A enxurrada devastadora de água, lama e rochas precipitada de milhares de metros de altura na fronteira entre o Nepal e o Tibete parece ter saído de um filme de ficção científica.
Ao que parece, a inundação mortal foi provocada pelo colapso da parte inferior de uma geleira na região de Langtang Lirung, a uma altitude de aproximadamente 5.200 metros. O impacto gerou um tremor registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2.
A força e a velocidade da onda (estimada em até 180 km/h) destruíram os sensores automáticos de monitoramento de rios na cabeceira antes que pudessem enviar alertas, surpreendendo vilarejos e postos de fronteira.
As imagens são assustadoras.
No momento deste post, mais de 750 fatalidades foram confirmadas, somando os dados do Nepal e da região autônoma do Tibete.
Há entre 2.500 e 3.000 pessoas desaparecidas. Partes desse número se devem ao colapso total das redes de telefonia e à destruição de estradas, mas há dezenas de turistas estrangeiros, trabalhadores de hidrelétricas e moradores soterrados pela lama.
Independentemente da agenda envolvida, é um fato que este ano já acumula marcas históricas em termos de eventos geológicos e climáticos extremos, elevando a frequência e a intensidade dos desastres globais.
Não somente isso. O traço mais extraordinário de 2026 é a simultaneidade e o menor tempo de recuperação entre múltiplos extremos (como secas e incêndios sucedidos por chuvas de alta intensidade, por exemplo).
"Frequência", "intensidade" e "simultaneidade" são palavras que nos remetem imediatamente ao sermão profético de Jesus em Mateus 24 (e nos Evangelhos paralelos).
No verso 8, depois de mencionar guerras, fomes, pestes e terremotos, Jesus declara:
Porém tudo isto é o princípio das dores.
A expressão grega – ἀρχὴ ὠδίνων (archē ōdinōn) – significa literalmente "princípio das dores de parto" (Strong #5604), a mesma linguagem que Paulo empregou para descrever a súbita chegada do "dia do Senhor" (1 Tessalonicenses 5:3). As "dores" indicam que o processo escatológico começou e que avança rumo à sua consumação final e gloriosa.
A analogia de Jesus para descrever esse processo é extraordinariamente profunda e reveladora.
Assim como as contrações no trabalho de parto, os sinais tendem a passar de menos frequentes para mais frequentes; de mais fracos para mais intensos; de mais espaçados para mais próximos; e de relativamente suportáveis para progressivamente mais difíceis de ignorar.
Essa é a razão pela qual Cristo não forneceu uma "curva estatística" de intensidade dos sinais. A comparação com as dores de parto transmite melhor a dinâmica de progressão: o mundo não está simplesmente repetindo acontecimentos; está avançando em direção a um clímax.
Nesse contexto, o fim de uma crise não significa um retorno à normalidade, assim como o fim de uma contração não significa que o organismo tenha retornado ao estado anterior. Outra vem depois, e depois outra, até que o intervalo entre elas se torna parte da própria progressão.
Ou seja, há uma mudança qualitativa no processo dos acontecimentos, semelhante à que ocorre durante o trabalho de parto.
No início, a mulher pode continuar conversando, caminhando, realizando determinadas atividades. Mas, à medida que o trabalho avança, as contrações passam a dominar progressivamente sua atenção.
O mesmo se aplica aos crentes em relação aos sinais.
E uma vez que o verdadeiro trabalho de parto começa, não é possível simplesmente voltar atrás e cancelar o nascimento.
Pode haver intervalos, fases mais lentas ou variações individuais, mas o processo está orientado para um acontecimento irreversível e inevitável: a criança nascerá!
Da mesma forma, o mundo caminha para um evento determinado por Deus, do qual ninguém pode escapar – a segunda vinda de Cristo!
Quem negará que as crises recentes, longe de serem acontecimentos isolados, são precisamente as contrações de um mundo que se aproxima de seu grande desfecho?
E mais importante ainda: Estamos preparados para o nascimento?
Assim como a intensidade crescente das dores de parto exige preparação, a proximidade do grande dia do Senhor exige vigilância e perseverança.
A dor termina no nascimento. A crise na história terminará na manifestação do Filho do Homem, quando "a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor" (Apocalipse 21:4).
Esta é a nossa bendita certeza!
Queira Deus que estejamos prontos para encontrá-Lo quando Ele voltar.
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