Quando Roma se torna a bússola moral do mundo


Interestelar é um dos filmes que o público geralmente lembra quando ouve o nome de Matthew McConaughey.

Um dos atores mais prestigiados de Hollywood, McConaughey atuou em produções que se tornaram icônicas e amplamente reconhecidas, algumas das quais lhe renderam importantes prêmios da indústria.

Em 2014, a revista Time o incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Mas por que isso importa?

Há algumas semanas, McConaughey foi entrevistado no programa TODAY, da NBC News, onde falou, entre outras coisas, sobre seu encontro com o papa Leão XIV. Eis suas palavras (a ênfase é minha):

Foi uma honra conhecer alguém que está na posição de bússola moral do mundo, não apenas da Igreja Católica.

Note que o ator americano não disse que o papa é o líder da Igreja Católica, e sim que ele ocupa uma posição de referência moral para o mundo – uma ideia que ilustra precisamente a recuperação da autoridade moral e espiritual do papado de que fala Apocalipse 13:3 e 17:8!

As implicações da declaração de McConaughey são profundas e, talvez, ele mesmo não tenha consciência disso.

A "posição de bússola moral do mundo" pressupõe que o papa possui autoridade para determinar aquilo que é moralmente correto e, consequentemente, aquilo que deve ser obedecido pela consciência humana.

Em outras palavras, a questão vai além da simples existência institucional do papado. Ela diz respeito à uma combinação dessa suposta autoridade com pretensão universal, influência sobre as nações, reconhecimento internacional, união entre o poder religioso e o civil e, por fim, coerção em questões de culto e obediência. Nada disso é possível sem que antes o papado possua legitimidade.

No entanto, legitimidade religiosa não necessariamente começa com poder político. De fato, ela pode começar com passos que, a princípio, parecem inocentes, mas que constituem uma progressão perigosa demais para ser ignorada.

A legitimidade pode começar com o reconhecimento de que o papa é uma voz moral necessária. Depois, com o argumento de que ele é uma referência moral, uma das poucas pessoas capazes de unir a humanidade. Em seguida, com a sugestão de que precisamos ouvir sua orientação e, finalmente, incorporar seus princípios nas instituições públicas!

É exatamente essa progressão que torna a declaração de McConaughey mais reveladora do que uma simples demonstração de simpatia pessoal.

Pouco depois de seu encontro com Leão XIV, McConaughey afirmou que, embora apoie a separação entre Igreja e Estado, os valores religiosos deveriam influenciar os valores dos sistemas políticos.

Ele também mencionou a possibilidade de uma espécie de constituição global baseada em valores morais que diferentes religiões poderiam compartilhar.

Estaria McConaughey defendendo uma teocracia? À primeira vista, não.

Mas a influência religiosa na vida pública e a adoção de valores morais universais inevitavelmente conduzem a um sistema político marcado pela convergência entre a autoridade religiosa e o poder civil, um perigo sobre o qual Apocalipse 13 adverte.

E Ellen G. White descreveu em cores muito vivas o estágio final de uma crise resultante da união entre igreja e estado que ultrapassará os limites da esfera espiritual, culminando em pressão civil sobre a consciência.

Matthew McConaughey não está sozinho

Uma figura consagrada do show business referindo-se ao papa como uma bússola moral global mostra, nas palavras de Andy Roman, que a influência católica se expandiu além da Igreja e penetrou na cultura mais ampla do mundo, moldando o sentimento público e, em última instância, preparando o caminho para uma legislação civil que imponha reivindicações religiosas.

O fato mais interessante, contudo, é que McConaughey não está sozinho.

Há uma longa tradição de personalidades públicas descrevendo o papa como uma espécie de consciência moral do mundo, entre eles, Barack Obama, Joe Biden, Pedro Sánchez (o primeiro-ministro espanhol – que se identifica como ateu – chamou a voz do papa de "uma bússola moral na luta contra a injustiça"), Prabowo Subianto (o presidente indonésio é muçulmano), Chan Santokhi, Mia Mottley, Benjamin Netanyahu e Ban Ki-moon.

Em 2017, o ano do 60º aniversário da União Europeia, um membro proeminente de um think tank pró-UE disse que, com Barack Obama fora da Casa Branca, o chefe da Igreja Católica era a "única autoridade moral" que os políticos europeus tinham para seguir.

Tão significativo quanto essas declarações individuais é o modo como instituições internacionais passaram a tratar o papado.

Um estudo acadêmico sobre o papel da Santa Sé nas relações internacionais observa que o papa é uma celebridade global cuja capacidade de definir e discutir questões mundiais é incomum entre líderes religiosos. A Santa Sé possui relações diplomáticas, representação internacional e uma plataforma institucional que transforma a autoridade moral do pontífice em soft power (veja um exemplo aqui).

A profecia antecipou o mesmo conceito em quase dois mil anos!

Para conquistar o mundo moderno, o papado não precisa de exércitos ou blindados, mas de autoridade moral – um exercício de poder muito mais sofisticado e, paradoxalmente, mais eficaz do que o antigo poder territorial.

Credibilidade moral (autoridade religiosa) leva à influência cultural (a mídia traz visibilidade; as celebridades trazem legitimação cultural), que leva à influência diplomática e política (legitimação institucional), que leva à influência da opinião pública (legitimação moral), que leva à influência legislativa (eventual coerção)!

Trata-se basicamente do mesmo roteiro apresentado em Apocalipse 13.

Primeiro o papado conquista a admiração do mundo (verso 3); depois consolida sua autoridade (verso 4); em seguida garante alcance internacional (verso 7); mais tarde, uma potência – os Estados Unidos da América – atua para transformar as crenças religiosas do papado em políticas de estado (verso 12) e para moldar a opinião pública (verso 14); e, finalmente, exerce coerção em nome de Roma (versos 16 e 17).

Apocalipse 17 mostra que, ao contrário da besta escarlate – símbolo do poder estatal – , que muda de acordo com suas fases ("era", "não é" e "aparecerá"), a mulher com o cálice na mão – símbolo da Igreja de Roma – não muda. Apocalipse 13 acrescenta uma nova camada: "Roma não muda seu caráter, mas mudou a natureza do seu poder em vista dos novos tempos".

McConaughey, conscientemente ou não, capturou essa ideia ao observar que os papas do passado talvez tivessem mais poder político, mas Leão XIV ocupa uma posição diferente.

Este é o ponto. A "posição diferente" – ou o soft power religioso! – funciona melhor no século XXI do que a velha e pesada máquina papal da Idade Média, pois opera mediante autoridade moral, diplomacia, mídia, cultura, religião, direitos humanos, questões ambientais, economia e ética tecnológica.

Não obstante, ainda se trata de uma autoridade religiosa relacionando-se com poderes políticos internacionais.

Por isso, quando observamos hoje audiências entre papas e autoridades públicas, reis, organismos multilaterais, empresários, artistas, cientistas e líderes religiosos, estamos testemunhando a construção da infraestrutura sociopolítica necessária para a influência universal prevista pela profecia e que cada encontro torna mais plausível!

Um sinal dos tempos

Quando McConaughey diz que Leão XIV é uma bússola moral para toda a humanidade, ele está verbalizando espontaneamente uma premissa cultural: a de que o papa é mais do que uma autoridade religiosa católica.

O detalhe extraordinário é que a frase vem de um ator de Hollywood, não de um cardeal, e, por isso, tem maior visibilidade na grande mídia americana.

McConaughey representa a indústria cinematográfica, o que corresponde fortemente com a dinâmica de Apocalipse 13, segundo a qual a religião não precisa inicialmente obrigar ninguém. Ela precisa primeiro tornar-se admirável para as massas! E quem melhor para exercer esse papel senão a grande mídia?

A capacidade do papado de obter legitimidade moral em contextos não religiosos é mais do que um fenômeno sociológico interessante. É um sinal dos tempos!

A imprensa internacional, fazendo coro à declaração de  McConaughey, tem descrito Leão XIV como uma figura capaz de exercer influência muito além do catolicismo.

Um artigo do Guardian, por exemplo, discutiu explicitamente a necessidade de uma liderança moral mundial após a eleição de Leão XIV sob um título bastante sugestivo: "Um americano tornou-se papa. Será ele o líder moral de que precisamos desesperadamente?".

E, em junho, quando Leão discursou ao Parlamento espanhol, recebeu uma ovação de sete minutos dos parlamentares. Sete minutos! Observe que a Espanha é uma das sociedades mais secularizadas da Europa.

Pode uma autoridade religiosa como o papa ser moralmente respeitável? Para a opinião pública, sim. Mas essa não é a questão crucial.

Leão XIV pode defender paz, dignidade humana, liberdade religiosa e ética tecnológica, porém, acima das coisas boas que ele diz paira uma questão decisiva: Quem possui a autoridade final sobre a consciência humana? Cristo ou o papa? A Bíblia ou a tradição humana? A lei de Deus ou a legislação religiosa?

E aqui não há margem para dúvidas. A mensagem do primeiro anjo em Apocalipse 14:7 responde categoricamente:

Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.

Esta é a resposta celestial ao processo descrito em Apocalipse 13! A mensagem do primeiro anjo não diz: "Sigam o papa, a maior autoridade religiosa e moral". Diz: "Adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas".

Ou seja, enquanto em Apocalipse 13 uma figura religiosa humana reivindica autoridade e recebe admiração universal, em Apocalipse 14 Deus chama novamente a humanidade para Si mesmo, e o faz usando uma linguagem que nos remete à única autoridade moral a Quem os seres humanos devem obediência e lealdade (verso 12):

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

Esta poderosa mensagem prepara o terreno para a questão do sábado. Porque o mandamento do sábado, na qualidade de memorial perpétuo da criação, identifica Quem de fato é o criador e legislador (Êxodo 20:11):

Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.

Assim, a questão final é: Quem possui autoridade para definir a verdadeira adoração e modificar aquilo que Deus estabeleceu?

Eis a razão por que a frase aparentemente inocente de McConaughey – "a bússola moral do mundo" – é muito mais teologicamente carregada do que parece à primeira vista.

Ela também demonstra de maneira extraordinariamente clara que a etapa inicial da dinâmica profética – a transformação de uma autoridade religiosa particular em uma autoridade moral percebida como universal – já começou, e que apenas algumas poucas porções finais da cadeia profética que ainda aguardam sua realização nos separam daquele glorioso dia, quando Cristo, nosso Senhor e Salvador, regressar para nos levar Consigo para o Seu reino!


Se você quiser ajudar a fortalecer o nosso trabalho, por favor, considere contribuir com qualquer valor:

ou

Postar um comentário

0 Comentários