Não temos nenhuma evidência autêntica de que os bispos ou presbíteros da primitiva Igreja Cristã reivindicassem poder temporal, muito menos soberania universal, como os Papas arrogaram para si em tempos subsequentes, perdurando até os dias atuais. Constantino, conforme informado pelas melhores autoridades, foi o primeiro a unir o poder civil e o eclesiástico. Ele introduziu o Cristianismo entre os Romanos por meio da autoridade civil. Isso ocorreu entre os anos 272 e 337; mas nunca, durante seu reinado ou antes dele, houve um único caso em que um bispo ou presbítero da igreja aspirasse à jurisdição temporal. Eles eram pobres e perseguidos; eram mansos e humildes; estavam felizes com o privilégio de adorar a Deus em paz. As instruções de seu Divino Mestre estavam vivas na memória – quase ecoavam em seus ouvidos. Sentiam que haviam sido enviados ao mundo com instruções especiais para "pregar o evangelho a toda criatura". Seu Mestre celestial lhes disse que seu "reino não era deste mundo". Eles sentiram toda a força daquela alta e santa advertência: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Submeteram-se de bom grado às autoridades civis. Não reivindicavam o direito de dispor de reinos, coroar imperadores, depor príncipes e absolver seus súditos de seus juramentos de fidelidade. Estes cristãos puros e homens devotos não pediam distinções, a não ser as da virtude e do zelo pela causa de Cristo; não buscavam riquezas, a não ser as do Céu; não desejavam coroa, exceto a da glória; não buscavam tiara, a não ser a do martírio; não estavam cercados por nenhuma corte além da dos pobres; nenhum colégio de cardeais aguardava sua vontade; não eram enviados núncios de sua corte; nenhum embaixador estrangeiro transitava entre eles e os poderes desta terra. A única corte com a qual tinham negócios a tratar, e na qual seus tesouros estavam guardados, era a corte do Céu; e seus únicos embaixadores nesta corte eram os anjos celestiais, enviados para ministrar-lhes. Mas este estado de coisas não durou muito. Como um escritor moderno expressa de maneira eloquente, "o rastro da serpente está sobre todos nós". O Imperador Constantino, vendo a pobreza da igreja primitiva – seu vasto e progressivo aumento em número e a consequente demanda por sua caridade –, concedeu a seus bispos permissão para possuir propriedades, bens móveis e imóveis. Essa concessão por parte de Constantino, por mais simples e trivial que parecesse; essa mistura das coisas do céu e da terra, foi antinatural. Continha em si os princípios da dissolução, ou melhor, da destruição total; e tornou-se, com o tempo, a fonte da qual brotaram a maioria das guerras, massacres e disputas sangrentas que assolaram e dividiram em seções fragmentadas as porções mais ricas, mais belas e mais finas do globo, durante os últimos mil e quinhentos anos; e continuará a fazê-lo, até o fim dos tempos, a menos que o avanço da civilização e o grande progresso humano na ética, moral e metafísica, conquistados neste continente, detenham agora a interferência Papista na política do nosso país.
Se imaginássemos alguém que nada soubesse dos tempos antigos; que desconhecesse completamente a escuridão que permeou a Europa durante a Idade Média; que não tivesse conhecimento das pretensões, da arrogância e da insolência dos pontífices Romanos; que não conhecesse outra constituição nem outras leis além das de nosso próprio país; ele não poderia deixar de se surpreender ao ouvir pela primeira vez que ainda vive em Roma um eclesiástico arrivista, chamado Papa, que tem a audácia de afirmar que é Senhor Soberano, – e isso por direito divino – destes Estados Unidos, bem como de todos os outros reinos deste mundo. Ele vai ainda mais longe, e argumenta que seus predecessores tinham direitos divinos semelhantes e que todos os cidadãos e habitantes deste país lhe devem fidelidade pessoalmente, e a mais ninguém, a menos que seja por ele delegado para recebê-la. Por mais estranho, porém, que isso pareça, não é menos verdade, como mostrarei a partir de fontes que não podem ser refutadas por aqueles que reivindicam tais prerrogativas extravagantes.
O Papa de Roma fundamenta sua reivindicação à soberania universal no poder de ligar e desligar na terra e no céu; o que, na exuberância de sua fantasia, os escritores católicos defendem ter sido dado a São Pedro. O passo seguinte é provar que essa supremacia foi reconhecida pelos primitivos pais da igreja e, consequentemente, seus direitos e reivindicações são inquestionáveis. Mas antes de apresentar qualquer uma das autoridades nas quais os escritores católicos baseiam a antiguidade do reconhecimento do poder temporal de seu Papa, talvez não seja impróprio informar ao leitor que a primeira delas é uma das falsificações mais flagrantes já registradas; e é datada de cerca de seiscentos anos antes do tempo em que supostamente foi escrita. Ela é extraída das palavras de uma concessão de certas prerrogativas temporais, alegadamente feitas pelo Imperador Constantino ao Papa Silvestre, em algum momento entre o segundo e o terceiro séculos. Ela tem o seguinte teor:
"Atribuímos à cátedra de São Pedro toda a dignidade, glória e poder imperial. Concedemos ao Papa Silvestre, e aos seus sucessores, o nosso palácio de Latrão, um dos palácios mais belos da Terra; concedemos-lhe a nossa coroa, a nossa mitra, o nosso diadema e todas as nossas vestimentas imperiais; renunciamos a toda a nossa dignidade imperial em seu favor. Concedemos ao Santo Pontífice, como um presente, a cidade de Roma, e todas as cidades ocidentais da Itália, bem como as cidades ocidentais de outros países. Para ampliar seu domínio, abdicamos de nossa soberania sobre todas essas províncias, e nos retiramos de Roma, transferindo a sede de nosso império para Bizâncio; visto que não é justo que um imperador terrestre retenha qualquer poder onde Deus colocou a cabeça da igreja."
Seria perda de tempo demonstrar que nunca existiu tal doação. Não há menção a ela em nenhuma história dos Papas que tenha sido publicada, ou em qualquer outro documento que fizesse referência a eles durante o reinado de Constantino. É uma falsificação tão superficial, irreal e insubstancial, que não há historiador bem-educado, e nunca houve, que lhe tenha dado qualquer crédito. O historiador Fleury a declara como uma falsidade; e ele, sendo católico, deve ser considerado uma boa autoridade em todos os assuntos relacionados à santa igreja. A citação, no entanto, deste suposto ato de concessão por Constantino ao Papa Silvestre não está desprovida de ensinamento para os cidadãos deste país. Ela deve despertá-los para o senso dos perigos que pairam sobre eles. Deve lembrá-los de que tudo é perecível. A flor mais bela deve murchar; o lírio mais aprazível deve secar; a rosa risonha deve definhar; até mesmo a nossa bela república pode perder o seu vigor e desaparecer. Um estado de coisas pode surgir neste país, quando o seu executivo, o seu judiciário e a maioria da sua população for Papista. Estas coisas não são uma impossibilidade; vocês estão seguros de que os seus próprios descendentes, e os dos pais peregrinos, não entregarão, eventualmente, esta república como um presente ao chefe da igreja Papal? Vocês são fortes agora – e Roma também era. Seu poder agora é irresistível – e o de Roma e de outros países também era. Seus braços são invencíveis – e os de Roma também eram. Vocês agora se distinguem em todo o mundo por seu progresso nas artes e nas ciências; o mundo os vê como modelos de patriotismo e republicanismo autêntico – e o mundo também olhou assim para Roma. Mas o que é Roma agora, e o que a expulsou da posição elevada que outrora ocupou? Eu lhes direi: as intrigas da Igreja Papista. E um destino semelhante os aguarda, a menos que cortem toda e qualquer conexão entre os cidadãos dos Estados Unidos e a igreja de Roma. Enquanto este poço de iniquidade respirar, levará consigo destruição e morte por onde quer que vá.
Várias histórias dos Papas foram escritas, e a primeira menção a doações, pelo menos de qualquer valor comparativo, foi feita por Anastácio, que escreveu por volta do início do século X, ou um pouco antes do final do século IX. Ele nos informa que Carlos Magno conferiu à Santa Sé (como é impiamente chamado, até hoje, aquele foco de iniquidade) províncias inteiras e reconheceu que elas pertenciam ao Papa por direito divino; embora seja bem sabido, e não será negado por nenhum historiador competente, que Carlos Magno nunca sequer possuiu essas províncias. É do conhecimento dos leitores de história que não existia império de qualquer extensão, a não ser o do Oriente, até o início do século VIII. Carlos Magno assumiu o título de Rei da Itália no ano oitocentos. Ele recebeu homenagem do Papa e, longe de estar sujeito a ele, não lhe reconheceu nenhum direito divino; pelo contrário, manteve o Papa em estrita sujeição a si mesmo. Chegou ao ponto de proibir a Santa Sé de receber doações de qualquer espécie, quando concedidas sem o consentimento ou em prejuízo daqueles que tinham direitos justos e equitativos a elas.
Isto, se não houvesse outra prova, é suficiente para mostrar que nem os Papas nem a Santa Sé tinham pretensões à supremacia universal, ou a qualquer tipo de supremacia, até o século VIII. Não se negará que as autoridades civis de Roma estavam dispostas de forma liberal para com os Papas ou pais da igreja nos primeiros dias do Cristianismo. O Imperador Teodósio, o Grande, que morreu no ano trezentos e noventa e cinco, recomendou a todos os seus súditos que prestassem "o devido respeito à Sé de Roma". Valentiniano III ordenou a seus súditos "não se desviarem da fé e dos costumes da Santa Sé". No entanto, deve-se ter em mente que este Valentiniano foi aclamado imperador com a idade de seis anos, e seus assuntos eram geridos principalmente por sua mãe. Seus hábitos eram tão dissolutos que ele finalmente foi vítima deles. Mas até este período não há qualquer evidência de que os Papas tenham reivindicado ou exercido autoridade temporal.
Por esta época, vários concílios se reuniram com o propósito de ajustar disputas que surgiram entre os filhos do sucessor de Carlos Magno, que insensatamente, segundo supõem os historiadores, dividiu seu império em três partes iguais entre eles. Foi em um desses concílios que a doutrina do direito divino dos Papas à autoridade temporal foi proposta pela primeira vez com a apresentação de alguns daqueles documentos forjados aos quais aludi anteriormente. O Papa Gregório Quarto desempenhou um papel ativo no fomento das dissensões que inevitavelmente surgiram da divisão que o sucessor de Carlos Magno fez de seu império entre seus filhos. O Papa, com a astúcia peculiar a todos os eclesiásticos católicos, atuou no sentido de ampliar a ruptura entre pai e filhos e, tendo sido bem-sucedido, seu próximo passo foi semear mais dissensões entre os próprios filhos e, finalmente, criar tal confusão geral e insatisfação entre todas as partes, a ponto de tornar necessário um mediador. Tendo alcançado seu propósito, ele ofereceu seus serviços ao Pai Imperial, os quais foram aceitos. Ele se apresentou em seu acampamento, obteve entrada, e quais foram as consequências? A História narra o conto – um conto de traição.
Os americanos devem ter em mente que os católicos acreditam que sua igreja é infalível; que ela nunca muda; que aquilo que ela considerava correto nos dias de Gregório e de seus sucessores imediatos, considera correto agora, e o que ela considera correto agora, era correto então. Em suma, a igreja de Roma é infalível. Cada um de seus membros crê nisso atualmente. É ensinado por todo bispo e sacerdote Papista nos Estados Unidos.
A seguinte maldição consta no Breviário Católico, no qual todo sacerdote Romano lê suas orações três vezes ao dia: "Qui dicit ecclesiam catholicam Romanam non esse infallibilem, anathema sit – Aquele que diz que a Igreja Católica Romana não é infalível, seja anátema". Tal é a crença de todo católico. Será que os protestantes americanos não refletirão sobre isso por um momento? A população dos Estados Unidos é de cerca de vinte milhões, e cerca de dois milhões são Papistas. Consequentemente, dezessete milhões e meio de nosso povo são amaldiçoados e condenados, de acordo com a doutrina do ritual Romano; e, no entanto, nós protestantes somos chamados a estender a mão da amizade a esses Papistas, e nossos legisladores são solicitados a conceder-lhes autorizações para construir colégios, igrejas, conventos e casas de monges, não com o propósito de ensinar à geração crescente a vontade revelada de Deus, conforme lida nas Escrituras, mas para persuadi-la de que todas as outras religiões, exceto a de Roma, são errôneas; que seus pais, irmãos e irmãs são heréticos, amaldiçoados para sempre e, por implicação, não lhes é devida nenhuma lealdade.
O Papa está agora iniciando um movimento que visa abranger o mundo inteiro, e do qual ele deseja que Roma seja a única representante, centro e circunferência. Os poderes do Papa sofreram vários choques severos desde a Reforma. Suas forças foram abaladas, seus exércitos de jesuítas, seus frades de todas as ordens – Dominicanos, Franciscanos e Capuchinhos – foram dispersos e enfraquecidos. Ele decidiu armar-se novamente, e este novo mundo lhe pareceu o terreno mais seguro sobre o qual poderia unir suas forças dispersas na Europa. Ele sabe bem que isso não pode ser feito sem lançar alguma centelha de discórdia entre o nosso povo, o que ele está tentando efetuar neste momento; e que nada além da resistência oferecida pelos Republicanos Americanos poderá deter ou prevenir.
Na continuidade, força e união deste partido, reside a estabilidade do nosso governo. Os sacerdotes e bispos Romanos sabem e estão começando a sentir isso; e é por essa razão que os denunciam em seus púlpitos e em toda a sua imprensa. Mas nenhum protestante se opõe a este partido. Por que chamá-lo de partido? Não é um partido. É apenas o movimento espontâneo dos bons e virtuosos de todas as facções que amam seu Deus, suas Bíblias e seu país, e sobre cujo braço forte e corações audazes repousa a questão de se os Americanos serão livres ou escravos de sua realeza santidade, o Papa de Roma. Muitas vezes ergui minha voz, de fato fraca, em favor dos Republicanos Americanos. Acredito que sua causa é a causa de Deus e da liberdade, e neles todo americano e todo estrangeiro protestante deve confiar para proteção contra o espírito implacável do papismo.
Não é necessário esforço de imaginação para conceber diferenças de opinião, ou mesmo de interesse, entre os cidadãos deste país. Suponhamos, por exemplo, que o Norte e o Sul estivessem em desacordo; suponhamos que estivessem de fato em guerra um com o outro; qual seria o curso dos emissários do Papa, centenas dos quais agora vagueiam por esta terra? O curso mais seguro e o modo mais certo de determinar o que fariam em tal evento é olhar para trás e verificar o que invariavelmente fizeram em circunstâncias semelhantes. É raro errar, e como princípio geral é seguro julgar o futuro pelo passado; e se for assim, não pode haver dúvida sobre o caminho que jesuítas e católicos seguiriam no caso de quaisquer dificuldades ou choques entre o povo das diferentes seções deste país. Tentariam conciliá-los? Alguma vez o fizeram em um caso semelhante? Qual foi a conduta dos jesuítas e Papas já no século XI, quando o povo romano divergiu em opinião sobre sua forma de governo e alguns pontos de fé religiosa? O Papa impôs um interdito sobre todo o povo; o partido mais fraco foi subjugado pelas autoridades Papais; e seu líder, como nos informa Fleury, foi queimado vivo por ordem do Papa Adriano. Frederico, chamado Barba-Roxa, que foi a ferramenta do Papa nessa ocasião, tornou-se a próxima vítima de sua barbárie. E por quê? O que ele havia feito? Que crime cometeu contra o Estado? Seu único crime foi este: recusou-se a segurar o estribo do Papa. Por isso, ele incorreu no desagrado de Adriano, nem desfrutou de um dia de paz até que o Papa o seduziu a uma expedição contra Saladino; onde, juntamente com milhares de outros, que foram persuadidos a empreender aquela cruzada religiosa, morreu após várias vitórias duramente conquistadas.
A história dos Papas, em todas as eras, mostra que eles nunca abandonam qualquer autoridade temporal ou espiritual que reivindicam; e se tivessem o poder de impô-la agora, exigiriam deste país a mesma obediência que exigiram nos dias mais escuros da Idade Média. Se ocorresse uma separação destes Estados; se a corrente que nos uniu durante o último meio século, em elos de amor e felicidade social, fosse infelizmente quebrada por quaisquer circunstâncias adversas, vocês pensam, concidadãos, que os Papistas estrangeiros neste país tentariam refazê-la? Longe disso. Eles se uniriam para quebrá-la, elo por elo, até que não restasse sequer uma partícula dessa corrente. Isso eles fizeram em todos os países onde obtiveram um ponto de apoio; isso estão fazendo agora, sob vários pretextos, em toda a Europa; e se este país escapar do destino de outros, onde jesuítas e Papas se atrevem a exercer suas supostas autoridades, ele se destacará proeminente e orgulhoso, embora solitário e isolado, em meio aos registros das eras e às ruínas do tempo. Não tenho tal esperança. Os esforços que estão sendo feitos agora para deter o progresso do papismo, podem, talvez, retardar o dia da nossa queda; mas ela virá, a menos que a lealdade, que o Papa de Roma exige agora de seus súditos nos Estados Unidos, seja incondicionalmente proibida. O Papa é um príncipe temporal. Como outros reis e príncipes, ele nunca deveria ter permissão para se intrometer, direta ou indiretamente, temporal ou espiritualmente, neste país. Não se deve permitir que ele nomeie bispo ou sacerdote para qualquer igreja, diocese, benefício ou cargo nos Estados Unidos. As bulas, breves, cartas, etc., etc., do Papa não devem ser publicadas ou lidas de nenhum púlpito deste lado do Atlântico; e, embora os católicos não devam ser impedidos do livre exercício de sua religião, devem ser compelidos a fazê-lo sem referência à ditames estrangeiros. Se eles devem ter um Papa, que seja um Americano, e jurado a apoiar nossa constituição. Que ele, e todos os católicos, tenham o direito de votar ou de ocupar qualquer cargo de honra, lucro ou confiança, sob o governo dos Estados Unidos, e que lhes seja negado, até que renunciem a toda lealdade, em assuntos espirituais, bem como temporais, a todos os potentados e Papas estrangeiros. Até que isso seja feito, o juramento de fidelidade de um católico a este governo não merece crédito e não deve ser aceito. Isso se tornará evidente para os americanos, se eles voltarem sua atenção por um momento para o seguinte juramento, que é feito por todo bispo Romano, antes que lhe seja permitido oficiar, como tal, em qualquer lugar dos Estados Unidos:
"Juro solenemente, sobre os santos evangelhos e perante Deus Todo-Poderoso, defender os domínios de São Pedro contra todo agressor; preservar, aumentar e estender os direitos, honras, privilégios e poderes do Senhor Papa e de seus sucessores; observar e, com toda a minha força, impor seus decretos, ordenanças, reservas, provisões e todas as disposições quaisquer emanadas da corte de Roma; perseguir e combater, até à última extremidade, heréticos, cismáticos e todos os que não prestarem ao pontífice soberano toda a obediência que o soberano exigir."
Enquanto este juramento for obrigatório para os bispos Romanos, eles não são confiáveis. Não se deve permitir que interfiram, direta ou indiretamente, nas instituições, leis ou ordenanças de qualquer país protestante. Seus juramentos não devem ser aceitos nos tribunais de justiça; seus seguidores, cada um dos quais está ligado por um juramento semelhante de fidelidade, devem ser excluídos de nossos grandes júris, de nossos júris menores, mas principalmente de nossos salões legislativos; pois onde quer que o suposto interesse do Papa colida com o da autoridade civil, ou mesmo com a administração da justiça recíproca, um Papista, sob o controle de seu bispo, não hesitará em sacrificar o bem do país, o interesse, a vida e a prosperidade de seu concidadão pelo bem da igreja. A história está repleta de exemplos nesse sentido, e os escritores católicos citam inúmeras autoridades a esse respeito.
Tomás de Aquino, cuja autoridade nenhum católico questiona, diz em sua obra de Regem: "O Papa, como rei supremo de todo o mundo, pode impor tributos e destruir cidades e castelos para a preservação do Cristianismo." O leitor americano deve ter em mente que por Cristianismo, São Tomás entende papismo. O Papa Gregório Sétimo, por volta do ano mil e cinquenta, usou a seguinte linguagem e a proclamou como a doutrina da Igreja Romana: "O Papa deve ser chamado Bispo Universal. Só ele deve usar os sinais da dignidade imperial; todos os príncipes devem beijar-lhe os pés; ele tem poder para depor imperadores e reis, e não deve ser julgado por ninguém." O Papa João Doze, no ano novecentos e cinquenta e seis, anunciou o seguinte como sendo a crença universal: "Quem se aventurar a sustentar que o nosso senhor o Papa não pode decretar o que lhe aprouver, seja anátema." O Papa Bonifácio Oitavo, em 1294, declara, ex cathedra, "que Deus estabeleceu os Papas sobre reis e reinos, e quem pensar de outra forma seja anátema." O mesmo Papa, em outro lugar, diz: "Declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos ser necessário para a salvação que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano." O Papa dos dias atuais, como todo escritor católico sustenta e ensina o laicato a crer, tem o mesmo poder agora que os Papas tiveram em qualquer período da história da igreja.
O Concílio de Trento, o último realizado na igreja Papista, declara que Pio Quinto, que era então Papa de Roma, "era príncipe sobre todas as nações e reinos, tendo poder para arrancar, destruir, dispersar, arruinar, plantar e edificar." O Cardeal Zeba, um teólogo sólido de acordo com a crença Papista, sustenta, com muita engenhosidade, "que o Papa pode fazer todas as coisas que deseja, e é capacitado por Deus a fazer muitas coisas que ele mesmo não pode fazer." Todos os escritores sobre direito canônico exaltam o Papa chamando-o de nosso Senhor o Papa, e este título foi-lhe confirmado pelo Concílio de Latrão. Na quarta sessão daquele concílio, sustenta-se "que todos os mortais devem ser julgados pelo Papa, e o Papa [não pode ser julgado] por absolutamente ninguém." Massonius, que escreveu a vida do Papa João Nono, nos diz que um bispo de Roma, ou seja, um Papa, não pode cometer sequer pecado sem louvor.
Se não houvesse outra reprovação à igreja romana, a não ser a simples declaração de uma blasfêmia como essa, seria suficiente para enojar a humanidade; ela deveria levantar todas as vozes em sua condenação e todas as mãos para derrubar essa obra-prima da engenhosidade satânica. Mas, por mais estranho que possa parecer, o atual Papa mantém reivindicações semelhantes e impõe obediência; não, mais do que isso; neste ano de nosso Senhor, 1845, insiste no direito de depor todos os que estão no poder e de absolver seus súditos de qualquer outra fidelidade.
Mas, por mais extravagantes que fossem as pretensões Papais entre os séculos IX e X, foi apenas por volta da metade do século XI que começaram a se mostrar no pleno fulgor de sua hedionda deformidade. Hildebrando, que tivemos ocasião de mencionar como Gregório Sétimo, sacudiu toda restrição civil e proclamou o império universal e ilimitado dos Papas sobre o resto do mundo.
Como expressa Shoberl, "ele mandou elaborar uma declaração de independência em todas as coisas, temporais e espirituais, especificando expressamente o direito divino do Papa de depor todos os príncipes, dispor de todos os reinos, ab-rogar leis existentes e substituí-las por aquelas que o santo Papa da época aprovar." Esta declaração, ou carta de direitos, é traduzida corretamente por Shoberl e publicada em sua obra, The Rise and Progress of the Papal Power [A Ascensão e o Progresso do Poder Papal]. Muitos, provavelmente, lerão este volume sem ter tido a oportunidade de conhecer a obra de Shoberl; e há outros que talvez se recusem a dar ao seu relato a credibilidade que as circunstâncias os obrigam a conceder ao autor.
Tendo sido educado como padre católico, e sendo de conhecimento geral que não se pode ser admitido ao sacerdócio sem possuir profundo conhecimento, pelo menos de suas próprias doutrinas, é justo presumir que minhas afirmações merecem total crédito, enquanto as dos protestantes podem ser contestadas pelos padres católicos, os quais, enquanto pertencem àquela Igreja, são obrigados, sob pena de anátema, a subscrever qualquer falsidade, por mais grosseira que seja, desde que sirva aos interesses do Papa; e a negar qualquer verdade, por mais evidente que seja, em vez de contradizer ou enfraquecer as autoridades pelas quais as impiedosas loucuras e pretensões perversas da Igreja de Roma são sustentadas. Darei esta carta de direitos aos meus leitores. Ela deveria estar nas mãos de todo americano. Deveria encontrar um lugar em toda escola primária nos Estados Unidos. Deveria estar entre as primeiras lições da infância, para que toda criança, ao crescer e ver um bispo ou sacerdote católico, reflita e se pergunte: Esse homem acredita nessas coisas? Somos chamados a aprovar leis para o apoio e proteção de igrejas, onde tais doutrinas, como esta carta contém, são promulgadas? Podemos confiar no homem que as promulga, ou naqueles que as subscrevem? É seguro vivermos juntos na mesma comunidade? Sua presença não ameaça nossas instituições civis? Não representam um risco à moral de nossos filhos? Não será, em algum dia futuro, uma mancha na página de nossa história e uma mácula vergonhosa em nosso caráter esclarecido o fato de sancionarmos tais doutrinas, ou de permitirmos a homens que as professam qualquer participação em nossos direitos civis? Que a declaração do Papa Gregório sobre os direitos divinos Papais fale por si mesma.
"A igreja Romana é a única que Deus fundou.
"O título de universal pertence somente ao pontífice Romano.
"Só ele pode depor e absolver bispos.
"Seu legado preside todos os bispos em cada concílio, e pode pronunciar sentença de deposição contra eles.
"O Papa pode depor pessoas ausentes.
"Não é lícito viver com aqueles que foram excomungados.
"Ele tem o poder, conforme as circunstâncias, de promulgar novas leis, criar novas igrejas, transformar um capítulo em abadia e dividir um bispado rico em dois, ou unir dois bispados pobres.
"Só ele tem o direito de assumir os atributos do império.
"Todos os príncipes devem beijar-lhe os pés.
"Seu nome é o único a ser proferido nas igrejas.
"É o único nome no mundo.
"Ele tem o direito de depor imperadores.
"Ele tem o direito de remover bispos de uma sé para outra.
"Ele tem o direito de nomear um clérigo [sacerdote] em toda igreja.
"Aquele que ele nomeou pode governar outra igreja, e não pode receber um benefício maior de nenhum bispo particular.
"Nenhum concílio pode se chamar geral sem a ordem do Papa.
"Nenhum capítulo, nenhum livro, pode ser considerado canônico sem sua autoridade.
"Ninguém pode invalidar suas sentenças; ele pode ab-rogar as sentenças de todas as outras pessoas.
"Ele não pode ser julgado por ninguém.
"Todas as pessoas, sejam elas quais forem, estão proibidas de ousar condenar aquele que é chamado à cátedra apostólica.
"A esta cátedra devem ser trazidas as causas mais importantes de todas as igrejas.
"A igreja Romana nunca erra e jamais errará.
"Todo pontífice Romano, canonicamente ordenado, torna-se santo.
"É lícito acusar quando ele permite, ou quando ele ordena.
"Ele pode, sem sínodo, depor e absolver bispos.
"Não é católico quem não está unido à igreja Romana.
"O Papa pode libertar os súditos de todos os juramentos de fidelidade a maus príncipes."
Aqueles que não foram educados como católicos ou que não viveram em países católicos terão dificuldade em supor que tais pretensões como as mencionadas acima pudessem ter sido sequer concebidas ou submetidas. Por mais extravagantes, absurdas, tresloucadas e perversas que sejam, elas foram aceitas pela corte de Roma; e, nos dias de hoje, são defendidas e seriam impostas, neste país, caso essa igreja tivesse o poder de fazê-lo. Ela jamais renunciou aos direitos que reivindica na declaração acima; e não há um único católico que se atreva a afirmar o contrário, sem uma dispensa de seu bispo ou sacerdote para mentir deliberadamente, com o objetivo de enganar os americanos para o bem da igreja. Isso, no entanto, eles podem sempre obter e conceder uns aos outros, conforme as circunstâncias exigirem.
Enquanto padre católico, muitas vezes recebi e concedi tais indulgências; e não há um período no mundo cristão, desde os dias do Papa Gregório, em que todos os poderes e prerrogativas, enumerados na mencionada carta de direitos Papal, não tenham sido reivindicados e postos em prática pelos Papas de Roma, até o momento em que escrevo. Vamos testar a verdade desta afirmação pela regra infalível da História, embora possa parecer desnecessário, visto que nenhum católico a negará; em todo caso, não será questionada por aqueles que têm algum conhecimento da história de sua própria igreja. Estou bem ciente de que a maioria dos católicos neste país nada sabe sobre a religião que professa e pela qual está disposta a lutar, contender e derramar o sangue de seus concidadãos. Não estou sequer arriscando uma afirmação ao dizer que não há um deles que tenha lido os evangelhos por completo, ou que saiba mais sobre a religião que professa do que sobre o Alcorão de Maomé. O padre lhes diz: "que Cristo estabeleceu uma igreja na terra; que ela é infalível; e que eles devem submeter-se implicitamente ao que seus papas, sacerdotes e bispos ensinam, sob pena de condenação eterna." Isso é tudo o que a grande massa de católicos sabe sobre religião; isso é tudo o que lhes é exigido conhecer; e é por isso que essas pessoas desconhecem as pretensões do Papa, as intrigas dos jesuítas ou as imposições praticadas sobre eles por seus bispos e padres.
Mas voltemos à história das pretensões Papais. Já no ano de 1066, Gregório, que era então Papa, convocou Guilherme, o Conquistador, rei da Inglaterra, a ir a Roma, prostrar-se de joelhos e prestar homenagem à sua santidade. Guilherme recusou; mas sua santidade considerou oportuno chegar a um acordo, embora não renunciasse a nenhuma de suas modestíssimas pretensões. Este humilde seguidor do Redentor considerava a Sardenha e a Rússia como parte de seus domínios. O seguinte excerto de uma carta sua ao soberano da Rússia é um bom exemplo da insolência deste homem Papa, ou melhor, deste Deus Papa, como seus súditos o consideravam. "Concedemos uma coroa ao teu filho, que deve vir e recebê-la de nossas mãos, prestando-nos juramento de fidelidade." Ele também ordenou ao imperador da Grécia "que abdicasse de sua coroa", e também depôs o rei da Polônia. Este modesto Papa escreveu aos diferentes príncipes da Espanha "que seria muito melhor entregar o seu país aos Sarracenos, do que não prestar homenagem à Sé de Roma." Ele excomungou Filipe Primeiro da França, porque este se recusou a "prestar-lhe homenagem." Escrevendo aos bispos franceses, ele diz: "Separai-vos da comunhão de Filipe; que a celebração da santa missa seja interditada em toda a França; e sabei que, com a ajuda de Deus, livraremos aquele reino de tal opressor." Este mesmo Papa excomungou Henrique Quarto, "porque ele se recusou a reconhecê-lo como seu superior," e absolveu seus súditos de seu juramento de fidelidade a ele. E qual foi o resultado? Henrique foi obrigado a submeter-se. Tendo se dirigido à corte do Papa, foi impedido de entrar, e antes que lhe fosse permitido comparecer na presença deste Papa patife, que estava então trancado com Matilda, Condessa da Toscana, uma das inúmeras mulheres com quem ele vivia intimamente, Henrique foi forçado a se despir e vestir uma camisa de crina. O Papa então condescendeu em dizer "que Henrique deveria jejuar três dias, antes que lhe fosse permitido beijar o dedo do pé de sua santidade; e ele então o absolveria mediante promessa de bom comportamento."
Alexandre Terceiro, por volta do ano 1160, depôs Frederico Primeiro, rei da Dinamarca; e colocando o pé sobre seu pescoço, exclamou impiamente: "Tu pisarás o leão e a víbora." Esta prática e estas pretensões ao poder soberano continuaram até os dias de Elisabeth; e daí até o momento presente. O Papa Pio V excomungou Elisabeth e absolveu seus súditos de seu juramento de fidelidade; e, ao fazê-lo, dirigiu a si mesmo as seguintes palavras do Salmista: "Vê, eu te constituí neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e derrubar, para destruir, para edificar e para plantar." Mais sobre isso adiante.
Tais eram as doutrinas da igreja Romana em 1558. Tais eram as práticas dessa igreja por séculos anteriores; e não há um único caso registrado em que ela tenha modificado ou restringido a extensão ou magnitude de suas reivindicações, a menos que fosse compelida a isso por coerção; e mesmo assim ela jamais renunciará a qualquer uma delas, apenas cessará de exercê-las em obediência à lei da força. A igreja Romana, neste país, como mostrarei, reivindica os mesmos poderes temporais agora que sempre reivindicou e exerceu por tantos séculos. Ela deporia agora o executivo deste país, como fez com Filipe da França, se ousasse fazê-lo. O Papa absolveria nossos cidadãos de seu juramento de fidelidade, se tivesse o poder de levar sua dispensa a efeito; e qual é o dever dos americanos sob tais circunstâncias? Submeter-se passivamente? É razoável esperar e testemunhar o crescimento do papismo entre vocês, nutri-lo e alimentá-lo com o sangue vital de sua existência como nação, até que o monstro supere a própria força de vocês e os estrangule, para saciar seu apetite desmedido? Eu defino como um princípio sólido na ética política, assim como moral, que se um governo encontra, dentro dos limites de sua jurisdição, qualquer seita ou partido, de qualquer doutrina, credo ou denominação, que professe princípios incompatíveis com sua permanência, ou subversivos do direito inalienável ao autogoverno e de adorar a Deus de acordo com os ditames da consciência, essa seita ou partido deve ser removido para além de seus limites, ou pelo menos excluído de qualquer participação na formação ou administração de suas leis.
Seria, por exemplo, sensato que nosso governo encorajasse os Mórmons a introduzir entre nós, como lei do país, os delírios e profecias de Joe Smith? Suponha que essa seita sustentasse que Joe Smith era seu Senhor Deus; que os reinos deste mundo pertenciam a ele; que ele reivindicava e realmente exercia o direito de destronar reis, e trabalhava diligentemente, por todos os meios a seu dispor, para se colocar em uma posição de modo a exercer, num futuro não distante, o direito de depor nossos presidentes, governadores estaduais e absolver nosso povo de seus juramentos de fidelidade. Essa seita, como tal, não deveria ser esmagada instantaneamente? Não deveria, pelo menos, ser proibida de interferir, direta ou indiretamente, em nossas instituições civis? Suponhamos que o profeta Joe Smith mantivesse a sede de seu governo na Europa, e que a Europa estivesse repleta de Mórmons; podemos supor ainda que este grande sumo sacerdote tenha milhares e milhões de oficiais subordinados, juramentados e ligados por compromissos cimentados em sangue, para sustentá-lo como seu soberano governante, por todos os meios que a engenhosidade humana pudesse conceber, e a todo sacrifício de verdade e honra. Suponha, ademais, que este sumo sacerdote estivesse enviando anualmente milhares de seus súditos a este país, com nenhum outro propósito senão possuir suas terras férteis e derrubar seu governo, substituindo-o pelo deste sacerdote e tirano estrangeiro; vocês permitiriam que desembarcassem em suas terras? Permitiriam que poluíssem a pureza de seu solo? Permitiriam que suas mãos impuras tocassem os altares de sua liberdade? Não insistiriam primeiro que se purificassem dos pecados e da imundície do Mormonismo e se libertassem de toda conexão futura com este homem monstro e aspirante a Deus, que impiamente exigia obediência cega e homenagem incondicional? Eu poderia responder por vocês, mas não o farei; a história de sua república responde por vocês; os movimentos, que agora estão ecoando de uma extremidade à outra de seu país, respondem por vocês em tons muito solenes e altissonantes para serem abafados pelo rugido das bulas Papais. Mas é de muito se temer que os americanos ainda não compreendam totalmente os perigos da existência do papismo nos Estados Unidos. É difícil convencer um republicano de convicção inabalável e determinação firme – cujos pulmões foram inflados pela primeira vez com o sopro da liberdade, cujos primeiros pensamentos foram de que todos os homens têm o direito natural de adorar a Deus como bem entenderem – de que se possa encontrar alguém tão desprovido de razão, interesse e princípios a ponto de desejar trocar esses elevados privilégios, dos quais desfruta neste país, por opressão e submissão cega aos ditames de um Papa, ou mesmo de qualquer grupo de homens, civil ou eclesiástico; menos ainda pode um americano acreditar, sem dificuldade, que aquele que vê a excelência e a operação prática de nossa forma de governo, tentará derrubá-lo, submetendo-se a qualquer credo, a qualquer rei ou Papa, que exija dele uma fidelidade incompatível com aquela que ele já jurou manter. De um modo geral, os homens também não costumam fazer essas coisas.
Enquanto o homem acreditar nas obrigações morais de um juramento, ele não o violará facilmente. Enquanto ele acreditar que há uma Providência onisciente, a quem unicamente responde por suas ações, será cauteloso ao cometer ofensas; mas uma vez que se satisfaça um homem de que há, ao seu alcance, um poder que pode perdoar seus pecados, mesmo os de perjúrio; que pode transformar o mal abstrato em bem, ele não hesitará nem um pouco. Enquanto o perdão de ofensas for um artigo negociável, nunca faltará a um comprador, tão propensos somos à prática do crime. Tenha o homem um conselheiro, em quem ele é ensinado a depositar confiança ilimitada, a quem vê como o representante de seu Deus na terra, e ele logo se torna sua ferramenta pronta para o bem ou para o mal. Tal é precisamente a posição em que noventa e nove em cada cem católicos são colocados. Seus sacerdotes lhes dizem que, como membros da sociedade, a primeira fidelidade que devem é ao chefe de sua igreja, o Papa de Roma, e a próxima ao governo, de fato, sob o qual vivem; mas esses impostores eclesiásticos bem-sucedidos nunca se esquecem de acrescentar que a primeira fidelidade, sendo de caráter espiritual, absorve e se sobrepõe à última; anulando assim, e tornando o juramento de fidelidade que prestam ao nosso governo algo pior do que mera zombaria; e esta é a razão pela qual pouquíssimos católicos, particularmente os irlandeses, leram alguma vez a constituição dos Estados Unidos, nem exigem que lhes seja lida. Não sabem, nem se importam com seu significado. Basta-lhes crer que o juramento que prestam para apoiá-la não é obrigatório. Disto são assegurados por seus padres. Contudo, estranhamente, esses mesmos padres lhes dizem que cometem pecado mortal ao se tornarem Maçons, ou ao se unirem àquela excelente e benevolente associação, a dos Odd Fellows. E por que, leitor, eles agem assim? Por que impedi-los de se unirem aos Odd Fellows ou Maçons? Por que o Papa recentemente amaldiçoou todos os Odd Fellows? Por que ele enviou uma bula a este país, advertindo os católicos contra ter qualquer relação com eles? Por que os sacerdotes Romanos, de uma extremidade a outra deste país, ecoaram essas maldições? O Papa descobriu algo ruim na constituição ou nas regras de ação dos Maçons ou dos Odd Fellows? Essas instituições visam a derrubada de quaisquer princípios fixos em moral, religião ou virtude? Nenhuma alegação é feita nesse sentido. Por que, então, Papas e padres proíbem os católicos de se unirem a elas? É expressamente porque o Papa nada sabe sobre essas excelentes instituições. É porque ele está ciente de que não pode fazer uso delas. Mas que essas sociedades tomem cuidado, se quiserem manter seus segredos. Não devem permitir que nenhum homem se una a elas até que jure primeiro que não é católico; caso contrário, alguns jesuítas se infiltrarão entre eles, e o próximo navio levará seus feitos para sua realeza santidade, o Papa.
Não posso ilustrar melhor o valor que os padres Romanos estrangeiros e seus seguidores atribuem a um juramento de fidelidade a este governo do que relatando um diálogo que tive com um jesuíta, o Reverendo Dr. De Barth, então vigário-geral da diocese da Pensilvânia e residente na Filadélfia. Aconteceu há alguns anos, e sua opinião sobre a validade de um juramento de fidelidade a este governo é a mesma mantida por todos os Papistas hoje. Eu a apresentarei na forma de perguntas e respostas, exatamente como ocorreu.
Pergunta do Sr. De Barth: O senhor pretende tornar-se um cidadão dos Estados Unidos?
Resposta: Acredito que não, senhor. Não penso que eu poderia prestar conscientemente um juramento de fidelidade a este governo sem violar aquele que prestei na minha ordenação.
Sr. De B.: O senhor está totalmente enganado. Qualquer parte do seu juramento de fidelidade a este país que possa ser incompatível com a sua primeira e maior fidelidade à cabeça da sua igreja não pode ser obrigatória para o senhor.
Resp.: Tenho dúvidas sobre esse assunto.
Sr. De B.: O quê! Duvidar do seu superior, senhor? Isto parece mal. Ameaça heresia. O senhor andou conversando com alguns heréticos deste país? Declare suas intenções, senhor, de se tornar um cidadão. Preste o juramento; é necessário que o senhor seja habilitado a possuir bens imóveis para o bem da igreja. A igreja deve ter suas propriedades fora das mãos dos administradores; neste país, eles são todos heréticos; devemos nos livrar deles na igreja de St. Mary.
Isto me levou a um exame da fidelidade que jurei ao Papa na minha ordenação. Descobri que não lhe devia nenhuma; que eu era vítima de uma educação precoce; que devia fidelidade apenas ao meu Deus e ao país que protegia minha vida, minha liberdade e minha consciência; e sem mais conversa com este jesuíta intrigante e debochado – como subsequentemente descobri – tornei-me cidadão dos Estados Unidos o mais rápido possível, renunciando a toda fidelidade, temporal e espiritual, a sua santidade o Papa; e resolvi firmemente induzir todos os outros que, como eu, haviam sido vítimas de intrigas Papistas, a se desvincularem dele. Decidi não apoiar nenhuma constituição civil, a não ser a dos Estados Unidos, e não ter ninguém para me guiar em questões espirituais além da minha própria consciência e da palavra de Deus.
Bispos e padres papistas absolvem a fidelidade aos governos protestantes
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