Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A última mensagem de advertência

As três mensagens angélicas são o ponto culminante de Apocalipse 14 e estão entre as advertências mais solenes das Escrituras. Seu conteúdo é de suprema solenidade, e seu apelo, de vívido interesse para a geração dos últimos dias. Prova-o a alusão que o profeta João faz ao glorioso retorno de Jesus Cristo para segar a seara da Terra (Apocalipse 14:14-20) imediatamente após descrever cada uma das três mensagens (versos 6 a 12). O teor de urgência que permeia todo o capítulo indica que é iminente o tempo quando toda a terra será levada à maturação ou decisão, seja para o bem ou para o mal, mediante a proclamação final do evangelho eterno na voz dos três anjos.


Esta derradeira proclamação representa a restauração da verdade, ou do evangelho eterno, lançada por terra pelo anticristo (Daniel 8:11-12), e consiste num grande movimento de alcance mundial (Apocalipse 14:6) que ilumina o mundo com a glória da verdade (18:1). Ela cumpre o último dos sinais relacionados por nosso Salvador na primeira parte de Seu sermão profético:

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. (Mateus 24:14)

O anúncio final do evangelho, que restaura a verdade de Deus e expõe o verdadeiro caráter do anticristo, adverte a humanidade de que o tribunal celestial já entrou em sessão (Apocalipse 14:7; Daniel 7:9-10) e que, portanto, o tempo de sua visitação está próximo (Apocalipse 22:12). A esta primeira advertência segue-se a denúncia da queda da Babilônia espiritual e de seu falso modelo de adoração (Apocalipse 14:8). Finalmente, deparamo-nos com a mais grave e solene advertência jamais feita a seres mortais: uma condenação destinada a todos os que rejeitarem o último apelo divino e consentirem em adorar a besta e a sua imagem e receber sua marca na fronte ou sobre a mão (Apocalipse 14:9-11). Evidencia-se nesta derradeira mensagem o contraste entre os verdadeiros e os falsos adoradores (verso 12) e, na visão da ceifa e da vindima (versos 14 a 20), seus respectivos destinos.

Temos assim na voz dos três anjos uma aplicação especial do evangelho eterno destinada à geração do fim. Estes anjos, voando pelo meio do céu, proclamam em alto e bom som o último convite da graça, a fim de preparar um povo para estar em pé no grande Dia do Senhor. Eles não são necessariamente anjos literais, a não ser uma representação bastante apropriada do caráter imaculado das mensagens e de seus mensageiros humanos (ver Apocalipse 14:4-5).

Ellen G. White se refere à tríplice mensagem angélica "como uma âncora para o povo de Deus", capaz de preservar aqueles que as compreendem e recebem de ser varridos pelos muitos enganos de Satanás (Primeiros Escritos, décima edição, p. 256). A verdadeira compreensão destas mensagens é, pois, da maior importância para a última geração, visto que o "destino das almas depende da maneira em que são elas recebidas" (Ibid., p. 258 e 259).

Não há como negar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia inscreve-se de maneira singular na obra representada pelos três anjos, em virtude de sua mensagem distintiva de misericórdia e de juízo. Nenhum outro grupo religioso preenche, ou tampouco cumpre em cada detalhe os requisitos da profecia quanto à natureza e obra do remanescente fiel. Sobre este povo profeticamente ordenado por Deus repousa a solene responsabilidade de restaurar todas as verdades do evangelho eterno que a tradição dos homens tem obliterado. Ellen White escreve em Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 288:

Em sentido especial foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como atalaias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção.

Grandes privilégios implicam grandes responsabilidades. Atalaias e portadores de luz só podem cumprir tão elevada vocação no espírito e poder de Elias. Contudo, entre o esclarecido povo de Deus há uma profusão de líderes e membros imbuídos do espírito de Eli, um homem que fora honrado por Deus para exercer os sagrados deveres do sacerdócio, mas que negligenciara sua responsabilidade como pai, sendo transigente com os defeitos dos filhos e sujeitando-se a seus desejos e caprichos. Afinal, não lhe parecia razoável contrariá-los e infligir-lhes correção e disciplina, sob o risco de perder a paz e a comodidade que tanto estimava.

Ora, não é precisamente da mesma natureza e motivação o espírito condescendente que parte de nossa liderança tem demonstrado quanto aos inúmeros desafios que ameaçam a igreja de Deus hoje? Não é essa transigência, produto do pragmatismo religioso contemporâneo, um claro sintoma de que estamos sendo influenciados pelo espírito do tempo, aderindo à mentalidade politicamente correta em detrimento de nosso distinto chamado? Tal condição explicaria por que estamos nos tornando cada vez mais refratários à exclusividade de nossa vocação, e mais abertos às exigências de uma espiritualidade universalmente compartilhada focada nas questões sociais (veja um exemplo do que estou tentando dizer, clicando aqui).

Não obstante, como "reparador de brechas e restaurador de veredas" (Isaías 58:12), urge que a igreja de Cristo volte aos marcos fundamentais da verdade que um dia fizeram de seus membros o povo remanescente. Não podemos nos dar ao luxo de desprezar nossa origem profética e o legado deixado por nossos pioneiros só por que não se ajustam ao novo paradigma. É dever do remanescente final, movido pelo Espírito Santo, proclamar "a cada nação, e tribo, e língua, e povo" a verdade para o tempo presente, e deixar com Deus as consequências. Não fomos chamados pelo Senhor para agradar a homens, mas para salvá-los, conduzindo-os aos pés do amado Salvador.

A presente postagem abre uma nova série de estudos, nos quais pretendemos revisitar os aspectos mais destacados das três mensagens angélicas desde a sua introdução no verso 6 de Apocalipse 14 até o fim. Desse modo, nós esperamos com a ajuda de Deus reviver a experiência proporcionada por estas solenes verdades e, consequentemente, reafirmar nossa sagrada vocação, de forma a cumprir nosso dever como igreja remanescente de Cristo ao preparar um povo para o grande Dia do Senhor.

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. (Apocalipse 14:12)

2 comentários :

  1. Estarei aqui para acompanhar esta série. Muito oportuno este texto e reflete nossa atual situação, mais temos como mudar pelo poder do ES.

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    1. Amém! Obrigado, meu amigo, por seu comentário! Que Deus nos ajude a permanecer do lado certo do grande conflito.

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