Prezados Irmãos,
Saúde e paz.
Em vista das situações desagradáveis atribuídas ao meu último sermão (antes intitulado "Pastores satanistas na IASD" e renomeado para "O dilema de Laodiceia: Identidade Profética vs. Relevância Cultural"), devo fazer alguns esclarecimentos importantes:
1º Ainda que chocantes e controversos, o título e a thumbnail originais do vídeo não configuraram clickbait, tampouco "clickbait imprudente".
Eu nunca, jamais recorreria à esta prática altamente reprovável de criar falsas expectativas na audiência com informações sensacionalistas e, muitas vezes, enganosas para gerar cliques no canal da igreja.
O conteúdo de meu sermão entrega exatamente o que o título e a thumbnail sugeriram.
A escolha refletiu uma estratégia na economia da atenção que faz parte do jogo no YouTube, pois o público – e particularmente a audiência cristã – "adora" temas polêmicos.
Não obstante, mesmo as pessoas que se sentiram atraídas pelas razões erradas poderão ser edificadas pela mensagem, se quiserem.
Seja como for, ainda que eu tenha exagerado na forma (título é thumbnail), não o fiz no conteúdo.
As consequências das filosofias e métodos altamente prejudiciais adotados por nossa liderança e aceitos sem nenhuma crítica ou questionamento são públicas e notórias, e são elas que, em última análise, expõem a Igreja e trazem opróbrio sobre o povo de Deus.
Deixem-me explicar melhor.
Sabemos, à luz das Escrituras, que a adesão a um culto idólatra implicava abandono progressivo da identidade israelita.
Quando lembramos que a relação entre Deus e Israel se baseava na aliança do Senhor com Seu povo (Êxodo 19:5-6), fica evidente que a idolatria não era apenas um erro religioso, mas uma traição espiritual.
Todas as vezes que validava, por assim dizer, o sistema religioso que deveria rejeitar, Israel deixava de ser um povo singular e passava, aos olhos de seus vizinhos, a ser apenas mais um participante – ainda que inconsciente – do ambiente idólatra comum (ver, por exemplo, Salmo 106).
Em outras palavras, Israel deixava de ser percebido como uma nação distinta por causa de sua apostasia e passava a ser mais um entre muitos.
Não é de admirar que Oséias 9:10 associe a apostasia em Baal-Peor à vergonha coletiva, decorrente da quebra da aliança e da perda de identidade. O evento se tornou um marco de desonra histórica, um arquétipo de degradação espiritual e moral do povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento.
E aqui está o ponto mais importante. O que realmente compromete a reputação da igreja é a conduta do povo em relação à aliança de Deus, não a linguagem de repreensão dos profetas. A profecia é o diagnóstico e julgamento do escândalo, não sua causa.
Em Ezequiel 36:20 a 23, Deus diz que Israel "profanou o meu santo nome entre as nações" como resultado de seu comportamento. O dano reputacional nasce da infidelidade, nunca da repreensão. A reputação de Israel já estava comprometida pela idolatria. Os profetas apenas a tornam explícita.
Mas ao expor publicamente a perda de reputação pela infidelidade do povo, as mensagens protegem e elevam ainda mais a reputação do Deus de Israel!
Um fato digno de nota é que profetas como Ezequiel, especialmente em passagens como as do capítulo 23, chegam a utilizar uma linguagem chocante, sexual, até gráfica, ao traduzir os sentimentos de Deus em relação à infidelidade de Seu povo.
O objetivo de Deus era romper a anestesia moral, tornando o pecado evidente, incontestável e incontornável. A linguagem vigorosa revela a profundidade da degradação (o que pode parecer escandaloso externamente), mas também revela a profundidade da santidade de Deus (o que pode gerar temor e respeito).
Em síntese, enquanto o pecado gera escândalo, os profetas transformam esse escândalo em revelação; enquanto a apostasia (como em Baal-Peor) enfraquece Israel diante das nações, a profecia explica por que isso aconteceu e quem está julgando.
Assim, longe de prejudicar a reputação de Israel de forma independente, os profetas atuam como intérpretes autorizados da crise e guardiões da coerência moral do povo de Deus.
Os atalaias e portadores de luz devem fazer o mesmo hoje, no Espírito e temor de Deus.
2º Desafio respeitosamente qualquer membro ou líder da Igreja a provar pelas Escrituras e pelos Testemunhos que fui leviano ao abordar abertamente um tema tão espinhoso, ou que o fiz sem o temor de Deus ou os melhores interesses em vista.
3º Atribuir toda a celeuma que se seguiu à mensagem ou à fonte que utilizei é injusto e desonesto. O fato é que a mensagem como um todo incomoda. E incomoda principalmente líderes e leigos não consagrados.
Na verdade, o vídeo não é a causa mais profunda da crise. Esta pode ser identificada nas palavras inspiradas do sábio Salomão em Provérbios 6:16 a 19:
Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.
Com exceção do derramar sangue inocente, quem negará que todo o mal-estar produzido decorreu destes sentimentos profundamente reprováveis aos olhos de Deus?
Questões sensíveis que discutimos no grupo – como o "Provai e Vede" e a "Semana Santa" – deveriam ter ficado no grupo. Nunca fiz destas questões uma bandeira. Nunca as levei para qualquer igreja do distrito ou além. E nunca, jamais gravei um único vídeo ou escrevi um único artigo a respeito.
No entanto, tudo isso, e muito mais, chegou ao conhecimento da nossa Associação local. Por quê? Quem fez disso um meio de denegrir minha imagem e, consequentemente, expor o grupo?
Que o Senhor os repreenda. Sim, que o Senhor os repreenda.
4º Não sou o fundador do grupo, nem tomei a iniciativa de acompanhar o pastor distrital da época no processo de formação.
Mas abracei a causa diligentemente, apesar de minhas muitas indignidades e limitações. Abri e fechei a igreja inúmeras vezes, mesmo quando não era o ancião responsável pelo mês, deixando claro para todos o meu nível de comprometimento com Deus e com o grupo.
5º Por razões de consciência, portanto, não excluirei do canal oficial do grupo nenhuma das mensagens de exortação que apresentei, nem farei qualquer retratação pública além daquela que fiz pessoalmente ao meu pastor distrital quanto aos títulos e thumbnails.
Reitero meu desafio respeitoso para que qualquer um de meus colegas anciãos e demais líderes prove que as mensagens apresentadas são biblicamente inconsistentes, ou que foram transmitidas sem o temor de Deus.
6º Reitero também que meu compromisso com Deus e com a Igreja permanece inabalável. Há muitos anos, venho sofrendo críticas e acusações infundadas, e se eu as levasse a sério, já teria abandonado a fé.
Uma vez que essas críticas e acusações geralmente procedem de pastores e leigos que, como os ninivitas, não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda (Jonas 4:11), meus sentimentos são mais de compaixão do que de mágoa.
7º Reitero ainda meu compromisso com o novo pastor distrital, no sentido de que ele esteja em paz quanto às decisões administrativas a serem tomadas, pois, independentemente de qualquer coisa, mantenho firme a esperança de que seu ministério será para o nosso distrito o sopro de vida pelo qual temos por tanto tempo orado.
Sem mais, despeço-me com as palavras inspiradas do apóstolo em sua primeira epístola aos Tessalonicenses, capítulo 5, versos 23 e 24:
O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.
Com amor fraterno,
Ricardo Oliveira Luz
Ancião ordenado e membro regular da Igreja Adventista do Sétimo Dia

2 Comentários
Sabias palavras meu irmão, parabéns pela carta, eu não teria sido tão polido com as palavras
ResponderExcluirMeu mano, eu te entendo, te apoio. Concordo com cada palavra que você escreveu aqui na carta.
ResponderExcluirInfelizmente os problemas que enfrentamos no grupo são sim os defeitos de caráter mencionados em Provérbios 6:16 a 19 e pelas experiências que tenho visto, é o problema de muitas igrejas, infelizmente. Somos um povo privilegiado mas assim como o povo de Israel no passado, estamos dormindo. A igreja ainda não está preparada para receber algumas bênçãos que Deus tem para oferecer.
Bom, sabíamos que no final estaríamos sozinhos (e na prática,
foi assim durante muito tempo) Estamos sendo preparados para o pior que ainda virá.
Sou pecadora e não sou melhor do que ninguém, mas como irmã que se preocupa com irmãos distantes do Senhor, fica aqui o meu conselho: "Parem de brincar, arrependam-se de seus pecados e volem-se para Jesus enquanto ainda é tempo e aprendam a lição de que o Senhor odeia fofocas."
Que sirva de exemplo para outros.