Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O sábado: base da verdadeira adoração


O sábado é uma verdade essencial dentro do apelo do primeiro anjo para adorar a Deus (Apocalipse 14:7), pois oferece o fundamento e as razões para a verdadeira adoração (Êxodo 20:8-11). Embora devamos celebrar a bondade e a misericórdia de Deus todos os dias da semana, a experiência da adoração encontra no sábado a mais ampla, completa e significativa expressão.


Tendo em vista a evidente importância do sábado na experiência religiosa do povo de Deus, especialmente nos derradeiros momentos da história humana; considerando que Babilônia mística pretende para si a adoração e obediência devidas unicamente a Deus (Apocalipse 13:8); que Babilônia tem sedimentado esta pretensão mediante um sistema pervertido de adoração (Apocalipse 14:8-9); e que o chamado solene de Deus para abandoná-la e restabelecer a verdadeira adoração de Deus constitui parte vital da preparação do crente para o breve retorno de nosso Senhor (Apocalipse 14:7; 18:4), é imperativo identificar as verdades fundamentais que o sábado contém e proclama, a fim de que possamos atender corretamente ao apelo divino e não sermos enganados pelo falso modelo de adoração que se estriba nas tradições e práticas humanas.

A origem divina do sábado

O livro de Gênesis se refere à Terra em seu estado primitivo como sendo "sem forma e vazia" (1:2), ou seja, um ambiente inóspito, incapaz de sustentar a vida. Obviamente, em algum momento essa matéria bruta já havia sido criada pela palavra de Deus, pois, segundo a Bíblia, Ele criou todas as coisas mediante Seu poder (Salmo 33:6-9; João 1:1-3; Colossenses 1:15-16).

Para dar forma ao nosso mundo e preencher o "vazio" predominante, Deus iniciou a semana da criação; não longas eras, mas seis dias literais, como se conclui da fórmula bíblica "houve tarde e manhã, o primeiro dia", etc. (Gênesis 1:5 e seguintes). Esta expressão, usada para demarcar explicitamente os dias da criação - metade escuridão e metade luz, a criação do período de 24 horas para delimitar cada dia - é repetida ao longo do capítulo 1 para contar cada um dos dias da criação.

Assim, quando Êxodo 20:11 declara que "em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra", a Escritura não quer dizer outra coisa, senão seis dias literais de 24 horas, o que inclui, naturalmente, o sábado. (1)

Gênesis 1 revela que Deus seguiu uma ordem lógica no processo da criação, provendo nos quatro primeiros dias todas as condições necessárias para a subsistência da vida na Terra: água, ar, luz, vegetação e materiais químicos (versos 3 a 19). Então, no quinto dia Deus fez as primeiras criaturas: os peixes, os grandes animais marinhos e as aves segundo o seu tipo básico (versos 20 a 23). No sexto dia, ele criou animais domésticos, répteis e animais selvagens, culminando com a formação do homem (versos 24 a 31).

Somente depois de tudo haver sido criado, Gênesis 2:1 declara: "Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército." Isto significa que Deus não deixou nada inacabado. Sua obra na criação foi completa, perfeita em cada detalhe. Gênesis 2:2 e 3 diz:

E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. (Gênesis 2:2-3)

Apesar de o texto não mencionar diretamente a palavra "sábado", o verbo "descansar", do qual o substantivo "sábado" é derivado, revela que esse dia especial está claramente implícito.

Por meio de uma tríplice ação divina, o sábado foi instituído como memorial perpétuo da criação: Deus descansou no sábado para que o homem, seguindo o exemplo de seu Criador, também descansasse neste santo dia; o Senhor abençoou o sábado, a fim de torná-lo um canal de bênçãos para toda a humanidade; e Ele santificou o sábado, atribuindo-lhe Suas próprias qualidades e separando-o para uso sagrado.

De modo que o descanso sabático proporciona ao homem a oportunidade de desfrutar da comunhão especial com Deus no dia que Ele instituiu, para que possa apreciar devidamente a sabedoria e bondade divinas, e, assim, expressar amor e gratidão para com o Criador. Este dia de repouso semanal é, pois, uma instituição divina destinada ao homem para seu benefício, e como tal, merece nossa honra e fidelidade.

O próprio Salvador identificou-Se como o Senhor do sábado (Lucas 6:5), chamando-o "o sábado do Senhor, teu Deus" (Êxodo 20:10), o "meu santo sábado" (Isaías 58:13). Descrevendo a solene ocasião em que Jesus apareceu no monte Sinai e revelou a Moisés a lei e o evangelho, Neemias diz: "O teu santo sábado lhes fizeste conhecer" (9:14).

O dia do Senhor é, portanto, o que Ele escolheu como memorial eterno de Seu poder criador: o sétimo dia. O sábado aponta para Deus como Aquele que fez os céus e a terra. Como memorial divinamente estabelecido, o sábado é uma testemunha constante da existência de Deus, e lembrança permanente de Sua grandeza, sabedoria e amor. Observando o sábado pela fé em Jesus, não só reconhecemos nossa verdadeira origem, como também a suprema autoridade dAquele que nos criou.

Um dia de repouso específico

O quarto mandamento é a mais longa prescrição do Decálogo (Êxodo 20:8-11) e contém três importantes disposições. Na primeira, Deus nos lembra do princípio universal do descanso no sábado para benefício de todos os povos. Na segunda, nos são determinados seis dias da semana para o trabalho secular. E na terceira, somos ordenados a santificar o sétimo dia como o sábado do Senhor, não o profanando com atividades seculares ou prazeres pessoais.

Com base nestas disposições, somos justificados pelo mandamento a reconhecer que Deus pessoalmente designou o sábado como um dia de descanso específico. Ninguém poderá sustentar, sem trair o mandamento e a própria consciência, que as bênçãos reservadas para o sábado poderiam ser obtidas em qualquer outro dia da semana. Por esta razão, as Escrituras não chamam a nenhum outro dia de dia do Senhor e dia santo, a não ser o sábado. Somente o sétimo dia pode ser legitimamente chamado e observado como o dia do Senhor, pois Ele mesmo o distinguiu dos demais dias da criação.

Com efeito, "sábado" é uma expressão de origem divina que não pode ser usada para designar outro dia de repouso a não ser aquele para o qual foi criado, ou seja, o sétimo dia. Nenhuma igreja ou concílio de homens tem prerrogativas para invalidar ou alterar sua observância. Por ser um dia de descanso do Senhor, o preceito divino proíbe quaisquer atividades seculares ou pessoais durante o sábado, excetuando-se, evidentemente, as obras beneficentes e outros trabalhos essenciais para a preservação da vida e da saúde, visto ser lícito fazer o bem neste dia (Mateus 12:1-14).

Onde os cristãos podem encontrar argumentos para invalidar o sábado do sétimo dia e observar em seu lugar outro período de descanso senão fora das Escrituras?

Certamente, uma mudança em qualquer dos mandamentos da lei moral seria tão impossível como uma mudança no caráter do próprio Deus. O Senhor não modificará nem anulará Sua vontade previamente estabelecida para ajustar-Se aos desejos e caprichos dos homens.

Um legado divino para a humanidade

Ao declarar que Deus abençoou o sétimo dia, a Escritura relaciona intimamente o dia de repouso semanal à obra de Deus na criação e Seu descanso nesse dia. A benção de Deus sobre o sábado tornou-o objeto especial do favor divino - uma benção extensiva a todas as criaturas de Deus, conforme revela o quarto mandamento.

A popular crença de que os cristãos estão hoje desobrigados de observar o sábado por tratar-se de um preceito supostamente judaico, pertencente à antiga aliança, não encontra nenhum apoio escriturístico. Há duas razões fundamentais que desmentem o ponto de vista dispensacionalista:

1. A natureza e a dimensão do evento divino que instituiu o sábado como dia santo.

O ato do Criador em abençoar e santificar o sábado e descansar nesse dia depois de concluir toda a obra que fizera constitui um evento singular, de abrangência universal, não limitado por qualquer restrição étnica ou geográfica. Se Deus quisesse beneficiar um grupo em particular, seria mais razoável que Ele instituísse um ícone ou um rito como sinal entre o Criador e esse grupo.

No entanto, Deus erigiu um memorial no tempo, para benefício de todas as gerações, em todos os lugares e épocas. Nosso Salvador mesmo declarou: "O sábado foi estabelecido por causa do homem" (Marcos 2:27).

Ora, se Cristo desejasse restringir o significado do sétimo dia, teria simplesmente declarado: "O sábado foi estabelecido por causa dos judeus".

Além disso, toda a discussão entre Cristo e a liderança judaica concernente ao sábado não tinha em vista se este dia deveria ou não ser observado, mas como deveria ser guardado. Nosso Redentor guardou o sábado conforme o mandamento, deixando-nos um exemplo positivo a ser seguido.

2. A natureza moral do mandamento que prescreve o repouso no sétimo dia.

O sábado semanal não é uma prefiguração da morte de nosso Salvador no sentido em que foram os ritos e serviços relacionados com o antigo santuário hebreu. Estes, de fato, tinham caráter simbólico e transitório, tendo encontrado seu cumprimento na perfeita oferta de Cristo na cruz (Hebreus 9:23-28; 10:11-12).

O sábado, contudo, foi claramente estabelecido por Deus como memorial eterno de Seu poder criador. Como dia honrado por Deus, instituído na criação, o sábado deve ser lembrado e observado em relação aos Seus atos criadores.

Se a criação é a base natural do quarto mandamento, a relação entre Criador e criatura constitui sua base moral.

Com efeito, por seu espírito e propósito, o sábado ocupa um lugar relevante no Decálogo, expressando juntamente com os demais preceitos a perfeição e eternidade do caráter divino. Transgredir um mandamento é o mesmo que transgredir todos os outros (Tiago 2:8-11). Portanto, o quarto mandamento é tão autêntico e vigente quanto os demais mandamentos da lei moral.

O sábado é, pois, uma benção extensiva a toda humanidade. Sua observância não se resume a simples abstinência nem tampouco a mero ritualismo, mas consiste na contemplação das obras de Deus e na avaliação de Sua notável bondade e grandioso amor. O sábado:

  1. enriquece nossa experiência pessoal com o Criador (Êxodo 20:8-11);
  2. habilita-nos para o Seu serviço (Mateus 12:1-14; Marcos 3:1-5);
  3. é proveitoso (Isaías 58:13);
  4. proporciona plena alegria (Isaías 56:1-8);
  5. é um sinal do poder santificador de Deus (Ezequiel 20:12, 20);
  6. é um antídoto contra a falsa adoração e o ateísmo (Gênesis 2:2-3; Marcos 2:27-28);
  7. é um elo especial com o prometido repouso de Deus (Hebreus 4:4-9).

Em harmonia com o objetivo original do sábado, o solene apelo do primeiro anjo para adorar ao Senhor é estendido a cada nação, tribo, língua e povo. Sua mensagem é uma clara reprovação ao espírito ateísta e apóstata de nossa época, que não apenas contesta a dignidade de Deus como Criador (Romanos 1:18-23), mas também pretende anular Sua eterna lei, substituindo-a por "doutrinas que são preceitos de homens" (Mateus 15:9).


Notas e referências

1. Sobre o período de tempo para os dias da criação, William H. Shea observa o seguinte: "O relato de cada um dos seis primeiros dias da semana da criação termina com uma menção cronológica. Essa menção apresenta uma fórmula padronizada: 'Houve tarde e manhã, o primeiro dia [ou segundo, terceiro, etc.]'. Tem-se sugerido que esses dias não eram dias literais de 24 horas, mas longas eras durante as quais a Terra e os elementos que a compunham evoluíram para seu estado posterior. A linguagem da fórmula cronológica exclui, porém, essa possibilidade. Cada afirmação contém quatro elementos. Primeiro é o verbo 'haver', que, na verdade, aparece duas vezes. Segue-se a menção das partes escura e clara do dia: a tarde e a manhã. Em terceiro lugar, numera-se o dia. Em quarto e último lugar, aparece a palavra 'dia' propriamente dita. Afirma-se nessa complexa fórmula cronológica que os elementos temporais surgiram, que se reuniram para formar o dia e que cada dia foi numerado. Quando se faz o confronto entre esse tipo de fórmula e outras evidência do AT (ver Gn 33:13; Êx 12:18; Ne 5:18), não fica nenhuma dúvida de que o escritor estava falando de um período de luz e trevas de 24 horas, que compunha um dia inteiro. A adição dos outros elementos dessa fórmula à palavra 'dia' dá uma especificidade que exige a aplicação limitada e local dessa locução no tempo." - William H. Shea, "Criação". Em Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia. Raoul Dederen (Ed.). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 470.

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