediadora, determina o fim do pecado em todas as suas dimensões. Consequentemente, nós compreenderemos a especial ênfase do evangelho eterno para o tempo do fim na tríplice mensagem de Apocalipse 14, que constitui a própria razão de existir da igreja remanescente. Este será o desafio em nosso próximo post.

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