Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A solene obra do outro anjo

Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo. (Apocalipse 14:6)

A mensagem do primeiro anjo estabelece em linhas indeléveis a natureza e propósito do evangelho eterno para a geração do tempo do fim. Ao preparar um povo para estar em pé no grande Dia do Senhor, ela antecipa um grande despertamento religioso sob a proclamação da breve vinda de Cristo. O caráter exaltado desta mensagem e o poder e glória que devem acompanhar sua obra encontram-se significativamente representados na figura de um anjo, que voa no zênite do céu e anuncia "em grande voz" o último convite da graça a todos os habitantes da Terra.


A expressão "outro anjo" nos remete intuitivamente ao anjo anterior mencionado no livro do Apocalipse, neste caso o "anjo forte" do capítulo 10, cujas características messiânicas indicam tratar-se do próprio Salvador! Não há dúvida de que há uma estreita relação entre o primeiro anjo do capítulo 14 e o "anjo forte" do capítulo 10. Ambos proclamam uma mensagem de graça e de juízo de extensão mundial. Ambos proferem-na com "grande voz". Ambos põem em relevo os atributos criadores de Deus, inspirando-se igualmente no quarto mandamento da lei do Senhor (Êxodo 20:11)

De maneira que só é possível compreender adequadamente a natureza e o papel do evangelho eterno para o tempo do fim se nós considerarmos a obra do "anjo forte" e sua evidente relação com a mensagem do primeiro anjo.

A insigne obra do "anjo forte"

Em Apocalipse 10:1, João contempla em visão um anjo completamente diferente dos demais anjos mencionados até aqui. O apóstolo o descreve com estas impressivas palavras:

Vi outro anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris por cima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo.

Este anjo desce do Céu como Deus desceu ao Monte Sinai, ou seja, em meio a uma espessa nuvem com trovões e relâmpagos (Êxodo 19:16). Nuvens, aliás, são frequentemente relacionadas às aparições de Cristo (Salmo 104:3; Daniel 7:13; Mateus 17:5; 24:30; Atos 1:9; I Tessalonicenses 4:17; Apocalipse 1:7; 14:14). A menção ao arco-íris sobre a sua cabeça nos lembra do arco-íris em redor do trono de Deus (Apocalipse 4:3. Ver ainda Ezequiel 1:26-28). O rosto como o sol corresponde à descrição de nosso bendito Redentor em Apocalipse 1:16 (ver também Mateus 17:1-2), assim como as pernas ou pés reluzentes (Apocalipse 1:15).

Com efeito, o "anjo forte" não pode se referir a nenhum ser angelical, senão ao próprio Senhor Jesus, que é o Autor e assunto central do livro do Apocalipse. O fato de nosso amado Salvador apresentar-se como mensageiro celestial em lugar de qualquer outro anjo do Céu nesta visão intermediária entre o soar da sexta e da sétima trombetas (portanto durante o tempo do fim) deve ser da maior significação para o povo de Deus hoje, pois indica a suprema importância da mensagem que Ele está prestes a anunciar. É precisamente esta cena extraordinária que constitui o divisor de águas no Apocalipse, visto que em nenhum dos capítulos precedentes encontramos Cristo e Seu movimento representados de forma tão singular.

Que mensagem solene e poderosa Jesus Cristo está para anunciar a Seu povo?

O próprio modo como Cristo é descrito nesta visão fornece as primeiras indicações sobre a natureza de Sua grandiosa mensagem. O arco celeste que circunda o trono de Deus e que aparece sobre a cabeça do "anjo forte" é um sinal da divina graça, um perpétuo testemunho do amor e da misericórdia de Deus e do cuidado que Ele tem por Seu povo (Gênesis 9:12-17). O rosto como o sol é figura expressiva de Cristo como o "sol da justiça" (Malaquias 4:2), a "luz do mundo" (João 8:12), cujos raios vivificantes iluminam Sua igreja com vida e poder espiritual. As pernas como colunas de fogo anunciam, por outro lado, uma mensagem de juízo, o qual tornará manifesta as obras de cada um, sejam elas boas ou más (I Coríntios 3:11-13; Eclesiastes 12:14).

Assim, o movimento representado pelo "anjo forte" traz uma mensagem de graça, perdão e justificação ao pecador, e anuncia a proximidade de um juízo que decidirá o destino eterno de cada alma. A solene importância destas duas dimensões inseparáveis do evangelho eterno requer nossa máxima atenção, e por isso a Providência serviu-se revelar esta mensagem na gloriosa pessoa de seu divino Autor.

Um livrinho aberto e um juramento solene

João relata que viu na mão do "anjo forte" um livrinho aberto (Apocalipse 10:2), o qual contém a mensagem do grande movimento que Ele simboliza. O fato de que agora esteja aberto faz supor que um dia esteve fechado. Deve tratar-se, portanto, de um dos livros da Bíblia que permaneceu fechado ou selado até ao tempo determinado para seu providencial redescobrimento, cujo conteúdo deveria despertar um amplo movimento religioso representado pelo anjo forte e constituir a base de sua efetiva proclamação final. Este livro não pode ser outro, a não ser o do profeta Daniel, particularmente a visão da purificação do santuário (Daniel 8:14):

Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim; muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará. (Daniel 12:4)
A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes. (Daniel 8:26)

O próprio Salvador, simbolizado pela figura de um poderoso anjo, abre em definitivo as profecias outrora seladas ou fechadas de Daniel para o tempo do fim! Se a aparência gloriosa deste anjo forte revela em tons muito claros a natureza e origem do movimento que Ele representa, a Sua posição com um pé na terra e outro no mar denota a extensão mundial da obra missionária que deve realizar-se (Apocalipse 14:6). Os "dias ainda mui distantes" ou "tempo do fim" chegaram afinal, trazendo consigo um aumento crescente do conhecimento das profecias de Daniel sobre este derradeiro período e preparando um povo para encontrar com o seu Senhor quando Ele voltar.

Outro importante indicativo de que o livrinho aberto refere-se ao livro de Daniel é o solene juramento pronunciado pelo anjo forte (Apocalipse 10:5-6), que aponta diretamente ao juramento do anjo em Daniel 12:7.




Este juramento constitui o ato mais importante do anjo forte de Apocalipse 10 - um juramento que tem íntima relação com a mensagem profética de Daniel. Cristo levanta a mão direita para o céu (inferindo-se que na mão esquerda Ele tem o livrinho aberto) e jura solenemente em nome de Si mesmo que "já não haverá demora". O juramento de nosso Senhor, no qual Ele destaca Seus atributos criadores (revelando, assim, o que estará em jogo no último grande drama) é feito dentro do marco da sexta trombeta (Apocalipse 9:13-21) e antes do soar da sétima trombeta, isto é, durante o período do tempo do fim, pouco antes do estabelecimento do reino eterno de Deus (11:15-18), razão por que se diz que "já não haverá demora". Assim, a expressão não se refere ao tempo em geral, nem tampouco ao tempo da graça como devendo findar então, mas a um período de tempo especial ao qual o movimento missionário representado pelo anjo forte está ligado ou fundamentado, e que fora previsto por Deus mediante Seu profeta.

"Já não haverá demora"

O juramento do mensageiro divino em Daniel 12:7 é a resposta do Céu à pergunta: "Quando se cumprirão estas maravilhas?" As maravilhas mencionadas pelo ser celestial se referem aos eventos finais descritos nos versos precedentes. Elas se cumpririam em algum momento depois de transcorridos "um tempo, dois tempos e metade de um tempo" ou 1.260 anos, isto é, depois que o período de perseguição do povo santo tivesse terminado. Já identificamos esse período como abrangendo a hegemonia papal durante as épocas de ferro da Igreja, de 538 a 1798. Isto significa que as maravilhas relacionadas ao tempo do fim encontrariam seu cumprimento somente depois de 1798.

Em Daniel 8:13 encontramos outra pergunta igualmente significativa: "Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?" A resposta aponta para um evento intimamente ligado às maravilhas descritas no final do livro de Daniel: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado" (verso 14). É precisamente este acontecimento celestial - a purificação do santuário ou juízo pré-advento - que marca o início do tempo do fim e, portanto, a abertura do capítulo final da história humana em que as maravilhas anunciadas pelo profeta se cumprirão! À luz de Daniel 9:25, sabemos que este período profético, o maior de toda a Bíblia, iniciou-se com o decreto "para restaurar e para edificar Jerusalém", que entrou em vigor no outono de 457 a.C. Dois mil e trezentos anos depois, no outono de 1844, o santuário seria purificado!

Em ambas as visões, as respostas às perguntas formuladas incluem períodos de tempo proféticos que apontam para o tempo do fim. A purificação do santuário ou juízo pré-advento em Daniel 8:14 é o marco definitivo que estabelece o início exato deste período especial de tempo. Da perspectiva de Daniel, ambos os períodos proféticos - os 1.260 e os 2.300 anos - diziam respeito a acontecimentos ainda muito distantes, razão por que nas duas visões recebeu a instrução divina para preservar ou guardar em segredo a visão, e encerrar e selar o livro, "até ao tempo do fim".

Mas agora, nesta visão extraordinária de Apocalipse 10, o próprio Salvador descerra a porção profética do livro de Daniel que, por ordem divina, permanecera fechada por tanto tempo! Enquanto que em Daniel a resposta às perguntas "até quando" e "quando se cumprirão" envolvem longos períodos de tempo proféticos, o anjo forte de Apocalipse 10 anuncia em um juramento solene que "já não haverá demora", revelando que a última etapa da história da redenção, marcada pelo início de um juízo no Céu, já começou e que está irrevogavelmente em marcha rumo ao seu glorioso desfecho sob o soar da sétima trombeta! Tendo em vista que é Jesus Cristo, o justo Juiz, quem preside a sessão do tribunal celeste (Daniel 7:9-10, 13-14; João 5:22, 27), é de especial significado que Ele mesmo anuncie na forma de um juramento solene o início do tempo do fim e a breve consumação de Seu reino eterno!

É também sugestivo que somente a partir do juramento do anjo forte e da instrução que se segue à igreja na pessoa de João presenciemos no Apocalipse uma explosão virtual de material profético proveniente do livro de Daniel, com a dinâmica da revelação profética de João mudando do primeiro para o segundo compartimento do santuário em Apocalipse 11:1 e 19! Desse ponto em diante, as profecias do último livro da Bíblia são estruturadas dentro da perspectiva da obra final de Cristo no Lugar Santíssimo do santuário celestial, o que justifica a urgência do apelo para ler e ouvir as palavras da profecia e guardar as coisas nelas escritas, pois o tempo está próximo (Apocalipse 1:3).

A revelação do "mistério de Deus"

O soleníssimo juramento de nosso Senhor é a garantia de que nem mesmo os poderes combinados do mundo poderão frustrar a consumação final do evangelho eterno:

Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas. (Apocalipse 10:7)

Esta certeza do cumprimento das palavras do anjo forte deve encher de gozo a igreja militante! Sua proclamação nos conduz ao período relacionado à voz do sétimo anjo como o tempo divinamente estabelecido para a consumação do "mistério de Deus", o clímax do tempo do fim, quando então os segredos do plano da salvação manifestar-se-ão em toda a sua glória como uma realidade histórica!

O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos... Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar. Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra. (Apocalipse 11:15, 17-18).

Todos os esforços das potestades espirituais do mal para destruir o povo de Deus e obstar a obra gloriosa e culminante do plano divino de redenção revelar-se-ão inúteis (compare o texto acima com o Salmo 2)! A despeito dos lances dramáticos do conflito final prestes a irromper sobre a igreja, a voz do sétimo anjo, em cumprimento ao solene juramento do anjo forte, anuncia a consumação do segredo de Deus no julgamento dos mortos, na recompensa a todos os santos, e na destruição dos que destroem a Terra. Salvação e juízo são duas faces da mesma realidade. A destruição dos inimigos do povo de Deus por meio de um ato divino contra Babilônia mística contém um propósito essencialmente construtivo: a vindicação do caráter de Deus e de Sua igreja, e a restauração de Sua criação, a herança eterna dos justos (Daniel 7:27).

O mistério de Deus anunciado aos Seus profetas diz respeito, portanto, à mensagem original e inalterável de salvação e juízo revelada na pessoa e na obra de nosso amado Redentor.

Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações... (I Coríntios 16:25-26)

O mistério de Deus é cristocêntrico por natureza, e encontra sua realização plena e definitiva "nos dias da voz do sétimo anjo", o que significa dizer que, de 1844 - o ano que marca o início do juízo pré-advento no Céu - até ao fim dos tempos - ocasião em que o reino de Cristo tornar-se-á uma realidade histórica -, será consumada a obra do evangelho eterno no mundo, com sua mensagem de salvação e juízo, em cumprimento à profecia de nosso Senhor (Mateus 24:14). A proclamação final do segredo de Deus é também representada pela obra de outro anjo, que possui grande autoridade, e ilumina o mundo com sua glória (Apocalipse 18:1). Este anjo é encarregado de restaurar todas as verdades que um dia o anticristo lançou por terra (Daniel 8:11-12).

O ato simbólico de João comer o livrinho

É evidente, pois, que a voz do sétimo anjo não será ouvida sem que antes o movimento simbolizado pelo próprio Salvador em Apocalipse 10 cumpra sua obra na Terra. Como já observamos antes, a profecia da tarde e da manhã que apontava para a purificação do santuário no Céu deveria ser guardada em segredo, "porque ainda se refere a dias mui distantes" (Daniel 8:26). Suas palavras deveriam ser encerradas, e o conteúdo profético do livro, selado "até ao tempo do fim", com a observação de que, quando chegasse o referido tempo, "muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará" (12:4. Ver também o verso 9).

O anjo forte com o livrinho aberto na mão anuncia que o tempo do fim já chegou, e garante, mediante um solene juramento, que "já não haverá demora" para o cumprimento do "mistério de Deus"! Portanto, o próprio Salvador, na figura de um poderoso mensageiro celeste, é o representante do glorioso movimento mundial que teria lugar no tempo indicado pela palavra profética, ou seja, a partir do século XIX, quando então muitos a esquadrinhariam, e seu conhecimento se multiplicaria entre as nações.

A cena que se apresenta em Apocalipse 10 dentro do marco da sexta trombeta é, com efeito, um símbolo extraordinariamente impressionante da comissão de nosso Redentor à igreja do tempo do fim, a qual recebe uma missão especial e derradeira para levar a todos os povos antes do grande Dia do Senhor. Este chamado especial do Céu à igreja é simbolizado no ato de João dirigir-se ao anjo forte e pedir-lhe o livrinho. Na qualidade de representante legítimo da igreja, Cristo ordena a Seu servo: "Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel." (Apocalipse 10:9).

Esta figura de linguagem, como todas as demais no Apocalipse, é extraída do Antigo Testamento, e se refere ao chamado de Deus aos Seus servos para o ministério profético (Jeremias 1:4-9; 15:16; Ezequiel 3:1-3). O ato de comer o livrinho significa que os mensageiros comissionados pelo Céu devem fazer de seu conteúdo sua própria experiência. Devem assimilar sua mensagem antes que possam proclamá-la a outros!

Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! (Romanos 10:13-15)

Considerando que o livrinho na mão do anjo forte corresponde ao livro de Daniel, e que este se achava agora aberto, pois o tempo para isto já havia chegado, os piedosos homens e mulheres da igreja de Deus daquela geração, movidos pelo Espírito Santo, deveriam esquadrinhá-lo e assimilar sua poderosa mensagem, antes que pudessem anunciá-la ao mundo. De todas as solenes profecias de Daniel, uma em especial chamou sua atenção, e dizia respeito precisamente àqueles primeiros anos do fim do tempo: a visão da tarde e da manhã do capítulo 8, verso 14.

A experiência agridoce revelada

Note-se, porém, a advertência do Senhor a João de que a experiência de devorar o livrinho (e, portanto, a profecia da tarde e da manhã) ser-lhe-ia na boca doce como o mel, mas no estômago, amarga. De fato, foi esse misto de sensações que João experimentou ao tomar o livrinho da mão do anjo forte e devorá-lo (Apocalipse 10:10), experiência semelhante à vivida por Jeremias e Ezequiel durante seus respectivos chamados à missão profética.

Jeremias, que foi separado desde antes de seu nascimento para o ministério profético entre as nações (Jeremias 1:5), argumentou com Deus que ele não sabia falar, pois não passava de uma criança (verso 6), ao que o Senhor respondeu: "Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás." (verso 7). Ao estender a mão e tocar a boca do profeta, Deus diz: "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras." (verso 9).

A dupla reação de Jeremias ao receber as palavras do Senhor é bastante significativa; Num primeiro momento, ao comer as palavras do Senhor, o profeta experimenta gozo e alegria no coração, em virtude do supremo privilégio que o chamado representa (Jeremias 15:16). Mas, logo em seguida, Jeremias expressa sua angústia e aflição ante a grande possibilidade de rejeição de sua mensagem, por causa do espírito rebelde e idólatra de Judá, uma situação moral que inevitavelmente conduziria à queda de Jerusalém (verso 17 e seguintes).

De modo semelhante, Ezequiel foi chamado ao ministério profético dentre um povo rebelde, "de duro semblante e obstinados de coração" (Ezequiel 2:1-7). Para que pudesse exercer sua obra e enfrentar a apostasia prevalecente, o profeta foi instruído a assimilar completamente a mensagem de Deus antes que pudesse proclamá-la à "casa rebelde". É desafiado a comer o rolo de um livro que certa mão lhe havia estendido; um livro "escrito por dentro e por fora", no qual "estavam escritas lamentações, suspiros e ais" (Ezequiel 2:8-10).

Quando Ezequiel, em obediência à ordem do Senhor (Ezequiel 3:1-3), comeu o livro, "na boca me era doce como o mel" (verso 3). À experiência da doçura das palavras de Deus, seguiu-se, porém, a decepção amarga da rejeição à mensagem por um povo obstinado e rebelde (versos 7 e 14).

Não há dúvida de que a experiência de João na visão de Apocalipse 10 é delineada sobre o mesmo ato simbólico de Jeremias e Ezequiel comerem as palavras do Senhor e experimentarem um misto de sensações contraditórias em face dos privilégios e desafios de seu chamado. Assim, a experiência agridoce da igreja no tempo do fim, figuradamente vivida por João na visão, só pode ser adequadamente compreendida à luz destes protótipos no Antigo Testamento.

No que consistiu então a experiência doce e amarga do grande movimento missionário do início do tempo do fim tipificada no ato de João tomar o livrinho da mão do anjo forte e devorá-lo? Estas e outras questões serão respondidas, com a ajuda de Deus, em nossa próxima postagem.

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