Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O correto cumprimento da lei

Uma vez que a natureza da lei é espiritual, Deus só pode aceitar uma obediência espiritual. A mente carnal, por estar sob o poder do pecado, encontra-se vendida à escravidão do pecado, e, portanto, é incapaz de obedecer (Romanos 7:14). Tentativas legalistas de obedecer à lei resultam em "forma de piedade" (II Timóteo 3:5), uma prática religiosa meramente externa e formal destituída de qualquer benefício. Quando mentes carnais buscam cumprir a lei, entram em conflito com a própria lei, a qual é santa, justa e boa (Romanos 7:12).


O apóstolo Paulo testifica da dolorosa frustração que aflige a todos os que procuram obter a justificação de Deus por seus próprios méritos (Romanos 7:18). Efetivamente, ninguém pode alcançar a justiça de Cristo mediante as "obras da lei". Qualquer tentativa nesse sentido resultará em retumbante fracasso (Romanos 8:7-8).

Através de seus ensinos sobre justificação pela fé e salvação pela graça, Paulo enfatiza que ninguém pode justificar-se pelas "obras da lei", pois não se pode obter a justiça divina mediante obras meritórias. Ele ensina que o papel da lei não consiste em remir-nos do pecado e justificar-nos perante Deus, mas qualificar o pecado como um problema real (Romanos 3:20; 7:7) e apresentar Cristo como única e suficiente solução (Romanos 10:4; Gálatas 3:24).

Paulo não invalida a lei em seus ensinos, mas a coloca em sua verdadeira relação com o evangelho. Por esta razão, ele diz que, mediante Seu Filho, "condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós" (Romanos 8:3-4). É a virtude do sacrifício expiatório de Cristo que nos põe novamente em harmonia com os santos requisitos da lei de Deus, comunicando-nos poder para vivermos uma vida de perfeita obediência.

Com efeito, sem a graça de Cristo e o dom do Espírito Santo seria virtualmente impossível ao homem colocar-se em harmonia com os requisitos da lei de Deus. Nenhuma quantidade de obediência legalista poderá subjugar a lei do pecado na carne (Romanos 7:15-23). Esta é antagônica à lei divina, de natureza espiritual, e que requer uma obediência que só está ao alcance dos que são espirituais e têm os frutos do Espírito (João 3:5-6; Gálatas 5:22-23; Efésios 5:9).

Tal condição de espiritualidade decorre do poder vivificador do Espírito Santo atuando no ser como um princípio de vida e liberdade, em contraste com a lei do pecado que produz somente morte e condenação (Romanos 8:2). A autoridade até então exercida pelo pecado que conduz à morte cede lugar ao Espírito de vida que, agindo no íntimo do ser, inspira obediência e comunica poder para vencer a influência destruidora do pecado (Romanos 8:3-4, 13).

Portanto, a menos que o pecador se entregue totalmente a Cristo mediante a fé, não pode cumprir a vontade de Deus. Uma libertação completa só é possível por meio de Jesus Cristo. Neste caso, o que a justiça humana é incapaz de fazer, realiza-se plenamente pela graça e o poder de Deus (Romanos 7:24-25; I Coríntios 15:57).

A lei de Deus como padrão moral de conduta

Os Dez Mandamentos estabelecem os valores da sociedade e o padrão moral pelo qual Deus exerce juízo (Tiago 2:12). Em seu livro Não Tenho Fé Suficiente para ser Ateu, Geisler e Turek se referem à lei moral como o padrão divino de retidão, que nos ajuda a decidir entre as diferentes opiniões morais que as pessoas possam ter. Sem o padrão de Deus, somos deixados exatamente com isto: opiniões humanas. Os autores observam com propriedade que a lei moral é o padrão final por meio do qual tudo é medido. (1)

De fato, as opiniões humanas não são um padrão seguro de julgamento. Andrew Lobaczewski observa que a visão de mundo - cotidiana, habitual, psicológica, social e moral - é um produto do processo de desenvolvimento do homem dentro da sociedade, sob a influência constante de traços inatos. Nenhuma pessoa pode se desenvolver sem ser influenciada por outras pessoas e por suas personalidades, ou sem a influência dos valores imbuídos provenientes de sua civilização e de suas tradições morais e religiosas. É por isso que a visão de mundo natural dos seres humanos não pode nem ser suficientemente universal, nem completamente verdadeira. (2)

Em face dessa realidade, é preciso buscar um padrão normativo universal que seja, ao mesmo tempo, exterior e superior a nós, neste caso, a Palavra de Deus e Sua eterna lei. Viver em função do padrão divino de moralidade e conduta representa o máximo em benefícios para a humanidade. Desviar-se dele é um risco cujo custo não pode ser mensurado. Ellen G. White escreve:

A felicidade do homem está em sua obediência às leis de Deus, Ao obedecer-lhes, é como se ele fosse circundado por uma cerca e protegido do mal. Nenhum homem pode ser feliz ao abandonar os requisitos específicos de Deus e estabelecer critérios próprios que ele acha que pode com segurança. Se fosse assim, haveria uma variedade de critérios a serem ajustados às diferentes mentalidades, o controle seria arrebatado das mãos de Deus, e os seres humanos assumiriam o governo. A lei do egoísmo seria enaltecida, a vontade do homem se tornaria suprema, e quando a elevada e santa vontade de Deus fosse apresentada a fim de ser obedecida, respeitada e honrada, a vontade humana desejaria seguir as próprias inclinações, e haveria conflito entre o instrumento humano e o divino. (3)

A história e a experiência testificam dos terríveis resultados de se negligenciar a lei de Deus, expressão de Sua eterna vontade, e substituí-la pelas inclinações e desejos não santificados do coração. As três mensagens angélicas constituem o derradeiro apelo de Deus para que nos voltemos a Ele e vivamos segundo os eternos preceitos de Sua lei, pela fé em Jesus (Apocalipse 14:12).


Notas e referências

1. Norman Geisler, Frank Turek. Não Tenho Fé Suficiente para ser Ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006, p. 199.

2. Andrew Lobaczewski. Ponerologia: Psicopatas no Poder. Campinas, SP: Vide Editorial, 2014, p. 36.

3. Ellen G. White. Jesus, meu Modelo. Meditações Diárias. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008, p. 48.

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