sábado, 15 de agosto de 2020

Anunciando o verdadeiro evangelho de Cristo

 

A aplicação especial do evangelho para o tempo do fim consiste em três mensagens angélicas.

A primeira delas constitui o derradeiro chamado divino para que a humanidade se volte para Deus pela aceitação de Seu evangelho tal como revelado em Jesus Cristo (Apocalipse 14:6-7).

A segunda, anuncia a iminente queda de Babilônia, símbolo da apostasia de proporções ecumênicas, cujos “pecados se acumularam até ao céu”, e sobre a qual nosso Salvador diz, em complemento à mensagem do primeiro anjo: “Retirai-vos dela, povo meu” (Apocalipse 14:8; 18:4-5).

A terceira e última mensagem é a mais solene advertência divina já proferida aos ouvidos mortais. Ligada às mensagens do primeiro e segundo anjos, ela prepara o mundo para o grande dia do Senhor, estabelecendo a distinção final “entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Apocalipse 14:9-12; Malaquias 3:18).

Cada uma das mensagens põe em relevo um aspecto do evangelho particularmente sensível dentro do marco do tempo do fim, um período em que o tribunal celeste está em sessão, decidindo o destino eterno de cada alma (Daniel 7:9-10; I Pedro 4:17; Apocalipse 14:7).

Por intermédio de Seu servo João, nosso Senhor Jesus chamou o conjunto destas mensagens solenes de “evangelho eterno” (Apocalipse 14:6).

Significado da expressão

“Evangelho eterno” é uma expressão que aparece somente em Apocalipse 14:6.

O evangelho aqui mencionado é o mesmo “evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Marcos 1:1), o evangelho que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16)!

O acréscimo da palavra “eterno” enfatiza que este é o evangelho como ele sempre tem sido desde o Éden (Gênesis 3:15); o evangelho original de Jesus Cristo. Isto significa que, como Seu divino Autor, não pode existir no evangelho “variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

No entanto, eu posso de certa forma “mudar” o evangelho eterno, ao ensinar uma porção de mentiras usando somente a verdade!

Diante disso, convém considerar se nossa experiência religiosa está em harmonia com o autêntico evangelho de Cristo, ou se ela reflete apenas nossas impressões e sentimentos pessoais a respeito da verdade.

Permita-me, então, fazer algumas provocações:

E se estivermos em uma espécie de cabo de guerra, puxando, porém, a ponta errada da corda?

E se estivermos jogando a partida de nossas vidas do lado errado do campo?

E se estivermos espalhando, imaginando, contudo, que estamos ajuntando com Cristo?

E se eu, neste momento, estiver a escrever uma porção de mentiras usando somente a verdade? Como você saberá? Como se protegerá?

O grande problema é que nós, cristãos, geralmente não dizemos o que está escrito, mas o que aprendemos a dizer. Isso não significa que não podemos aprender uns com os outros. A preocupação é sobre o que estamos aprendendo e como.

A questão sobre “o que”

Sobre a importância do que estamos aprendendo, o apóstolo Paulo não deixa margem para dúvidas.

Escrevendo às igrejas da Galácia, ele expressou sua perplexidade pelo fato de os crentes cristãos aderirem tão rapidamente a outro evangelho que não o verdadeiro evangelho de Cristo (Gálatas 1:6).

Suas palavras inspiradas são uma advertência para nós, visto que estamos sujeitos à mesma facilidade de um repentino e progressivo afastamento da fé, frequentemente por procurar o favor ou o reconhecimento dos homens em lugar de fazer a vontade de Deus (verso 10).

Portanto, em tom vigoroso e solene, Paulo enfaticamente advertiu:

8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.

 9 Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.

 “Anátema” significa maldição. Refere-se a algo ou alguém dedicado a Deus no sentido de ter sido destinado à destruição (Strong #331). O peso da palavra e como Paulo a empregou neste texto reflete o quanto o Senhor leva à sério a salvação do homem.

Seria realmente extraordinário que um anjo do Céu levasse os homens ao erro. Mas se isso fosse possível, este anjo celestial estaria sob a maldição de Deus por pregar um evangelho diferente, contrário ao verdadeiro!

Ora, quanto mais nós, que corremos o perigo de sofrer o anátema de Deus por pregar evangelho que vá além daquele que recebemos, ou, por inferência do texto sagrado, que esteja aquém daquele que recebemos.

Para não avançar além dos limites do verdadeiro evangelho, pondo na boca do profeta o que ele não disse, nem permanecer aquém de suas santas reivindicações, reduzindo o padrão divino para adequá-lo à mente carnal, é necessário um comprometimento com Cristo e com Sua Palavra.

“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (I Coríntios 2:2) deve ser a nossa mais firme resolução! “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5:39) deve ser nossa prática e experiência diárias!

Como escreveu Edward Heppenstall em Nosso Sumo Sacerdote, uma igreja pode afastar-se de tal modo dos ensinos bíblicos que os seus próprios ritos, cultos e declarações formais sejam um disfarce convincente para seu afastamento da fé.

Então, cada ministro, cada membro leigo tem diante de si uma responsabilidade pessoal perante Deus: Desejo realmente conhecer a verdade? Estou disposto a obedecer à verdade conforme revelada na Palavra de Deus?

Estas são questões cruciais tendo em vista o tempo solene em que vivemos.

A questão sobre o “como”

Além da necessidade de avaliar continuamente a nós mesmos pela norma infalível da verdade (João 10:35), é preciso considerar com a mesma devoção e responsabilidade como estamos aprendendo e ensinando o evangelho eterno.

Esta não é uma questão de pequena importância.

A Bíblia diz tão claramente quanto as palavras podem fazê-lo que “as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus” (II Coríntios 10:4).

Se as armas de nossa milícia fossem carnais, o cristianismo seria uma religião carnal, orientada pelos caprichos de nossa natureza caída, ainda que pregássemos o evangelho com zelo e entusiasmo.

A declaração paulina reflete a preocupação de Deus quanto à importância dos meios que empregamos na proclamação do evangelho eterno.

A fim de esclarecer este ponto, será útil recorrer à célebre tese de um dos mais importantes teóricos da comunicação, o filósofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan.

Em seu livro Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, McLuhan cunhou a expressão “o meio é a mensagem” ao desenvolver o conceito de que o meio ou a tecnologia que transmite a comunicação constitui não só a forma comunicativa, mas determina o próprio conteúdo da comunicação.

Em outras palavras, o meio é um fator determinante no processo comunicacional. O efeito de um meio se torna mais forte e intenso justamente porque o seu “conteúdo” é um outro meio, o qual, por não estar relacionado ao conteúdo do que é transmitido, opera muito além do nível da percepção consciente.

Para ilustrar esta carga subliminar dos meios e de como ela afeta abruptamente o campo total dos sentidos, McLuhan cita, dentre muitos exemplos, o Salmo 135:

15 Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens.

16 Têm boca e não falam; têm olhos e não veem;

17 têm ouvidos e não ouvem; pois não há alento de vida em sua boca.

18 Como eles se tornam os que os fazem, e todos os que neles confiam.

A privação ou “fechamento” dos sentidos se dá pela contemplação dos ídolos, ou o uso da tecnologia, que conforma os homens a eles.

A carga subliminar consiste, pois, na incapacidade dos ídolos de falar, ver e ouvir, uma “mensagem” que vai muito além do conceito que o idólatra tem de seu deus. O efeito dessa “mensagem” é poderoso: “Como eles se tornam os que os fazem”.

Então, se para proclamar o evangelho eterno recorremos indiscriminadamente à cultura de massa, não importa no que cremos ou quais aspectos da verdade queiramos sinceramente transmitir; para todos os efeitos, transmitiremos cultura de massa e incutiremos essa cultura na mente das pessoas, porque o meio é a mensagem.

Se empregamos entretenimento na pregação do evangelho, não importa se o assunto é sobre Jesus Cristo, justificação pela fé, doutrina do santuário ou segunda vinda de Cristo; em última instância, é entretenimento que transmitiremos ao nosso público, com todos os efeitos psicológicos e espirituais decorrentes dele, porque o meio é a mensagem.

Se utilizamos música imprópria na adoração ou no evangelismo (e com música imprópria quero dizer “toda melodia que partilhe da natureza do jazz, rock ou formas híbridas relacionadas ou toda linguagem que expresse sentimentos tolos ou triviais”), pouco importará nosso entusiasmo e fervor: nos tornaremos naquilo que contemplamos, porque o meio é a mensagem.

Subestimar os efeitos psicológicos e espirituais dos meios que utilizamos na pregação do evangelho tem sido umas das causas mais notáveis do processo de secularização de nossas igrejas.

O princípio jesuíta segundo o qual os fins justificam os meios jamais deveria ter lugar entre o povo de Deus. O caráter exaltado do evangelho eterno requer que os meios sejam tão santificados quanto os fins, de modo que o conteúdo da mensagem possa conquistar sem quaisquer interferências mentes e corações para Cristo.

Conclusão

O evangelho é a provisão de Deus para um mundo dominado e afligido pelo pecado. Sua mensagem expressa o mais profundo interesse de Deus pelo homem, Seu desejo de redimi-lo e trazê-lo de volta à comunhão com Ele.

Uma vez que o evangelho manifesta o caráter imutável de Deus, Seu eterno amor e justiça, o evangelho em sua aplicação para o tempo do fim é apropriadamente chamado “evangelho eterno”.

Considerando o abnegado amor de Cristo (Romanos 5:8) e a urgência da proclamação de Sua mensagem “aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6), deve ser o nosso maior interesse assegurar-nos de que estamos vivendo, pregando e ensinando o verdadeiro evangelho de Cristo, por preceito e exemplo, e em harmonia com a elevada natureza de sua mensagem.

Uma igreja digna de confiança é uma igreja provada pela Palavra de Deus e pelo Cristo vivo e não achada em falta.

A igreja remanescente de Deus se distingue pela demonstração de uma fé caracterizada pelo comprometimento com Cristo e com Sua Palavra (Apocalipse 14:12).

Queira Deus que Sua igreja cresça continuamente em fé, amor e total fidelidade a Deus, proclamando e cumprindo a Sua vontade no temor e no Espírito do Senhor.

A esta igreja, completamente coberta pela justiça de Cristo, o Senhor promete uma sentença favorável:

Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. (Mateus 25:21)

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