Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Diagnóstico e remédio (3)

Visto ser o pecado a causa de tantas calamidades e constantes antagonismos, não é possível para um Deus santo, justo e amoroso menosprezar o pecado, esquecê-lo ou ignorá-lo. A natureza de Deus exige uma reação efetiva contra o pecado; este deve ser julgado e finalmente banido do Universo, pois nenhum governo divino seria possível se Deus tolerasse o pecado.


Contudo, como Deus, sendo justo e fiel à Sua lei, pode deixar de exercer juízo contra o pecado e, ao mesmo tempo, sendo amor e misericórdia, executar a penalidade de morte sobre os pecadores, todos Seus filhos e filhas? Certamente, Deus jamais os abandonará à própria sorte sem um esforço supremo para reconciliar-se com eles e condenar e banir o pecado.

Oh, maravilhas da graça redentora! Em vez de executar o juízo sobre os pecadores, a Divindade decidiu assumi-lo, honrando a lei enquanto justificava o culpado! Por esta razão, "Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gálatas 4:4-5), e "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus." (II Coríntios 5:21).

A singularidade do evangelho reside no fato de que Cristo veio ao mundo enquanto ainda estávamos na condição e na prática do pecado (Romanos 5:8), ou seja, que foi o interesse de Deus pelo homem, e não algum mérito próprio que este possuísse o que motivou a vinda de nosso Salvador. Esse interesse profundo de Deus pelo homem constitui a mensagem central do cristianismo.

O perfeito sacrifício de Jesus não foi, portanto, o resultado de uma crueldade humana, nem foi concebido para apaziguar a um Deus iracundo, às vezes considerado pelos homens como um juiz severo e impiedoso; Cristo ofereceu-Se voluntariamente para morrer em lugar do pecador como demonstração do amor divino e inefável graça (João 3:16; 10:14-18; I João 4:9).

Mediante Seu Filho, Deus reconcilia o homem Consigo mesmo (II Coríntios 5:18-19), reparando a ruptura provocada pelo pecado e eliminando, assim, a inimizade resultante da violação de Sua lei. Daí porque a expiação não muda a lei; muda a relação de inimizade provocada pela transgressão em uma relação de amizade, por meio de um Substituto que cumpre as exigências da lei e capacita o crente a cumpri-las através da fé nEle (Romanos 5:11 e 19; 8:1-4). A perfeita oferta de Cristo é tanto a solução divina para o problema do pecado como a garantia de que Deus é justo e amoroso no trato desse problema (Romanos 3:25-26).

A suprema revelação do Calvário

A cruz revela o caráter moral de Deus em Seus atributos de amor e justiça: amor, porque em Cristo a Divindade revela a capacidade divina de amar a ponto de sofrer com e por Seus filhos, reconciliando o homem Consigo mesma a todo custo; justiça, porque vindica perante todo o Universo o caráter moral de Deus e Seu trono, colocados sob suspeita pelo diabo (Isaías 14:13-14), satisfazendo, portanto, necessidades da própria Divindade.

O Calvário é a única solução que satisfaz a ambos os atributos. Por Sua vida e morte, nosso Salvador provou que a justiça divina não destrói a misericórdia. A solução do pecado não podia comprometer nem a justiça e nem a misericórdia. A cruz mostrou que, no plano divino, elas estão unidas. Uma não pode existir sem a outra, consequentemente Cristo satisfez as exigências de ambas. (1)

Pela virtude de Seu sangue, Cristo salva completamente o pecador que O aceita (Hebreus 7:25) e julga e condena o pecado até seu último limite (João 12:31-33), manifestando, assim, Seu justo amor e garantindo a final erradicação do pecado e a eterna segurança do governo divino e de Suas criaturas.

No grande drama universal entre a luz e as trevas, Jesus Cristo é o Personagem chave, o supremo Dom de Deus para atender todas as necessidades do pecador e trazê-lo de volta à comunhão com Ele (Colossenses 1:19-20). Cristo não é uma solução entre muitas; Ele é a única solução, a única provisão feita pela Divindade para a salvação do homem (João 14:6; Atos 4:12; I Timóteo 2:5). Escrevendo sobre o alcance desta salvação, Ellen G. White diz:

Pecado algum pode ser cometido pelo homem, para o qual não se tenha dado satisfação no Calvário. Assim a cruz, em fervorosos apelos, constantemente oferece ao pecador uma expiação cabal. (2)

Com efeito, a solução divina no Calvário, na mediação e no juízo de Cristo à destra do trono de Deus (Hebreus 8:1-2), responde a todos os problemas provocados pelo pecado em suas diferentes dimensões: concede ao pecador perdão e purificação da culpa na qualidade de transgressor da lei de Deus (Atos 2:38; I João 1:9); renovação do coração e da vontade em resposta ao pecado como um problema íntimo do ser humano (Salmo 51:10; Ezequiel 36:26-27); libertação do pecado enquanto poder escravizador e opressor (João 8:32, 36; Romanos 6); e, finalmente, total eliminação do pecado como realidade tangível, com a vinda de nosso Senhor, quando o corpo corruptível for imortalizado, e, posteriormente, toda a criação de Deus, restaurada à sua perfeição original (I Coríntios 15:51-55; Filipenses 3:20-21; Apocalipse 21:1-4).

Mediante a cruz, o próprio Deus assumiu a sentença da culpa, como se a responsabilidade final fosse dEle (Romanos 6:23; I João 2:2), ao invés de executá-la sobre os pecadores, e, por isso, todo ser pensante é chamado, através do evangelho eterno, a fazer sua escolha por Cristo. Se respondermos favoravelmente à mensagem de esperança e salvação, Ele promete  redimir-nos de todo o pecado e restaurar-nos à imagem de Deus.


Notas e referências

1. Wilson H. Endruveit, Experiência da Salvação. São Paulo, 2007, p. 58.

2. Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, volume 1, 3ª edição, p. 343.

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