terça-feira, 5 de janeiro de 2021

2020: Um ano para não esquecer

Por maiores que tenham sido os desafios ao longo de 365 dias, toda a virada de ano traz uma mensagem de esperança para o povo de Deus: Estamos um ano mais perto da vinda de nosso Senhor Jesus!

E para um ano como 2020, que testemunhou mudanças significativas num ritmo sem precedentes, essa esperança se torna ainda mais resoluta e mais viva!

Esse ano que passou foi palco de um número de eventos e desenvolvimentos que quase ninguém poderia prever, com a pandemia do novo coronavírus dominando grande parte da ação. Em retrospectiva, podemos seguramente dizer que a Covid-19 mudou o curso da história.

É claro que, em muitos aspectos, a mudança não foi para melhor. E o objetivo do post de hoje é justamente refletir sobre isso, mantendo a percepção da responsabilidade de que vivemos tempos históricos e a convicção de que toda a crise representa um processo de cura e esperança para aqueles que sabem ler nas entrelinhas o propósito redentor de Deus.

Então, a menos que pertença ao grupo dos que vivem dentro de seu próprio viés de normalidade, como num limbo no melhor estilo laodiceano, você perceberá que ingressamos em um período sombrio sem volta, mas através do qual podemos divisar, pela fé, “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (II Pedro 3:13)!

Com isso em mente, vejamos pelo menos três consequências devastadoras provocadas, ou melhor, exacerbadas pela pandemia em 2020 e que nos afetarão nos próximos anos.

1. Devastação econômica

O impacto econômico da pandemia pode ser visto através dos números.

Na maior economia do planeta, o balanço do banco central (Federal Reserve System) passou de US$ 3,76 trilhões no final de agosto de 2019 para US$ 4,16 trilhões no final de fevereiro de 2020 - uma mudança de US$ 400 bilhões. Em 13 de maio de 2020, era de US$ 6,93 trilhões. Um aumento chocante de US$ 2,77 trilhões em dez semanas, superando qualquer coisa vista durante a crise financeira de 2007-2008!

Até novembro de 2020, quase 2 trilhões de dólares foram adicionados à dívida nacional dos EUA. A dívida federal, como parcela da economia, atingiu 98% no ano fiscal de 2020. Para colocar esse montante em perspectiva, levou cerca de 200 anos para o governo federal acumular sua primeira dívida de US $ 1 trilhão. (Esse limite foi atingido por volta de 1976.) A dívida agora é de US $ 28 trilhões e está aumentando.

Peter Schiff resumiu a situação econômica real da América: Imensos déficits orçamentários e emissão indiscriminada de dívida e dinheiro em uma escala sem precedentes! (Lembre-se que a destruição econômica não ocorre sem que antes a base moral da sociedade e da economia seja destruída pelo que Charles Hugh Smith chamou de "a busca implacável da ganância irrestrita").

Os efeitos das políticas controversas em resposta à crise sanitária superaram, no entanto, os supostos benefícios dos enormes estímulos artificiais: Milhões de americanos perderam seus empregos em uma proporção nunca vista.

O ano de 2019 terminou com 2 milhões de pedidos de seguro-desemprego. 2020 terminou com quase 20 milhões [fonte], enquanto a riqueza dos bilionários subiu em média 27% em vários setores durante a pandemia [fonte], aprofundando as diferenças sociais.

Além disso, segundo apontou a Foundation for Economic Education, 7,5 milhões de pequenas empresas na América correm o risco de fechar suas portas definitivamente. Só em Nova York, as quarentenas forçaram o fechamento permanente de mais de 100.000 pequenas empresas.

Em termos mundiais, as políticas draconianas dos governos em resposta à Covid-19 destruíram vidas, aniquilaram economias e resultaram em números recordes de pedidos de falência, desemprego e aumento da dívida global.

Longe de uma recuperação em forma de "V" (ou, para simplificar, de um retorno à "normalidade"), a economia de hoje, nas palavras de Gail Tverberg, sofre problemas que tendem a pressioná-la para baixo, como uma escada rolante descendente pela qual tentamos subir.

Contudo, à medida que a acumulação de condições recessivas exacerbadas pelo coronavírus é intensificada pela constante renovação governamental de bloqueios economicamente devastadores em resposta a novos surtos, algo curioso acontece: A população exige cada vez mais que o governo faça alguma coisa!

O que nos leva à segunda grande consequência da pandemia.

2. Destruição da liberdade

Em uma entrevista ao programa World at One, da BBC Radio 4, o ex-juiz da Suprema Corte britânica, Jonathan Sumption, observou que as sociedades humanas geralmente perdem sua liberdade não porque os tiranos a tomam, mas porque as pessoas renunciam voluntariamente a ela em troca de proteção contra alguma ameaça externa.

Elas não avaliam o custo. Apelam ao poder do estado sem se dar conta de que estão causando a destruição de seus próprios direitos.

Muito maior e mais perigosa que a Covid-19, a pandemia do medo tem concedido ao estado poderes de tal magnitude que praticamente tudo o que se refere à liberdade e aos direitos fundamentais já foi comprometido e o que ainda resta está sob terrível ameaça.

É evidente que o estado e as corporações que se beneficiam de suas políticas nunca renunciarão ao poder que acumularam em 2020.

Isto lhe parece familiar?

Bloqueios onerosos, restrições rigorosas de interação, reunião e circulação, punições desproporcionais, abordagens policiais mais invasivas, prisões retaliatórias de cidadãos desarmados, criminalização de atividades legais, monitoramento, rastreamento de contatos e criação de bancos de dados pela utilização massiva de tecnologias emergentes de vigilância, DNA e identificação biométrica (características e estrutura facial, impressões digitais, varreduras da íris, etc.), vacinação forçada, passaportes de imunidade obrigatórios, linhas de denúncia para delatores, censura.

Acrescente-se a isso os planos de uma sociedade sem dinheiro, economia compartilhada (um eufemismo para economia planificada), sistemas de vigilância ao estilo do sistema de crédito social chinês...

Se você deseja um retorno à normalidade, não quero desapontá-lo, mas as liberdades civis serão restringidas por muito tempo. Como escreveu Gideon Lichfield no MIT Technology Review: "Esta não é uma interrupção temporária. É o início de um estilo de vida completamente diferente".

A liberdade de expressão, que é uma condição essencial para que a liberdade de consciência possa ser exercida, nunca esteve tão ameaçada e isso já era uma realidade antes mesmo do coronavírus.

Pense nos usuários de mídias sociais que acessaram suas contas apenas para descobrir que elas haviam sido sumariamente suspensas sob a alegação de que disseminavam "discurso de ódio", uma expressão que tem se tornado tão elástica quanto o termo "fundamentalismo".

Aconteceu com Alex Jones. Se ele é um teórico da conspiração ou não é menos importante do que o fato de suas contas nas redes sociais terem sido sucessivamente fechadas, bem como suas contas em empresas de pagamento eletrônico e provedores de serviço de newsletter.

O que aconteceu com Alex Jones é um aviso sinistro do que ainda está por vir?

Quando um reitor e um redator de um grande jornal pedem mais censura sob a alegação de que a própria liberdade de expressão está permitindo muita liberdade na Internet e em outros fóruns, ou quando um analista da CNN pede uma regulamentação abrangente da liberdade de expressão pelos mesmos motivos, ou, ainda, quando um professor de direito da Harvard e outro da Universidade do Arizona afirmam peremptoriamente que "o monitoramento significativo e o controle da expressão são componentes inevitáveis de uma internet madura e próspera", a resposta parece óbvia.

Como Giulio Meotti observou: "As democracias ocidentais pagaram caro pelo direito à liberdade de expressão e, se não for protegida e exercida, pode desaparecer da noite para o dia."

É exatamente o que está acontecendo.

3. A morte da América

Ellen G. White ainda estava viva quando a América começou a apresentar os primeiros sinais de ameaça aos seus valores e instituições mais representativos. Hoje, podemos dizer que a América dos Pais Fundadores não existe mais.

Nos últimos anos, os presidentes americanos reivindicaram poderes para agir como ditadores. Esses poderes foram acumulados por cada presidente sucessivo e se tornaram permanentes graças à condescendência do Congresso e dos tribunais.

A pandemia permitiu ao governo americano expandir seus poderes, abusar de sua autoridade e oprimir ainda mais seus constituintes em nome da segurança nacional.

Atualmente, a liberdade de expressão existe tanto quanto o governo ou as grandes corporações da Big Tech (Google, YouTube, Facebook etc.) permitem.

As justificativas para isso, que variam amplamente, desde o politicamente correto aos chamados "crimes de ódio", têm resultado na completa erradicação da liberdade de expressão.

Presenciamos agora o fim do sistema americano de governo representativo e a ascensão de uma burocracia corporativista, um governo paralelo não eleito, livre do escrutínio público, que opera independentemente da burocracia bipartidária e não respeita a liberdade dos cidadãos.

Como Sam Jacobs escreveu:

As liberdades civis americanas foram severamente restringidas desde 11 de setembro e uma cultura de obediência inquestionável à autoridade sob o pretexto de "segurança" foi introduzida... Agora estamos todos vivendo no que é efetivamente um estado totalitário brando, onde todas as nossas comunicações são rastreadas... Por todas as aparências externas, não há volta.

Este é o ponto em que a sociedade americana se encontra agora. Ryan McMaken observou que "graças à reação ao 11 de setembro, os governos dos Estados Unidos são agora muito maiores, muito mais caros e muito menos limitados por leis e constituições do que no passado".

Em outras palavras, a Constituição dos EUA está lenta, mas seguramente perdendo sua capacidade de limitar o poder do governo. Quando o governo cresce além do controle de seus cidadãos, e os cidadãos abdicam do dever de exercer o controle sobre seu governo, a tendência é sempre o abuso do poder político e a utilização indiscriminada dos aparelhos governamentais de repressão e coerção.

O estado policial criado pelo governo em resposta à pandemia também ajudou a preparar o terreno para protestos que elevaram as tensões sociais a um nível nunca visto, como nas manifestações generalizadas pela morte de George Floyd.

Floyd, no entanto, se tornou uma nota de rodapé. A indignação provocada por sua morte foi transformada em um esforço altamente coordenado para orquestrar a violência, desestabilizar a sociedade civil e destruir o que restou das instituições americanas.

Entre uma pandemia e uma agitação civil brutal e generalizada em 2020, os Estados Unidos mudaram significativamente. Nos próximos anos devemos esperar uma erosão ainda maior do estado de direito, à medida que uma América menos republicana e mais ditatorial emerge entre nós, em cumprimento de Apocalipse 13:11-17.

Conclusão

Durante a crise financeira de 2008, Rahm Emanuel, então chefe de gabinete do presidente Barack Obama, disse em uma entrevista: "Você nunca quer que uma crise séria seja desperdiçada. E o que quero dizer com isso é que ela é uma oportunidade de fazer coisas que você acha que não poderia fazer antes”, uma ideia que ele repetiu em 2020 no contexto da pandemia.

Sem dúvida, o establishment não tem desperdiçado a oportunidade. Há uma crescente tendência de abuso do poder político, um comportamento que está profundamente enraizado na mentalidade daqueles que querem governar de cima para baixo.

Se você ainda não fez suas resoluções para o novo ano, procure fazê-lo de forma realista. Estamos em um ponto sem volta. As liberdades que perdemos não serão restauradas. O poder onipresente e invasivo do estado não diminuirá; a besta que "era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição" (Apocalipse 17:8).

A consultora de investimentos e ex-secretária adjunta de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos durante a administração de George W. Bush, Catherine Austin Fitts, disse em uma entrevista que grandes mudanças no mundo estão diante de nós, e "nada mais será o mesmo".

"Estamos em um processo que, eu devo lembrar, é uma reinicialização global. Todo o sistema financeiro está sendo reiniciado. Há dois aspectos nisso: um é estender o sistema antigo e o outro é trazer o novo sistema. Está sendo feito muito rapidamente por tentativa e erro, mas o novo sistema é 100% digital".

O novo sistema, de acordo com Fitts, será um sistema de controle de cima para baixo, em que a "tirania" será a principal característica.

O mundo caminha rapidamente para sua crise final, quando ninguém poderá "comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome" (Apocalipse 13:17).

A atual crise provocada pela Covid-19 é uma preparação para a crise moral e religiosa que em breve dominará o mundo.

Mas não precisamos temer. O cumprimento da promessa de Deus para nós em Isaías 41:10 é certo, se confiarmos inteiramente nEle:

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.

A despeito das provas diante de nós, nosso Deus prometeu estar conosco "todos os dias até à consumação do século" (Mateus 28:20). Ele também nos reservou em Seu reino um futuro glorioso (Apocalipse 21), em comparação com o qual nossas mais severas provas nesta vida não passam de uma "leve e momentânea tribulação" (II Coríntios 4:17-18).

Então, não desanime! Lembre-se, agora estamos um ano mais perto do bem-aventurado retorno de nosso Senhor Jesus! Que Ele habite em nosso coração e nos fortaleça mediante Seu Espírito.

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2 comentários:

  1. Muito bem explicado. Abriu ainda mais meu entendimento. Obrigado.
    O fiel povo de Deus deve buscar refúgio no campo - orientação dos Testemunhos - e evangelizar as pequenas cidades sem presença adventista. Em casa estamos planejando fazer isso.

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    1. Amém! Obrigado por seu comentário! Certamente, há muitas cidades pequenas sem presença adventista. Que Deus abençoe e conduza os planos de vocês!

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