terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Eles existem

Há muitas pessoas que conheço que parecem não enxergar que vivemos tempos históricos – tempos que prenunciam acontecimentos da maior importância, repletos de perigos e oportunidades para o povo de Deus.

Alguns desses queridos irmãos ocupam cargos de prestígio na liderança da igreja, outros se distinguem por seus ministérios de apoio, e outros são formadores de opinião de grande envergadura intelectual, cujas contribuições para o fortalecimento da igreja são inegáveis.

Contudo, quando se trata de encarar de frente um problema que está longe de se limitar a questões de saúde pública, de maneira a avaliar criticamente suas implicações políticas e, sobretudo, espirituais, a reação desses irmãos é tal que me sinto como se tivesse sido involuntariamente imerso nas circunstâncias fictícias de Invasores de Corpos, em que "Geoffrey não é mais o Geoffrey".

Ao que parece, não estou sozinho nesta experiência um tanto bizarra. Figuras improváveis – e isso é realmente interessante – estão começando a enxergar o que muitos de nós, cristãos adventistas, não querem ver.

Uma delas é Naomi Wolf.

Escritora, jornalista e feminista radical, defensora do aborto e dos direitos LGBTQ, Wolf não é exatamente o tipo de pessoa que um crente conservador procuraria em busca de conselhos sobre valores morais cristãos.

Não obstante, ao ler seu artigo de 9 de janeiro, percebi mais claramente quão verdadeiras são as palavras que Jesus dirigiu a alguns fariseus incomodados com o clímax de Sua entrada triunfal em Jerusalém: "Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão" (Lucas 19:40).

Com o título sugestivo "É Hora dos Intelectuais Falarem sobre Deus?", Wolf, que é uma crítica das políticas sanitárias em vigor, começa sua peça descrevendo a reação extremamente negativa de uma ampla gama de profissionais que ela conhece, os quais, influenciados pela narrativa oficial sobre a Covid-19, tornaram-se pessoas muito diferentes.

Com o passar dos meses, amigos e colegas meus altamente educados e que foram pensadores críticos ao longo da vida, jornalistas, editores, pesquisadores, médicos, filantropos, professores, psicólogos – todos começaram a repetir apenas pontos de vista da MSNBC e da CNN, e logo se recusaram abertamente a olhar para quaisquer fontes – mesmo fontes revisadas por pares em revistas médicas, até mesmo dados do CDC – que contradiziam esses pontos de vista. Essas pessoas literalmente me disseram: "Eu não quero ver isso; não me mostre". Logo ficou claro que, se absorvessem informações que contradissessem a "narrativa" que se consolidava, corriam o risco de perder status social, talvez até empregos; portas se fechariam, oportunidades seriam perdidas.

Mais adiante, ela observa com evidente espanto:

Sistemas de crenças inteiros foram abandonados de forma indolor e da noite para o dia, como se essas comunidades estivessem nas garras de uma alucinação coletiva, como a mania das bruxas dos séculos XV a XVII no norte da Europa. Pessoas inteligentes e educadas de repente viram coisas que não estavam lá e foram incapazes de ver coisas que estavam incontestavelmente diante de seus olhos.

Em face desta descida ao abismo manifestada no que ela comparou com uma alucinação coletiva, Wolf escreve que, meses antes, havia perguntado a um renomado ativista da liberdade médica como ele permaneceu resiliente em sua missão, mesmo tendo a reputação manchada e enfrentado ataques à sua carreira e ostracismo social. Ele respondeu com Efésios 6:12:

"Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes."

A resposta surpreendente fez Naomi Wolf pensar muito a respeito e, à medida que os dias passavam, fazia cada vez mais sentido para ela. Wolf expressou seus pensamentos em um encontro para defensores da liberdade médica realizado no Vale do Rio Hudson:

Eu confessei naquela reunião na floresta com a comunidade de liberdade de saúde que eu tinha começado a orar novamente. Isso foi depois de muitos anos pensando que minha vida espiritual não era tão importante, e certamente muito pessoal, quase embaraçosamente, e, portanto, não era algo que eu deveria mencionar em público.

Eu disse ao grupo que agora estava disposta a falar sobre Deus publicamente, porque eu havia observado o que havia caído sobre nós de todos os ângulos, usando meu treinamento crítico normal e minhas faculdades; e que era tão elaborado em sua construção, tão abrangente e tão cruel, com uma imaginação quase sobre-humana, extravagante e barroca forjada da essência da própria crueldade, que eu não podia aceitar que isso havia sido realizado por meros humanos trabalhando em um nível humano desajeitado no espaço político mudo.

Para Wolf, o que está acontecendo nos últimos 24 meses é tão surreal que ela não encontra no âmbito de sua experiência a explicação para tudo isso, restando-lhe acreditar que se trata da ação de forças sobrenaturais das trevas. Apesar de sua formação acadêmica e histórico profissional, ela se sente incapaz de explicar o declínio civilizacional que presenciamos, a não ser nos termos de Efésios 6:12.

Senti ao nosso redor, na natureza majestosa do horror do mal à nossa volta, a presença de "principados e potestades" – níveis quase inspiradores de escuridão e de forças desumanas e anti-humanas. Nas políticas que se desenrolaram ao nosso redor, vi repetidas vezes resultados anti-humanos sendo gerados: políticas destinadas a matar a alegria das crianças; a literalmente sufocar crianças, restringindo sua respiração, fala e riso; a matar a escola, os laços familiares, as igrejas, sinagogas e mesquitas; e, dos níveis mais altos, da própria tribuna do presidente, a exigência de que as pessoas conspirassem para excluir, rejeitar, dispensar, evitar, odiar seus vizinhos, entes queridos e amigos.

Eu vi política ruim toda a minha vida, e esse drama se desenrolando ao nosso redor vai além da política ruim, que é boba e administrável e não tão assustadora. Isso – isso é assustador, metafisicamente assustador. Em contraste com a má administração humana infeliz, essa escuridão tem o tom do mal puro e elementar que subjaz e conferiu uma beleza tão hedionda à teatralidade do nazismo...

Wolf diz que "a própria imponência do mal ao nosso redor em toda a sua nova majestade" a levou a acreditar na "possibilidade, [n]a necessidade de uma força de compensação – a de um Deus", pois, de acordo com ela, um mal tão grande deve significar "que existe um Deus contra o qual está mirando sua malevolência".

"E isso é um grande salto para mim, como uma escritora liberal clássica em um mundo pós-guerra – dizer essas coisas em voz alta", confessa.

Lembre-se, Naomi Wolf é uma intelectual de esquerda, considerada uma importante porta-voz da terceira onda do movimento feminista. E é precisamente isso que torna suas palavras tão surpreendentes.

Ela observa que os intelectuais pós-modernos não devem falar ou acreditar em assuntos espirituais, pelo menos não publicamente. Devem ser reservados em suas referências a Deus, e certamente não devem falar sobre o mal ou as forças das trevas.

Mas Wolf acredita que "é hora de começar a falar novamente sobre o combate espiritual", "porque acho que é nisso que estamos, e as forças das trevas são tão grandes que precisamos de ajuda".

"Qual é o objetivo desta batalha espiritual?", ela pergunta. "Parece ser para nada menos que a alma humana". E então conclui:

Creio que estamos em um momento inédito na história – globalmente – em que, pessoalmente, acredito que não temos outra escolha a não ser pedir ajuda a seres – ou a um Ser – melhor armados para combater a verdadeira escuridão do que nós mesmos. Descobriremos se eles existem, se Ele ou Ela existe, talvez, se pedirmos a ajuda de Deus.

Quando alguém como Naomi Wolf escreve nesses termos, é hora de prestar atenção no que está acontecendo ao nosso redor e considerar seriamente as palavras do Senhor Jesus em Apocalipse 3:11:

"Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa."

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