Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O selo de Deus

Contemplando em visão uma série de acontecimentos que assinalam o início do fim e o iminente Dia do Senhor, o apóstolo João descreve o momento em que os ímpios, de diferentes classes e origens, reagem com horror e espanto à volta de Jesus. A impressão é que ninguém sobreviverá a este grandioso evento, e por isso os ímpios perguntam em angústia e desespero: "Quem poderá subsistir?" (Apocalipse 6:12-17, comparar com Isaías 2:20-21; 13:6-8; Joel 2:1 e 11; Sofonias 1:14).


Uma cena impressionante

A resposta à pergunta crucial dos ímpios está em Apocalipse 7; Apenas os que foram selados antes do grande dia do Senhor poderão subsistir ou permanecer de pé quando Ele retornar:

Depois disto, vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma. Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar, dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus. (Apocalipse 7:1-3)

Na Bíblia a expressão "quatro cantos da terra" indica universalidade ou inteireza; "quatro ângulos do céu", quatro direções, quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste (Isaías 11:12; Jeremias 49:36; Ezequiel 7:2; Mateus 24:30-31).

Os "quatro anjos" simbolizam, por conseguinte, todos os anjos do Céu empenhados em uma missão mundial em favor da humanidade (Hebreus 1:14). Estes anjos retêm os "quatro ventos" até que todos os servos de Deus sejam selados.

Como podemos inferir do verso 3, os ventos simbolizam forças destruidoras. Guerras, conflitos ou contendas certamente estão entre esses agentes de destruição a que se referem os profetas (Jeremias 23:19; 25:31-32; 49:36; 51:1, 2 e 11; Daniel 7:2; Oséias 13:15).

Os quatro ventos denotam, portanto, comoções ou desordens em nível mundial. Entendidas à luz do conflito entre Cristo e Satanás, essas forças destrutivas constituem o meio pelo qual o inimigo de Deus provoca tragédia e ruína (ver, por exemplo, Jó capítulos 1 e 2). Não fosse a ação refreadora do Senhor, o mundo certamente já teria sucumbido. Contudo, não se permite aos "ventos" executarem sua obra destruidora até que o povo de Deus tenha sido selado para o Seu reino.

A propósito desta cena tão solene, Ellen G. White escreve:

O refreador Espírito de Deus está mesmo agora sendo retirado do mundo. Furacões, tormentas, tempestades, incêndios e inundações, desastres em terra e mar, seguem-se um ao outro em rápida sequência. A ciência busca a explicação para tudo isso. Os sinais que em torno de nós se avolumam, prenunciando a próxima manifestação do Filho de Deus, são atribuídos a outra causa que não a verdadeira. Os homens não discernem as sentinelas angélicas que retêm os quatro ventos para que não soprem sem que os filhos de Deus estejam selados; mas quando Deus mandar que Seus anjos soltem os ventos, haverá uma cena tal de luta que pena nenhuma pode descrever. (1)

O selo de Deus

João observa na visão que "outro anjo subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo" (Apocalipse 7:2). Enquanto anjos de Deus retêm as forças da destruição, Satanás e seus anjos instigam conflitos entre as nações do mundo inteiro a fim de conduzi-las para "a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 16:13-14). Entretanto, esse confronto decisivo não ocorre antes que Deus tenha concluído Seu trabalho de redenção representado pela obra do anjo que vem do Oriente.

O Oriente é um símbolo importante e significativo na Bíblia. O antigo tabernáculo e o templo da visão de Ezequiel estavam voltados para o Oriente (Êxodo 27:13-15; Ezequiel 40:6). Moisés e Arão, que eram símbolos de Cristo, acampavam-se ao oriente do tabernáculo (Números 3:38). A tribo de Judá, da qual descendia Cristo, acampava-se no lado oriental do acampamento de Israel no deserto (Números 2:3). Ezequiel viu que a glória de Deus enchendo o templo vinha "do caminho do oriente" (Ezequiel 43:2-5).

Lucas 1:78 se refere a Jesus como o "Oriente" ou "sol nascente" que desceu das alturas para redimir a humanidade, e Malaquias 4:2 diz: "nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas". Ciro e seus exércitos, que libertaram os israelitas do cativeiro babilônico, vieram do Oriente (Isaías 41:2 e 25; 45:1-7) e prefiguravam Cristo e Seus anjos "que vêm do lado do nascimento do sol" para derrotar Babilônia mística e libertar o Israel espiritual - Sua igreja (Apocalipse 16:12; 17:14). O próprio Salvador descreveu Sua vinda como o relâmpago que "sai do oriente e se mostra até no ocidente" (Mateus 24:27).

A obra de Cristo na pessoa do Espírito Santo. Assim, o anjo encarregado de selar os servos de Deus pode representar a própria pessoa de Cristo. É Ele quem sela o Seu povo com a experiência da salvação por intermédio do Espírito Santo. A Escritura diz:

Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. (II Timóteo 2:19)

Ora, os que pertencem ao Senhor são identificados pela presença viva do Espírito Santo no coração, recebido mediante a fé, como também declara a Escritura:

Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. (II Coríntios 1:21-22)
A fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa. (Efésios 1:12-13)

E noutra parte, o apóstolo exorta aqueles que já pertencem a Jesus:

E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. (Efésios 4:30)

Nos tempos antigos, os selos eram usados para autenticar qualquer ato ou lei que uma autoridade viesse a promulgar. Também tinham o propósito de certificar o autor de um documento ou atestar o proprietário de um objeto sobre o qual se estampava o selo para impedir que fosse aberto ou violado.

De modo semelhante, os selados pela graça de Cristo são declarados propriedade exclusiva de Deus. Eles receberam a plenitude do Espírito Santo, que os capacita a uma vida irrepreensível de fidelidade e obediência a Deus (Apocalipse 14:12). Este selo espiritualmente aposto na fronte dos fiéis servos do Senhor revela o sinal de Sua aprovação, assegurando-lhes que não sofrerão os juízos retributivos de Deus destinados à Babilônia moderna (Salmo 91; Apocalipse 17:13-14; 18:4-5).

Com efeito, o selo divino estampado na fronte dos servos de Deus no fim dos tempos não constitui "algum selo ou marca que pode ser visto, mas a consolidação na verdade, tanto intelectual como espiritualmente, de modo que não possam ser abalados". (2)

O selo na fronte dos justos. Apocalipse 14:1 revela que o selo da verdade consiste em ter escritos na fronte o nome de Cristo e o nome de Seu Pai. Isto significa que os crentes selados partilham do caráter do Altíssimo por meio da graça de Jesus. Os crentes inscritos com o nome de Cristo e o nome do Pai são declarados selados porque entregaram completamente sua vida ao Mestre, sendo, pois, Sua propriedade. São eles que foram selados pela primeira vez na experiência do novo nascimento e passaram a ter no coração a viva presença do Espírito Santo, que os habilita a serem "co-participantes da natureza divina" e, portanto, "herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (João 3:5-6; 16:13; Romanos 8:9-10 e 17; Efésios 1:12-14; II Pedro 1:4).

Sobre o significado de ter o nome de Deus e de Seu Filho escritos na fronte, Ellen White declara perceptivamente:

'O nome do Senhor' é 'misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; (...) que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado.' Êxo. 34:5-7. Da igreja de Cristo acha-se escrito 'Este é o nome que Lhe chamarão: O Senhor é nossa justiça.' Jer. 33:16. Este nome é aposto a todo seguidor de Cristo. É a herança do filho de Deus. A família recebe o nome do Pai. O profeta Jeremias, num tempo de cruciante tristeza e tribulação para Israel, orou: 'Somos chamados pelo Teu nome; não nos desampares.' Jer. 14:9. Este nome é santificado pelos anjos do Céu, pelos habitantes dos mundos não caídos. Quando orais: 'Santificado seja o Teu nome' (Mat. 6:9), pedis que seja santificado neste mundo, santificado em vós. Deus vos reconheceu como Seu filho, perante homens e anjos, orai para que não desonreis 'o bom nome que sobre vós foi invocado'. Tia. 2:7. Deus vos envia ao mundo como representantes Seus. Em cada ato da vida deveis tornar manifesto o nome de Deus. Esse pedido é um convite para que possuais o caráter dEle. Não Lhe podeis santificar o nome, nem podeis representá-Lo perante o mundo, a menos que na vida e no caráter representeis a própria vida e caráter de Deus. Isto só podereis fazer mediante a aceitação da graça e justiça de Cristo. (3)

Participantes do caráter divino. Todos os que desejam entrar na cidade santa pelas portas precisam receber o "selo do Deus vivo". Professar o nome de Jesus ou trabalhar em Seu nome está longe de refletir a experiência representada pelo selamento. Somente serão selados aqueles que permanecerem firmes na infalível norma da verdade, cujo viver se assemelhe ao caráter de Cristo.

Ter o nome do Pai e o do Filho inscritos na fronte significa refletir o Seu caráter. E o caráter da Divindade acha-se expresso na lei de Deus. A obra do Espírito Santo como Agente regenerador do caráter consiste em selar ou autenticar na mente dos seguidores de Jesus a lei divina, de modo que possam refletir Sua natureza. Por esta razão, Deus diz mediante Seu profeta:

Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos. (Isaías 8:16)

Nosso Salvador apresenta um testemunho de Si mesmo que deveria inspirar a todos os que realmente desejam segui-lO. Em uma das mais significativas profecias messiânicas do Antigo Testamento, Ele diz:

Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.

O Senhor promete fazer o mesmo por Seus discípulos:

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. (Hebreus 8:10)

Como Deus realizará tão magnânima promessa? Ele mesmo responde por intermédio do profeta:

Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. (Ezequiel 36:27)

Toda a Escritura foi inspirada por Deus (II Timóteo 3:16). Nenhuma revelação divina originou-se de fonte exclusivamente humana, mas "homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (II Pedro 1:20-21). O próprio Senhor escreveu os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra (Êxodo 24:12; 31:18; Deuteronômio 9:10-11; 10:1-5). Como o Autor da verdade, Ele deseja escrevê-los também no coração do homem a fim de que possa refletir o caráter divino e, assim, tornar-se uma carta viva "conhecida e lida por todos os homens" (II Coríntios 3:2).

A inscrição da lei na mente e no coração, como um cumprimento da Nova Aliança, é uma obra do Espírito Santo. Paulo se refere aos crentes que abraçaram a promessa pela fé como "estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações." (II Coríntios 3:3).

Uma vez que a lei de Deus seja escrita no coração do crente pelo Espírito Santo, deixa de ser letra morta, e onde o Espírito atua, a verdade divina se manifesta em santidade, obediência e santificação. Andar "no Espírito" é estar livre do ministério da letra, ou seja, da mera observância exterior e legalista da lei, e desfrutar a liberdade cristã expressa em uma nova vida de obediência à verdade tal como revelada em Cristo.

Quando o Espírito Santo vive no crente, a obediência resulta da apreciação e não da obrigação, porque o espírito da lei gravado na mente desperta o desejo supremo de fazer a vontade de Deus, de preferir o que é correto e deleitar-se em fazê-lo (Salmo 1:2). É desta forma que a promessa de Deus no Novo Concerto encontra seu glorioso cumprimento na vida dos seguidores de Jesus (Hebreus 8:10; 10:16, conforme Jeremias 31:33).

Dois selamentos distintos, uma única experiência cristã

Os servos de Deus que desejam receber o selo divino de aprovação nos momentos finais da história devem antes passar pelo novo nascimento (para saber mais, clique aqui e aqui). Esta experiência é uma resposta de fé pelo ouvir e aceitar a Palavra de Deus, a qual revela o Salvador (Romanos 10:17; João 5:39; I Pedro 1:23).

O cristão que nasceu de novo traz em seu coração a viva presença do Espírito Santo, que o capacita a obedecer à verdade revelada de Deus pela fé em Jesus (João 3:5-6; Romanos 8:9-10, 1-4). Podemos dizer que este é o primeiro selo do Espírito de Deus - a experiência da conversão. Ele sela ou identifica quem pertence a Cristo, preservando-o até o dia da redenção final (Efésios 1:12-13; II Timóteo 2:19).

O segundo selo do Espírito Santo é aplicado nos últimos dias, e destina-se aos que mantiveram viva a experiência diária do novo nascimento, isto é, aos que diariamente renunciaram a si mesmos e ao mundo e se entregaram sem reservas a Cristo, obtendo, mediante a fé nEle, vitória sobre o pecado.

O primeiro selo identifica o povo de Deus. O segundo selo comprova que este é, de fato, o povo de Deus, o qual se consolidou na verdade intelectual e espiritualmente mediante a obra regeneradora do Espírito Santo. O segundo selo é também um selo de proteção. Quando o anjo com o "selo do Deus vivo" terminar sua solene obra, podemos estar certos de que os quatro ventos serão soltos, e ninguém poderá resistir, a menos que tenha recebido o selo divino de proteção.

Portanto, todos os que quiserem estar de pé quando Jesus voltar precisam se unir ao Espírito Santo em sua luta para vencer o pecado e alcançar a perfeição de caráter. O selamento consiste justamente em ter a plenitude do Espírito em nosso coração (II Coríntios 1:21-22). É por intermédio de Sua obra que "somos selados para o dia da redenção" (Efésios 4:30).

Como os objetos que recebem a impressão deixada por um selo, o desígnio de Deus é que sejamos "conformes à imagem de seu Filho" (Romanos 8:29), selados para que, por Ele, sejamos "co-participantes da natureza divina" (II Pedro 1:4). Mas para que isto seja uma realidade, é preciso seguir o conselho inspirado do apóstolo:

E não vos embriagueis com o vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito. (Efésios 5:18)

Notas e referências

1. Ellen G. White. Testemunhos Seletos, Vol. 3, 6ª ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 14 e 15.

2. ____________. Eventos Finais, 3ª ed. Tatuí, SP: CPB, 1995, p. 189.

3. ____________. O Maior Discurso de Cristo, 15ª ed. Tatuí, SP: CPB, p. 106 e 107.

2 comentários :

  1. Excelente interpretação dos escritos sagrados,para o conhecimento de todos que estão na busca do entendimento dos eventos finas.

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    1. Prezado Lindolfo, obrigado por seu comentário! Que Deus o abençoe ricamente!

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