"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Ap 14:12)

terça-feira, 31 de maio de 2016

De que lado do conflito nós estamos?

As três mensagens angélicas se revestem de significado especial numa época em que o mundo religioso está se unindo num mesmo conceito de adoração. A busca por uma experiência mística com Deus, nas suas mais diversas manifestações, está abrindo caminho para uma uniformidade espiritual no mundo e contribuindo para o diálogo e interação entre grupos religiosos tão distintos quanto o céu é diferente da terra. Esse fenômeno, longe de ser um modismo passageiro, é parte do modelo consensual globalista em formação, e não constitui outra coisa senão uma versão moderna e ampliada da antiga torre de Babel, com as mesmas motivações, as mesmas filosofias pagãs e o mesmo espírito recalcitrante de outrora.


Enquanto Deus diz: "Retirai-vos dela, povo meu", "separai-vos" (Apocalipse 18:4; II Coríntios 6:14-18), Babilônia mística diz: "Vamos nos unir num mesmo pensamento", "derrubar muros e construir pontes", "reafirmar nossas semelhanças e compreender nossas diferenças" (Apocalipse 16:13-14, 16; 17:13). Dois discursos tão diferentes e antagônicos não podem estar certos ao mesmo tempo. O primeiro exprime unidade no Espírito e na Palavra; o segundo, espírito de unidade e cooperação em torno de necessidades, objetivos e valores em comum. Apenas um deles é verdadeiro.

Ellen G. White escreve:

Vi que, desde que o segundo anjo proclamou a queda das igrejas, estas se têm tornado cada vez mais corruptas. Elas levam o nome de seguidoras de Cristo, mas é impossível distingui-las do mundo... Homens ímpios ficam geralmente satisfeitos com uma forma de piedade sem verdadeira devoção, e ajudarão a sustentar uma religião desse tipo... Consideram-se os dizeres e as obras de homens em vez das claras, cortantes verdades da Palavra de Deus. O espírito e amizade do mundo são inimizade com Deus... Grande número de pessoas que professam ser cristãs não conhecem a Deus. O coração natural não foi mudado, e a mente carnal conserva a inimizade com Deus. São servos fiéis de Satanás, embora hajam assumido outro nome. (1)

Os valores e o espírito do mundo globalizado entraram sorrateiramente na igreja de Deus, e Seu povo, conformando-se aos costumes mundanos, tem sofrido uma profunda crise de identidade. Além disso, à semelhança dos jesuítas, os professos discípulos de Jesus adotaram o princípio maquiavelista segundo o qual os fins justificam os meios. Um cristão que adota esse modelo não percebe, porém, que por causa disso já é outra pessoa. Ele ignora o fato de que os meios utilizados, e não somente os fins, são decisivos para o resultado de sua missão. Assim, em nome do ideal de aproximar-se do mundo para salvá-lo, reproduz a estratégia que descaracteriza a si próprio e a religião que representa, a ponto de não haver mais distinção entre médico e paciente.

Anton LaVey, ocultista e fundador da igreja de Satanás, escreveu o seguinte em sua Bíblia Satânica, para nosso horror e vergonha:

Os tempos mudaram. Os líderes religiosos já não pregam que todas as nossas ações naturais são pecaminosas. Já não pensamos que sexo é obsceno ou que ter orgulho de nós mesmos seja vergonhoso ou que esperar alguma coisa de alguém em troca seja um vício. É claro que não, os tempos mudaram! Se você quer provas disso basta ver o quão liberal as igrejas têm se tornado, porque elas praticam todas as coisas que você [satanista] prega.
Os satanistas ouvem estas e outras declarações similares o tempo todo e concordam sem reservas. Mas, se o mundo mudou tanto, por que continuar a se agarrar aos tópicos de uma fé agonizante? Se muitas religiões estão negando suas próprias escrituras porque estão desatualizadas e estão pregando as filosofias do satanismo, por que não chamá-las pelo seu legítimo nome: satanismo? Certamente isso seria bem menos hipócrita.
Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se humanizar o conceito espiritual do cristianismo, isto tem se manifestado nos mais óbvios meios não espirituais...
Os religiosos lamentam: devemos acompanhar os tempos! Esquecem-se que devido aos fatores limitadores e as, profundamente, arraigadas leis das "religiões da luz branca", jamais poderá haver mudanças suficientes para satisfazer às necessidades humanas.
Religiões passadas têm sempre descrito a natureza espiritual do homem com pouca ou nenhuma preocupação com suas carnais ou mundanas necessidades... Elas têm considerado que esta vida é apenas transitória e que a carne é meramente uma aparência, o prazer físico de somenos e a dor uma preparação digna para o reino de Deus. Bem, a absoluta hipocrisia vem à tona quando os "justos" fazem mudanças em sua religião para acompanhar o ritmo da mudança natural do homem. Há somente um caminho para que o cristianismo possa servir completamente as necessidades do homem: é convertendo-se ao satanismo, agora. (2)

Essas palavras dispensam comentários. Cabe aqui, porém, uma pergunta: De que lado do conflito nós estamos?

Quero concluir com o apelo inspirado do apóstolo Paulo, tão relevante nestes tempos desafiadores:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1-2)


Notas e referências

1. Ellen G. White. Primeiros Escritos. Versão em CD-ROM. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 273.

2. Tradução do original The Satanic Bible (Underground Edition) por Vanderlei Maurer de Andrade, p. 38.

2 comentários:

  1. Muito interessante e trágica essa declaração! Mais trágico ainda é a cegueira dos nossos irmãos!

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    1. Tem razão, Camila! Que Deus desperte o Seu povo nestes dias tão solenes da história.

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