"Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Ap 14:12)

sábado, 24 de outubro de 2015

O sábado como sinal entre Deus e Seu povo

Na experiência do Novo Concerto toda a lei de Deus é inscrita no coração dos crentes pela fé em Jesus (Jeremias 31:31-33; Hebreus 8:10; 10:16).

O mandamento do sábado não constitui exceção.

A observância deste dia santo é um reconhecimento sobre quem é Deus, quem somos nós e o que Deus fez em nosso favor por meio de Seu Filho.

A dimensão redentora e universal do sábado

Além de memorial perpétuo da criação (Êxodo 20:11), o sábado é um sinal do poder de Cristo para nos redimir do pecado e nos restaurar à Sua imagem. O profeta Isaías se refere a essa relação ao declarar:


Assim diz o Senhor: Mantende o juízo e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que faz isto, e o filho do homem que nisto se firma, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de cometer algum mal. Não fale o estrangeiro que se houver chegado ao Senhor, dizendo: O Senhor, com efeito, me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o Senhor: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Aos estrangeiros que se chegam ao Senhor, para o servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, sim, todos os que guardam o sábado, não o profanando, e abraçam a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos. (Isaías 56:1-7)

Como bom observador, o leitor deve ter notado que na declaração do Senhor mediante Seu profeta, salvação e justiça andam juntas. Já tivemos a oportunidade de mencionar algo sobre essa importante verdade (para conferir, clique aqui).

Outro pormenor importante: a necessidade de guardar-se de profanar o sábado é mencionada juntamente com uma necessidade moral, ou seja, "guardar a sua mão de cometer algum mal". Além disso, todos os que "escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança" alcançarão, pela fé em Jesus, as bênçãos prometidas.

Nunca foi plano de Deus que apenas os israelitas partilhassem da salvação e das bênçãos do descanso sabático, mas que também os gentios convertidos reconhecessem a Deus como Criador e Redentor, e observassem fielmente Seus preceitos (ver Isaías 45:22; 52:10; 62:2; Zacarias 8:23; Atos 10:34-35).

Nas sentenças proferidas contra a Assíria e o Egito, por exemplo, Jeová esperava converter e curar estas nações, de modo que pudessem adorá-lO juntamente com Israel. Se correspondessem ao apelo da graça, egípcios e assírios seriam chamados pelo Senhor de "meu povo" e "obras de minhas mãos" (Isaías 19:21-25)!

Tanto judeus como gentios eram chamados a partilhar juntos das bênçãos e responsabilidades decorrentes da aliança divina, sem distinções de qualquer espécie. Do ponto de vista de Deus, o povo que deve representá-lO abrange todos os "que se chegam ao Senhor, para o servirem e para amarem o nome do Senhor". Do mesmo modo, são considerados "servos seus todos os que guardam o sábado". (1)

A promessa é para todos os que aceitam a Cristo pela fé. As gloriosas promessas do evangelho destinam-se, com efeito, a todos aqueles que creem na provisão de Deus feita na Pessoa de Seu Filho. Da parte de Deus, a salvação do homem não depende de qualquer restrição envolvendo gênero, origem ou condição social (Romanos 1:16-17; Gálatas 3:26-29).

Se a salvação e a justiça de Deus são para todos os que as aceitam pela fé em Cristo, então o mesmo princípio se aplica às bênçãos resultantes da obediência. O sábado é um sinal da criação e da redenção que conduz a uma nova criação e a uma nova vida mediante o poder de Cristo. Esta verdade é universal. A genuína observância do sábado demonstra que os seus guardadores reconhecem a Deus como seu Criador e Redentor, e que, portanto, reconhecem a soberania de Deus em suas vidas.

Como na mensagem do primeiro anjo (Apocalipse 14:6), Isaías não só revela a necessidade de proclamarmos o evangelho eterno ao mundo, mas também salienta que o sábado - a pedra de toque de fidelidade na mensagem do terceiro anjo - está indubitavelmente ligado à mensagem de salvação.

Tanto quanto a salvação, o sábado é oferecido para ser uma bênção a toda humanidade. Criação e salvação são dons de Deus. Não podemos criar no sentido em que Deus faz, nem tampouco alcançar a salvação mediante nossa própria força. O sábado lembra que só Deus pode criar e salvar, e que, portanto, somos todos dependentes dEle.

Sinal de santificação. Como já foi observado (clique aqui), o sábado é também um sinal de santidade, uma parte essencial na experiência da justiça pela fé em Cristo. Deus nos lembra a santificar o dia que Ele escolheu (Gênesis 2:2-3; Êxodo 20:8), mas pecadores não podem santificar um dia.

Por esta razão, o Senhor nos convida a primeiramente sermos santificados por meio do Seu poder (I Pedro 2:9-10), pois só Ele pode realizar essa obra em nós (João 17:17; 16:13; Filipenses 2:13). Não obstante, requer-se da nossa parte cooperar com Deus de modo que a experiência da santificação (sobre isso, clique aqui) seja desenvolvida com temor e tremor (Filipenses 2:12). A Escritura diz:

Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento. (Êxodo 31:13 e 17)

E outra vez declara:

Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.
Santificai os meus sábados, pois servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, vosso Deus. (Ezequiel 20:12 e 20)

O sábado é um sinal de justificação e santificação em seu sentido mais profundo. A justificação consiste na obra que Deus realiza por nós. A santificação é a obra que Ele realiza em nós. O plano da redenção tem em vista o perdão e a restauração de todos os que recebem a Cristo como Salvador e Senhor (II Coríntios 5:17; Efésios 4:20-24; Gálatas 6:15; Colossenses 3:8-11). Por suas características, o sábado representa essas duas dimensões do propósito de Deus.

O selo de Deus. Além das singularidades apresentadas acima, o sábado é o único dos mandamentos que possui as características de um selo, entendido como a marca simbólica que identificava um soberano nos tempos antigos (I Reis 21:8; Ester 3:12; 8:8). Esse selo continha o nome, a autoridade e o domínio do soberano. O quarto mandamento diz:

Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou. (Êxodo 20:8-11)

Uma leitura cuidadosa do mandamento nos permite entender de que modo o sábado revela a identidade de Deus e qual a Sua relação conosco: "Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e o mar e tudo o que neles há". Nessa sentença, encontram-se três importantes atributos do grande Legislador: Seu nome, Sua autoridade e Seu domínio.


  1. Seu nome: "o Senhor", Aquele que é eterno e existe por Si mesmo (Êxodo 3:14; Isaías 44:6; João 8:58; Apocalipse 1:18).
  2. Sua autoridade: "Criador", Aquele que tudo fez e que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Gênesis 1:1; Neemias 9:6; João 1:1-3; Colossenses 1:15-16; Hebreus 1:1-3).
  3. Seu domínio: "os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há" (Deuteronômio 10:14; Jó 22:12; Salmo 24:1-2; 89:11; 103:19; Isaías 66:1).

Com efeito, o mandamento do sábado revela Deus como o Criador, Legislador e Soberano. O argumento bíblico em favor desse preceito é bem claro; Deus estabeleceu o sábado como um mandamento moral porque Ele fez todas as coisas e descansou neste dia (Êxodo 20:11). A moral diz respeito a tudo o que é decente, educativo e instrutivo, e essas qualidades estão implícitas na atitude de Deus em relação ao sábado.

O apelo do primeiro anjo em Apocalipse 14:6-7 mantém íntima relação com o mandamento do sábado em virtude dessa realidade. A relação também é justificada porque a adoração nos últimos dias dividirá as pessoas em dois partidos: os que adoram "aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas", e os que adoram "a besta e a sua imagem" (Apocalipse 14:9; 13:15).

O sábado como o divisor de águas

A observância do sábado pela fé em Jesus sintetiza, portanto, a prova máxima de lealdade no conflito final entre a verdade e o erro, visto que adoração e obediência são as questões em jogo.

Antes de a porta da graça se fechar, todos terão feito sua escolha sobre a quem vão adorar e servir. O ponto de conflito neste período probante não será necessariamente a observância dos mandamentos em geral, mas a ordem que prescreve o descanso no sétimo dia. Muitos cristãos admitem a validade e perpetuidade da lei moral, porém resistem em reconhecer integralmente o quarto mandamento, cujas reivindicações são relembradas na mensagem do primeiro anjo.

Ellen G. White escreve:

O sábado será a pedra de toque da lealdade; pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, traçar-se-á a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não O servem. Ao passo que a observância do sábado espúrio em conformidade com a lei do Estado, contrária ao quarto mandamento, será uma declaração de fidelidade ao poder que se acha em oposição a Deus, é a guarda do verdadeiro sábado, em obediência à lei divina, uma prova de lealdade para com o Criador. Ao passo que uma classe, aceitando o sinal de submissão aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a outra, preferindo o sinal da obediência à autoridade divina, recebe o selo de Deus. (2)


Notas e referências

1. Se Israel tivesse conservado sua fidelidade a Deus, todas as promessas feitas sob o concerto com a nação teriam se cumprido integralmente. Sua desobediência e infidelidade, porém, os despojaram das bênçãos prometidas. As promessas e profecias destinadas ao Israel nacional estavam condicionadas à obediência do povo (Êxodo 19:5-6; Levítico 26:3-12, 14-42; Deuteronômio 7:12-13; 11:26-32; 28:15 e 64, etc.), mas eram incondicionais quanto à natureza de certos eventos que teriam lugar no futuro, pois a Palavra de Deus jamais volta vazia (Isaías 55:10-11). Seus eternos desígnios nunca poderiam ser frustrados pela infidelidade de Israel. Naquilo em que a nação fracassou, Cristo saiu vitorioso, e todos os que O aceitam como Salvador, tanto judeus como gentios, tornam-se "herdeiros conforme a promessa" (Gálatas 3:29). Sendo a igreja cristã herdeira em certa medida das promessas e alianças que não se realizaram no Israel nacional (Atos 2:16-21, comparar com Joel 2:28-32; Atos 15:14-18, comparar com Amós 9:11-12; I Pedro 2:6, comparar com Isaías 28:16; I Pedro 2:9, comparar com Êxodo 19:5-6; Hebreus 8:6-13, comparar com Jeremias 31:31-34), segue-se que as bênçãos resultantes da obediência à lei de Deus são igualmente legadas a todos os crentes, sob os benefícios do novo concerto (Hebreus 8:7-12; 10:14-17), incluindo as promessas concernentes à observância do sábado (Isaías 56:1-7; 58:13-14; 66:23).

2. Ellen G. White. O Grande Conflito, 19ª ed. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1978, p. 604.

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