Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

EUA X Rússia: o prenúncio de uma crise decisiva?

A crescente tensão nas relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a Rússia deveria chamar a atenção do povo de Deus, tendo em vista a sua evidente relevância e seus possíveis desdobramentos, os quais poderão abrir caminho para o cumprimento das porções finais das profecias bíblicas que ainda esperam sua plena realização, e que contêm nossas mais acalentadas esperanças


Como se sabe, ambos os países tem interesses conflitantes na guerra civil que se prolonga na Síria há mais de cinco anos, e que já custou a vida de mais de 300 mil pessoas. A escalada das tensões entre as duas grandes potências nucleares do planeta - a maior desde os tempos da Guerra Fria - não só desvanece qualquer esperança pelo fim da guerra civil na Síria, como também lança a sombra ameaçadora de um possível conflito de âmbito mundial, com implicações em larga escala.

Recentemente, o Ministério do Exterior russo emitiu uma declaração vigorosamente redigida acusando o Pentágono de alimentar uma estratégia nuclear agressiva que ameaça a Rússia, observando que a atual doutrina militar russa prevê o uso de armas nucleares para se defender de um ataque com forças convencionais que ameassem a própria existência da Rússia como um Estado.

Na última segunda-feira (3 de outubro), os EUA suspenderam as negociações com a Rússia sobre um plano para pôr um fim às hostilidades na guerra civil da Síria, uma decisão tomada poucas horas depois de a Rússia suspender um acordo bilateral com os EUA para a eliminação de plutônio destinado ao uso bélico - 34 toneladas de material nuclear excedente.

No mesmo dia, o Ministério russo para o gerenciamento de emergências (EMERCOM) divulgou em seu site um treinamento de defesa civil em larga escala de 4 a 7 de outubro evolvendo autoridades executivas federais e regionais, governos locais e organizações de defesa civil. O objetivo é garantir que o país esteja devidamente preparado "para responder às catástrofes naturais e provocadas pelo homem e assumir as medidas de defesa civil". O mega-exercício, envolvendo 40 milhões de pessoas, 200 mil especialistas das divisões de resgate e emergência e cerca de 50 mil unidades de equipamentos, prevê, entre outras situações, respostas adequadas ao risco de radiação, de modo a proteger a equipe de proteção química e biológica e a população em situações de emergência em instalações cruciais e potencialmente perigosas.

Segundo informações divulgadas no site do Independent, além do exercício de âmbito nacional, o EMERCOM anunciou sua intenção de construir instalações subterrâneas em Moscou destinadas a proteger cem por cento da população da capital no caso de um ataque nuclear. A Rússia está atualmente modernizando seu arsenal nuclear mediante a introdução de uma nova geração de bombardeiros nucleares de longo alcance, mísseis balísticos montados em caminhões e submarinos com armas nucleares.

Se tudo isto sugere uma Terceira Guerra Mundial, não há como saber com absoluta certeza. Contudo, a instabilidade geopolítica provocada pelos lances divergentes e dramáticos na guerra civil da Síria por parte das duas maiores potências nucleares do planeta e seus respectivos aliados enfraquece ainda mais as já delicadas relações internacionais, abaladas por uma crise econômica mundial que permanece sem solução satisfatória, exceto talvez pela via da guerra. Lembremos que o único precedente histórico para a atual crise que se arrasta desde 2008 é a Grande Depressão no final dos anos 20, e que foi preciso uma guerra mundial para revertê-la.

Meu objetivo aqui não é alarmar ninguém, nem tampouco a igreja de Deus. No entanto, como povo que conhece o tempo (Romanos 13:11), não podemos nos comportar como um rebanho que desfruta pastos verdejantes, imaginando que eles continuarão vistosos e fartos por muito tempo. Uma crise sem paralelos está diante de nós. Precisamos nos desvencilhar de tudo o que nos separa de Deus agora. Precisamos humilhar-nos perante Ele, com jejuns e oração, e confessar e abandonar todas as nossas faltas e pecados. Precisamos esperar e apressar a vinda do Senhor enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar (João 9:4).

Que Deus nos ajude a estarmos preparados.


Atualização

Publicado originalmente em ZeroHedge, 13 de outubro de 2016.


O ministro do Exterior da Alemanha - Frank-Walter Steinmeier - escreveu no início deste mês que a tensão entre os EUA e a Rússia é pior do que no período da Guerra Fria.

É uma falácia pensar que isto é como a Guerra Fria. Os tempos atuais são diferentes e mais perigosos.

O chefe do serviço de inteligência da Grã-Bretanha, o MI6 - Sir John Sawyers - concordou ontem:

Estamos rumando em direção a uma era tão, se não mais perigosa, como na Guerra Fria porque nós não temos esse foco em um relacionamento estratégico entre Moscou e Washington.

O blog de Washington perguntou a um dos maiores especialistas da América sobre a Rússia, Stephen Cohen - professor emérito de estudos e políticas russas das Universidades de Nova York e Princeton, e autor de vários livros sobre a Rússia e a União Soviética - se ele achava que essas declarações eram exageradas.

Cohen respondeu que elas são precisas... e que estão dizendo a mesma coisa desde antes da anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.

Isto é ainda mais dramático quando você percebe que os EUA e os soviéticos viveram no limite de uma guerra nuclear em numerosas ocasiões durante a Guerra Fria. E somente a coragem de indivíduos americanos e soviéticos que se recusaram obedecer à ordem de seus superiores para disparar armas nucleares - em virtude de interpretações equivocadas - salvou o planeta de uma guerra nuclear.

E muitos especialistas alertam que hoje estamos rumando em direção a uma guerra nuclear. De fato, o ex-secretário de Defesa dos EUA, William Perry, disse em fevereiro:

A probabilidade de uma catástrofe nuclear hoje é maior do que durante a Guerra Fria.


George Washington, "German Foreign Minister and Former MI6 Boss: US-Russia Tensions Now More Dangerous than During the Cold War".

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