sábado, 28 de março de 2020

Coronavírus e os últimos dias

No momento em que escrevo, a Universidade Johns Hopkins contabiliza um total global de 601.478 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus Covid-19, com 27.862 mortes. A Itália lidera o número de vítimas (9.134), seguida pela Espanha (5.138), ambas superando Hubei, na China, região onde começou o surto. Os Estados Unidos já totalizam 104.837 casos confirmados, tornando-se o novo epicentro da doença, com 450 mortes só na cidade de Nova York. Os números mudam rapidamente, da noite para o dia.


Não obstante, a magnitude da crise vai muito além dos números, os quais, por sua vez, não revelam a terrível angústia dos pacientes, a frustração e temor dos profissionais da saúde que estão na linha de frente de uma guerra assimétrica, e a dor inarrável dos familiares que perderam entes queridos sem direito a um funeral.

Ontem, sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, invocou o Defense Production Act (Lei de Produção de Defesa) - uma lei raramente usada, aprovada em 1950 para mobilizar a indústria no esforço de defesa durante a Guerra da Coreia - a fim de exigir da General Motors a produção imediata de respiradores para atender à alta demanda por conta da Covid-19.

Ele também assinou oficialmente o pacote de estímulo de 2 trilhões de dólares, o maior da história, um dia depois de o Departamento de Trabalho americano divulgar o recorde histórico de 3,3 milhões de pedidos do seguro-desemprego na semana passada, muito acima do recorde anterior, de outubro de 1982, que totalizou 695.000 solicitações. As demissões em massa são um indicador dramático do impacto da crise na maior economia do mundo.



A congressista Mary Gay Scanlon publicou em sua rede social esta imagem dos parlamentares reunidos de forma dispersa, a fim de aprovar o pacote de estímulo econômico, "Uma cena surreal hoje" ela escreveu.


As medidas adotadas pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) para combater os efeitos econômicos do coronavírus já ultrapassaram o nível máximo atingido após a crise financeira de 2008, de 4,5 trilhões de dólares, e, segundo uma gestora de fundos, podem superar a marca de 6 trilhões de dólares. Em breve, o remédio se mostrará mais letal que o próprio mal que visou combater.

Conforme a infecção aumenta, mais países fecham suas fronteiras e impõem medidas sanitárias mais rigorosas.

A África do Sul impôs quarentena quando as duas primeiras mortes foram confirmadas, e Cingapura tornou ilegal a proximidade com outras pessoas. A Bolívia impôs restrições severas de circulação que devem vigorar até 15 de abril, mobilizando as Forças Armadas e a polícia para fiscalizar o cumprimento da medida. Israel também mobilizou o exército para garantir a quarentena de seus cidadãos, e a Índia impôs a maior quarentena do mundo, confinando 1,3 bilhão de habitantes. Mais de um terço da população mundial está em quarentena devido ao coronavírus.

A escala das mudanças provocadas pela pandemia é tão surreal que nos faz sentir como personagens de um filme do gênero. E estamos apenas no início da trama.

O que tudo isso significa?

A Palavra de Deus não deixa dúvidas: epidemias como a Covid-19 estão entre os sinais da iminente volta do Senhor Jesus (Lucas 21:11), sendo parte da crise global sem precedentes que antecederá o glorioso aparecimento de nosso Salvador.

Uma das grandes causas dessa crise é a condição moral e espiritual do mundo durante esse período. Em Mateus 24:37-39, logo após descrever os sinais da Sua vinda, Jesus declarou:

Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.

O dia do Senhor encontrará o mundo na mesma condição dos antediluvianos. Os homens estão imersos nos negócios e prazeres, condescendendo com apetites pervertidos, buscando os próprios interesses em detrimento da lei de Deus, vivendo como se o Senhor não existisse ou não Se importasse. Como nos dias de Noé, toda a espécie de mal se multiplica (II Timóteo 3:1-5) e Satanás tem trabalhado diligentemente para que essa condição prevaleça até o fim (Apocalipse 12:12).

Neste contexto, os sinais "sobre a terra", que causam "angústia entre as nações" (Lucas 21:25), são juízos prévios de advertência, que consistem na remoção da proteção divina, permitindo que o diabo atue dentro dos limites estabelecidos por Deus. E assim como Satanás, saindo da presença do Senhor, feriu a Jó de tumores malignos (Jó 2:7), assim os poderes das trevas têm levado avante sua ímpia obra de afligir o mundo com epidemias fatais.

"Estas coisas", escreveu Ellen G, White, "são o resultado de gotas das taças da ira de Deus que estão sendo borrifadas sobre a Terra, e constituem apenas débeis representações do que acontecerá no futuro próximo". (Mensagens Escolhidas, Vol. 3, p. 391).

Uma advertência para o povo de Deus

A crise provocada pela Covid-19, bem como seus desdobramentos presentes e futuros, também representa uma séria advertência para a igreja remanescente.

Enquanto escrevo, posso ver através da janela da sala a extremidade superior da fachada da igreja em forma de triângulo. Ela permanece fechada há mais de uma semana. Ironia das ironias, é a primeira vez em muitos anos que podemos frequentar todos os cultos, pois a igreja está bem diante de nós (basta atravessar a avenida!), porém ela está fechada por tempo indeterminado. Devo dizer que sou adventista de berço e nunca vivi nada parecido.

Esta situação imprevista, até mesmo desconcertante, nos lembra das palavras solenes de nosso Senhor, em João 9:4:

É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

Não podemos dizer quão cedo pode vir a noite. Contudo, a julgar pela crise que nos aflige, a noite se aproxima mais rapidamente agora do que quando aceitamos a fé. Se não aproveitamos as oportunidades que Deus nos concedeu no passado para proclamar o último apelo divino na voz dos três anjos (Apocalipse 14:6-12), teremos que fazê-lo sob condições cada vez mais desfavoráveis.

Como igreja depositária da mensagem presente, que agora vive as cenas finais da história deste mundo, temos a solene responsabilidade de, como Daniel, conhecer a verdade, e, no poder que acompanhou a vida de Daniel, torná-la conhecida e interpretá-la ao mundo, tal como o profeta de Deus revelou e interpretou o sonho de Nabucodonosor.

Na edição de 23 de julho de 1895 da Review and Herald, Ellen White escreveu:

Repousa sobre nós a pesada responsabilidade de advertir o mundo quanto ao juízo iminente. De todas as direções, de longe e de perto, ouvem-se os pedidos de auxílio. A igreja, inteiramente consagrada ao seu trabalho, deve levar a mensagem ao mundo. Vinde ao banquete do evangelho, a ceia está preparada, vinde.... Coroas, imortais coroas há para serem ganhas. O reino dos Céus deve ser alcançado. Um mundo, que está a perecer no pecado, deve ser iluminado. A pérola perdida deve ser achada. A ovelha perdida deve ser conduzida de volta, em segurança, para o curral. Quem se unirá aos que vão buscá-la? Quem erguerá a luz aos que tateiam nas trevas do erro?

Eis a nossa responsabilidade. Eis agora o tempo de proclamar a última advertência a um mundo a perecer. Como igreja, necessitamos urgentemente humilhar o coração perante Deus, confessar a Ele nossos pecados, rogando-Lhe o perdão por nossa indolência e negligência em cumprir a comissão evangélica que nos foi confiada pelo Céu, e, ao satisfazer as condições estipuladas por Deus em Sua promessa, clamar ao Senhor para que nos conceda Sua bênção: o derramamento sem medida do Espírito Santo (Joel 2:28 e 29).

Como povo, grandemente precisamos ter o coração reavivado, e a vida, reformada. Nossos meios, se não forem tão santificados quantos os fins, devem ser abandonados, pois, do contrário, andaremos entre as labaredas de nosso próprio fogo e entre as setas que nós mesmos acendemos (Isaías 50:11).

Estamos agora em uma zona nebulosa. Não sabemos ao certo como será o mundo depois desta pandemia. Sabemos apenas que não será mais o mesmo, e espero poder tratar desse assunto numa próxima postagem.

Mas o apelo de Deus em Romanos 13:11 não dá margem à incerteza. Ele diz respeito a nós e aos nossos filhos, e faremos bem em atendê-lo nesta hora probante:

E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.

3 comentários:

  1. Que está mensagem possa ser levada as pessoas como folhas de outono.

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  2. Oh, Senhor dê nos um coração reavivado pelo Espírito Santo e uma vida transformada e o poder que tanto necessitamos pra cumprir a missão!

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  3. Reflexão muito pertinente. Tudo acontecendo debaixo de nossos olhos. Que o Senhor tenha misericórdia da sua Igreja.

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