Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 1 de outubro de 2016

O papel da Igreja na comunidade: uma reflexão

A preocupação sobre como tornar a Igreja relevante em uma sociedade profundamente secularizada se traduz hoje no uso corrente de conceitos como "igreja intencional", "processo de transformação organizacional" ou de "mudança da cultura da igreja" (sempre no sentido de satisfazer demandas sociais), "igreja com foco na comunidade", "evangelismo da compaixão", "evangelismo da amizade", etc. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com a origem e significado destes conceitos sabe que sua aplicação no meio adventista nada tem de original. De fato, lendo recentemente um livro inspirado nestas ideias, percebi que a única coisa singular na obra era o nome do autor.


O uso desses conceitos por parte saliente de nossa liderança, cujas implicações estão além do escopo do presente artigo, não reflete de forma alguma um modismo passageiro, mas descreve com fidelidade, ao contrário, o novo parâmetro a partir do qual as estratégias evangelísticas têm sido concebidas e gerenciadas. A ênfase na filantropia parece constituir a única maneira possível de tornar a igreja socialmente relevante num mundo imediatista, ávido por resultados tangíveis.

O foco da preocupação

Veja, a obra em favor dos pobres e necessitados é absolutamente necessária, sendo uma parte da comissão que nosso Senhor Jesus delegou à Sua igreja. Prova-o a maneira prática pela qual o próprio Salvador estabeleceu a norma a ser empregada no dia do juízo (Mateus 25:31-46). Contudo, esta obra, que não deve ter outro motivo senão o amor de Cristo ardendo em nosso coração, não deve representar a causa maior de nosso encargo como povo de Deus. Ellen G. White escreve:

A obra pelos pobres não tem limite. Ela nunca pode ser concluída e precisa ser tratada como parte do grande todo. Dar nossa primeira atenção a esta obra, enquanto há vastas porções da vinha do Senhor abertas à cultura e ainda não tocadas, é começar no lugar errado. O que é o braço direito para o corpo é a obra médico-missionária para a terceira mensagem angélica. Mas o braço direito não deve tornar-se todo o corpo. A obra de buscar os excluídos é importante, mas não deve tornar-se a grande preocupação de nossa missão. (1)

Note que a obra pelos pobres deve ser tratada como parte de uma responsabilidade muito mais ampla, exclusiva do remanescente, e que priorizar esta obra em detrimento dos demais campos ainda inexplorados da vinha do Senhor significa adotar a estratégia errada. Nem o braço deve tornar-se o corpo, nem o corpo ser reduzido à extensão de um único braço. No entanto, as atuais tendências em curso entre o povo de Deus parecem indicar exatamente o oposto, isto é, um foco cada vez maior nas questões sociais como meio de cumprir a comissão evangélica, em detrimento daquilo que nos define como igreja remanescente.

Considerando que Satanás é um astuto adversário capaz de usar para o proveito de sua causa até mesmo as intenções mais virtuosas em nome da verdade, é possível que o chamado de Deus para servir os menos afortunados e necessitados represente hoje um novo tipo de serviço disposto mais para agradar aos homens do que a Deus? Considerando a permissividade pragmática que acompanha a nova estratégia, apoiada nos conceitos que mencionei acima, não estaria tal ênfase no bem-estar social promovendo um evangelho menos exclusivista e mais aceitável aos descrentes? Estas são questões que todos precisamos responder, ponderando se as iniciativas sinceras dos adventistas que buscam cumprir o que eles supõem ser a vontade de Deus não estariam, por outro lado, desonrando o Seu nome e comprometendo a fé na verdade presente.

Buscando as respostas no exemplo de Jesus

Com o propósito de fundamentar respostas adequadas a tais questões, é necessário partir de um referencial seguro. Jesus Cristo é nosso modelo por excelência, e se desejamos de fato ser socialmente relevantes precisamos seguir fielmente os passos que Ele nos deixou para benefício nosso e da comunidade a qual pertencemos. Os quatro pontos a seguir serão os principais referenciais para nossa consideração.

1. Cristo mantinha íntima e constante comunhão com o Pai.

Há uma profunda lição na maneira como nosso Salvador relacionou-Se com o Pai ao longo de Seu ministério terrestre. Ele frequentemente "se retirava para lugares solitários e orava" (Lucas 5:16). A comunhão íntima com o Pai por meio da oração e da contemplação de Sua Palavra representava para Cristo uma prática indispensável. Durante esses momentos preciosos, Cristo permanecia em união com o Pai e dEle obtinha o poder de que necessitava para ser bem sucedido em Sua obra de salvar os homens. Sobre o exemplo deixado por Jesus, Dennis Smith escreve:

Era durante Seus momentos de oração que Cristo consolidava Sua unidade com o Pai e dEle recebia poder sobre o inimigo. Quando Se retirava desses momentos de oração, levava o Pai consigo, a cada momento e dia após dia. Cristo conservou ao longo de toda a Sua vida a intuição da presença divina bem como a genuína comunhão com o Pai. Sempre que se deparava com Satanás, estava de antemão preparado para enfrentar os desafios e vencer, por causa de Sua vida de oração. (2)

Note que, em consequência de Sua ligação com o Pai mediante a oração, Cristo conservou durante todos os dias de Sua vida a intuição da presença divina e a genuína comunhão com o Pai. Essa prática permitiu que Cristo estivesse de antemão preparado para enfrentar os muitos desafios e vencê-los no poder que havia recebido do Pai Celestial.

Os momentos de comunhão com o Pai possibilitaram-Lhe obter vitória sobre os estratagemas de Satanás. Quando lemos sobre Cristo confrontando Satanás na vida de homens e mulheres - sob a forma de possessão demoníaca, enfermidades, morte ou tempestade - não O vemos, naquele exato momento, proferindo fervorosa oração, suplicando ao Pai poder para efetuar o livramento. Esse poder Ele já o havia recebido do Pai durante os períodos de íntima oração. Quando confrontado com Satanás e suas obras, a única coisa que Jesus fazia era proferir a palavra no poder e na autoridade do Pai, e o poder do inimigo era quebrado. A palavra de Cristo expelia demônios, curava enfermos, ressuscitava mortos e acalmava tempestades. (3)

Não estaríamos invertendo o exemplo deixado por nosso Senhor, orando somente no momento exato em que somos desafiados pela necessidade? Por conseguinte, não seria a ausência da intuição diária da presença divina e da comunhão íntima com Deus a causa primária da carência de poder em nosso meio? Parece-me bastante razoável refletir demoradamente sobre estas questões consigo mesmo e com Deus, se desejamos de fato ser relevantes em nossa comunidade.

Referindo-se ao verdadeiro papel da oração no avivamento espiritual e ao exemplo de Jesus, Leonard Ravenhill diz o seguinte:

Orações constantes geram avivamentos duradouros. A oração não tem como objetivo convencer a Deus, mas, sim, a nós. A oração não busca atrair Deus à nossa visão, mas revelar-nos a visão de Deus para nós. Orar não nos atribui nenhum mérito especial a ponto de recebermos favores especiais de Deus em momentos de necessidade. Orar não é barganhar interesses de Deus. Se você quer saber por que enfatizamos tanto a oração e a mencionamos com tanta frequência, respondemos: Porque Jesus fez isso. O Evangelho de Lucas contabiliza as noites inteiras que o Salvador passou em oração. Somos melhores do que Ele? (4)

Certamente não somos melhores que Jesus, razão porque necessitamos desesperadamente de Sua presença em nossa vida através de constante e fervorosa oração. Não é tarefa fácil, mas também não é impossível, desde que mantenhamos os olhos fixos no Mestre e sigamos os passos que nos deixou para vencermos como Ele venceu.

2. Cristo era cheio do Espírito Santo.

Não basta ser batizado nas águas. Todo verdadeiro seguidor de Jesus deve também ser batizado pelo Espírito Santo (Lucas 3:16; João 3:5). Sem esta plenitude espiritual, sem esta dotação especial do Céu é impossível ao crente obter vitória sobre o pecado e ser uma testemunha eficiente de Cristo. A promessa de Jesus é estendida apenas àqueles que Lhe pedirem com fé, crendo que receberão (Lucas 11:13; Mateus 21:22). O desejo deve ser proporcional ao valor do bem que se busca. O batismo diário do Espírito Santo constitui a fonte de poder que Deus proveu para a Sua igreja, e Aquele que a estabeleceu legou-nos um exemplo vívido neste sentido. Escrevendo sobre a experiência e exemplo de Jesus, Dennis Smith declara:

Jesus é nosso exemplo em todas as coisas. Vemos na Sua vida o batismo do Espírito Santo como acontecimento específico e distinto de Seu batismo nas águas. Foi essa dotação espiritual que O capacitou para as grandes vitórias sobre Satanás e O equipou para Seu ministério. A experiência de Cristo serve de modelo para todo cristão. Cristo foi "gerado" do Espírito (Lucas 1:35). Foi dirigido pelo Espírito em Sua infância e adolescência (Lucas 2:52). Depois de ter sido batizado nas águas, recebeu o batismo no Espírito pelo qual havia orado (Lucas 3:21 e 22). Desse ponto em diante, foi um homem cheio do Espírito (Lucas 4:1). Depois de passar pelo batismo espiritual (plenitude ou unção do Espírito), Ele ficou preparado para confrontar Satanás e obter grandes vitórias sobre esse inimigo (Lucas 4:2-13). Daquele dia em diante, Jesus passou a ministrar no poder do Espírito (Lucas 4:14; Atos 10:38). (5)

A maior realização do discípulo é seguir os passos deixados por seu Mestre. Se Cristo, que não teve pecado, necessitou ser batizado no Espírito Santo para ser bem sucedido em Seu ministério, quanto mais nós, pecadores, necessitamos da unção do Espírito de modo a vencer o que nos impede de alcançar o mesmo êxito. Satanás sabe que o recebimento desta unção espiritual quebrará seu poder na vida do crente, e o poderoso testemunho resultante dessa experiência determinará o fim de sua obra na Terra. Por isso, é plano de Satanás impedir a tudo o custo que recebamos o batismo do Espírito Santo.

Não há nada que Satanás tema tanto como que o povo de Deus limpe o caminho mediante a remoção de todo impedimento, de modo que o Senhor possa derramar o Seu Espírito sobre uma igreja debilitada e uma impenitente congregação. Se Satanás conseguisse o que ele quer, nunca mais haveria outro despertamento, grande ou pequeno, até ao fim do tempo. Mas não ignoramos os seus ardis. É possível resistir-lhe ao poder. Quando o caminho estiver preparado para o Espírito de Deus, a bênção virá. Tampouco é possível a Satanás impedir uma chuva de bênçãos de cair sobre o povo de Deus, como lhe seria cerrar as janelas do céu para que não chovesse sobre a Terra. Os homens ímpios e os demônios não podem impedir a obra de Deus, ou excluir Sua presença das assembleias de Seu povo, se eles quiserem, de coração submisso e contrito, confessar e remover os próprios pecados, pedindo com fé as Suas promessas. (6)

Será que o diabo tem obtido sucesso em impedir que removamos de nosso caminho todo impedimento, todo pecado acariciado, todo traço defeituoso de caráter adquirido ou herdado, de maneira que não alcancemos a promessa e, consequentemente, não representemos ameaça alguma à estrutura de suas pretensões? O que nos tem separado do amor de Cristo e do poder que Ele deseja comunicar ao Seu povo? Porventura é o amor ao mundo, moda, satisfação de nossos desejos egoístas, ou mesmo os apelos sedutores da religião popular? Cumpre-nos não facilitar a obra do inimigo em nossa própria vida, nem na vida da igreja. Jesus fez suficientes provisões para que possamos resistir-lhe ao poder e vencer como Ele venceu! Quando todo impedimento for removido no Senhor, a bênção virá sobre a igreja, e não há nada que Satanás poderá fazer para impedir o triunfo da obra de Deus.

Notemos, de passagem, que a plenitude do Espírito Santo na chuva serôdia não transformará nosso caráter. Como observa Umberto Moura, "a chuva serôdia não virá para suprir as deficiências da igreja, não virá para corrigir nossos erros esclarecidos, nem mesmo para nos redimir de uma vida de pecado. Isso tudo já deveria ter ocorrido com a chuva temporã - nossa conversão. O poder do Espírito Santo não será dado àqueles que não se prepararam para recebê-lo; não será dado àqueles que vivem em pecado. Deus não será cúmplice dos nossos erros! Por estas e outras razões, a chuva temporã [o batismo diário do Espírito Santo] é um pré-requisito da chuva serôdia, que só acontecerá quando as condições necessárias forem preenchidas pelo povo de Deus, como igreja e individualmente". (7)

3. Cristo manteve-Se fiel à Sua mensagem.

Não há dúvida de que uma das preocupações de Cristo em Seu ministério terrestre era efetuar uma obra integral na vida das pessoas com as quais Se relacionava, suprindo suas necessidades físicas, mentais e espirituais. E foi exatamente o que Ele fez. O Evangelho segundo Mateus informa que Jesus "percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo" (Mateus 4:23). Em cada oportunidade, porém, Cristo manteve-Se fiel à Sua mensagem e à verdadeira natureza de Sua obra na Terra. Ellen White escreve:

A nota predominante da pregação de Cristo era: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." Mar. 1:15. Assim a mensagem evangélica, segundo era anunciada pelo próprio Salvador, baseava-se nas profecias. O "tempo" que declarava estar cumprido era o período de que o anjo Gabriel falara a Daniel. (8)

É bastante significativo que a nota tônica da mensagem de nosso Salvador se baseasse nas profecias concernentes à Sua primeira vinda. Da mesma forma, a mensagem do último remanescente baseia-se nas profecias sobre o bem-aventurado retorno de nosso Senhor em poder e glória. Assim, seguindo o exemplo deixado pelo grande Mestre, toda a ação evangelística da igreja deve ter lugar dentro do espírito de sua mensagem distintiva para este tempo.

Agora, é importante salientar que a estratégia de Jesus para salvar vidas para o Seu reino não consistia em nenhum dos atuais expedientes que geralmente utilizamos para o cumprimento desta santa obra. Lembremos que Cristo tinha uma contínua intuição da presença divina em virtude de Sua constante comunhão com o Pai, e, portanto, recebia diariamente o batismo do Espírito Santo, que O capacitava a proclamar com poder e autoridade a mensagem para os Seus dias (Mateus 7:28-29).

Além disso, o amor de Jesus pelas almas a perecer jamais significou comprometer a verdade. George Knight chama a plena convicção de Cristo em Si mesmo e em Sua mensagem politicamente incorreta de "arrogância santificada", e observa que se Jesus tivesse sido politicamente correto e não possuísse essa qualidade (arrogância santificada), o cristianismo teria durado alguns anos como uma seita judaica local e logo se reintegrado às crenças do Oriente Próximo. (9) Ou seja, ser um cristão politicamente correto, ao contrário do que se pensa hoje, significa tornar-se quase irrelevante do ponto de vista histórico e social.

Não é de expedientes humanos que a igreja necessita para cumprir seu papel nestes tempos difíceis, em que a linha de separação entre a verdade e o erro se torna cada vez mais tênue, e as escolhas individuais e coletivas, mais decisivas; não é de contemporização, condescendência, concessões de qualquer espécie ou pragmatismo que precisamos, mas da presença viva do Espírito e poder de Cristo atuando em e por meio de Seu povo, de modo que a igreja se mantenha fiel à visão apocalíptica que provém diretamente do livro de Apocalipse e cumpra o dever de proclamar ao mundo sua mensagem poderosa e desafiadora.

Em sentido especial foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como vigias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção.
As mais solenes verdades já confiadas a mortais nos foram dadas, para as proclamarmos ao mundo. A proclamação dessas verdades deve ser nossa obra. O mundo precisa ser advertido, e o povo de Deus deve ser fiel ao legado que se lhe confiou. (10)

Se negligenciarmos esse legado que nos foi confiado, se abrirmos mão de nossa "arrogância santificada" em nome da contemporização e do consenso, a igreja não passará de uma opção entre muitas; um adventismo com feições carismáticas, politicamente correto e aparentemente bem sucedido, mas incorporado à espiritualidade global mundana e humanista, e fadado, com efeito, a partilhar do mesmo destino de seus pares.

4. Cristo foi relevante em Sua cultura porque Se conservou diferente.

Eis aqui o último ponto de consideração que me parece fechar magistralmente todos os demais. Embora tivesse nascido e crescido sob a influência onipresente da cultura clássica do Seu tempo, Jesus Cristo nunca se submeteu a ela, permanecendo fiel ao Seu caráter e à natureza de Sua missão. Mencionemos como exemplo apenas uma das muitas situações em que Cristo demonstrou a notável originalidade de Seus pensamentos e ações. O renomado psiquiatra e escritor, Augusto Cury, escreve o seguinte:

Cristo provocava continuamente a inteligência dos seus discípulos e os estimulava a abrir as janelas de suas mentes. Os pensamentos dele eram novos e originais e iam contra todos os paradigmas desses discípulos, contra tudo o que tinham aprendido como modelo de vida. (11)

Como o Salvador foi capaz de conservar-Se tão original e estimular Seus discípulos a desenvolverem a mesma originalidade em meio à rigidez intelectual da cultura judaica e a influência insidiosa da cultura greco-romana? O segredo é que Jesus conservou ao longo de toda a Sua vida a intuição da presença divina bem como a genuína comunhão com o Pai, recebeu o batismo diário do Espírito Santo, que O capacitou para as grandes vitórias sobre Satanás e O equipou para Seu ministério, e, finalmente, permaneceu fiel ao legado profético de Sua mensagem.

Ellen White, descrevendo os desafios que Cristo enfrentou ainda na juventude, observa perceptivamente:

Perguntavam-Lhe muitas vezes: Por que Te aplicas a ser tão singular, tão diferente de todos nós? Está escrito, dizia Ele: "Bem-aventurados os que trilham caminhos retos, e andam na lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam os Seus testemunhos, e O buscam de todo o coração. E não praticam iniquidade, mas andam em Seus caminhos". Sal. 119:1-3. (12)

Andar na lei do Senhor, guardar os Seus testemunhos, buscá-Lo de todo o coração, não praticar iniquidade, e trilhar Seus caminhos, eis a receita de Cristo para sermos diferentes, originais como Ele foi e, portanto, relevantes em uma sociedade homogeneizada e corrompida.

Acontece que, não obstante os ensinos e exemplo que nos foram legados por nosso Senhor, nós queremos ser adventistas socialmente relevantes sendo iguais aos outros, e não diferentes! Queremos adotar seus métodos, seu pragmatismo, sua mentalidade politicamente correta, sua linguagem, sua música, suas roupas, adereços e maquiagens, seus trejeitos, acreditando que ainda somos adventistas do sétimo dia, quando na verdade nos tornamos apenas outra opção no amplo cardápio de religiões comoditizadas, igrejas que se reinventaram para atender as demandas de uma sociedade de consumidores. A ironia é que, ao rejeitarmos a exclusividade de nossa vocação profética, nos tornamos socialmente irrelevantes justamente naqueles aspectos que mais nos distinguem como povo remanescente.

Não é tempo de reavaliarmos nossa condição como igreja de Deus, meditando sobre os ensinos e o exemplo deixados por Jesus Cristo para nossa vantagem, e, mediante Sua graça e poder, removermos decididamente todo obstáculo que nos impede de receber a bênção do Senhor e assim cumprir, da maneira divinamente prescrita, a santa comissão que Ele nos confiou?

O apelo de Jesus à Sua igreja

Dirigindo-se à última geração de crentes representada por Laodiceia, nosso amado Salvador diz:

Eu repreendo e disciplino a quantos amo! Sê, pois, zeloso e arrepende-te. (Apocalipse 3:19)

Cristo não é um Juiz arbitrário que castiga Seus filhos por mero capricho. Seu propósito é tornar conhecida a culpa, de forma que o culpado seja animado a mudar seu proceder. Meditar diariamente sobre a mensagem de Jesus a Laodiceia e cooperar decididamente com o Céu para reverter nossa aflitiva condição perante Deus constituem o caminho que a Providência fixou para que haja reavivamento e reforma entre o professo povo de Cristo. Nosso Redentor ainda espera entrar na vida de Seus seguidores:

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. (Apocalipse 3:20)

Quem de nós terá a humildade e a coragem de abrir a porta do coração para Cristo? Podemos abri-la ou fechá-la segundo a nossa vontade, de acordo com as escolhas que fazemos todos os dias. São as nossas opiniões pessoais que impedem que a porta seja aberta? Ou serão o amor e o louvor do mundo? Quais pecados obstruem a entrada de Cristo em nossa vida? Por favor, consideremos estas solenes questões, não só porque desejamos ser relevantes como igreja no século 21, mas principalmente em virtude daquilo que está em jogo; vida ou morte eterna!

Que Deus nos desperte como igreja e como indivíduos, e faça de cada um de nós atalaias e portadores de luz num mundo a perecer. Amém!


Notas e referências

1. Ellen G. White. Beneficência Social. Quarta Edição. Versão em CD-ROM. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 258.

2. Dennis Smith. O Batismo do Espírito Santo. Segunda Edição. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010, p. 77.

3. Ibid. Ênfase acrescentada.

4. Leonard Ravenhill. Oração de Avivamento. Belo Horizonte: Editora Motivar, 2009, p. 138.

5. Dennis Smith, op. cit., p. 29. Ênfase acrescentada.

6. Ellen G. White. Mensagens aos Jovens. Décima Edição. Versão em CD-ROM. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 133.

7. Umberto Moura. Preparo para a Chuva Serôdia. Sexta Edição. São Paulo, 2004, p. 52 e 53.

8. Ellen G. White. O Desejado de Todas as Nações. Vigésima Segunda Edição. Versão em CD-ROM. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 233.

9. George R. Knight. A Visão Apocalíptica e a Neutralização do Adventismo: Estamos apagando nossa relevância? Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010, p. 14 e 15.

10. Ellen G. White. Evangelismo. Quarta Edição. Versão em CD-ROM. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, p. 119.

11. Augusto Cury. O Mestre dos Mestres. Rio de Janeiro: Sextante, 2012, p. 98.

12. Ellen G. White. O Desejado de Todas as Nações, p. 89.

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