Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sábado, 11 de junho de 2016

O papa romano é o anticristo da profecia

Em uma postagem sobre o número místico 666, declarei que o número da besta representa um sistema ou instituição humana e não necessariamente um homem no sentido literal. É muito importante esclarecer que, ao fazer essa colocação, eu tinha em mente tanto a interpretação dispensacionalista que identifica o homem ao qual o número está ligado como sendo um indivíduo obscuro que deveria surgir no fim dos tempos, como as diferentes interpretações que têm sugerido uma variedade de nomes sem considerar o contexto de Apocalipse 13:18.


Em nenhum momento pretendi transmitir ou sequer transparecer a ideia de que, com relação ao papado - único personagem histórico que atende a todas as especificações proféticas concernentes ao anticristo -, o homem da profecia (neste caso, o papa na qualidade de indivíduo) devesse ser entendido fora do próprio sistema papal, numa tentativa politicamente correta de suavizar a interpretação historicista que claramente identifica o homem dentro do sistema apóstata, uma tendência perturbadora que tem se insinuado no meio adventista há algumas décadas.

O apóstolo Paulo claramente identifica a apostasia como um fenômeno religioso que surgiria dentro da igreja de Deus e, mais especificamente, entre sua destacada liderança. Ao escrever aos presbíteros da igreja de Éfeso, ele declarou:

Eu sei que depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. (Atos 20:29-30)

O clímax desta apostasia seria o surgimento do "homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus" (II Tessalonicenses 2:3-4).

Hans K. LaRondelle observa que a expressão "apostasia" usada por Paulo em II Tessalonicenses 2:3 - no grego, η αποστασια, he apostasia - sempre significa uma rebelião religiosa tanto no Antigo como no Novo Testamento, ou seja, um esquecimento do Senhor e de Sua verdade. (1) A palavra apostasia ocorre no NT somente em II Tessalonicenses 2:3 e em Atos 21:21. O artigo (he) indica que é mencionada uma apostasia definida e que esta apostasia é bem conhecida dos leitores. (2)

O "homem da iniquidade" é o representante máximo desta apostasia, um homem cuja característica distintiva é a "iniquidade" - ανομια, anomia. Segundo o Dicionário Bíblico Strong, a palavra se refere à condição daquele que não cumpre a lei, que despreza e viola a lei. Ela é precedida pelo termo "o homem" (anthropos), empregada por Paulo para indicar uma pessoa ou poder definido que possui essa característica.

Com efeito, ao referir-se ao anticristo como o "homem da iniquidade", ou o "homem que despreza e viola a lei", Paulo certamente tinha em mente Daniel 7:8, que descreve o "chifre pequeno" como tendo "olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolências", o qual, entre outras coisas, mudaria os tempos sagrados e a lei de Deus (verso 25).

Em sua Prompta Bibliotheca, volume VII, o teólogo romano Lucius Ferraris se refere à suposta prerrogativa do papa de mudar a lei de Deus com as seguintes palavras:

Papa tantae est auctoritatis et potestatis, ut possit quoque leges divinas modificare, declarae, vel interpretari, ad num;
O Papa tem tão grande autoridade e poder que ele é capaz de modificar, explicar e interpretar até mesmo as leis divinas;
Papa jus divinum potest modificare, cum ejus potestas non sit ex homine, sed ex Deo, et in terris Dei vices fungitur cum amplissima potestate oves suas ligandi, et solvendi.
O Papa pode modificar a lei divina, uma vez que seu poder não procede do homem, mas de Deus, e atua como vice-regente de Deus na terra com o mais amplo poder de ligar e desligar suas ovelhas. (3)

E o Compendium of Ecclesiastical History, de John C.L. Gieseler, traz a seguinte glosa a respeito da pretensa extensão da autoridade papal:

Unde dicitur habere caeleste arbitrium (Cod. de sum. trin. 1. I. in fi.). et ideo etiam naturam rerum immutat, substantialia unius rei applicando alii (arg. C. communia de leg. 1. 2), et de nullo potest aliquid facere (C. rei uxor. act. 1. unica in princ. et de consecr. dist. 2. c. 69), et sententiam, quae nulla est, facit aliquam (Caus. iii. qu. 6. c. 10); quia in his, quae vult, ei est pro ratione voluntas (Instit. De jure natur. § sed quod princip i.e. Justiniani institt. Lib. i. tit. 2. § 6). Nec est, qui ei dicat, cur ita facis? (De poen. dist. 3. c. 22). Ipse enim potest supra jus dispensare (infra, lib. iii. tit. 8. c. 4), idem de injustitia potest facere justitiam corrigendo jura et mutando (lib. ii. tit. 28. c. 59. lib. iv. tit. 14. c. 8), et plenitudinem obtinet potestatis (caus. ii. qu. 6. c. 11).
Por esta razão, ele declara possuir um julgamento divino, e, portanto, ele altera a própria natureza das coisas, aplicando a outra aquilo que é da substância de uma coisa, e do nada ele pode fazer algo [fazer algo do nada no sentido de decretar novas leis], e a sentença que não tem força, ele pode fazê-la forte; e ele pode fazer essas coisas, pois sua vontade se apoia na razão. Tampouco há alguém que possa dizer-lhe: Por que fazes assim? Pois ele pode dispensar acima da lei, e da injustiça fazer justiça, corrigindo e mudando as leis, visto possuir a plenitude do poder. (4)

"O homem da iniquidade" é também "o filho da perdição", outra característica distintiva deste personagem. Há apenas outra passagem das Escrituras em que este título é usado. É aplicado pelo Salvador a Judas (João 17:12), um apóstolo, uma vez companheiro e igual aos outros discípulos, mas alguém que permitiu que Satanás entrasse em seu coração (João 13:2, 27) para trair o Senhor (Mateus 26:47-50). (4). A condição de traidor com aparência de piedade se aplica perfeitamente ao papa na medida em que ele contraria as palavras de Cristo e usurpa Suas prerrogativas.

Em Cruzando o Limiar da Esperança, o papa João Paulo II escreveu:

O líder da Igreja Católica é definido pela fé como o Vigário de Jesus Cristo (e é aceito como tal pelos crentes). O Papa é considerado o homem na terra que representa o Filho de Deus, o qual "toma o lugar" da Segunda Pessoa do Deus onipotente da Trindade. [...]
Não tenho medo quando as pessoas me chamam "Vigário de Cristo", quando se referem a mim como "Santo Padre" ou "Sua Santidade", ou usam títulos semelhantes a estes, que parecem mesmo hostis ao Evangelho. O próprio Cristo declarou: "A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo" (Mt 23:9-10). Estas expressões, no entanto, evoluíram a partir de uma longa tradição, tornando-se parte do uso comum. Não se deve ter receio de nenhum destes termos. (5)

Este homem da iniquidade e filho da perdição se levanta, ainda, "contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus". Ou seja, ele se exalta e se opõe a todas as formas de divindade e religiosidade, reivindicando unicamente para si reconhecimento e adoração. Essa pretensão chega ao cúmulo da arrogância quando o homem do pecado usurpa para seu proveito o título, as prerrogativas e o lugar de Deus no Seu santuário!


Esta medalha papal de Pio IX, de 1877, representa no verso a entronização do papa com sua tripla tiara sendo homenageado, com a inscrição de uma citação de Joel 2:23, que na versão católica Douay Rheims, é assim traduzida: "... alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque ele vos deu um professor da justiça". [Com informações e imagem de biblelight.net]


O ato do anticristo sentar-se no santuário de Deus é particularmente significativo, porque Paulo, ao mencionar essa atitude atrevida do homem da iniquidade (semelhante à pretensão de Lúcifer no Céu, conforme Isaías 14:13-14 e Ezequiel 28:2), estabelece uma relação intencional com a visão de Daniel, em que o Ancião de Dias (Deus, o Pai) "assentou-se" para julgar esse poder arrogante e blasfemo (Daniel 7:8-10). À luz deste antecedente daniélico do tribunal, a descrição de Paulo sobre o adversário "sentar-se" indica que o anticristo se estabeleceria a si mesmo como mestre e juiz da igreja! (6)

Augustinus Trumphus, comissionado por João XXII para produzir uma obra que defendesse a autoridade eclesiástica e temporal do papado - o Summa de potestate ecclesiastica (Sumário sobre o Poder da Igreja) -, escreveu:

Qyaestio Sexta: De Papalis Sententiae Appellatione.
Articvlvs I: Utrum licite appellari possit à Papa ad Deum.
Secunda ratio accipitur ex parte Papae. solus Papa dicitur esse Vicarius Dei: quia solum quod ligatur vel solvitur per eum, habetur solutum & ligatum per ipsum Deum. Sententia igitur Papae & sententia Dei vna sententia est: sicut una sententia est Papae, & auditoris eius. Cum igitur appelattio semper fiat à minori iudice ad superiorem, sicut nullus est major seipso: ita nulla appellatio tenet, facta à Papa ad Deum: quia unum consistorium est ipsius Papae & ipsius Dei: cuius consistorij clauiger et ostiarius est ipse Papa. Nullus ergo potest appellare a Papa ad Deum. Nullus ego potest appellare à Papa ad Deum, sicut nulla potest intrare ad consistorium Dei, nisi mediante Papa, qui est aeternae vitae cónsistorij clauiger, & ostiarius & sicut nullus pot appellare ad se ipsum: ita nulla pót appellare à Papa ad Deu. quia vna sententia est, & vna curia Dei, & Pape.

Sexta Questão: Da Apelação às Sentenças Papais.
Artigo I: Se é lícito apelar a Deus sem o Papa.
Segunda razão, considerando o papel do Papa. Só o Papa se proclama o Vigário de Deus, porque só ele é capaz de ligar e desligar, unicamente possuindo o ligar e o desligar dado a ele por Deus. A decisão do Papa e a decisão de Deus constitui uma única decisão, assim como a decisão do Papa e de seu discípulo são as mesmas. Portanto, uma vez que um apelo é sempre tomado de um juiz inferior para um superior, em função de que ninguém é maior do que ele, assim não é válido quando se apela a Deus sem o Papa, pois há um consistório do próprio Papa e do próprio Deus, do qual o consistório do Papa é o portador da chave e porteiro. Portanto, ninguém pode apelar a Deus sem o Papa, da mesma forma que ninguém pode entrar no consistório de Deus sem a mediação do Papa, o qual é o portador da chave e o porteiro do consistório da vida eterna; e como ninguém pode apelar por si mesmo, assim ninguém pode apelar a Deus sem o Papa, pois há uma decisão e um tribunal de Deus, e do Papa. (7)

O papa, finalmente, ostenta-se "como se fosse o próprio Deus", pretendendo ocupar na Terra o lugar que pertence por direito à Divindade, o que constitui o clímax de toda a blasfêmia.

Em sua encíclica Praeclara Gratulationis Publicae, o papa Leão XIII proferiu estas palavras blasfemas:

Ocupamos na Terra o lugar do Deus Todo-Poderoso. (8)

Portanto, a natureza essencial do anticristo, identificado profética e historicamente como sendo o papa, é sua pretensão arrogante e blasfema de mudar a lei de Deus e os tempos sagrados (Daniel 7:25), reivindicar para si prerrogativas divinas e substituir a adoração redentora no santuário de Deus por seu culto idólatra. Quando Paulo se refere ao "homem da iniquidade", ele está se referindo, pois, a uma sucessão (falsamente apostólica) de homens com estas mesmas características.

Somos justificados, portanto, pelas Escrituras e pela história a identificar o papa Francisco e todos os seus antecessores como "o homem da iniquidade", "o filho da perdição", e seu "número de homem" é 666 - o número daquele que despreza e viola a eterna lei de Deus e pretende usurpar para seu proveito atributos exclusivamente divinos, estabelecendo um culto idólatra de adoração. A terceira mensagem angélica é uma grave advertência contra todos aqueles que vierem a reconhecer a iminente consolidação de suas pretensões blasfemas no mundo (Apocalipse 14:9-12).


Papa Francisco sentado num grande trono branco entre dois querubins de ouro (Isaías 37:16) e quatro "seres viventes" na abside (Apocalipse 4:6-8), durante o enceramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros [Imagem capturada por biblelight.net a partir da TV Vaticano (CTV)]


Henry Grattam Guinness, o último dos grandes reformadores protestantes, escreveu há mais de um século:

A Reforma do século XVI, que deu origem ao protestantismo, foi baseada na Escritura. Ela devolveu a Bíblia ao mundo, ensinou as Escrituras; expôs os erros e corrupções de Roma pelo uso da espada do Espírito. Aplicou AS PROFECIAS, e aceitou sua orientação prática. Essa obra da Reforma precisa ser feita novamente. Sofremos demasiadamente por causa da verdade profética anti-papal para esquecermos. Esta geração é perigosamente liberal - indiferente à verdade e ao erro em pontos nos quais a Escritura é tremendamente decidida e absolutamente clara. (9)

O que ele diria se estivesse vivo hoje! Porém, é precisamente agora que nós, adventistas do sétimo dia, precisamos despertar e, imbuídos da presença e do poder do Espírito Santo, dar à trombeta de Deus o sonido certo em meio a uma atmosfera de conformidade e condescendência que tem caracterizado o mundo religioso. É um terrível engano supor que Roma papal mudou, que devido aos "avanços" do Concílio Vaticano II, o Catolicismo está hoje mais sensível ao direito de liberdade de consciência religiosa e disposto a defendê-lo mediante um discurso ecumênico baseado no amor fraternal.

Ellen G. White escreve:

A Igreja de Roma apresenta hoje ao mundo uma fronte serena, cobrindo de justificações o registro de suas horríveis crueldades. Vestiu-se com roupagens de aspecto cristão; não mudou, porém. Todos os princípios formulados pelo papado em épocas passadas, existem ainda hoje. As doutrinas inventadas nas tenebrosas eras ainda são mantidas. Ninguém se deve iludir. O papado que os protestantes hoje se acham tão prontos para honrar é o mesmo que governou o mundo nos dias da Reforma, quando homens de Deus se levantavam, com perigo de vida, a fim de denunciar sua iniquidade. Possui o mesmo orgulho e arrogante presunção que dele fizeram senhor sobre reis e príncipes, e reclamaram as prerrogativas de Deus. Seu espírito não é menos cruel e despótico hoje do que quando arruinou a liberdade humana e matou os santos do Altíssimo. (10)

Todas as pessoas, incluindo católicos sinceros, que desconhecem o sórdido jogo do poder por trás da aparência de piedade do papado precisam ser advertidas quanto à estrutura de suas pretensões. Devemos ser atalaias e portadores de luz num tempo de densas trevas espirituais e denodada afronta à verdade, e proclamar destemidamente ao mundo, pelo poder do Espírito de Deus, o último convite divino na voz dos três anjos.

Que o Senhor nos desperte neste sentido!


Notas e referências

1. Hans K. LaRondelle. As Profecias do Tempo do Fim: VII - A compreensão de Paulo das profecias de Daniel.

2. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Vol. 7. Vanderlei Dorneles (Ed.). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014, p. 274.

3. Lucius Ferraris. Prompta Bibliotheca, vol. VII. Venetiis, Apud Gasparem Storti, 1782, verbete "Papa", Art. II, p. 29.

4. John C.L. Gieseler. A Compendium of Ecclesiastical History, Forth Edition Revised and Amended, Vol. III. Edinburgh: T. & T. Clark, 1853, p. 161 e 162.

5. John Paul II. Crossing the Threshold of Hope, published by Alfred A. Knopf, Inc., copyright 1994 by Arnoldo Mondadori Editore, p. 3 e 6.

6. Hans K. LaRondelle, op. cit.

7. Augustini Triumphi. Summa de potestate ecclesiastica. Romae, Ex Typographia Georgij Ferrarij, 1584. p. 57.

8. The Great Encyclical Letters of Pope Leo XIII. New York: Benziger Brothers, 1903, p. 193.

9. H. Grattan Guinness. Romanism and the Reformation from the Standpoint of Prophecy. Toronto: S.R. Briggs, [1887], p. 8.

10. Ellen G. White. O Grande Conflito. Décima Nona Edição. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1978, p. 570.

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