Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A besta que emergiu da terra

Apesar da relevância dos eventos históricos que favoreceram o papado, a cura completa da "ferida de morte" está condicionada ao papel preponderante de outro poder que surge no cenário profético. Este poder é representado pela figura de uma besta que sobe da terra:

Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão. Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. (Apocalipse 13:11-12)

O poder aqui descrito é simbolizado por uma "besta" ou "animal" e, portanto, diz respeito a uma nação de interesse profético. Daniel 7 descreve quatro animais (ou bestas) simbólicos que representam expressamente quatro reis (ou reinos, verso 17). Não obstante, este novo poder apresenta uma característica até então nunca vista em nenhum dos outros poderes que o precederam: ele possui "dois chifres, parecendo cordeiro".

A palavra "cordeiro" é mencionada trinta e uma vezes no Apocalipse, e, com exceção de uma, se aplica a Jesus Cristo. A única exceção se refere à besta terrestre, o que sugere que este seria um poder com aparência cristã, uma característica importante no sentido de estabelecer sua identidade. Mas há outras:

- É uma superpotência. Esta nação é capaz de operar "grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens" (verso 13). Não se atribui a nenhuma outra entidade política de interesse profético tão grande demonstração de poder.

- Possui autoridade global. O âmbito de sua autoridade é evidente: "Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada". (verso 12); "Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu" (verso 14).

- É um poder escatológico. Em virtude de sua autoridade, este poder impõe, em nome da primeira besta (a besta marítima), "certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome" (versos 16 e 17). Na descrição do primeiro dos sete flagelos (Apocalipse 16:2), o juízo de Deus tem como alvo os "portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem". Estes flagelos ocorrem nos derradeiros momentos da história humana e culminam com o retorno de Cristo, de modo que a "marca da besta" e a falsa adoração associada a ela são fenômenos do fim e, portanto, a besta terrestre que impõe a marca é um poder do tempo do fim.

Uma nação como nunca existiu

Esta nova potência não pode ser outra, senão os Estados Unidos da América! Vejamos como esta nação cumpre as especificações da profecia ao apreciarmos as singularidades de seu surgimento:

1. O tempo. João contempla em visão a ascensão desse poder no mesmo instante em que vê o cativeiro da primeira besta. A expressão "Vi ainda outra besta" (Apocalipse 13:11) claramente relaciona esta seção da profecia à última parte da visão anterior (verso 10), indicando que a segunda besta é contemporânea da primeira no momento de seu cativeiro.

Ao testemunhar o cativeiro da primeira besta, a atenção de João é voltada no mesmo instante para a emergência da segunda besta. Vimos que o cativeiro do papado ocorreu em 1798, por ordem do Diretório francês; Berthier aprisionou o papa Pio VI, que morreu no exílio um ano depois (sobre isso, clique aqui). A única potência que estava emergindo então eram os Estados Unidos da América. De fato, a Revolução Americana termina precisamente no momento em que começa a Revolução Francesa, cujos lances determinam o fim do poder temporal do papado.

2. A forma e o lugar. Como os reinos que Daniel viu em visão (Daniel 7:2-7, 17), a primeira besta (símbolo de Roma papal) surgiu do "mar" (Apocalipse 13:1). A segunda besta emergiu da "terra". Há aqui um evidente contraste entre a ascensão das duas bestas.

Em profecia, o "mar" representa povos, multidões, nações e línguas (Apocalipse 17:15), um cenário preciso da Europa, região de especial interesse profético, de onde surgiu a besta papal. Por conseguinte, a "terra" deve simbolizar uma região relativamente despovoada e isolada, e a segunda besta, portanto, um poder que surge não em consequência de lutas e conquistas armadas, como as potências mundiais das profecias, representadas por feras predadoras, mas por meios comparativamente discretos e, em geral, pacíficos. Em Apocalipse 13:11, a palavra grega traduzida como "subir" ou "emergir" é anabaino, usada também em Mateus 13:7, e se refere a um crescimento silencioso e decidido, como o de uma planta.

Com efeito, temos duas importantes singularidades consignadas pela profecia no que tange à besta terrestre: o modo de seu surgimento, assemelhando-se à germinação de uma semente, e o local de seu nascimento, isto é, a "terra", símbolo do Novo Mundo, uma vasta região relativamente despovoada em comparação à Europa. As declarações a seguir são particularmente significativas à luz destas singularidades.

G.A. Townsend escreve que "a América, desde a sua descoberta, tem sido objeto de consideração revolucionária na Europa. O mistério de seu surgimento do nada... encheu as mentes dos homens de inquietação...", e acrescenta: "A história dos Estados Unidos foi mantida, por uma providência benéfica, longe desta selvagem e cruel história do restante do continente, e, como uma semente, desenvolvemo-nos em império". (1)

Alexis de Tocqueville diz que "os emigrantes que vieram fixar-se na América, no começo do século XVII, isolaram, de algum modo, o princípio da democracia de todos os outros contras os quais lutava nas velhas sociedades da Europa, e transplantaram-no, isolado, para as margens do Novo Mundo. Aí pôde crescer em liberdade e, adequando-se aos costumes, desenvolver-se pacificamente nas leis". Tocqueville se refere, ainda, à profunda admiração de que é tomado o observador quanto contrasta a sociedade americana com o Estado da Europa na mesma época. Ele escreve:

No continente europeu, no início do século XVIII, triunfava em todas as partes a monarquia absoluta, por sobre os escombros da liberdade oligárquica e feudal da Idade Média. No seio dessa Europa brilhante e literária, jamais, talvez, a ideia dos direitos fora tão inteiramente desconhecida; jamais povos viveram menos a vida política; jamais noções de verdadeira liberdade preocuparam menos os espíritos; e é então que esses mesmos princípios, desconhecidos nas nações europeias, ou por elas desprezados, foram proclamados nos desertos do Novo Mundo e tornaram-se o símbolo futuro de um grande povo. As teorias mais audaciosas do espírito humano foram postas em prática nessa sociedade, tão humilde em aparência, de que nenhum estadista teria então se dignado a ocupar-se; abandonada à originalidade de sua natureza, a imaginação do homem improvisou ali uma legislação sem precedentes. (2)

Em 1850, um escritor do jornal irlandês Dublin Nation referiu-se aos Estados Unidos como um império maravilhoso que estava "emergindo" e "no silêncio da terra aumentando diariamente seu poder e orgulho". E na página 238 da History of the Great Reformation, volume IV, de Martyn, há um excerto de um discurso de Edward Everett sobre os exilados ingleses que fundaram esta nação, que diz:

Procuraram um local afastado, inofensivo por sua obscuridade, e seguro pela distância, onde a pequenina igreja de Leyden pudesse gozar de liberdade de consciência? Eis as imensas regiões sobre as quais, em conquista pacífica... implantaram os estandartes da cruz. (3)

Em seus Escritos Políticos, Thomas Jefferson declara significativamente:

Separados das nações da Europa e dos interesses políticos que as envolvem, por um largo oceano, com produtos e necessidades que tornam nosso comércio e nossa amizade úteis a elas e os dela a nós, não pode ser do interesse de qualquer delas assaltar-nos nem do nosso as perturbar. Seríamos realmente insensatos se menosprezássemos as singulares bênçãos da posição em que a natureza nos colocou, a oportunidade com que ela nos dotou de prosseguir, distantes das contendas estrangeiras, as veredas da indústria, da paz e da felicidade, de cultivar a amizade geral e trazer os conflitos de interesses à arbitragem da razão ao invés da força. (4)

Jefferson também escreveu que "o excesso de população, na Europa, e a falta de espaço tornam a guerra, na opinião deles, necessária para cortar o excesso de números. Aqui o espaço é abundante, a população escassa e a paz o meio necessário para produzir homens aos quais o solo oferece recursos de vida e felicidade." (5)

H.G. Wells assinala que "por todo um século, as colônias unidas da Grã-Bretanha na América do Norte, transformadas nos livres e independentes Estados Unidos da América, mantiveram-se alheias às intrigas e conflitos manchados de sangue das secretarias europeias dos negócios estrangeiros." (6)

Outras singularidades importantes

De fato, tanto o tempo e o lugar de seu nascimento como a originalidade de sua história fazem dos Estados Unidos a nação que cumpre as especificações proféticas como nenhuma outra. H.G. Wells escreve:

Com o estabelecimento de sua independência apareceu, no mundo, uma nova espécie de comunidade. Surgia como alguma coisa que nascesse de um ovo. Era a própria civilização europeia ocidental, desligada e libertada dos últimos traços de império e cristandade: não lhe havia ficado nenhum vestígio de monarquia e não tinha nenhuma religião de Estado. Não possuía nem duques, nem príncipes, nem condes, nem qualquer espécie de portadores de títulos, clamando por ascendência ou respeito, como um direito. Mesmo a sua unidade era, até então, uma simples unidade para defesa e liberdade. Por todos estes aspectos, constituía-se um começo de organização política, como o mundo nunca vira antes, tão livre e tão limpo. A ausência de qualquer laço obrigatório religioso é especialmente digna de nota. Possuía diversas formas de cristianismo e o seu espírito era indubitavelmente cristão; mas, como um documento de Estado de 1796 declarava explicitamente: "O governo dos Estados Unidos não é, em nenhum sentido, fundado sobre a religião cristã". A nova comunidade tinha, de fato, ido direito aos fundamentos nus e puros da associação humana e, sobre essas fundações, estava a erguer uma nova espécie de sociedade e uma nova espécie de estado. (7)

Estas qualidade distintivas da América - uma nação sem rei e uma igreja sem papa - são apropriadamente representadas em Apocalipse 13:11 pelos dois chifres da besta semelhantes aos de um cordeiro. Nas Escrituras, chifres simbolizam força e poder (Deuteronômio 33:17; Miqueias 4:13). No contexto das profecias, são usados para representar potências beligerantes em disputa pelo domínio mundial (Daniel 7:7-8, 24; 8:3-9; Apocalipse 12:3-4, 13-17; 13:1-7; 17:3, 12-14).

Contudo, no caso da besta terrestre, os chifres têm surpreendentemente a aparência de cordeiro, uma imagem que nos remete à mansidão e inocência. Este detalhe indica que a potência aqui representada usa, a princípio, seu poder político de maneira aparentemente pacífica, quase cristã. Note a seguinte declaração de Thomas Jefferson:

Sempre julguei fundamental, para os Estados Unidos, jamais participarem ativamente das disputas da Europa. Os interesses políticos dela são inteiramente distintos dos nossos. Seus mútuos ciúmes, equilíbrio de forças, alianças complicadas, formas e princípios de governo nos são de todo estranhos. São nações em guerra eterna. Todas as suas energias são gastas na destruição do trabalho, da propriedade e da vida de seu povo. De nossa parte, jamais um povo tem oportunidade tão favorável para experimentar o sistema oposto de paz e fraternidade com os homens e a direção de todos os nossos meios e faculdades para fins de melhoramento ao invés de para destruição. (8)

Um detalhe importante da profecia diz respeito ao fato de os chifres desta besta singular não possuírem coroas, como é o caso dos chifres do grande dragão vermelho (Apocalipse 12:3) e da besta marítima (13:1). É evidente que os Estados Unidos não são regidos por um sistema de governo monárquico, mas republicano e democrático. Thomas Paine declarou significativamente:

Mas perguntarão alguns, onde está o rei da América? Digo-vos, meus amigos, que ele reina em cima... Contudo, para não permanecermos lacunosos nem sequer em honras terrenas, marque-se solenemente um dia para a proclamação do estatuto; apresente-se esse estatuto colocado sobre a lei divina, a palavra de Deus; coloque-se sobre ele uma coroa, mediante a qual saiba o mundo que, segundo a nossa maneira de aprovar a monarquia, a lei é o rei na América. Assim como nos governos absolutos o rei é a lei, nos países livres a lei deve ser o rei; e não existirá outro. Mas para não surgir posteriormente nenhum mau uso, seja a coroa, ao término da cerimônia, desmontada e dispersa pelo povo, que a ela tem direito. (9)

Referindo-se à imigração como fator de crescimento da América, G.A. Townsend diz:

E o que liga essas pessoas a nós? Em parte, sem dúvida, a nossa região, e os dons naturais desta parte do globo. Em parte, e nos últimos anos, o nosso caráter nacional vindicado e a segurança de nossas instituições. Mas o imã na América é que somos uma república! Um povo republicano! (10)

Assim, no Artigo IV, Seção 4, da Constituição Americana há a seguinte declaração: "Os Estados Unidos garantirão a cada Estado desta União a forma republicana de governo...". Isto significa que o poder é exercido pelo povo e para o povo, e que toda a máquina do governo é administrada por representantes eleitos por ele. A força desta nação reside, portanto, na liberdade e vontade de seu povo, ou seja, na liberdade civil.

A outra grande força dos Estados Unidos é a liberdade religiosa. O Artigo VI da Constituição diz: "Nenhum requisito religioso poderá ser exigido como condição para a nomeação para cargo público". E a Primeira Emenda garante que "o Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos".

Estas duas grandes forças da nação americana, a qual não possui nenhum paralelo na história, são apropriadamente simbolizadas na profecia pelos dois chifres da besta terrestre semelhantes aos de um cordeiro. Ambos representam a liberdade civil e religiosa que tem caracterizado esta nação. A liberdade civil encontra sua expressão no regime republicano e democrático de governo; a liberdade religiosa, na tolerância à pluralidade de crenças e opiniões.

Contradição entre a aparência e o discurso da besta

A visão da besta terrestre, com seus dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, indica, portanto, um governo distinto das potências do Velho Mundo, geralmente mergulhadas em constantes conflitos e nas quais a liberdade não passava muitas vezes de utopia. Por suas singularidades, não há dúvida de que a besta que emerge da terra representa os Estados Unidos da América.

A aparência de cordeiro não esconde, contudo, o fato de ainda tratar-se de um poder representado por uma besta ou fera com os instintos próprios de sua natureza; "outra besta", nas palavras de João, que compartilha com a primeira características assustadoras e com a qual colabora intimamente. Por isso, conquanto transpareça um espírito pacífico e tolerante, esse país age, em última instância, como dragão (Apocalipse 13:11).

Tanto o dragão como a primeira besta simbolizam poderes cruéis e opressores que, no passado, foram hostis ao povo de Deus, tendo ceifado a vida de incontáveis cristãos (Apocalipse 12; 13:1-10). Ao falar no futuro como dragão, a segunda besta revela uma mudança radical de comportamento, agindo da mesma forma que seus antecessores, ou seja, demonstrando o mesmo caráter de intolerância e perseguição religiosa de Roma pagã e papal.

Este impressionante contraste entre a aparência da besta e suas ações é explicado em Apocalipse 13:12:

Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada.

Durante o período de sua hegemonia, a besta papal exerceu amplos poderes no âmbito religioso e político, reivindicando o direito de dirigir arbitrariamente as consciências. A fim de exercer a mesma autoridade, a segunda besta, isto é, os Estados Unidos, renunciará completamente os valores que fizeram da nação o "farol da liberdade no mundo" em nome e na presença do próprio papado, o que indica, com insofismável clareza, a união da nação protestante com a Igreja romana.

O resultado desse conluio de interesses escusos será o de compelir "legalmente" as consciências a aceitar as reivindicações de Roma como sendo legítimas e necessárias para assegurar a paz e a segurança do mundo, sem possibilidade de discordância. No centro desta política que tem como alvo o foro íntimo de cada um, está a promulgação de uma lei de caráter religioso e abrangência nacional cuja obediência será considerada um ato de adoração pelo qual se reconhece a autoridade da primeira besta em matéria religiosa.

É justamente contra este perigo iminente que adverte o terceiro anjo (Apocalipse 14:9-12), o qual estabelece uma notável distinção entre os santos perseverantes "que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" e "os adoradores da besta e da sua imagem".

Conforme já observamos, a marca ou sinal da besta consiste numa audaciosa mudança na lei de Deus, predita em Daniel 7:25; a supressão do segundo mandamento, que proíbe a adoração de imagens, e a alteração no quarto mandamento, que prescreve o repouso no sétimo dia, substituído pelo domingo.

A declaração de que a besta terrestre "faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta", revela que no futuro a autoridade da nação americana será de algum modo exercida no sentido de impor um dia universal de adoração cuja observância representará uma homenagem ao papado; um decreto civil que, como no passado, tornará compulsória a guarda do domingo.

Deste modo, a humanidade será induzida a adorar a primeira besta, obedecendo a um preceito que constitui o sinal de seu poder em assuntos religiosos, ao mesmo tempo em que despreza a lei de Deus no que tange ao verdadeiro dia de descanso. Contra esta adoração tributada à besta e sua imagem, e a recepção de sua marca na fronte ou sobre a mão, a mensagem do terceiro anjo adverte da forma mais solene e incisiva.

Para realizar uma façanha aparentemente improvável, mas certamente audaz, a besta de dois chifres seduzirá o mundo a fazer "uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu" (Apocalipse 13:14). O papado despontou como potência mundial depois que recebeu de Justiniano o título de "cabeça da Igreja e corretor de hereges". No entanto, para que pudesse exercer essas prerrogativas, Roma papal necessitava agregar ao poder eclesiástico o poder civil.

Mediante essa infeliz união de poderes, a Igreja pode perseguir e punir pelo confisco de bens, prisão, tortura e morte todos os que ameaçassem a estrutura de suas pretensões. Foi assim que na qualidade de Igreja-Estado Roma papal tornou-se uma instituição intolerante e opressora. Servindo-se do poder civil, procurou impor seus dogmas a toda a cristandade, eliminando as dissidências.

Uma imagem à besta nos Estados Unidos será, pois, uma identificação desta nação com o espírito do papado, uma ordem social que funcionará segundo os critérios e princípios de organização da besta marítima. Consistirá na obtenção do apoio civil por parte das igrejas protestantes da América, consórcio pelo qual o país renunciará aos princípios fundamentais que fizeram de seu povo uma nação livre. A Igreja obterá o favor do Estado para impor seus dogmas, e o fará em nome de valores profundamente enraizados, como a paz, a cooperação e a preservação ambiental. Como consequência, haverá perda da liberdade religiosa, conquistada a tão elevando custo, e perseguição às minorias dissidentes.

A profecia diz que será exatamente assim. Como, porém, os Estados Unidos, com sua Constituição e seu sistema legal e cultural plenamente estabelecido em favor da liberdade religiosa, formarão uma ordem de coisas semelhante à hierarquia papal da Idade Média, solapando os direitos de consciência e ainda seduzindo o mundo a seguir-lhe o exemplo? As próximas postagens se propõem a responder esta pergunta.

Notas e referências

1. G.A. Townsend. The New World Compared with the Old. Hartford, CN: S.M. Betts & Company, 1870, p. 462 e 635. Destaques acrescentados.

2. Alexis Tocqueville. A Democracia na América. Tradução e notas de J.A.G. Albuquerque. Coleção Os Pensadores, tomo XXIX: Federalistas. Textos selecionados por Francisco C. Weffort. São Paulo: Abril, 1973, p. 189, 196 e 197. Destaques acrescentados.

3. Citado em Uriah Smith, The United States in the Light of Prophecy. Acesso em: 28 ago. 2012, 08h14min. Destaques acrescentados.

4. Thomas Jefferson. Escritos Políticos. Tradução de Leônidas Contijo de Carvalho. Coleção Os Pensadores, tomo XXIX, p. 24. Destaques acrescentados.

5. Ibid.

6. H.G. Wells. História Universal, 8ª ed. Vol. 7. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970, p. 107. Destaques acrescentados.

7. Ibid., p 127 e 128.

8. Thomas Jefferson, op. cit., p. 25.

9. Thomas Paine. Senso Comum. Tradução de A. Della Nina. Coleção Os Pensadores, tomo XXIX, p. 72.

10. G.A. Townsend, op. cit., p. 341.

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