Blog dedicado ao estudo de Apocalipse 14:6 a 12.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A perseverança dos santos

Apocalipse 14:12 resume o princípio que orienta a tríplice mensagem angélica e o resultado final de sua proclamação: um povo que persevera na obediência aos mandamentos de Deus e na fé em Jesus. Esta é a experiência que caracteriza o remanescente fiel nos últimos dias. Significativamente, o apóstolo João menciona primeiro o resultado da animosa persistência dos santos - a obediência à lei de Deus - e depois sua causa essencial - a fé em Jesus. Num tempo em que a besta e sua imagem induzem o mundo à ilegalidade e a uma falsa fé, os santos se distinguem pela verdadeira fé em Jesus, a qual é inquestionavelmente demonstrada por sua obediência à lei de Deus. Nisto consiste o foco do conflito final entre a verdade e o erro.


A necessidade de todo crente

A perseverança cristã é fruto de uma convicção íntima, inabalável, que resiste toda prova. A vida de Jesus Cristo é o maior exemplo de semelhante fé e perseverança. Durante Seu ministério terrestre, não só afirmou que existe uma verdade e que Ele a possuía, como declarou também que Ele era a verdade; o caminho, a verdade e a vida, o único meio de se chegar ao Pai (João 14:6). Em virtude de Suas declarações sobre Si mesmo e Sua mensagem politicamente incorretas, Jesus enfrentou todo tipo de oposição, mas permaneceu obediente "até à morte e morte de cruz" (Filipenses 2:8). Ninguém demonstra tamanha perseverança se não estiver plenamente convicto de que possui a verdade.

Ademais, não se persevera quando se está na zona de conforto. É a provação da nossa fé que, uma vez confirmada, produz perseverança e, portanto, maturidade espiritual (Tiago 1:3-4). Perseverar na fé em Jesus e na obediência à vontade de Deus quando suas crenças são desprezadas ou ridicularizadas, seus bens materiais, confiscados, ou mesmo quando sua própria vida ou a vida das pessoas que você ama está em perigo, é a expressão máxima do amor que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (I Coríntios 13:7). Por isso, o Senhor anima o Seu povo, dizendo:

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. (Tiago 1:12)

A epístola aos Hebreus exorta os crentes a não abandonar seu amor e confiança em Cristo em virtude de tão grande galardão (10:35)! No verso 36, o autor inspirado acrescenta:

Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.

A persistência na fé é considerada pelo apóstolo uma necessidade para o crente. Tanto quanto o alimento e a água são essenciais à vida humana, a perseverança é uma virtude imprescindível ao cristão, pois sem ela não pode cumprir a vontade de Deus, nem tampouco alcançar a "promessa da eterna herança" (Hebreus 9:15).

A determinação em cumprir a vontade de Deus constitui uma característica distintiva de Seu povo no tempo do fim. Não poderia ser de outro modo, visto que a ameaça final contra a vida dos santos requer firme perseverança (Apocalipse 13:15-17). É no contexto desta derradeira crise de proporções globais que o chamado de Deus em Apocalipse 14:12 adquire pleno significado. Enfatiza-se aqui a necessidade de uma vigorosa e constante relação de Seu povo com Ele, uma experiência fundamentada em verdades eternas e mantida pelo poder do Altíssimo. O próprio Salvador mencionou a perseverança como essencial nos últimos dias:

Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. (Mateus 24:13)

A menção de Jesus à necessidade de perseverança no tempo do fim é amplamente justificada por dois motivos: (1) o prêmio de infinito valor prometido aos santos; e (2) a exposição às seduções dos falsos profetas, cuja atuação neste período ameaçaria os cristãos com enganos quase irresistíveis, incitando a apostasia e o pecado. A advertência de nosso Salvador sobre esse fenômeno, repetida três vezes ao longo de Seu discurso profético, não tem em vista somente a dimensão individual do problema, mas, sobretudo, sua dimensão ecumênica, evidenciada pelo espírito da época.

A derradeira prova de lealdade

A perseverança do remanescente final será provada em função da atividade global do anticristo. Em Apocalipse 16:13, João vê, em visão, "três espíritos imundos semelhantes a rãs" saindo "da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta", os quais "se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso" (verso 14). A visão é descrita em linguagem simbólica, mas o vidente de Patmos se refere a acontecimentos reais (ver Apocalipse 1:1) de âmbito mundial.

Aqui se descrevem potências religiosas apóstatas representadas pelas figuras do dragão, da besta (marítima, conforme Apocalipse 13:1-10) e do falso profeta (a besta terrestre, conforme 13:11-17) que se dirigem a todos os poderes políticos do mundo com o objetivo de uni-los sob uma causa comum. Isto significa que, pouco antes da vinda de Cristo, haverá uma convergência de interesses religiosos e políticos que culminará num modelo consensual de proporções globais, uma nova configuração mundial que, para todos os efeitos, declara guerra ao Deus Todo-Poderoso e, portanto, ao Seu povo.

Em outras palavras, o Apocalipse não sustenta um mundo dividido por meio de uma guerra entre o Ocidente e o Oriente, como alguns imaginam, mas um mundo que caminha em direção a uma aproximação, uma união com base em interesses, necessidades e valores em comum. Conforme antecipa Daniel 2:43, não se trata de uma união orgânica e permanente, porém relativa e transitória.

O resultado dessa aproximação entre potências religiosas e políticas é uma ordem mundial em que todos têm "um só pensamento" (Apocalipse 17:13). Esta é a cosmovisão dominante no tempo do fim. Cosmovisão se refere à visão de mundo, ao espírito da época, neste caso, hegemônica e caracterizada por movimentos de conciliação, convergência e cooperação. Talvez nada represente melhor o verdadeiro espírito por trás dessa política do que o pôster promocional da União Europeia, cuja proposta é simbolizada por uma "torre de Babel". A inversão de valores é evidente para os que conhecem o significado bíblico de Gênesis 11:1 a 9. Equivale a dizer que a ideia de Ninrode e os conceitos que ela encerra não são tão maus quanto parecem. Não surpreende que o Apocalipse se refira à apostasia de dimensões ecumênicas no tempo do fim como Babilônia.





Tais movimentos rumo a um consenso global, conforme antecipado na profecia, são declaradamente anticristãos; os agentes de transformação social são, em última instância, espíritos de demônios, cujo discurso proclama a "boa vontade", a "união" e a "cooperação" como essenciais à nova ordem, e condena todo tipo de separatismo, em particular aquele expresso no último apelo de Deus ao Seu povo: "Separai-vos" (Apocalipse 18:4; II Coríntios 6:17-18). Para potencializar os efeitos de seu discurso conciliatório, os agentes demoníacos são também "operadores de sinais". Pode-se, assim, compreender melhor por que Cristo foi tão enfático quando advertiu Seus seguidores sobre o poder de apelo dos falsos profetas nos últimos dias (Mateus 24:24).

Com efeito, os fiéis discípulos de Jesus não têm de enfrentar somente instituições político-religiosas que reivindicam para si atributos que não lhes pertencem (sobre isso, clique aqui e aqui), senão também uma cosmovisão dominante que absorve todas as demais cosmovisões compatíveis com suas premissas e repele aquelas que se lhe opõem. Essa cosmovisão hegemônica, produto da atuação da tríade satânica (dragão, besta e falso profeta), trata como exceção todos aqueles que decidem permanecer fiéis a Deus (Apocalipse 13:15-17). Enfrentar o espírito do tempo constitui, pois, o maior desafio à perseverança dos crentes na lealdade e obediência ao Altíssimo.

Perigo real e imediato

As consequências de um posicionamento que contrarie os valores considerados universalmente válidos pela nova ética social podem ser percebidas em questões atualmente sensíveis como o homossexualismo, o feminismo, a identidade de gênero, entre outras. Um cristão que mantenha resolutamente a compreensão bíblica sobre estas questões é rotulado de "fundamentalista" e publicamente execrado, não obstante o suposto direito que o cidadão tem de expressar pontos de vista diferentes. A palavra "preconceito" é então usada como arma de guerra ideológica, visto que, na perspectiva do discurso consensual globalista, não pode haver tolerância a pensamentos considerados politicamente incorretos.

O mesmo vale para o cristão que crê na Bíblia como a regra máxima de fé e prática, no relato literal da criação em seis dias, no conteúdo objetivo dos livros proféticos de Daniel e Apocalipse ou na literalidade da volta de Jesus. "Fundamentalismo" é um termo que tem suportado uma variedade de interpretações bastante flexíveis. Afinal, para ser um cidadão reconhecido pela Nova Ordem, é necessário suspender o juízo crítico e sujeitar-se à cosmovisão dominante, com seus valores híbridos e anticristãos universalmente aceitos.

É neste contexto que a perseverança do crente se torna indispensável. Se todos são nossos amigos e concordam conosco, não há por que haver perseverança. Esta virtude é essencial quando estamos na contramão do mundo, do espírito da época, ao reconhecer que seus princípios são incompatíveis com o evangelho de Cristo (veja um exemplo notório, clicando aqui). O próprio Salvador afirmou:

Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. (João 15:19)

Nosso Redentor se refere aqui ao mundo em seu estado de rebelião contra Deus e Seu governo. Nestas condições, todos os que assumem a "vergonha da cruz" se tornam objeto de desprezo e ódio por parte de um mundo que não pode receber o Espírito da verdade, "porque não o vê, nem o conhece" (João 14:17).

O perigo reside em procurarmos mudar os sentimentos que o mundo tem a nosso respeito, aderindo ao seu discurso conciliador. Penso que a adoção da religião popular é o caminho mais rápido neste sentido. Digo isto porque grande parte das igrejas cristãs, entre elas, evangélicas e protestantes, está se convertendo num espaço de transformação social marcada por uma mudança nos padrões de pensamento e comportamento mediante a introdução de valores híbridos, isto é, valores até certo ponto cristãos, mas que incorporam algo da espiritualidade planetária. O Movimento de Crescimento das Igrejas e a Igreja Emergente são fenômenos representativos do que estou tentando dizer (mais informações, clique aqui).

O diabo já está enredando o mundo num engano de dimensões globais. A igreja cristã constitui agora a última fronteira a ser conquistada. Quais são as ideias que têm influenciado os cristãos a ponto de substituírem a sólida base de sua fé - a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus - por um fundamento instável, semelhante ao da torre de Babel?

Em Apocalipse 3:10, Jesus Cristo promete preservar a igreja "da hora da tentação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra". Como acontece com todas as promessas feitas pelo Salvador, o cumprimento das palavras de Cristo neste verso está condicionado à lealdade de Seu povo: "Porque guardaste a palavra da minha perseverança"! Jesus promete honrar a fidelidade de Sua igreja! Cabe a ela, mediante fé no Filho de Deus, fazer jus à promessa do Redentor, guardando a Palavra da Sua perseverança, custe o que custar.

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. (Apocalipse 14:12)

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