"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Ap 14:12)

sábado, 12 de dezembro de 2015

Aparência de cordeiro e voz de dragão

Pode parecer surpreendente, à primeira vista, que um poder com aparência de cordeiro possa um dia falar como dragão. Mas é exatamente isto o que a profecia declara sobre a segunda besta de Apocalipse 13, cujas características peculiares nos permitem identificá-la com os Estados Unidos da América.

Um governo fala por meio de suas leis e políticas. Quando uma nação fala como dragão significa que ela adota leis e políticas que refletem o caráter dessa entidade. É evidente que a mera forma de governo não é uma garantia contra a opressão e o despotismo.


A segunda besta fala como dragão na medida em que exerce sua autoridade para favorecer a primeira besta - o papado -, impondo pela força a adoração em escala mundial deste poder redivivo (Apocalipse 13:12-14). Tal imposição é representada por uma marca ou sinal especial, que consiste no "nome da besta ou o número do seu nome", sem o qual ninguém poderá "comprar ou vender" (verso 17). Essa medida reflete um esforço sistemático para obrigar a conformidade aos ditames da imagem da besta - uma reconstrução da hierarquia papal levada a cabo pela república da liberdade!

O desafio do dragão

Apesar de sua aparência inocente, pacífica, quase cristã, simbolizada pela imagem dos dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, a América efetivamente falará como dragão, ou seja, exercerá sua autoridade de modo perseguidor e cruel. A adoção dessa política é ainda um acontecimento futuro, e determinará a cura completa da ferida de morte sofrida pelo papado em 1798. Neste sentido, a besta de dois chifres sobe da terra como o segundo aliado do dragão.

Em Apocalipse 12:9, o dragão é primariamente identificado como a "antiga serpente, que se chama diabo e Satanás" (ver também 20:2). Apocalipse 12 apresenta um panorama da história da igreja tendo como pano de fundo o grande conflito entre Cristo e o inimigo da verdade. O objetivo do relato é encorajar os crentes a serem fiéis até o fim, não obstante as perseguições implacáveis dirigidas contra eles. Podem vencer porque Cristo venceu (verso 11). Esta é a certeza primordial que permeia todo o livro do Apocalipse. A vitória de nosso Senhor nesse conflito de proporções cósmicas foi garantida na cruz, e sua consumação ocorrerá nas cenas finais do grande drama.

A guerra instigada por Satanás no Céu (Apocalipse 12:7-9) reverbera agora nos conflitos terrestres que têm como alvo os seguidores de Jesus. É aqui que se identifica a origem das hostilidades cruéis contra a mulher que representa a igreja de Deus. O inimigo de Cristo e de Seu povo é claramente identificado. A guerra contra Cristo é uma guerra contra a Sua igreja. Esse conflito, mencionado pela primeira vez em Gênesis 3:15, é desenvolvido nos capítulos 12 a 19 do Apocalipse, e deve prosseguir até que a paz e a segurança do reino de Deus sejam restauradas à sua condição original.

Apocalipse 12 apresenta duas ofensivas consecutivas contra o povo de Deus:

1. Nos versos 6 e 14-16, nos quais o conflito é revelado em conexão com o período profético dos 1.260 dias/anos. À luz de Daniel 7:25, que é o contexto-raiz, sabemos que esse período se refere à supremacia do "chifre pequeno", símbolo de Roma papal, quando um sem número de pessoas foram perseguidas e martirizadas por causa de sua fé. Neste caso, a guerra contra os santos está associada ao período de tempo profético de atuação do chifre pequeno. Em Apocalipse 13, esse primeiro conflito envolvendo a igreja é descrito nos versos 5 a 7: a besta marítima (o papado) exerce sua autoridade contra os santos durante 42 meses, ou 1.260 dias/anos.

2. No verso 17, no qual a guerra final contra os santos é descrita em uma única sentença como a guerra do dragão contra os restantes da descendência da mulher, "os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus". Apocalipse 13 amplia o significado dessa declaração, associando a origem da segunda ofensiva à cura da ferida de morte da besta papal (versos 3-4), viabilizada pelo papel da besta terrestre de dois chifres, o segundo aliado do dragão (versos 11-17). A besta semelhante a cordeiro usará suas prerrogativas para restaurar o papado à condição que ele reivindica como sendo sua por direito. A imposição universal de sua "marca" representa uma guerra final contra Deus e Sua igreja remanescente.

Portanto, a derradeira ofensiva do dragão é dirigida contra o remanescente da mulher, "os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Apocalipse 12:17). Para alcançar seu objetivo, o dragão usa um novo aliado, a besta terrestre de dois chifres, a qual impõe a marca da primeira besta em escala global (13:11-18). A resposta de Deus vem na forma de uma grave advertência, de alcance igualmente global (14:9-11). A recepção positiva a esta mensagem identifica os vencedores da besta, de sua imagem e de sua marca, isto é, os santos "que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (verso 12). Em Apocalipse 14:1, eles são previamente apresentados como os santos vitoriosos em pé no monte Sião juntamente com o Cordeiro.

Apocalipse 12 adverte a igreja de que ela é o alvo constante do ódio de Satanás, representado como um dragão vermelho, "com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas" (verso 3). Esta imagem assustadora e intimidatória é um desenvolvimento do quarto animal, terrível e espantoso, de Daniel 7. Mediante potências e instituições humanas, Satanás espera atingir seu objetivo: destruir o povo de Deus e a verdade.

Não percamos de vista, porém, duas coisas essenciais em Apocalipse 12: (1) a ênfase do capítulo não reside na perseguição da mulher e sua descendência, mas sim em sua constante lealdade e inabalável fé em Cristo, não obstante as investidas violentas do dragão, e (2) a providência de Deus para preservar seu povo remanescente em tempos de crise.

A ofensiva final de Satanás contra a igreja

A derradeira investida do inimigo de Deus contra os fiéis é desenvolvida nos capítulos 13 e 14 do Apocalipse. Ambos os capítulos revelam que o remanescente final enfrentará a prova definitiva de lealdade a Deus em face das exigências impostas pelo anticristo (Apocalipse 13:15-17). Mais uma vez é enfatizada a constante fé e fidelidade dos santos (14:12) e a certeza de que estes triunfarão com o Cordeiro (17:14; 14:1).

Apocalipse 13 desenvolve e amplia o conflito no capítulo 12 entre o dragão e a mulher. A ofensiva contra os santos tem lugar por meio de duas potências mundiais político-religiosas simbolizadas por duas bestas. Juntamente com o dragão, formam uma falsa trindade. Essa tríade satânica possui também uma tríplice mensagem falsa de alcance global, em flagrante oposição às três mensagens angélicas (Apocalipse 16:13-14).

Entre os agentes a serviço do dragão, a besta marítima é aquela que mais se parece com ele. Ambos possuem sete cabeças e dez chifres (Apocalipse 12:3; 13:1). Como o chifre pequeno de Daniel 8 (verso 24), a besta que surge do mar se fortalece, mas não pela sua própria força; ela recebe do dragão poder, trono e grande autoridade (Apocalipse 13:2), portanto nada mais natural do que a besta marítima apresentar traços semelhantes a de seu benfeitor.

Além disso, é significativo que o ato de o dragão delegar à besta suas prerrogativas constitua uma contrafação intencional de como Deus delegou, no contexto do plano da salvação, Suas prerrogativas a Seu Filho, Jesus Cristo (comparar Daniel 7:14 e Apocalipse 5:12-13 com 13:2). É precisamente este paralelo que caracteriza a besta marítima como o anticristo. Conforme observa Hans K. LaRondelle, o objetivo de ambas as investiduras de poder é receber a adoração e lealdade de toda a humanidade. Esse é o foco do grande conflito.

As diferentes fases de experiência da besta marítima também são uma imitação deliberada da própria experiência de Cristo durante Seu ministério terrestre. À semelhança da morte, ressurreição e ascensão e exaltação do Messias, a besta recebe uma ferida de morte, ressuscita milagrosamente e ascende a um domínio universal, embora totalitário. Essa contrafação caracteriza a besta como uma falsificação de Cristo, exatamente como antecipou Paulo em II Tessalonicenses 2:2-3.

O mais surpreendente, porém, é o surgimento de um novo poder que não obstante sua aparência de cordeiro colabora efetivamente para restaurar o poder e a autoridade da primeira besta. Não admira que esse novo agente do dragão seja chamado também de "falso profeta" (Apocalipse 16:13; 19:20), pois aparenta algo que na verdade não é. Contudo, que espécie de poder será exercido pela besta semelhante a cordeiro?

Daniel 7:25 declara que o papado cuidaria "em mudar os tempos e a lei". A superpotência simbolizada pela besta semelhante a cordeiro usará seu prestígio e influência para impor a observância dessas leis modificadas em nome do papado. Por meio de um decreto civil, os Estados Unidos imporão práticas religiosas oriundas da tradição humana, em substituição às leis de Deus, e obrigarão o mundo a aceitar as mudanças religiosas efetuadas por Roma papal.

Embora seja possível encontrar na história americana muitos indícios de que esta nação fala como dragão (por exemplo, o tratamento dispensado aos índios e espanhóis), o fato é que os Estados Unidos se comportarão dessa maneira somente quando este país:


  1. Exercer "toda a autoridade da primeira besta na sua presença" (Apocalipse 13:12).
  2. Incitar a humanidade a adorar "a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada" (verso 12b).
  3. Seduzir "os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta" para "que façam uma imagem à besta, aquela que, ferida à espada, sobreviveu" (verso 14).
  4. Comunicar "fôlego à imagem da besta", de modo a eliminar, por meio de políticas e penas efetivas, qualquer ameaça de dissidência (verso 15).
  5. Impor "certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte", reconhecendo como cidadãos somente aqueles que portarem este sinal, símbolo de submissão ao poder representado pela primeira besta (versos 16-17).


O que está acontecendo com a América?

Consideremos por um instante os rumos que a nação americana vem tomando desde o tempo de sua fundação no que diz respeito a suas relações com o papado:

1776 - Os Estados Unidos são criados por homens que haviam lutado até a morte pela liberdade de culto. Seus fundadores não queriam ligação com o Vaticano, visto como uma instituição repressiva e anti-iluminista.

1850 - O papa Pio IX doa uma pedra de mármore para ser usada na construção de um monumento de Washington. À noite, uma multidão anti-católica indignada removeu a pedra, reduziu-a em pedaços e lançou-os no rio Potomac.

1961 - John Kennedy torna-se o primeiro presidente católico dos EUA. Questionado se governaria segundo a visão de Roma, Kennedy garantiu que sua religião não interferiria em seus deveres como presidente, acalmando assim a opinião pública.

1984 - O presidente dos EUA Ronald Reagan e o papa João Paulo II concordam em ter os EUA representados no Vaticano por um embaixador. Desde então, os católicos têm preenchido o cargo.

2008 - O presidente George W. Bush oferece ao papa Bento XVI uma festa de aniversário nos jardins da Casa Branca, uma cena inédita que os Pais Fundadores nunca poderiam ter imaginado, e uma prova de quão longe foi a relação entre os EUA e o Vaticano.

2011 - O site WikiLeaks divulga documentos segundo os quais os Estados Unidos teriam interesse em ser um aliado do Vaticano. De acordo com os documentos, a Secretária de Estado Hillary Clinton teria orientado embaixadores e diplomatas a acompanharem de perto o Vaticano. "O Vaticano pode ser uma potência aliada ou um inimigo ocasional. Devemos fazê-lo ver que a nossa política pode ajudá-lo a avançar em muitos princípios", orientou o Departamento de Estado.

2015 - Como parte de sua agenda durante sua primeira visita à América, o papa Francisco realiza na manhã do dia 24 de setembro o primeiro discurso de um papa para as duas casas do Congresso dos Estados Unidos, em Washington. A sessão conjunta do Congresso reúne diversas autoridades, entre eles, membros da Suprema Corte, os presidentes do Senado e da Câmara dos Representantes, o Secretário de Estado e o decano do Corpo Diplomático. Em seu discurso histórico no Congresso, o papa é aplaudido de pé.

Acrescente-se a tudo isso a recente declaração de Hillary Clinton de que o governo deve usar "recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais". Declarações como esta abrem precedentes perigosos que certamente tornarão possível o pleno cumprimento da profecia no que tange ao papel dos Estados Unidos no tempo do fim.

Estaríamos presenciando a formação gradual na América de uma imagem ao papado? É possível que esteja ocorrendo uma erosão das liberdades civis e religiosas, previstas na Constituição dos Estados Unidos e na sua Declaração dos Direitos, que pode resultar em uma ditadura da maioria em detrimento das liberdades da minoria? Uma investigação mais detalhada de certos aspectos da história americana certamente ajudará a ampliar nossos horizontes.

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